Dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2023, produzido pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), mostram que, em 2022, foram gerados no Brasil cerca de 45 milhões de toneladas de resíduos de construção civil e de demolição de obras. Um volume gigantesco que, se bem coordenado, pode ser reaproveitado de inúmeras formas.
Foi pensando que o descarte para uns pode ser oportunidade para outros que a designer de interiores Marília Bender Almeida criou, em 2018, o Caçamba do Bem. A iniciativa reúne materiais ou peças em bom estado que virariam entulho e lhes dá uma nova vida por meio da venda com valor reduzido ou da doação para pessoas carentes e instituições.
“Conectamos pessoas com o propósito de dar uma segunda chance a itens da construção civil que seriam descartados ou que estavam esquecidos em algum estoque. Aqui, transformamos descartes em oportunidades. Mais do que um brechó da construção civil, somos um movimento que fortalece um novo jeito de construir: circular, consciente e acessível”, declara a fundadora.
Peças em bom estado podem se transformar em oportunidade por meio do Caçamba do Bem
Ernest Photography/Divulgação
A ideia surgiu quando Marília viu uma banheira ainda em condições de uso sendo levada para a caçamba pela equipe durante uma obra. Desde então, ela se dedica a desenvolver estratégias que melhorem a conexão entre quem quer descartar e quem pode reaproveitar, tornando a arquitetura e a construção acessíveis para mais pessoas a partir de um novo modelo de atuação.
“Além de impulsionar o mercado de segunda mão e a economia circular dentro da construção civil, trazemos luz à formação de uma comunidade muito mais consciente no que diz respeito à sustentabilidade e à solidariedade”, avalia Marília.
São louças, metais, bancadas, revestimentos e mobiliários, alguns deles nunca usados, que encontram novas lares por meio da iniciativa. Os materiais costumam vir de obras e reformas, que chegam até o projeto por meio de doações, ou fazem parte de estoques parados de lojistas em seus depósitos.
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Marília estima que, desde o início, o Caçamba do Bem já tenha salvado mais de 15 mil peças em bom estado de irem parar no lixo.
Viés social
Além dos preços mais em conta e do compromisso com a sustentabilidade, o Caçamba do Bem também tem um viés social, fazendo a intermediação entre doadores de materiais e móveis, e as instituições que precisam de reformas.
Cerca de 15 mil peças que seriam descartadas encontraram novos usos pelo Caçamba do Bem
Caçamba do Bem/Divulgação
“Em um país onde ainda vemos tantas portas e vasos sanitários sendo descartados em caçambas de entulho e, ao mesmo tempo, tantas famílias em situação de vulnerabilidade, sem o mínimo de infraestrutura em casa, o Caçamba do Bem atua para criar essa ponte e mostrar que o descarte para alguns pode se transformar em oportunidade para outros”, comenta.
Segundo Marília, alguns doadores entram em contato direto com o projeto, que faz a conexão com uma instituição social para o recebimento do material. Outras vezes, a iniciativa recolhe os itens e arca com os custos de coleta e estocagem para, posteriormente, realizar a doação.
“Já colaboramos com instituições que atendem crianças, mulheres, famílias refugiadas e famílias em situação de vulnerabilidade. O que sempre levamos em consideração é a necessidade real de melhoria da infraestrutura e a compatibilidade com a listagem de materiais necessários”, explica a designer.
Galpão próprio
Hoje, o projeto atua somente na cidade de Curitiba, onde nasceu, e na região metropolitana. “Mas a ideia é expandir para outras capitais e conseguir contribuir ainda mais com o crescimento da economia circular dentro da construção civil”, revela Marília.
Aberto em 2024, o galpão do Caçamba do Bem reúne peças à venda por preços acessíveis
Caçamba do Bem/Divulgação
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Na ano passado, para facilitar o acesso do público às peças de descarte, ela decidiu investir em um galpão próprio do Caçamba do Bem. A partir daí, o projeto registrou um aumento significativo da procura pelos itens de segunda mão.
