Em Trancoso, casa nasce do terreno e do imaginário local

Em Trancoso, é quase impossível resistir a um mergulho no mar. Neste projeto, porém, a imersão se deu em outras camadas do lugar: na arte, na cultura, na arquitetura e nas especificidades do terreno e do entorno. Assinada pelo W.A.M.V Arquitetura, a casa nasce de um repertório profundamente enraizado no contexto local – da palha de dendê às luminárias pendentes que remetem a balões e lanternas das festas de São João, símbolos do imaginário popular brasileiro.
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A palha de dendê da passarela vem da Arte Viva. Já o cimento queimado é da Protec, com marfim da Simonlex
Oka Fotografia
O terreno de 640 m², marcado por um declive acentuado e voltado para uma área de preservação permanente, foi o ponto de partida: em vez de domar a topografia, o projeto opta por acompanhá-la, permitindo que a casa se organize em níveis sucessivos, sempre em diálogo com a paisagem. A condição de lote em condomínio de praia reforçou a necessidade de uma arquitetura contida na relação com a rua, quase discreta, que preserva a leitura horizontal do conjunto e respeita a escala do entorno natural.
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As luminárias de cerâmica são do Jó das Cerâmicas
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“A sala principal possui pé-direito elevado, é ampla e bem ventilada, ocupando posição central na residência”, descreve Matheos
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O arquiteto Matheos Schnyder repousa na rede, ao lado da piscina
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“A sustentabilidade foi uma prioridade, com o uso de mão-de-obra e materiais locais, reforçando a identidade regional e diminuindo o impacto ambiental”, diz Matheos
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É nesse contexto que surge a inspiração nas construções tradicionais do Quadrado de Trancoso. Vista de fora, a residência se apresenta como uma casa aparentemente térrea e simples, com telhado contínuo e proporções contidas. Ao cruzar o limiar, no entanto, os espaços se revelam de forma gradual: amplos, interligados e articulados pela topografia, sem romper a linha do telhado. “Essa característica cria um efeito de surpresa, evocando a ideia de uma casa do ‘tesouro escondido’ ou ‘Alice no País das Maravilhas’, pela forma como os ambientes se desdobram gradativamente”, descreve o arquiteto Matheos Schnyder.
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A caixilharia de peroba-rosa das janelas foi desenvolvida pela AMV, em parceria com o marceneiro João Keller
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O forro é de madeira angelim, na Construsul
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Os ladrilhos hidráulicos do banheiro são da Casa Francesa
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Boa parte dos móveis une madeira e alvenaria, sempre junto a fibras naturais
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Na área externa, o arquiteto Matheos Schnyder e sua esposa, Laila Schnyder, posam na rede e no balanço com vista para a vegetação
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Entre os principais atributos arquitetônicos estão a sala de estar com pé-direito duplo, a cozinha posicionada em um nível inferior e mais reservado – solução que enfatiza o protagonismo do salão principal –, e a piscina articulada ao deck, acompanhada por uma rede de descanso e voltada para a mata.
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A fachada da casa guarda o segredo da amplitude dos interiores
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Os eucaliptos são da Fazenda Campo Alegre e a madeira tatajuba, da Construazul
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Além de estar atenta à topografia do terreno, a morada se apoia no uso de materiais locais, como eucalipto, peroba-rosa, tatajuba, sisal e cipó, que dão forma a uma arquitetura que se faz bem-vinda ao reconhecer e respeitar o lugar que a acolhe.
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