Toda viagem tem seus próprios rituais: uma moeda jogada em uma fonte, uma prece silenciosa antes de embarcar em um avião ou um amuleto da sorte guardado na bagagem. Mas, ao cruzar fronteiras, você entra em um mundo em que a superstição molda a vida cotidiana de maneiras inesperadas. Algumas crenças estão diretamente ligadas às viagens, como o que se deve (ou não) comer antes de partir; enquanto outras são costumes do dia a dia com os quais os visitantes acabam se deparando: números a serem ignorados em elevadores de hotéis, gestos a evitar à mesa de jantar, ou objetos que nunca devem ser dados como presente.
Aqui estão algumas das superstições que os viajantes têm mais probabilidade de encontrar e o que elas revelam sobre as culturas por trás delas.
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1. Evite o número 13
Nos Estados Unidos, o número treze tende a desaparecer de lugares por onde os viajantes passam. Alguns aviões não têm a fileira 13, e muitos hotéis pulam discretamente o décimo terceiro andar. Até a própria data deixa as pessoas apreensivas, especialmente se cair em uma sexta-feira. O medo é tão disseminado que tem até nome: triskaidekafobia, e continua a influenciar o planejamento de viagens.
2. Não viaje em uma sexta-feira
Em partes da Europa, as sextas-feiras há muito tempo carregam a reputação de trazer azar, especialmente como dia para iniciar uma viagem. A associação vem da tradição cristã, e histórias como a última viagem de Lord Byron só reforçaram essa ideia. Ele partiu para a Grécia em uma sexta-feira e acabou falecendo lá. Ainda hoje, alguns viajantes preferem esperar até o sábado.
3. Um momento de silêncio antes da partida
Na Ucrânia, as famílias costumam fazer uma pausa antes de sair de casa
Brian Jiz/Pexels
Na Ucrânia, as famílias costumam fazer uma pausa antes de sair de casa. Todos se sentam juntos em silêncio por um minuto, seja a viagem longa ou curta. Uma explicação é que isso engana o espírito da casa, um guardião que, segundo a crença, resiste a deixar o lar, permanecendo para protegê-lo. Outra explicação é mais prática: a pausa dá aos viajantes a chance de organizar os pensamentos, conferir os pertences e se acalmar antes de sair. O ritual, chamado “sidi posidim”, perdura em parte porque funciona. Estatísticas sugerem que muitos acidentes acontecem nos primeiros minutos de uma viagem, quando as pessoas ainda estão distraídas.
4. Alho na bagagem
Na Bósnia e Herzegovina, acredita-se que um dente de alho na mala ajuda o viajante a evitar infortúnios nas fronteiras. O hábito vem das tradições populares da região, onde o alho há muito tempo é usado para afastar o mau-olhado. Pode não ajudar com a papelada da alfândega, mas muitos ainda o colocam na mala mesmo assim.
5. Agradar o deus do céu
Em 2007, quando um jato da Nepal Airlines enfrentou falhas elétricas persistentes, a companhia aérea realizou o sacrifício de uma cabra para Akash Bhairab, o deus hindu do céu, juntamente com os reparos mecânicos. A história ganhou manchetes, mas ecoava uma ideia mais antiga: a de que as viagens aéreas dependem tanto da graça divina quanto da engenharia.
6. Derramar água para dar sorte
Na Sérvia, a água em movimento simboliza um deslocamento tranquilo
lil artsy/Pexels
Na Sérvia, é comum que os viajantes se despeçam com um respingo de água derramado atrás deles. A água em movimento simboliza um deslocamento tranquilo, portanto o gesto tem a intenção de ajudar a viagem a se desenrolar sem obstáculos. Variações desse costume aparecem em toda a região dos Bálcãs. Em Montenegro, na Bósnia e em partes da Macedônia do Norte, as famílias fazem o mesmo antes de alguém partir, transformando um acidente cotidiano em uma bênção.
7. Nada de viajar no Dia de São Martinho
Em partes da zona rural da Irlanda, o dia 11 de novembro, festa de São Martinho, era um dia em que nenhuma roda deveria girar. A morte do santo por uma roda de moinho fez com que carroças e carruagens permanecessem paradas, e as viagens fossem adiadas para o dia seguinte.
