9 maneiras de apostar no design sustentável sem abrir mão da sofisticação

Da origem ética ao design atemporal, designers e estúdios de destaque revelam como o design sustentável pode coexistir com a sofisticação. A seguir, nove estratégias inspiradas nas ideias de Aljoud Lootah, Oscar Lucien Ono, Natalia Miyar, Stephanie Coutas e outros profissionais que estão redefinindo o luxo.
1. Valorize o artesanato local
Aljoud Lootah colaborou com a Vacheron Constantin em uma série de criações que homenageiam a herança e o artesanato dos Emirados Árabes Unidos.
Divulgação
Hoje, o luxo é cada vez mais definido pela conexão com a cultura e o lugar. A designer emiradense Aljoud Lootah construiu sua prática em torno da herança e da narrativa, enfatizando a importância de apoiar o artesanato local para “preservar o patrimônio imaterial, que inerentemente promove a sustentabilidade”.
Trabalhando com couro de camelo — um subproduto dos recursos da região — ela também destaca uma colaboração com a Iniciativa Fatima Bint Mohamed Bin Zayed, produzindo tapetes feitos à mão por artesãs afegãs. “Os tapetes contam histórias de patrimônio cultural ao mesmo tempo que sustentam meios de subsistência significativos, tornando a sustentabilidade profundamente pessoal e orientada por um propósito.”
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A designer de arquitetura Natalia Miyar compartilha dessa visão. “Colaborar com artesãos locais traz um luxo culturalmente significativo que não pode ser replicado pela produção em massa”, afirma.
Em seu projeto em Ibiza, rebocos de cal regionais, estuques com acabamento manual e peças metálicas produzidas localmente integraram o design à paisagem, reduziram as emissões de transporte e criaram interiores enraizados tanto na comunidade quanto no meio ambiente.
2. Materiais com história e procedência
“Muitas vezes existe a ideia equivocada de que a sustentabilidade limita a beleza”, explica Lootah. “Mas descobri que o oposto é verdadeiro. As irregularidades naturais em materiais como os veios da madeira, o metal oxidado ou os fios tingidos naturalmente realçam a singularidade de um objeto. O desafio está mais na educação: ajudar os clientes a compreender que a imperfeição pode ser bela e que o luxo ético tem profundidade.”
O design sustentável permite que os materiais contem uma história. Como diz Miyar: “Entender como as coisas são feitas e por quem me levou naturalmente a questionar a origem, a durabilidade e o desperdício”. Selecionar materiais com origem rastreável e ética transforma interiores em narrativas significativas — e não apenas em espaços pensados para o consumo rápido.
Em Paris, Oscar Lucien Ono introduziu conceitos de luxo sustentável em seu projeto Hôtel Elysia
Francis Amiand
Elizabeth Graziolo, da Yellow House Architects, acrescenta um exemplo concreto. “Um dos projetos mais gratificantes foi a reforma de uma casa geminada em que colaboramos com artesãos do Vale do Hudson para criar marcenaria sob medida e peças de ferro forjado à mão. Ao obter a madeira localmente e trabalhar com profissionais a poucos quilômetros do local da obra, reduzimos o impacto ambiental e mantivemos o investimento dentro da comunidade. O trabalho artesanal trouxe um caráter regional que conferiu à casa um forte senso de lugar, aprofundando a conexão entre o imóvel e seus arredores.”
Em Paris, Oscar Lucien Ono, formado em história da arte, envolveu artesãos especializados em marchetaria de palha, douramento e pintura decorativa no projeto do Hôtel Elysia. “A responsabilidade ecológica não é mais uma opção, é uma necessidade”, afirma. “As obras que perduram são aquelas bem executadas. Os clientes de hoje querem mais do que beleza: buscam significado e transparência.”
Lootah concorda: “Trabalhar em estreita colaboração com fornecedores, avaliar suas práticas e optar por uma produção mais lenta e em menor escala garante maior integridade”.
3. Design biofílico e inspirado na natureza
Ina Rinderknecht focou no bem-estar e no design sustentável no seu projeto Villa Fernblick
Divulgação
O design biofílico reconecta as pessoas ao mundo natural, utilizando luz, ar e plantas para promover o bem-estar. Estudos demonstram consistentemente seus benefícios para o humor, a concentração e a saúde mental.