“As pessoas gostam de garimpar ou, como chamamos, ‘caçambar’. Especialmente quando se trata de materiais de segunda mão, o público valoriza ver pessoalmente o estado das peças e, consequentemente, o galpão se tornou um fator decisivo para o nosso crescimento”, relata a fundadora.
Atualmente, o Caçamba do Bem conta com dois galpões: um aberto à visitação, onde as pessoas podem conhecer e escolher as peças presencialmente; outro destinado exclusivamente ao armazenamento de móveis planejados, comercializados por meio de um catálogo.
O Caçamba do Bem dá nova vida a materiais usados ou parados que vão de revestimentos a louças e móveis
Ernest Photography/Divulgação
O acesso aos produtos pode ser feito também pelos bazares promovidos pelo Caçamba do Bem em seu galpão, pelo Instagram do projeto ou pelo Whatsapp, e a retirada feita pelo próprio comprador — ainda não há envio para outras regiões.
Em 2025, o projeto ganhou a adesão de marcas como a fábrica de mobiliário Artesian e a loja de móveis de madeira Wood Skull, abrindo o leque de atuação do Caçamba do Bem. “No segundo semestre, promovemos um bazar em parceria com a Artesian com o objetivo de dar giro ao seu estoque parado. Em apenas dois dias de evento, 70% desse material foi vendido”, declara a fundadora.
Mais de mil peças armazenadas há anos ganharam uma segunda chance por meio da parceria com a fábrica. Já junto à Wood Skull, a cada produto vendido, um foi doado a uma instituição de ajuda social.
Leia mais
“Para 2026, visamos o fortalecimento de parcerias com marcas e fábricas, promovendo a circularidade de estoques parados e transformando excedentes em acesso, oportunidade e consumo responsável”, aponta Marília.
Serviço
Espaço Caçamba do Bem
Endereço: Av. Manoel Ribas, 2658 – Mercês – Curitiba (PR)
Funcionamento: toda quarta-feira, das 9h às 12h.
WhatsApp: (41) 9870-0206
Foi pensando que o descarte para uns pode ser oportunidade para outros que a designer de interiores Marília Bender Almeida criou, em 2018, o Caçamba do Bem. A iniciativa reúne materiais ou peças em bom estado que virariam entulho e lhes dá uma nova vida por meio da venda com valor reduzido ou da doação para pessoas carentes e instituições.
“Conectamos pessoas com o propósito de dar uma segunda chance a itens da construção civil que seriam descartados ou que estavam esquecidos em algum estoque. Aqui, transformamos descartes em oportunidades. Mais do que um brechó da construção civil, somos um movimento que fortalece um novo jeito de construir: circular, consciente e acessível”, declara a fundadora.
Peças em bom estado podem se transformar em oportunidade por meio do Caçamba do Bem
Ernest Photography/Divulgação
A ideia surgiu quando Marília viu uma banheira ainda em condições de uso sendo levada para a caçamba pela equipe durante uma obra. Desde então, ela se dedica a desenvolver estratégias que melhorem a conexão entre quem quer descartar e quem pode reaproveitar, tornando a arquitetura e a construção acessíveis para mais pessoas a partir de um novo modelo de atuação.
“Além de impulsionar o mercado de segunda mão e a economia circular dentro da construção civil, trazemos luz à formação de uma comunidade muito mais consciente no que diz respeito à sustentabilidade e à solidariedade”, avalia Marília.
São louças, metais, bancadas, revestimentos e mobiliários, alguns deles nunca usados, que encontram novas lares por meio da iniciativa. Os materiais costumam vir de obras e reformas, que chegam até o projeto por meio de doações, ou fazem parte de estoques parados de lojistas em seus depósitos.
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Marília estima que, desde o início, o Caçamba do Bem já tenha salvado mais de 15 mil peças em bom estado de irem parar no lixo.
