Foi durante o World Architecture Festival 2025 que as tendências arquitetônicas para o ano seguinte começaram a tomar forma. Em 14 de novembro, em Miami, a cerimônia de premiação reconheceu os projetos mais promissores dos próximos meses, tanto em termos de design quanto de sustentabilidade. Philippe Fouché, do escritório sul-africano SAOTA, um dos jurados do painel internacional de arquitetos, faz um balanço do evento e seus principais aprendizados.
“A arquitetura é uma profissão em que a funcionalidade atemporal tem precedência sobre as tendências”, explicou. “No entanto, ao examinarmos nossos projetos atuais, percebemos ideias que talvez não tivéssemos explorado há dez anos: a tecnologia, a modelagem 3D e a sustentabilidade dos materiais estão transformando a profissão. De modo geral, o setor parece estar se afastando da complexidade excessiva em favor de projetos que criam uma conexão visceral com os usuários e contam histórias envolventes. A arquitetura precisa ter alma, não apenas geometria.”
Telhados em harmonia com a paisagem e coberturas verdes
“Uma vinícola acima das vinhas, com vista para o universo”, descreve a propriedade Sauska, localizada na prestigiada região de Tokaj, na Hungria. O estúdio local BORD projetou dois edifícios circulares de forma contemporânea, mas enraizados no terroir, graças aos telhados verdes. O projeto foi finalista no World Architecture Festival
Hufton+Crow
Essa tendência, cujos primeiros indícios já se observavam no ano passado, se confirma e se consolida em 2026. “O telhado, antes um simples elemento funcional, tornou-se um gesto arquitetônico expressivo, em perfeita harmonia com o ambiente e o clima”, revela Philippe Fouché. “Ao adotar as características do contexto, essas coberturas criam silhuetas únicas, adaptando-se às condições ambientais: proporcionam sombra, gerenciam a água ou emolduram vistas, muitas vezes para picos de montanhas ou para a exuberante copa das árvores.”
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Além do design, os telhados vêm se transformando em espaços plenamente habitáveis, como jardins suspensos. Essas coberturas verdes também oferecem uma maneira de reintroduzir vegetação em estruturas habitáveis cujo impacto ambiental, devido à área que ocupam, é inegável.
“Esses telhados verdes oferecem inércia térmica, maior biodiversidade, gestão eficiente da água da chuva e áreas adicionais de uso, transformando cada superfície horizontal em uma oportunidade de restauração da paisagem e enriquecimento da vida cotidiana. Jardins em telhados recuperam o espaço ocupado pelos edifícios, oferecendo aos moradores uma paisagem utilizável, muitas vezes aprimorada por vistas deslumbrantes.”
Paredes espessas e aberturas esculturais
O prêmio de Edifício do Ano de 2025 do World Architecture Festival foi concedido à Igreja do Santíssimo Redentor e ao Centro Comunitário Las Chumberas, projetados por Fernando Menis em La Laguna, Espanha.
Roland Halbe
Com as mudanças climáticas acelerando a busca por soluções térmicas, os arquitetos estão redobrando sua criatividade para desenvolver projetos que sejam ao mesmo tempo resilientes e esteticamente atraentes. “Em climas quentes e áridos, estamos redescobrindo os benefícios da inércia térmica”, explica Philippe Fouché. “Paredes grossas e sólidas absorvem o calor durante o dia e o liberam à noite, regulando naturalmente a temperatura interna.”
Projetado pelo renomado escritório dinamarquês BIG, este edifício abriga a nova delegacia da igualmente famosa polícia de Nova York (NYPD), no coração do Bronx. “A fachada de concreto pré-fabricado alterna entre acabamentos jateados e polidos, contrastando com o vidro refletivo e a malha metálica do exterior”, destacam os arquitetos. O projeto foi finalista no World Architecture Festival
Rafael Gamo
O vidro, amplamente valorizado durante décadas por seu apelo modernista, vem perdendo espaço para materiais de alto desempenho. O resultado são fachadas mais densas, nas quais as aberturas se tornam elementos definidores. “Essas aberturas profundas criam transições marcantes entre interior e exterior, controlam o ganho solar, emolduram vistas específicas e canalizam o fluxo de ar. A própria espessura da parede se transforma em espaço habitável: assentos junto à janela, nichos, zonas de transição. O resultado é uma arquitetura que se adapta ao clima, em vez de depender exclusivamente de sistemas mecânicos, reduzindo o consumo de energia e criando ambientes com qualidades sensoriais excepcionais.”
Initial plugin text
Madeira laminada cruzada (CLT)
Construída pela SAOTA na África do Sul, esta residência em madeira laminada cruzada “oferece vistas deslumbrantes do oceano e da Reserva Natural de Robberg. O edifício foi projetado como um pavilhão linear que se integra delicadamente às dunas ondulantes, respeitando o ambiente natural.”
