Igrejas, capelas, templos e casas de oração marcam a história das cidades e chamam a atenção pela arquitetura. Por trás de obras icônicas capazes de representar uma religião estão arquitetos que deixam de lado as próprias crenças para projetar com sensibilidade e técnica.
Projetar uma catedral foi considerado por Oscar Niemeyer (1907–2012) um dos temas mais atraentes de sua carreira. Ao explicar o desenho da Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, no Distrito Federal, ele afirmou: “Seu estudo permite uma maior liberdade de concepção, dada a simplicidade do programa com relação ao ritual sacro”.
“Na hora de projetar um equipamento religioso, o arquiteto deve entender os rituais daquela religião para adicionar elementos essenciais e criar um espaço para que o indivíduo possa se conectar com o seu lado espiritual”, diz Luciana Nemer Diniz, professora da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Na Catedral Metropolitana de Brasília, vitrais em tons de azul, verde e branco, projetados pela artista Marianne Peretti, filtram a luz natural que entra entre os pilares curvos concebidos por Oscar Niemeyer
Donatas Dabravolskas/Wikimedia Commons
No caso da igreja católica, por exemplo, o programa de arquitetura requer ambientes como nave (destinada a acomodar os fiéis), altar, sacristia (local para guardar objetos sagrados), pia batismal, espaços de circulação e de apoio, como copa e sanitários.
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É importante considerar a acústica e a iluminação que o ambiente vai receber, já que são elementos importantes no momento de reza. Porém, mais do que estética, o projeto deve traduzir significado, acolhimento e atemporalidade. “O importante é a sensação criada no fiel, como quietude, subjetividade e conexão simbólica com o céu e o mundo espiritual”, completa Luciana.
Com cerca de 75 metros de altura, a Catedral Metropolitana de São Sebastião, no Rio de Janeiro, projetada por Edgar de Oliveira da Fonseca, chama a atenção pelo formato cônico inspirado nas pirâmides pré-colombianas
Cyro A. Silva/Wikimedia Commons
A seguir, reunimos 10 arquitetos que ousaram projetar espaços capazes de conectar arquitetura e espiritualidade. Confira:
1. Carlos Rossi
Nos jardins do Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, SP, o Espaço de Oração rendeu ao arquiteto Carlos Rossi um prêmio no International Interior Design Association 2026 .Como ponto de partida, ele optou por valorizar as árvores já presentes no ambiente, colocando a natureza como protagonista.
Espaço de Oração, projetado por Carlos Rossi nos jardins do Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. O projeto valoriza a natureza existente e utiliza madeira e grandes painéis de vidro para criar um ambiente de contemplação
Tuca Reinés/Divulgação
“A madeira, escolhida por sua elegância calorosa, envolve o espaço com sensação de abrigo”, pontua o arquiteto em entrevista à Casa e Jardim. Além da madeira, o formato tradicional de casa reforça a proximidade e pertencimento.
“Os amplos painéis de vidro, estrategicamente posicionados, criam permeabilidade visual e enquadram as árvores externas como verdadeiras obras de arte naturais”, diz Carlos. “É um gesto arquitetônico emblemático — como observar o mundo por meio de uma grande janela para o sagrado.”
2. Oscar Niemeyer
A Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, em Brasília, é um dos projetos religiosos mais icônicos de Oscar Niemeyer, marcada por pilares curvos em concreto e vitrais que iluminam a nave central
Senado Federal/Wikimedia Commons
Um dos principais arquitetos brasileiros, Oscar Niemeyer projetou tantos edifícios religiosos que chegou até a lançar um livro intitulado As Igrejas de Oscar Niemeyer. Nele, são descritas 16 obras.
Uma das mais icônicas é a Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, em Brasília. O edifício é marcado pelo uso de concreto armado e curvas. “São 16 pilares curvos – um diferente do outro –, que simulam duas mãos em oração”, descreve Luciana. Quem acessa a catedral entra por um túnel, com iluminação mais escura, até chegar à nave central, onde as luzes entram por meio de vitrais.
A Igreja São Francisco de Assis, na Pampulha, Minas Gerais, é um dos marcos do modernismo brasileiro. O edifício se destaca pelas curvas em concreto armado e pelos painéis de azulejos de Cândido Portinari, que ajudam a integrar arte, arquitetura e paisagem
Sérgio Mourão/Wikimedia Commons
Já em Belo Horizonte, MG, ele foi o responsável por projetar a Igreja São Francisco de Assis, marcada pelas curvas características do estilo do arquiteto e complementada por painéis de Cândido Portinari.