Viés social
Além dos preços mais em conta e do compromisso com a sustentabilidade, o Caçamba do Bem também tem um viés social, fazendo a intermediação entre doadores de materiais e móveis, e as instituições que precisam de reformas.
Cerca de 15 mil peças que seriam descartadas encontraram novos usos pelo Caçamba do Bem
Caçamba do Bem/Divulgação
“Em um país onde ainda vemos tantas portas e vasos sanitários sendo descartados em caçambas de entulho e, ao mesmo tempo, tantas famílias em situação de vulnerabilidade, sem o mínimo de infraestrutura em casa, o Caçamba do Bem atua para criar essa ponte e mostrar que o descarte para alguns pode se transformar em oportunidade para outros”, comenta.
Segundo Marília, alguns doadores entram em contato direto com o projeto, que faz a conexão com uma instituição social para o recebimento do material. Outras vezes, a iniciativa recolhe os itens e arca com os custos de coleta e estocagem para, posteriormente, realizar a doação.
“Já colaboramos com instituições que atendem crianças, mulheres, famílias refugiadas e famílias em situação de vulnerabilidade. O que sempre levamos em consideração é a necessidade real de melhoria da infraestrutura e a compatibilidade com a listagem de materiais necessários”, explica a designer.
Galpão próprio
Hoje, o projeto atua somente na cidade de Curitiba, onde nasceu, e na região metropolitana. “Mas a ideia é expandir para outras capitais e conseguir contribuir ainda mais com o crescimento da economia circular dentro da construção civil”, revela Marília.
Aberto em 2024, o galpão do Caçamba do Bem reúne peças à venda por preços acessíveis
Caçamba do Bem/Divulgação
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Na ano passado, para facilitar o acesso do público às peças de descarte, ela decidiu investir em um galpão próprio do Caçamba do Bem. A partir daí, o projeto registrou um aumento significativo da procura pelos itens de segunda mão.
“As pessoas gostam de garimpar ou, como chamamos, ‘caçambar’. Especialmente quando se trata de materiais de segunda mão, o público valoriza ver pessoalmente o estado das peças e, consequentemente, o galpão se tornou um fator decisivo para o nosso crescimento”, relata a fundadora.
Atualmente, o Caçamba do Bem conta com dois galpões: um aberto à visitação, onde as pessoas podem conhecer e escolher as peças presencialmente; outro destinado exclusivamente ao armazenamento de móveis planejados, comercializados por meio de um catálogo.
O Caçamba do Bem dá nova vida a materiais usados ou parados que vão de revestimentos a louças e móveis
Ernest Photography/Divulgação
O acesso aos produtos pode ser feito também pelos bazares promovidos pelo Caçamba do Bem em seu galpão, pelo Instagram do projeto ou pelo Whatsapp, e a retirada feita pelo próprio comprador — ainda não há envio para outras regiões.
Em 2025, o projeto ganhou a adesão de marcas como a fábrica de mobiliário Artesian e a loja de móveis de madeira Wood Skull, abrindo o leque de atuação do Caçamba do Bem. “No segundo semestre, promovemos um bazar em parceria com a Artesian com o objetivo de dar giro ao seu estoque parado. Em apenas dois dias de evento, 70% desse material foi vendido”, declara a fundadora.
Mais de mil peças armazenadas há anos ganharam uma segunda chance por meio da parceria com a fábrica. Já junto à Wood Skull, a cada produto vendido, um foi doado a uma instituição de ajuda social.
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“Para 2026, visamos o fortalecimento de parcerias com marcas e fábricas, promovendo a circularidade de estoques parados e transformando excedentes em acesso, oportunidade e consumo responsável”, aponta Marília.
Serviço
Espaço Caçamba do Bem
Endereço: Av. Manoel Ribas, 2658 – Mercês – Curitiba (PR)
Funcionamento: toda quarta-feira, das 9h às 12h.
WhatsApp: (41) 9870-0206