As fundadoras do Uncanny Studio, Eglantine Sicat e Pauline Dellemotte, priorizam a luz natural “não apenas pela eficiência energética, mas também por seu profundo impacto no humor e nos ritmos circadianos”. “Emoldurar as vistas e usar texturas naturais promove calma e equilíbrio”, acrescenta Miyar.
O designer britânico David Hicks concorda: “Posicionamos os quartos para aproveitar o sol da manhã. O tamanho e a localização das janelas são cuidadosamente estudados para favorecer a circulação de ar e o controle da temperatura, criando ambientes confortáveis e saudáveis”.
4. Reciclagem elegante e olhar vintage
A Uncanny Studio celebra a inovação em materiais que nasce do desperdício
Kensington Leverne
Selecionar peças de segunda mão prolonga sua vida útil e adiciona história e profundidade aos interiores. “Adoro criar coleções de peças vintage e antigas”, diz Miyar. “É uma forma elegante de reaproveitamento: prolongar a vida de objetos bem feitos, reduzir a demanda por nova produção e adicionar alma ao projeto.”
O Uncanny Studio celebra a inovação em materiais que nasce do desperdício. “O Hors Studio criou recentemente um material chamado Leatherstone a partir de sobras da indústria do couro, transformando-o em uma luminária para a Elliott Barnes Interiors”, explicam.
“Descobertas como essa nos lembram que o futuro do luxo está em repensar o desperdício e transformá-lo em algo belo e significativo”, acrescenta Ono. “Materiais reciclados e reaproveitados dão nova vida a recursos esquecidos.”
5. Minimalismo guiado pelo valor
“O luxo muitas vezes busca o excepcional, o que pode parecer contraditório com a contenção exigida pela sustentabilidade”, diz Ono. “Mas existe outro caminho: escolher menos materiais e trabalhar com luz, volume e textura. A responsabilidade ecológica não limita a criatividade; ela a refina.”
O verdadeiro luxo pode estar justamente na contenção — investir em qualidade em vez de quantidade, provando que menos pode, de fato, ser mais.
6. Acabamentos ecológicos e materiais livres de toxinas
Ina Rinderknecht utilizou materiais de origem local na Villa Fernblick
Divulgação
Para a suíça Ina Rinderknecht, o respeito pela natureza foi incutido desde cedo. “O ar puro e as águas cristalinas da Suíça me ensinaram a importância de proteger aquilo que temos a sorte de possuir. Na Villa Fernblick, utilizamos travertino extraído a menos de 800 quilômetros do local do projeto”, afirma. “O verdadeiro luxo significa trabalhar com materiais de origem ética, livres de químicos nocivos e produzidos localmente. Trata-se de rejeitar substâncias persistentes que prejudicam tanto o nosso corpo quanto o planeta.”
Rinderknecht integra um movimento crescente de designers que priorizam o bem-estar, a pureza dos materiais e o design sustentável. Stephanie Coutas, por exemplo, seleciona acabamentos livres de toxinas e tecidos naturais: “pedra, bronze, madeira, seda e lã enriquecem a experiência sensorial, contribuindo para ambientes mais saudáveis”.
Miyar define especificações com base na rastreabilidade, priorizando madeira com certificação FSC, tecidos de baixa emissão e práticas transparentes de extração, “e eleva o padrão por meio do trabalho artesanal: bordas com acabamento manual e detalhes personalizados — ética e excelência em perfeita harmonia”.
Até mesmo as embalagens vêm sendo repensadas. O Uncanny Studio colaborou com a marca dinamarquesa Carl Hansen para reduzir drasticamente o desperdício: “Reduzimos pela metade o número de caixas, diminuímos o uso de caminhões e economizamos metros cúbicos de espuma e plástico simplesmente ao repensar a logística”.
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7. Sistemas adaptáveis, inteligentes e eficientes em energia
Villa Fernblick está localizada em Teufen, Suíça
Divulgação
A tecnologia, quando utilizada de forma consciente, pode ampliar a sustentabilidade sem comprometer o design. Miyar e o Uncanny Studio incorporam sistemas de climatização de alta eficiência, iluminação inteligente e sensores que reduzem o consumo de energia. Estratégias passivas — como ventilação cruzada, beirais profundos e cortinas em camadas — se combinam a sistemas de controle modernos para alcançar um equilíbrio entre conforto e conservação.
