A casa de Walton Goggins, astro de The White Lotus

O ator Walton Goggins e sua mulher, a roteirista e diretora Nadia Conners, são categóricos ao contar sobre a decisão de deixar a Costa Oeste dos Estados Unidos e firmar raízes no Vale do Rio Hudson, estado de Nova York. “Não estávamos fugindo de Los Angeles. Estávamos correndo em direção a algo”, diz Walton, um dos destaques da terceira temporada da série The White Lotus e conhecido por interpretar vilões e anti-heróis com certa sutileza. “Amávamos nossa casa naquela cidade. Foi onde nosso filho, Augustus, nasceu e cresceu, onde me tornei a pessoa que sempre quis ser cultural e espiritualmente, não apenas profissionalmente”, acrescenta.
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No living, chamam a atenção o sofá de Kristian Illum Wikkelsø (em primeiro plano, à dir.), a mesa de centro de Dan Pollock sobre tapete persa antigo e a tela de Danny Fox na parede
Kate S. Jordan | Estilo: Raina Kattelson
Apesar do carinho pela Cidade dos Anjos, o canto da sereia do Hudson Valley soava cada vez mais alto. Por anos, Walton e Nadia visitaram a região, alugando casas e flertando com anúncios de imóveis, no entanto foi a pandemia que finalmente ofereceu o impulso. “Janelas de autopercepção e possibilidades se abriram. Foi uma chance de fazer algo diferente – não um recomeço, mas uma mudança, uma evolução.” Nadia consente: “Amadurecemos a decisão ao longo dos anos, mas aquele período foi o catalisador. A audácia de contemplar essa mudança, de repente, pareceu menos absurda”.
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Outro ângulo do living revela parede com telas de David Bailin (sobre o piano), Eugene Pera (maior, à dir.) e retrato de Michael Ornstein
Kate S. Jordan | Estilo: Raina Kattelson
Quando a casa certa apareceu, tudo se encaixou – e de maneira irresistível, conta Walton. “Havia algo sedutor naquela proposta. Estávamos comprando um sentimento, uma ideia de um estilo de vida diferente para a nossa família. Estávamos explorando a possibilidade de um novo lugar.”
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Na sala de jantar, a mesa de fazenda francesa figura sob a luminária Capiz Shell, de Verner Panton
Kate S. Jordan | Estilo: Raina Kattelson
No escritório de Walton, a tela de Danny Fox acompanha sofás Togo, design Michel Ducaroy para a Ligne Roset, e banquinhos africanos na Galerie Half
Kate S. Jordan | Estilo: Raina Kattelson
Claro que, ao se tratar de construções antigas, há um momento inevitável em que a fantasia colide com a realidade. “Quando chegamos aqui, percebemos que a residência não era renovada havia 100 anos. Cada sistema, luminária, torneira e lareira estava prestes a pifar – ou já tinha pifado. Mas foi mágico”, relembra o ator. Sem se deixar abater pela dimensão da empreitada (embora um pouco intimidados, confessam), o casal inicialmente pensou em reformar aos poucos. “Mas logo entendemos que era uma expectativa irreal. Quando você mexe em uma parte da casa, percebe que tudo está interligado. Basicamente, no primeiro ano aqui, aceitei todos os papéis que me ofereceram só para conseguirmos bancar tudo que precisava ser feito”, brinca Walton.
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Na cozinha, armários pintados na cor Pitch Black, da Farrow & Ball, e tela de Xander Berkeley
Kate S. Jordan | Estilo: Raina Kattelson
Na copa, cadeiras de Michael Thonet, lustre vintage e tela de Wes Lang
Kate S. Jordan | Estilo: Raina Kattelson
No início do processo, os proprietários convidaram o amigo Shawn Henderson para colaborar no projeto de interiores. Junto ao casal, ele redesenhou o layout antiquado ajustando os espaços para os ritmos e rituais da vida contemporânea: refez a entrada, ampliou a cozinha, criou uma suíte principal e transformou três antigos dormitórios de funcionários no escritório de Walton.“Devo dizer: Walton é mais do que levemente obcecado por design. Ele se aprofunda mesmo nos detalhes”, afirma o designer.
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Walton Goggins e a labradora Lucy posam ao lado da pintura de Wes Lang
Kate S. Jordan | Estilo: Raina Kattelson
É maravilhoso ver nosso filho crescer cercado de arte, música, móveis incríveis – todas essas coisas
Um pequeno exército de artesãos e técnicos se dedicou à tarefa de restaurar a estrutura deteriorada sem abrir mão da textura original de vigas, pisos e lareiras marcados pelo tempo. Parte da história da casa está literalmente escrita nas paredes de uma das salas na forma de assinaturas de antigos hóspedes ilustres, como a poetisa Edna St. Vincent Millay. A residência também já recebeu visitas regulares de nomes como Babe Ruth, Walt Disney, Joan Crawford e o Duque e a Duquesa de Windsor.
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Na antiga sala de armas, quadro de Orlando Seale (sobre a lareira)
Kate S. Jordan | Estilo: Raina Kattelson
No quarto de hóspedes, tapete Ersari, na The Antique Knot, arandela da Lumfardo e telas de Tracy Nakayama
Kate S. Jordan | Estilo: Raina Kattelson
No closet, banco adquirido no mercado de pulgas de Brimfield
Kate S. Jordan | Estilo: Raina Kattelson
No banheiro do escritório, banheira da Waterworks
Kate S. Jordan | Estilo: Raina Kattelson
No quarto principal, poltrona vintage da De Sede
Kate S. Jordan | Estilo: Raina Kattelson
Design e arte são duas das grandes linguagens do amor. Walt e eu nos conectamos por aquilo que nos inspira
Os elementos pessoais criam um contraste provocativo com a arquitetura: nada de clichês rústicos, mas obras de arte contemporânea ousadas, relíquias coletadas ao redor do mundo, lembranças afetivas e peças de mobiliário variadas – como o pendente de conchas de Verner Panton que coroa a sala de jantar. Walton passou um ano escolhendo cada luminária vintage. Dirigiu seis horas, ida e volta até Long Island, só para buscar um conjunto de poltronas dos anos 1970 que hoje ocupa o solário. “Se você comprar o sofá certo, nunca mais vai precisar de outro”, ele aconselha.
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Vista externa do solário, com caixilhos restaurados pela Savage Metal Restoration
Kate S. Jordan | Estilo: Raina Kattelson
A implantação da casa no terreno de mais de 400 mil m²
Kate S. Jordan | Estilo: Raina Kattelson
“Design e arte são duas das grandes linguagens do amor. Walt e eu nos conectamos por aquilo que nos inspira”, compartilha Nadia sobre as aventuras do casal no mundo da curadoria. “Walt não compra um Porsche; ele compra um Kerry James Marshall.” E Walton logo faz questão de pontuar que seu impulso não é movido por ego ou valor de revenda. “Sou um garoto pobre da Geórgia. É maravilhoso ver nosso filho crescer cercado de arte, música, móveis incríveis – todas essas coisas que inspiram”, reflete. “Esta casa me estimulou de formas totalmente novas.” Linguagem do amor.
Tradução: Adriana Mori
*Matéria originalmente publicada na edição de junho/2025 da Casa Vogue (CV 474), disponível em versão impressa, na nossa loja virtual e para assinantes no app Globo Mais.
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