Tudo começou com a renovação de dois banheiros, desejo dos proprietários para trazer mais conforto ao seu castelo na Borgonha, França. Com a ideia na mesa, por que não cuidar também dos quartos? Havia ainda a escada, outros ambientes, os halls de entrada no térreo… Eis que, em três anos, o arquiteto Paul du Pré de Saint Maur deu uma nova cara a esses cenários adormecidos havia mais de 100.
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O arquiteto Paul du Pré de Saint Maur repousa no sofá de sua autoria
Jukka Ovaskainen | Estilo: Sarah de Beaumont
Não recrio a história. A inspiração me diverte, mas a cópia não me interessa
A mansão de 500 anos já passara por uma primeira transformação no séc. 19, que lhe rendeu uma área dotada de uma escadaria monumental e um belo mosaico no piso, dois elementos que chamaram a atenção do jovem arquiteto desde o início, e que serviram de referência para sua restauração marcada por um toque italiano – reminiscência dos anos de estudo em Roma. Seu trunfo foi suavizar o peso secular da construção de uma França de outrora com o charme do Renascimento. “Afinal, o movimento inspirou também toda a arquitetura francesa, inclusive a clássica”, enfatiza Paul. “Dito isso, não recrio a história. A inspiração me diverte, mas a cópia não me interessa, porque refazer os mesmos interiores dos palazzi não fazia sentido. Nada de transcrição.”
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A torre atesta os mais de 500 anos de história da construção
Jukka Ovaskainen | Estilo: Sarah de Beaumont
O living é composto por um par de poltronas de René Drouet, mesa de centro design Giovanni Banci para a Hermès, escultura Suneater (sobre a lareira), de Stefan Rinck, na galeria Semiose, luminária de piso de Ignazio Gardella, sofá de Paul du Pré de Saint Maur e tela de Nam Tchun-Mo, na IBU Gallery
Jukka Ovaskainen | Estilo: Sarah de Beaumont
Honrando memórias, Paul pincelou toques de cor aqui e ali: os tons terrosos de Siena e o preto do mosaico atravessam os espaços para repousar sobre a boiserie, onde o arquiteto permitiu algumas padronagens oriundas de outros lugares. Como que para perturbar a ordem imposta, as molduras da sala de estar ganharam pequenos ornamentos escuros, enquanto as portas são coroadas com afrescos de Pierre du Pré de Saint Maur, irmão do autor da reforma.
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Jukka Ovaskainen | Estilo: Sarah de Beaumont
Na sala de jantar, mesa de Lars Löfmark, cadeiras Luís 13, louças de Sèvres, cristais da Saint-Louis e, sobre a lareira, vaso de Roger Herman, na Carpenters Workshop Gallery
Jukka Ovaskainen | Estilo: Sarah de Beaumont
Em todos os cômodos, a premissa foi conceber ambientes clássicos, mas confortáveis, sem descaracterizá-los. “Isso permite modernizar sem alterar a arquitetura. Não tenho vontade de me comparar a ele, mas aspiro algo semelhante a Emilio Terry, por exemplo: criar projetos com caráter histórico e um toque lúdico, mantendo uma sobriedade, um radicalismo contemporâneo. Esse ou aquele detalhe não teriam sido feitos durante o Renascimento, mas ao mesmo tempo são coerentes. Não saberíamos como datá-los.”
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A escadaria e o piso de mosaico, que sugeriram a Paul sua inspiração no Renascimento italiano
Jukka Ovaskainen | Estilo: Sarah de Beaumont
Em um dos quartos, acima da cama de Ignazio Gardella, arandelas da Sciolari e querubins do séc. 19 – as mesas laterais e as pinturas são de Pierre du Pré de Saint Maur
Jukka Ovaskainen | Estilo: Sarah de Beaumont
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Não se trata de impor grandes revoluções arquitetônicas quando o lugar já tem tudo o que precisa. Por isso, bastaram gestos como projetar uma bela cozinha, refinando os detalhes das portas ocultas, e imaginar um sofá de linhas austeras para a sala de estar, entre uma luminária de piso de Ignazio Gardella e uma escultura contemporânea de Stefan Rinck. Paul explica: “Não queria um statement. O objetivo era que a casa parecesse ter evoluído ao longo do tempo e com seus habitantes”. Um sutil ato de equilibrismo que o arquiteto domina bem.
Não queria um statement. O objetivo era que a casa parecesse ter evoluído ao longo do tempo
No detalhe de um quarto, escultura L’Arbre, de Sergio Storel, e tapete Loops, da Nordic Knots
Jukka Ovaskainen | Estilo: Sarah de Beaumont
Outro ângulo do dormitório exibe pendentes e tela Ciel d’Orage, tudo de Pierre du Pré de Saint Maur, e um cão guardião chinês, conhecido como Chien de Fô
Jukka Ovaskainen | Estilo: Sarah de Beaumont
No banheiro, banco Huntstool Gold, de Rick Owens, na Carpenters Workshop Gallery, esculturas de Victor Guedy e luminária de Hans Verstuyft
Jukka Ovaskainen | Estilo: Sarah de Beaumont
Não surpreende saber que Paul já está trabalhando em outro castelo, que pretende transformar em espaço artístico e cultural, enquanto aguarda a entrega de um projeto em Nova York, coassinado por Marie-Anne Derville. Da Borgonha à costa leste dos Estados Unidos, tudo é uma questão de harmonia.
Tradução: Adriana Mori
*Matéria originalmente publicada na edição de julho/2025 da Casa Vogue (CV 474), disponível em versão impressa, na nossa loja virtual e para assinantes no app Globo Mais.
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No detalhe de um quarto, escultura L’Arbre, de Sergio Storel, e tapete Loops, da Nordic Knots
Jukka Ovaskainen | Estilo: Sarah de Beaumont
Outro ângulo do dormitório exibe pendentes e tela Ciel d’Orage, tudo de Pierre du Pré de Saint Maur, e um cão guardião chinês, conhecido como Chien de Fô
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No banheiro, banco Huntstool Gold, de Rick Owens, na Carpenters Workshop Gallery, esculturas de Victor Guedy e luminária de Hans Verstuyft
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Tradução: Adriana Mori
*Matéria originalmente publicada na edição de julho/2025 da Casa Vogue (CV 474), disponível em versão impressa, na nossa loja virtual e para assinantes no app Globo Mais.
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