11 ideias elegantes de decoração que mostram como a cadeira Thonet segue atual

Poucos mobiliários atravessaram quase dois séculos sem perder relevância — a cadeira Thonet é um deles. Criado no século 19 como uma revolução técnica, o modelo conquistou o mundo pela produção industrial e, ainda hoje, ocupa cozinhas, salas de jantar, cafés e projetos contemporâneos com a mesma leveza que marcou sua origem.
No home office, a composição reúne a escrivaninha e o tapete de Paulo Alves, acompanhados pelas icônicas cadeiras Thonet
Carolina Lacaz/Divulgação | Projeto da arquiteta Ana Sawaia e do designer Paulo Alves
“A história da Thonet começa no século 19 com Michael Thonet, que revolucionou o design de mobiliário ao desenvolver a técnica de curvatura da madeira a vapor”, explica a arquiteta Ana Sawaia. O processo permitiu criar móveis mais leves, resistentes e passíveis de produção em série, algo absolutamente inovador para a época.
O modelo mais emblemático, a cadeira nº 14 — também conhecida como 214 — consolidou esse avanço. Produzida a partir de madeira de faia curvada, com etapas de fabricação padronizadas, ela inaugurou a lógica industrial no mobiliário.
Na sala de jantar, a mesa de acervo ganhou a companhia de cadeiras Thonet garimpadas pela moradora
Renata Freitas/Divulgação | Projeto do escritório Sensum Arquitetura
“A Thonet foi uma das primeiras marcas de móveis globais”, lembra a arquiteta Camila Abraão, do escritório Casulo. Um de seus grandes trunfos era a possibilidade de ser enviada desmontada: em uma única caixa, cabiam até 36 unidades, prontas para serem montadas em qualquer parte do mundo.
Leveza, racionalidade e elegância atemporal
Mais do que um ícone histórico, a Thonet se tornou um marco do design moderno por unir indústria, racionalidade construtiva e elegância formal. “O que torna a Thonet tão atual é justamente essa combinação entre clareza estrutural, economia de meios e desenho preciso”, afirma Ana.
A cadeira Thonet pode marcar presença em mesas de apoio e cozinhas
Favaro Jr./Divulgação | Projeto do escritório Volar Interiores
Essa síntese faz com que a cadeira transite com naturalidade entre diferentes contextos. Ela esteve presente em cafés europeus, atravessou o modernismo e hoje aparece tanto em apartamentos contemporâneos quanto em casas de campo, de praia ou de grandes áreas urbanas.
Versáteis, as cadeiras Thonet funcionam em diferentes espaços. Neste projeto, elas acompanham a mesa Saarinen, ambas adquiridas no antiquário Maria Jovem
Joana França/Editora Globo | Projeto do escritório Casulo
“Podemos imaginá-la numa fazenda, numa casa de praia, num café em Paris ou num apartamento modernista”, resume Camila. Para ela, a atemporalidade é o maior valor da peça: “Ela se encaixa bem e com leveza em diferentes estilos”.