3. Paulo Mendes da Rocha
A Capela de São Pedro Apóstolo, em Campos do Jordão, projetada por Paulo Mendes da Rocha, utiliza grandes planos de vidro para integrar o interior da igreja à paisagem da Serra da Mantiqueira
Gabriel Fernandes/Wikimedia Commons
O capixaba Paulo Mendes da Rocha (1928-2021) é o responsável pela Capela de São Pedro Apóstolo, em Campos do Jordão, SP. Inaugurada em 1989, o espaço segue o estilo modernista e traz forte conexão com o entorno.
Um espelho d’água reforça a atmosfera de silêncio e contemplação na Capela de São Pedro Apóstolo
Gabriel Fernandes/Wikimedia Commons
“São amplos painéis de vidro que permitem admirar as montanhas da Serra da Mantiqueira”, aponta Luciana. “São Pedro é conhecido como padroeiro dos pescadores, por isso a capela conta com um espelho d’água, que também transmite tranquilidade e silencia a alma”, complementa a professora.
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4. Edgar de Oliveira da Fonseca
A Catedral Metropolitana de São Sebastião, no Rio de Janeiro, projetada por Edgar de Oliveira da Fonseca, tem formato cônico e vitrais coloridos que se estendem do chão ao topo da estrutura
chensiyuan/Wikimedia Commons
Edgar de Oliveira da Fonseca é um dos nomes do modernismo e foi responsável pelo projeto de duas igrejas da capital fluminense.
No centro do Rio de Janeiro, fica a Catedral Metropolitana de São Sebastião, que homenageia o padroeiro da cidade. Com 75 metros de altura externa, o local tem formato cônico e vitrais coloridos, que vão do chão ao teto.
Projetada pelo arquiteto Edgar de Oliveira da Fonseca, a Igreja de São José, na Lagoa, se destaca pela planta circular
Instagram/@paroquiasaojosedalagoa/Reprodução
Já na zona sul, no bairro da Lagoa, está localizada a Igreja São José. A obra é caracterizada por seu formato circular e pilares, intercalados por painéis de vidro.
5. José Augusto Bellucci
A Catedral Metropolitana Basílica Menor Nossa Senhora da Glória, em Maringá, idealizada por José Augusto Bellucci, é conhecida pelo seu formato cônico
Mario Roberto Durán Ortiz/Wikimedia Commons
Símbolo do brutalismo, a Catedral Metropolitana Basílica Menor Nossa Senhora da Glória, em Maringá, PR, foi idealizada pelo arquiteto José Augusto Bellucci (1907-1998). O resultado foi uma igreja em concreto e em formato cônico, com mais de 120 metros de altura, inaugurada em 1972.
A arquitetura é complementada por vitrais triangulares do artista Lorenz Helmair. No total são quatro vitrais de 20 metros e 12 metros — simbolizando os apóstolos. No interior, pilares triplos dão sustentação aos dois cones centrais.
6. Gottfried Böhm
A Catedral São Paulo Apóstolo, em Blumenau, projetada por Gottfried Böhm, combina concreto, pedra e tijolo aparentes em uma estrutura vertical marcada por formas curvas
Amanari/Wikimedia Commons
O arquiteto alemão Gottfried Böhm (1920-2021) é o nome por trás de duas igrejas construídas no estado de Santa Catarina: a Catedral São Paulo Apóstolo, em Blumenau, e a Igreja São Luiz Gonzaga, em Brusque. O conceito é semelhante: ambas possuem visão exterior alta, com colunas e formas curvas.
Projetada pelo arquiteto alemão Gottfried Böhm, a Igreja São Luiz Gonzaga combina granito cinza extraído da região, vitrais e cobogós que filtram a luz natural, criando um ambiente marcado por formas curvas e forte expressão material
Instagram/@matrizsaoluisgonzaga/Reprodução
A Catedral São Paulo Apóstolo se destaca por uma torre sineira na entrada do conjunto e o uso de materiais aparentes, como concreto, pedra e tijolo. Já a Igreja São Luiz Gonzaga é marcada por blocos de granito cinza extraídos da região, vitrais e cobogós que lembram escamas de peixe, como um símbolo cristão que significa o milagre.
7. Hans Broos
De origem alemã, mas radicado brasileiro, o arquiteto Hans Broos (1921-2011) construiu a Igreja São Bonifácio, localizada no bairro da Vila Mariana, em São Paulo, SP.
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O espaço religioso funciona dentro de um grande volume retangular de concreto aparente suspenso a cerca de 4,5 metros do solo, apoiado em quatro pilares. O vazio criado sob a estrutura forma uma praça coberta que prolonga a área pública da rua para dentro do terreno, integrando cidade e igreja.