A acústica também desempenha um papel relevante nesse design tecnológico responsável. Rinderknecht trabalha com a Impact Acoustic, empresa que produz painéis acústicos feitos de garrafas PET recicladas e algodão. “Adoro como eles transformam o que costuma ser visto apenas como um elemento funcional — a acústica — em um recurso de design”, afirma.
8. Design lento e o poder da procedência
A verdadeira sustentabilidade floresce quando tempo, artesanato e significado convergem. O movimento do design lento, que valoriza o processo, respeita o tempo de produção e investe no saber artesanal, se tornou um dos pilares do luxo contemporâneo.
Nesse contexto, a House of Artisans se destaca ao preservar técnicas tradicionais por meio do design contemporâneo, provando que a herança cultural pode ser base para a inovação. Estúdios como Hors Studio, Yasmin Bawa e Antonia Claudie compartilham dessa filosofia, mesclando arte, design e artesanato em expressões autênticas de beleza e refinamento. Na França, a atenção meticulosa aos detalhes de Ludovic Avenel captura a essência do luxo lento, em que paciência, precisão e respeito pelo processo definem o verdadeiro valor.
Como observa Stephanie Coutas, “projetar com coração e narrativa cria espaços emocional e ambientalmente responsáveis”. Lootah concorda: “ao trabalhar com artesãos e técnicas tradicionais, cada peça carrega um significado cultural e ambiental”.
O luxo sustentável, portanto, se constrói como uma narrativa de procedência e paciência, criando interiores feitos para durar — física, cultural e emocionalmente —, nos quais cada escolha conta uma história de cuidado e habilidade.
9. Sustentabilidade como o novo imperativo criativo
Projeto Primrose Penthouse do Uncanny Studio em Londres
Kensington Leverne
A sustentabilidade deixou de ser uma limitação e passou a atuar como catalisadora de uma nova definição de luxo. “Ela deve ser vista como um motor de criatividade e inovação, não como uma restrição”, afirma Lootah. Designers podem deslocar o foco das tendências de curto prazo para a integridade a longo prazo ao se perguntarem, como faz Miyar: “O que será mais bonito daqui a dez anos? Quem se beneficia dessa escolha?”
Os clientes também estão mudando. Lootah observa uma conscientização crescente, especialmente quando a sustentabilidade é apresentada sob a perspectiva da herança cultural e da narrativa. “Os clientes nos Emirados Árabes Unidos estão se tornando mais atentos. Há uma nova valorização de peças que carregam significado, e não apenas valor.”
Para o Uncanny Studio, essa mudança precisa ir além. “Precisamos deixar de tratar a sustentabilidade como algo experimental ou opcional”, defendem. “Ela é uma necessidade absoluta. O verdadeiro luxo significa proteger não apenas o meio ambiente, mas também as pessoas por trás de cada projeto.” O estúdio defende o reinvestimento em artesãos, habilidades e produção local, “porque é aí que surge a criatividade extraordinária. O luxo pode — e deve — ser uma ferramenta para elevar tanto a sustentabilidade quanto a humanidade”.
Nesse novo cenário, a sustentabilidade deixa de ser uma agenda paralela para se tornar a própria agenda. É a medida do luxo moderno, onde beleza, ética e inovação finalmente se encontram.
Para o Uncanny Studio, essa mudança precisa ir além. “Precisamos deixar de tratar a sustentabilidade como algo experimental ou opcional”, defendem. “Ela é uma necessidade absoluta. O verdadeiro luxo significa proteger não apenas o meio ambiente, mas também as pessoas por trás de cada projeto.” O estúdio defende o reinvestimento em artesãos, habilidades e produção local, “porque é aí que surge a criatividade extraordinária. O luxo pode — e deve — ser uma ferramenta para elevar tanto a sustentabilidade quanto a humanidade”.
Nesse novo cenário, a sustentabilidade deixa de ser uma agenda paralela para se tornar a própria agenda. É a medida do luxo moderno, onde beleza, ética e inovação finalmente se encontram.
*Matéria publicada originalmente na Architectural Digest Middle East
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