No apartamento da arquiteta Paula Neder (projetado por ela) no Rio de Janeiro, RJ, a sala de estar ganhou sofá reformado pela Estofaria Urbana
Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação
Para a arquiteta Kika Mattos, a reutilização é um princípio de projeto. “Sou muito a favor do reaproveitamento, principalmente quando o sofá tem um bom design. Estofar com um bom profissional faz toda a diferença, assim como a escolha do tecido”, afirma.
Segundo ela, mesmo quando o modelo não é tão atraente, há soluções criativas: “Uma opção que gosto bastante é usar capa. Ela esconde os pés, deixa o sofá mais cool e ainda pode ser lavada com facilidade”.
No projeto da arquiteta Kika Mattos, o sofá ganhou nova vida com tecido da Jocal. Reformar um móvel como esse é uma forma de preservar a memória afetiva que ele carrega
André Klotz/Divulgação
Mas antes de decidir pela reforma, alguns critérios precisam ser avaliados com cuidado. Ter um tapeceiro experiente é o primeiro passo. “É fundamental contar com um bom estofador”, diz Kika. Ela também alerta para a importância de avaliar a espuma: “É preciso entender se ela continua boa ou se será necessário reestruturá-la”.
Quando vale a pena reformar o sofá?
O arquiteto Robert Robl reforça que a qualidade da estrutura é determinante. “Vale a pena reformar quando a estrutura original é de madeira de boa qualidade, quando o sofá tem bom design, é confortável e proporcional ao espaço. Peças assinadas ou de época também entram nessa conta”, pontua.
Por outro lado, ele é direto ao apontar quando não compensa: “Se a estrutura for de madeira de baixa qualidade, como pinus, se for um modelo genérico ou se não se adequar ao ambiente, eu não reformaria”.
No projeto do arquiteto Robert Robl, o sofá original dos moradores foi renovado com veludo da Donatelli. Para o profissional, é essencial considerar o cotidiano de uso do móvel ao avaliar sua reforma
Thiago Travesso/Divulgação
Quanto custa a reforma do sofá?
O custo médio de uma reforma gira em torno de R$ 5 mil, segundo Kika, mas o valor pode variar conforme o estado do móvel, o tecido escolhido e a necessidade de troca de espuma, percintas e reforços estruturais.
Robert destaca que comparar o custo da reforma com o de um sofá novo é essencial. Se o valor ultrapassar mais da metade do preço de um bom modelo, pode ser hora de reconsiderar a renovação.
Como saber a hora de reformar o sofá
Alguns sinais indicam que chegou a hora de restaurar o item. “Quando a estrutura começa a ficar instável, é comum aparecer aquela ‘barriga’ no ponto mais usado”, explica a arquiteta. O desgaste do tecido é outro alerta evidente de que o móvel precisa de renovação.
Neste projeto do escritório Quintella Arquitetura, o sofá antigo foi renovado com tecido azul e complementado por manta da Tok&Stok
Gustavo Bresciani/Divulgação
Ao optar peça reforma, é fundamental considerar o uso cotidiano da peça. A rotina da casa deve orientar a escolha do tecido, destaca o arquiteto Robert, que recomenda tramas de linho com poliéster, veludos tecnológicos e bouclês — opções que equilibram estética e resistência.
“Em lares com crianças e pets, tecidos tecnológicos e resistentes a líquidos são ideais. Capas laváveis também funcionam muito bem”, ele completa. Já os veludos 100% algodão, apesar do apelo visual, exigem cuidados constantes e não são indicados para sofás de uso intenso.
O sofá, reformado pela Casa A Studio, recebeu tecido azul-marinho no projeto assinado pelo escritório AW Arquitetura, da arquiteta Ana Lívia Werdine
EstudioNY18/Divulgação
Entre os erros mais comuns, os especialistas alertam: escolher o tecido apenas pelo preço, não testar a espuma indicada pelo tapeceiro e decidir com pressa. “É importante sentir a textura da amostra, verificar se o tecido é adequado para o uso diário e entender se o sofá vai durar pelo menos mais uns dez anos depois da reforma”, orienta Robert.
No fim das contas, reformar um sofá é uma decisão que vai além do orçamento: envolve afeto, design, sustentabilidade e a vontade de prolongar a vida de uma peça que já faz parte da residência — e da história de quem mora nela.