A nave, marcada por linhas simples e pela materialidade bruta do concreto, recebe iluminação indireta que enfatiza o altar e a cruz, criando uma atmosfera introspectiva.
8. Vo Trong Nghia
O Templo Budista Ben Tre, no Vietnã, projetado por Vo Trong Nghia, utiliza madeira e elementos naturais para criar um espaço de contemplação integrado à paisagem
Vo Trong Nghia/Reprodução
O arquiteto vietnamita Vo Trong Nghia tem uma carreira marcada pelo uso de materiais naturais — o que aparece também no seu projeto para o Templo Budista Ben Tre, no Vietnã.
O edifício abriga um altar, uma área de assentos, um espaço para eventos e uma cozinha. O arquiteto utilizou madeiras importadas de florestas sustentáveis e incorporou elementos característicos da região, como beirais profundos, espaços contínuos e um lago de carpas.
9. Tadao Ando
A Igreja da Luz, em Ibaraki, no Japão, projetada por Tadao Ando, é conhecida pela cruz vazada na parede do altar
Alejandro/Wikimedia Commons
O arquiteto japonês Tadao Ando é conhecido pelo uso inovador do concreto, luz e elementos naturais, os quais aparecem na Igreja da Luz, em Ibaraki, no Japão.
“É um projeto marcado por linhas simples e pela abstração do exterior. O grande destaque é uma cruz vazada ao fundo do altar, que permite a entrada de luz”, aponta Luciana.
10. Kashef Chowdhury
O arquiteto de Bangladesh, Kashef Chowdhury, projetou a Mesquita de Gulshan, marcada por um formato vertical devido ao terreno reduzido.
A Mesquita de Gulshan, em Dhaka, projetada por Kashef Chowdhury, utiliza uma estrutura vazada para garantir iluminação natural e ventilação
Kritzolina/Wikimedia Commons
Os ambientes internos recebem abundante luz natural e ventilação. Isso é possível graças ao jali, uma estrutura vazada que envolve o edifício e define sua forma e fachadas, além de proteger contra a chuva e o calor do sol.
O desenho do elemento é uma abstração de “La-ilaha-illallah” — declaração central do islamismo que significa, em árabe, “não há divindade além de Deus” — repetida em faixas contínuas nas quatro faces do prédio.
Projetar uma catedral foi considerado por Oscar Niemeyer (1907–2012) um dos temas mais atraentes de sua carreira. Ao explicar o desenho da Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, no Distrito Federal, ele afirmou: “Seu estudo permite uma maior liberdade de concepção, dada a simplicidade do programa com relação ao ritual sacro”.
“Na hora de projetar um equipamento religioso, o arquiteto deve entender os rituais daquela religião para adicionar elementos essenciais e criar um espaço para que o indivíduo possa se conectar com o seu lado espiritual”, diz Luciana Nemer Diniz, professora da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Na Catedral Metropolitana de Brasília, vitrais em tons de azul, verde e branco, projetados pela artista Marianne Peretti, filtram a luz natural que entra entre os pilares curvos concebidos por Oscar Niemeyer
Donatas Dabravolskas/Wikimedia Commons
No caso da igreja católica, por exemplo, o programa de arquitetura requer ambientes como nave (destinada a acomodar os fiéis), altar, sacristia (local para guardar objetos sagrados), pia batismal, espaços de circulação e de apoio, como copa e sanitários.
Leia também
É importante considerar a acústica e a iluminação que o ambiente vai receber, já que são elementos importantes no momento de reza. Porém, mais do que estética, o projeto deve traduzir significado, acolhimento e atemporalidade. “O importante é a sensação criada no fiel, como quietude, subjetividade e conexão simbólica com o céu e o mundo espiritual”, completa Luciana.
Com cerca de 75 metros de altura, a Catedral Metropolitana de São Sebastião, no Rio de Janeiro, projetada por Edgar de Oliveira da Fonseca, chama a atenção pelo formato cônico inspirado nas pirâmides pré-colombianas
Cyro A. Silva/Wikimedia Commons
A seguir, reunimos 10 arquitetos que ousaram projetar espaços capazes de conectar arquitetura e espiritualidade. Confira:
1. Carlos Rossi
Nos jardins do Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, SP, o Espaço de Oração rendeu ao arquiteto Carlos Rossi um prêmio no International Interior Design Association 2026 .Como ponto de partida, ele optou por valorizar as árvores já presentes no ambiente, colocando a natureza como protagonista.