Thonet na decoração
O modelo funciona em diversos cômodos. “Vai muito bem em salas de jantar, cozinhas integradas, home offices e como peça solta, em diálogo com a sala de estar”, comenta Ana. Por ocupar pouco espaço e ter desenho delicado, adapta-se especialmente a recintos menores, sem comprometer a circulação.
As cadeiras Thonet Gerdau na cor preta, da Bossa Nossa Casa, foram restauradas especialmente para compor esta sala de jantar
Nathalie Artaxo/Divulgação | Projeto da arquiteta Patrícia de Palma, do SP Estúdio
Camila destaca o uso da peça em mesas de apoio e cozinhas. “Gosto do efeito visual em pequenas quantidades”, pontua. Ela ainda ressalta que a cadeira se adapta às mesas de jantar maiores — sobretudo as versões da Thonet com braço, ideais para ocupar as cabeceiras das mesas.
As cadeiras Thonet transitam entre diferentes estilos e, nesta cozinha minimalista e atemporal, reforçam sua versatilidade
Renata Freitas/Divulgação | Produção: Pualani di Giorgio/Divulgação | Projeto do escritório Sensum Arquitetura
O arquiteto João Panaggio amplia o olhar e propõe usos menos óbvios: “A Thonet pode ser usada como peça de arte, justamente por sua carga histórica”.
Na sala de jantar, o profissional é categórico: “Ela assume o protagonismo, sem dúvidas. Muitas vezes, a mesa se torna coadjuvante em relação às cadeiras”. Como peça independente, ele recomenda combiná-la com uma obra de arte ou posicioná-la de forma quase escultórica.
A cadeira Thonet atravessa o tempo: criada no século 19, permanece em destaque nas decorações, reafirmando sua relevância e atemporalidade
André Nazarteh/Divulgação | Projeto do arquiteto Claudio Bernardes, com decoração por Celso Rayol, do escritório Cite Arquitetura
Arquitetura, linguagem e materialidade
Antes de optar pela Thonet, alguns critérios são essenciais. Para Ana Sawaia, a proporção e a escala do ambiente vêm em primeiro lugar. “É uma cadeira visualmente leve, que funciona melhor onde não se espera uma peça pesada”, explica.
A linguagem arquitetônica também influencia: “Dialoga muito bem com arquiteturas racionais, modernas ou contemporâneas”, ela completa.
Neste living, a cadeira Thonet foi utilizada de forma isolada, assumindo o protagonismo
André Scarpa/Divulgação | Produção: Aldi Flosi/Divulgação | Projeto da arquiteta Ana Sawaia
João Panaggio acrescenta que, em projetos marcados por muitas linhas retas, a Thonet cria um contraste interessante. “Ela rompe e traz bossa à composição por meio de suas linhas curvas”, comenta.
Compacta, a cadeira Thonet ocupa pouco espaço e se adapta facilmente a ambientes menores
Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do StudioDuas Arquitetura
Quando o tema é materialidade, há consenso: a Thonet se adapta com facilidade. A madeira reforça seu caráter atemporal; concreto e pedra criam um diálogo entre leveza e peso; tecidos naturais acrescentam aconchego.

“Não há restrição para os materiais ao redor”, afirma Camila, que revela sua combinação favorita: “Amo o equilíbrio que ela traz às mesas de pedra, que geralmente tornam o ambiente mais frio”.
O papel da cor
Embora a versão em madeira natural seja a mais clássica, o uso da cor pode transformar completamente a sua leitura. “Em cômodos neutros, uma Thonet colorida vira ponto de destaque”, fala Ana, que ainda alerta: “Ela ganha muita evidência, então o uso precisa ser cuidadoso”.
Na cozinha, a cadeira Thonet — parte do acervo dos moradores — surge como protagonista. Neste projeto, aparece isolada, ganhando ainda mais destaque ao dialogar com as cores do ambiente
Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do arquiteto João Panaggio
Camila vê na variedade de cores uma oportunidade para projetos mais ousados, enquanto João ressalta o aspecto afetivo: “A Thonet pode trazer personalidade e sentimento de memória”, ele diz.
Dicas práticas e cuidados essenciais
Camila lembra que a palhinha é um material mais delicado, o que pode restringir o uso em ambientes de grande circulação. Ainda assim, o consenso é que errar com a Thonet é raro. “O essencial é compreender os aspectos individuais de cada projeto para definir o tom e o formato ideais”, ela afirma.
As cadeiras Thonet utilizadas neste projeto pertencem ao acervo do morador. Além de sua relevância estética, a peça carrega um forte valor afetivo
Denílson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do arquiteto João Panaggio
João deixa uma dica valiosa: evite réplicas. “Busque saber a procedência e confirmar a origem”. E, para quem gosta de propostas conceituais, ele vai além: “Uma ideia incrível é usar a Thonet desmontada, embalada como era vendida originalmente, pendurada na parede como uma obra. É autêntico demais”.
Entre história, técnica e poesia, a cadeira Thonet segue provando que bom design não envelhece — apenas se reinventa.

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