8. A maldição protetora
Na Noruega, os viajantes às vezes se despedem com as palavras “Tvi tvi”. Parece uma maldição, mas tem a intenção de proteger: acredita-se que os espíritos malignos ignoram alguém que já parece amaldiçoado. É uma superstição que funciona por meio da desorientação.
9. Nunca dê uma faca de presente
No Japão, facas raramente são dadas como presentes de casamento
Orgalux/Unsplash
Na Grécia, oferecer uma faca de presente é algo evitado, pois se acredita que isso rompe o vínculo entre quem dá e quem recebe. Para contornar a superstição, o presenteado costuma dar uma pequena moeda em troca, de modo que a faca seja tratada como uma compra. Crenças semelhantes aparecem em outros lugares: no Japão, facas raramente são dadas como presentes de casamento pelo mesmo motivo, e nas Filipinas o mesmo tabu se aplica. Viajantes que compram facas de cozinha ou canivetes como lembranças às vezes descobrem esse costume quando tentam oferecê-los como presente.
10. Evite o número quatro
Na China, no Japão e na Coreia, o número quatro é evitado porque soa como a palavra “morte”. Hotéis pulam o quarto andar, e presentes raramente são dados em conjuntos de quatro. Os viajantes provavelmente encontrarão isso em elevadores ou na numeração de assentos que salta diretamente do três para o cinco.
11. Não assobie em ambientes fechados
Na Rússia, assobiar dentro de casa ou do carro é considerado algo que afasta dinheiro e sorte. Viajantes podem notar motoristas franzindo a testa se começarem a assobiar uma melodia em um táxi. O costume mostra como até os menores sons podem carregar significado.
12. Nunca brinde com copos de cerveja
Na Hungria, não se deve brindar com cerveja
Ani Coloca/Pexels
Na Hungria, os viajantes podem notar que a cerveja costuma ser erguida, mas não brindada com o toque dos copos. Diz-se que o costume remonta a 1849, quando generais austríacos celebraram a vitória sobre a Hungria brindando com canecas de cerveja. Para muitos, o gesto passou a simbolizar derrota e humilhação. Alguns húngaros ainda o evitam hoje, enquanto outros apontam que o protesto deveria durar apenas 150 anos, período que já passou há muito tempo. O resultado é um costume que persiste em alguns lugares, mas não em outros, deixando os visitantes inseguros sobre brindar ou não.
13. Nunca diga “último”
Entre tripulações aéreas, a palavra “último” é evitada. Voos são “finais”, não “últimos”, e o “último passageiro” é simplesmente o “restante”. A crença é que certas palavras atraem infortúnio, por isso é melhor não usá-las de forma alguma.
*Matéria publicada originalmente na Condé Nast Traveller Oriente Médio.
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1. Evite o número 13
Nos Estados Unidos, o número treze tende a desaparecer de lugares por onde os viajantes passam. Alguns aviões não têm a fileira 13, e muitos hotéis pulam discretamente o décimo terceiro andar. Até a própria data deixa as pessoas apreensivas, especialmente se cair em uma sexta-feira. O medo é tão disseminado que tem até nome: triskaidekafobia, e continua a influenciar o planejamento de viagens.
2. Não viaje em uma sexta-feira
Em partes da Europa, as sextas-feiras há muito tempo carregam a reputação de trazer azar, especialmente como dia para iniciar uma viagem. A associação vem da tradição cristã, e histórias como a última viagem de Lord Byron só reforçaram essa ideia. Ele partiu para a Grécia em uma sexta-feira e acabou falecendo lá. Ainda hoje, alguns viajantes preferem esperar até o sábado.
3. Um momento de silêncio antes da partida
Na Ucrânia, as famílias costumam fazer uma pausa antes de sair de casa
Brian Jiz/Pexels
Na Ucrânia, as famílias costumam fazer uma pausa antes de sair de casa. Todos se sentam juntos em silêncio por um minuto, seja a viagem longa ou curta. Uma explicação é que isso engana o espírito da casa, um guardião que, segundo a crença, resiste a deixar o lar, permanecendo para protegê-lo. Outra explicação é mais prática: a pausa dá aos viajantes a chance de organizar os pensamentos, conferir os pertences e se acalmar antes de sair. O ritual, chamado “sidi posidim”, perdura em parte porque funciona. Estatísticas sugerem que muitos acidentes acontecem nos primeiros minutos de uma viagem, quando as pessoas ainda estão distraídas.