Espaço de Oração, projetado por Carlos Rossi nos jardins do Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. O projeto valoriza a natureza existente e utiliza madeira e grandes painéis de vidro para criar um ambiente de contemplação
Tuca Reinés/Divulgação
“A madeira, escolhida por sua elegância calorosa, envolve o espaço com sensação de abrigo”, pontua o arquiteto em entrevista à Casa e Jardim. Além da madeira, o formato tradicional de casa reforça a proximidade e pertencimento.
“Os amplos painéis de vidro, estrategicamente posicionados, criam permeabilidade visual e enquadram as árvores externas como verdadeiras obras de arte naturais”, diz Carlos. “É um gesto arquitetônico emblemático — como observar o mundo por meio de uma grande janela para o sagrado.”
2. Oscar Niemeyer
A Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, em Brasília, é um dos projetos religiosos mais icônicos de Oscar Niemeyer, marcada por pilares curvos em concreto e vitrais que iluminam a nave central
Senado Federal/Wikimedia Commons
Um dos principais arquitetos brasileiros, Oscar Niemeyer projetou tantos edifícios religiosos que chegou até a lançar um livro intitulado As Igrejas de Oscar Niemeyer. Nele, são descritas 16 obras.
Uma das mais icônicas é a Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, em Brasília. O edifício é marcado pelo uso de concreto armado e curvas. “São 16 pilares curvos – um diferente do outro –, que simulam duas mãos em oração”, descreve Luciana. Quem acessa a catedral entra por um túnel, com iluminação mais escura, até chegar à nave central, onde as luzes entram por meio de vitrais.
A Igreja São Francisco de Assis, na Pampulha, Minas Gerais, é um dos marcos do modernismo brasileiro. O edifício se destaca pelas curvas em concreto armado e pelos painéis de azulejos de Cândido Portinari, que ajudam a integrar arte, arquitetura e paisagem
Sérgio Mourão/Wikimedia Commons
Já em Belo Horizonte, MG, ele foi o responsável por projetar a Igreja São Francisco de Assis, marcada pelas curvas características do estilo do arquiteto e complementada por painéis de Cândido Portinari.
3. Paulo Mendes da Rocha
A Capela de São Pedro Apóstolo, em Campos do Jordão, projetada por Paulo Mendes da Rocha, utiliza grandes planos de vidro para integrar o interior da igreja à paisagem da Serra da Mantiqueira
Gabriel Fernandes/Wikimedia Commons
O capixaba Paulo Mendes da Rocha (1928-2021) é o responsável pela Capela de São Pedro Apóstolo, em Campos do Jordão, SP. Inaugurada em 1989, o espaço segue o estilo modernista e traz forte conexão com o entorno.
Um espelho d’água reforça a atmosfera de silêncio e contemplação na Capela de São Pedro Apóstolo
Gabriel Fernandes/Wikimedia Commons
“São amplos painéis de vidro que permitem admirar as montanhas da Serra da Mantiqueira”, aponta Luciana. “São Pedro é conhecido como padroeiro dos pescadores, por isso a capela conta com um espelho d’água, que também transmite tranquilidade e silencia a alma”, complementa a professora.
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4. Edgar de Oliveira da Fonseca
A Catedral Metropolitana de São Sebastião, no Rio de Janeiro, projetada por Edgar de Oliveira da Fonseca, tem formato cônico e vitrais coloridos que se estendem do chão ao topo da estrutura
chensiyuan/Wikimedia Commons
Edgar de Oliveira da Fonseca é um dos nomes do modernismo e foi responsável pelo projeto de duas igrejas da capital fluminense.
No centro do Rio de Janeiro, fica a Catedral Metropolitana de São Sebastião, que homenageia o padroeiro da cidade. Com 75 metros de altura externa, o local tem formato cônico e vitrais coloridos, que vão do chão ao teto.
Projetada pelo arquiteto Edgar de Oliveira da Fonseca, a Igreja de São José, na Lagoa, se destaca pela planta circular
Instagram/@paroquiasaojosedalagoa/Reprodução
Já na zona sul, no bairro da Lagoa, está localizada a Igreja São José. A obra é caracterizada por seu formato circular e pilares, intercalados por painéis de vidro.
5. José Augusto Bellucci
A Catedral Metropolitana Basílica Menor Nossa Senhora da Glória, em Maringá, idealizada por José Augusto Bellucci, é conhecida pelo seu formato cônico
Mario Roberto Durán Ortiz/Wikimedia Commons
Símbolo do brutalismo, a Catedral Metropolitana Basílica Menor Nossa Senhora da Glória, em Maringá, PR, foi idealizada pelo arquiteto José Augusto Bellucci (1907-1998). O resultado foi uma igreja em concreto e em formato cônico, com mais de 120 metros de altura, inaugurada em 1972.
