8 reformas que aproveitaram itens existentes para criar novos elementos

De piso transformado em painel de parede a aparador criado com refugo de rocha, esses projetos mostram como o reúso de matérias-primas pode unir estética, afeto e sustentabilidade em reformas contemporâneas. Confira:
Contraste de tempos
Cercado por plantas exuberantes e paredes em tons de verde, projeto do arquiteto Ricardo Abreu exalta a arquitetura moderna do prédio tombado
Renato Navarro/Divulgação
O arquiteto Ricardo Abreu (@ricardoabreuarquiteto) transformou seu apartamento de 165 m², no icônico Edifício Pauliceia, em São Paulo, com design, arte e natureza. Cercado por plantas exuberantes e paredes em tons de verde, o living exalta a arquitetura moderna do prédio tombado, projetado por Gian Carlo Gasperini e Jacques Pilon. Ricardo preservou o piso original de peroba-rosa, que percorre todo o living, e evidenciou o pilar recuado de concreto aparente, valorizando a estrutura autêntica do edifício — um encontro sensível entre história e vida pulsante.
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Painel de memórias
No living assinado pelo arquiteto Gabriel Garbin, opainel de madeira foi idealizado a partir do reaproveitamento do antigo assoalho de cumaru
Fran Parente/Divulgação
Neste projeto de 165 m² na Vila Nova Conceição, em São Paulo, o casal de moradores pediu ao arquiteto Gabriel Garbin (@garbinarquitetos) um refúgio urbano. A ideia do profissional foi proporcionar leveza aos ambientes, com materiais que convidassem ao toque. No living integrado, o painel de madeira foi idealizado a partir do reaproveitamento do antigo assoalho de cumaru. As tábuas, agora na parede que separa a sala da cozinha, ganharam nova vida e protagonismo, imprimindo calor e autenticidade ao projeto.
Reúso criativo
Na cozinha, cobogós cerâmicos e piso de cacos de mármore Branco Espírito Santo reaproveitado da própria obra. Projeto do escritório Casulo
Joana França/Divulgação
No apartamento de 140 m² na Asa Sul, em Brasília, a arquiteta Camila Abrahão, sócia do escritório Casulo (@__casulo), criou um lar que celebra o tempo e a arquitetura moderna brasileira. Morando ali há um ano com a buldogue Lola, ela manteve o espírito do projeto original de Hélio Uchôa, destacando os cobogós cerâmicos e apostando no reaproveitamento de materiais. O piso é um dos pontos altos: Camila criou na cozinha e nos banheiros um piso de cacos de mármore Branco Espírito Santo reaproveitado da própria obra. O resultado é uma combinação harmoniosa entre história e sustentabilidade, em que cada superfície conta um pedaço da trajetória do edifício e da moradora.
História sob os pés
Com cerca de 20 m² a cozinha projetada pela arquiteta Ana Sawaia combina técnica, leveza e afeto. O ambiente privilegia a luz natural e a circulação fluida, marcada pelos armários idealizados em chapa perfurada, que protagonizam o espaço
André Scarpa/Divulgação
Com cerca de 20 m², esta cozinha em São Paulo, assinada pela arquiteta Ana Sawaia (@anasawaia), combina técnica, leveza e afeto. Reformado para um casal e seus dois filhos, o ambiente privilegia a luz natural e a circulação fluida, marcada pelos armários idealizados em chapa perfurada, que protagonizam o espaço. Mas é o piso de granilite, com cacos de mármore travertino reaproveitados da própria obra, que traduz, de forma poética, a essência sustentável da reforma. Produzido pela Santana Pisos, o material recebeu pedrinhas do mesmo travertino e toques de grafite, criando um desenho único. Segundo a arquiteta, o morador participou da seleção das peças, uma a uma, personalizando mais o resultado.
Passado e presente visíveis
Ao derrubar as paredes para integrar sala e cozinha, o escritório KS Arquitetos precisou completar o piso de parquete original, criando uma paginação exclusiva que mantém viva a história do imóvel
Gabriel Konrath/Divulgação
O morador, que se mudou do Rio de Janeiro para Porto Alegre, buscava um lar minimalista, porém acolhedor. O apartamento de 135 m², no bairro Independência, foi reformado pelo KS Arquitetos (@ksarquitetos) para oferecer um equilíbrio entre o essencial e o afetivo. Ao derrubar as paredes para unir sala e cozinha, o escritório precisou completar o piso de parquete original, criando uma paginação exclusiva que mantém viva a história do imóvel. A laje de concreto aparente e as esquadrias preservadas reforçam a autenticidade dos ambientes.
Elemento surpresa
No projeto do escritório OCCA Mais Arquitetura, as paredes internas do térreo foram demolidas para criar um grande salão integrado, com cozinha, copa, estar e jantar voltados para o jardim
Ruy Teixeira/Divulgação
Na reforma da residência de 280 m² em Osasco, assinada pelo escritório OCCA Mais Arquitetura (@occamais), a transformação foi profunda — mas sem romper com a história. Todas as paredes internas do térreo foram demolidas para criar um grande salão integrado, com cozinha, copa, estar e jantar voltados para o jardim. Entre as soluções implantadas, os elementos verticais de madeira, reaproveitados da demolição, ganharam nova função nas esquadrias laterais. Pintadas de verde, as peças estabelecem uma ligação entre o interior e o exterior.
Afeto na imperfeição
A textura irregular, com marcas e datas gravadas nos azulejos, foi mantida de propósito: um gesto de autenticidade que traduz o encanto da arquiteta e moradora Juliana Pippi pela beleza das imperfeições
Ruy Teixeira/Divulgação
No apartamento de 90 m² que a arquiteta Juliana Pippi (@julianapippi) alugou nos Jardins, em São Paulo, cada detalhe vibra em ritmo próprio — e a cozinha, coração do projeto, é o compasso principal. Ao reformar o imóvel dos anos 1960, Juliana decidiu remover o antigo revestimento das paredes, revelando a argamassa original, que ganhou demãos de tinta rosa em harmonia com a geladeira vintage da mesma paleta. A textura irregular, com marcas e datas gravadas nos azulejos, foi mantida de propósito: um gesto de autenticidade que traduz o encanto da arquiteta pela beleza das imperfeições.
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Modelo artesanal
O aparador flutuante de pedra, com quatro metros de comprimento, foi criado a partir do reaproveitamento de pedaços de rocha. Estruturado durante a obra, coordenada pelo arquiteto Guilherme Garcia, ele parece suspenso
Fabio Jr Severo/Divulgação
Com 250 m², o apartamento em Florianópolis, reformado pelo arquiteto Guilherme Garcia (@guilhermegarcia.studio), evoca a estética minimalista com tons de areia e fluidez dos espaços. Entre as soluções que traduzem essa leveza, destaca-se o aparador flutuante de pedra, com quatro metros de comprimento, criado a partir do reaproveitamento de pedaços de rocha. Estruturado durante a obra, ele parece suspenso, reforçando a sensação de amplitude e continuidade visual.

Editora Globo

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