4. Alho na bagagem
Na Bósnia e Herzegovina, acredita-se que um dente de alho na mala ajuda o viajante a evitar infortúnios nas fronteiras. O hábito vem das tradições populares da região, onde o alho há muito tempo é usado para afastar o mau-olhado. Pode não ajudar com a papelada da alfândega, mas muitos ainda o colocam na mala mesmo assim.
5. Agradar o deus do céu
Em 2007, quando um jato da Nepal Airlines enfrentou falhas elétricas persistentes, a companhia aérea realizou o sacrifício de uma cabra para Akash Bhairab, o deus hindu do céu, juntamente com os reparos mecânicos. A história ganhou manchetes, mas ecoava uma ideia mais antiga: a de que as viagens aéreas dependem tanto da graça divina quanto da engenharia.
6. Derramar água para dar sorte
Na Sérvia, a água em movimento simboliza um deslocamento tranquilo
lil artsy/Pexels
Na Sérvia, é comum que os viajantes se despeçam com um respingo de água derramado atrás deles. A água em movimento simboliza um deslocamento tranquilo, portanto o gesto tem a intenção de ajudar a viagem a se desenrolar sem obstáculos. Variações desse costume aparecem em toda a região dos Bálcãs. Em Montenegro, na Bósnia e em partes da Macedônia do Norte, as famílias fazem o mesmo antes de alguém partir, transformando um acidente cotidiano em uma bênção.
7. Nada de viajar no Dia de São Martinho
Em partes da zona rural da Irlanda, o dia 11 de novembro, festa de São Martinho, era um dia em que nenhuma roda deveria girar. A morte do santo por uma roda de moinho fez com que carroças e carruagens permanecessem paradas, e as viagens fossem adiadas para o dia seguinte.
8. A maldição protetora
Na Noruega, os viajantes às vezes se despedem com as palavras “Tvi tvi”. Parece uma maldição, mas tem a intenção de proteger: acredita-se que os espíritos malignos ignoram alguém que já parece amaldiçoado. É uma superstição que funciona por meio da desorientação.
9. Nunca dê uma faca de presente
No Japão, facas raramente são dadas como presentes de casamento
Orgalux/Unsplash
Na Grécia, oferecer uma faca de presente é algo evitado, pois se acredita que isso rompe o vínculo entre quem dá e quem recebe. Para contornar a superstição, o presenteado costuma dar uma pequena moeda em troca, de modo que a faca seja tratada como uma compra. Crenças semelhantes aparecem em outros lugares: no Japão, facas raramente são dadas como presentes de casamento pelo mesmo motivo, e nas Filipinas o mesmo tabu se aplica. Viajantes que compram facas de cozinha ou canivetes como lembranças às vezes descobrem esse costume quando tentam oferecê-los como presente.
10. Evite o número quatro
Na China, no Japão e na Coreia, o número quatro é evitado porque soa como a palavra “morte”. Hotéis pulam o quarto andar, e presentes raramente são dados em conjuntos de quatro. Os viajantes provavelmente encontrarão isso em elevadores ou na numeração de assentos que salta diretamente do três para o cinco.
11. Não assobie em ambientes fechados
Na Rússia, assobiar dentro de casa ou do carro é considerado algo que afasta dinheiro e sorte. Viajantes podem notar motoristas franzindo a testa se começarem a assobiar uma melodia em um táxi. O costume mostra como até os menores sons podem carregar significado.
12. Nunca brinde com copos de cerveja
Na Hungria, não se deve brindar com cerveja
Ani Coloca/Pexels
Na Hungria, os viajantes podem notar que a cerveja costuma ser erguida, mas não brindada com o toque dos copos. Diz-se que o costume remonta a 1849, quando generais austríacos celebraram a vitória sobre a Hungria brindando com canecas de cerveja. Para muitos, o gesto passou a simbolizar derrota e humilhação. Alguns húngaros ainda o evitam hoje, enquanto outros apontam que o protesto deveria durar apenas 150 anos, período que já passou há muito tempo. O resultado é um costume que persiste em alguns lugares, mas não em outros, deixando os visitantes inseguros sobre brindar ou não.
13. Nunca diga “último”
Entre tripulações aéreas, a palavra “último” é evitada. Voos são “finais”, não “últimos”, e o “último passageiro” é simplesmente o “restante”. A crença é que certas palavras atraem infortúnio, por isso é melhor não usá-las de forma alguma.
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