A arquitetura é complementada por vitrais triangulares do artista Lorenz Helmair. No total são quatro vitrais de 20 metros e 12 metros — simbolizando os apóstolos. No interior, pilares triplos dão sustentação aos dois cones centrais.
6. Gottfried Böhm
A Catedral São Paulo Apóstolo, em Blumenau, projetada por Gottfried Böhm, combina concreto, pedra e tijolo aparentes em uma estrutura vertical marcada por formas curvas
Amanari/Wikimedia Commons
O arquiteto alemão Gottfried Böhm (1920-2021) é o nome por trás de duas igrejas construídas no estado de Santa Catarina: a Catedral São Paulo Apóstolo, em Blumenau, e a Igreja São Luiz Gonzaga, em Brusque. O conceito é semelhante: ambas possuem visão exterior alta, com colunas e formas curvas.
Projetada pelo arquiteto alemão Gottfried Böhm, a Igreja São Luiz Gonzaga combina granito cinza extraído da região, vitrais e cobogós que filtram a luz natural, criando um ambiente marcado por formas curvas e forte expressão material
Instagram/@matrizsaoluisgonzaga/Reprodução
A Catedral São Paulo Apóstolo se destaca por uma torre sineira na entrada do conjunto e o uso de materiais aparentes, como concreto, pedra e tijolo. Já a Igreja São Luiz Gonzaga é marcada por blocos de granito cinza extraídos da região, vitrais e cobogós que lembram escamas de peixe, como um símbolo cristão que significa o milagre.
7. Hans Broos
De origem alemã, mas radicado brasileiro, o arquiteto Hans Broos (1921-2011) construiu a Igreja São Bonifácio, localizada no bairro da Vila Mariana, em São Paulo, SP.
Initial plugin text
O espaço religioso funciona dentro de um grande volume retangular de concreto aparente suspenso a cerca de 4,5 metros do solo, apoiado em quatro pilares. O vazio criado sob a estrutura forma uma praça coberta que prolonga a área pública da rua para dentro do terreno, integrando cidade e igreja.
A nave, marcada por linhas simples e pela materialidade bruta do concreto, recebe iluminação indireta que enfatiza o altar e a cruz, criando uma atmosfera introspectiva.
8. Vo Trong Nghia
O Templo Budista Ben Tre, no Vietnã, projetado por Vo Trong Nghia, utiliza madeira e elementos naturais para criar um espaço de contemplação integrado à paisagem
Vo Trong Nghia/Reprodução
O arquiteto vietnamita Vo Trong Nghia tem uma carreira marcada pelo uso de materiais naturais — o que aparece também no seu projeto para o Templo Budista Ben Tre, no Vietnã.
O edifício abriga um altar, uma área de assentos, um espaço para eventos e uma cozinha. O arquiteto utilizou madeiras importadas de florestas sustentáveis e incorporou elementos característicos da região, como beirais profundos, espaços contínuos e um lago de carpas.
9. Tadao Ando
A Igreja da Luz, em Ibaraki, no Japão, projetada por Tadao Ando, é conhecida pela cruz vazada na parede do altar
Alejandro/Wikimedia Commons
O arquiteto japonês Tadao Ando é conhecido pelo uso inovador do concreto, luz e elementos naturais, os quais aparecem na Igreja da Luz, em Ibaraki, no Japão.
“É um projeto marcado por linhas simples e pela abstração do exterior. O grande destaque é uma cruz vazada ao fundo do altar, que permite a entrada de luz”, aponta Luciana.
10. Kashef Chowdhury
O arquiteto de Bangladesh, Kashef Chowdhury, projetou a Mesquita de Gulshan, marcada por um formato vertical devido ao terreno reduzido.
A Mesquita de Gulshan, em Dhaka, projetada por Kashef Chowdhury, utiliza uma estrutura vazada para garantir iluminação natural e ventilação
Kritzolina/Wikimedia Commons
Os ambientes internos recebem abundante luz natural e ventilação. Isso é possível graças ao jali, uma estrutura vazada que envolve o edifício e define sua forma e fachadas, além de proteger contra a chuva e o calor do sol.
O desenho do elemento é uma abstração de “La-ilaha-illallah” — declaração central do islamismo que significa, em árabe, “não há divindade além de Deus” — repetida em faixas contínuas nas quatro faces do prédio.