SAOTA/Divulgação
Também conhecido como CLT na indústria, o painel de madeira laminada cruzada é composto por diversas camadas de madeira — entre três e onze — coladas entre si em um padrão cruzado. A principal vantagem é o aumento da rigidez do material, o que garante melhor desempenho construtivo, sobretudo em edifícios altos, além de se tratar de uma solução relativamente ecológica. Nos últimos cinco anos, diversas cidades já viram a construção de edifícios altos em CLT, como o Wood Hotel Bodo, na Noruega, a torre Stadthaus, em Londres, e o projeto residencial Sensations, em Estrasburgo.
“A madeira laminada cruzada (CLT) representa tanto uma escolha sustentável de material quanto um método construtivo que permite geometrias complexas com uma pegada de carbono reduzida. Ela traz aconchego e textura natural, ao mesmo tempo que possibilita processos de construção mais rápidos e limpos, algo particularmente valioso em ambientes naturais sensíveis, onde minimizar o impacto no local e o tempo de obra é essencial.”
Combinada à expertise ancestral japonesa em Tsugite, ensinada por Philippe Fouché, essa tecnologia amplia os vãos das vigas e elimina o uso de parafusos — suscetíveis à oxidação, especialmente em regiões costeiras.
5 tendências de arquitetura para 2026
Ema Peter Photography
Terra crua como elemento central dos acabamentos
Construído pela SAOTA em Dakar, Senegal, o edifício The One faz uso extensivo de terra bruta local
SAOTA/Divulgação
A escolha desse material também está ligada ao desejo de reduzir o impacto, tanto ambiental quanto visual. Com alto desempenho térmico, a terra crua, em técnicas como a taipa de pilão, por exemplo, se integra de forma natural à diversidade das tradições arquitetônicas locais. “Esse material está intrinsecamente ligado ao lugar: é literalmente feito do solo sobre o qual o edifício se apoia, o que reduz significativamente a quantidade de materiais transportados de fora, assim como os resíduos levados para fora do canteiro de obras”, destaca Philippe Fouché.
Além de suas qualidades técnicas, a terra crua permite uma ampla variedade de texturas nas fachadas, ajustáveis para criar desde acabamentos mais lisos até relevos mais marcantes.
Complexos hoteleiros integrados ao ambiente natural
Aninhadas na floresta de Dongmingshan, essas cabanas de hotel têm o formato de pinhas, que lembram as sequoias que as cercam. Elas foram projetadas pela GLA (uma empresa chinesa) para se integrarem perfeitamente à paisagem, proteger o solo e manter os hóspedes a salvo de animais selvagens.
Xi Chen
Essa tendência também reflete uma valorização crescente da integração plena das estruturas hoteleiras ao seu entorno, impulsionada por preocupações ambientais e por uma concepção mais holística de luxo, conectada ao contexto local. “A arquitetura desses resorts se integra harmoniosamente à paisagem, seja em vales desérticos, savanas africanas ou áreas costeiras. Os projetos priorizam o mínimo impacto no terreno, o uso de materiais locais e uma linguagem arquitetônica derivada de uma análise cuidadosa do contexto.”
Desert Rock é um novo conceito de hospedagem escondido no deserto da Arábia Saudita, projetado pelo escritório americano Oppenheim Architecture. “Ao nos inspirarmos na linguagem da terra, criamos novos espaços e experiências: edifícios que se integram à paisagem tectônica, ecoando as antigas civilizações nabateias que outrora habitaram a região”, explicam os arquitetos
John Athimaritis/ Red Sea Global
Em última análise, essas tendências arquitetônicas não buscam revolucionar o setor, mas aprofundar um retorno às tradições ligadas à terra. “Embora essas ideias pareçam contemporâneas, elas são, na essência, explorações de princípios arquitetônicos fundamentais e ancestrais — abrigo, materialidade, conexão com a paisagem — abordados com novas ferramentas e uma responsabilidade ambiental renovada”, conclui Philippe Fouché.
*Matéria publicada originalmente na Architectural Digest França
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“A arquitetura é uma profissão em que a funcionalidade atemporal tem precedência sobre as tendências”, explicou. “No entanto, ao examinarmos nossos projetos atuais, percebemos ideias que talvez não tivéssemos explorado há dez anos: a tecnologia, a modelagem 3D e a sustentabilidade dos materiais estão transformando a profissão. De modo geral, o setor parece estar se afastando da complexidade excessiva em favor de projetos que criam uma conexão visceral com os usuários e contam histórias envolventes. A arquitetura precisa ter alma, não apenas geometria.”
Telhados em harmonia com a paisagem e coberturas verdes
“Uma vinícola acima das vinhas, com vista para o universo”, descreve a propriedade Sauska, localizada na prestigiada região de Tokaj, na Hungria. O estúdio local BORD projetou dois edifícios circulares de forma contemporânea, mas enraizados no terroir, graças aos telhados verdes. O projeto foi finalista no World Architecture Festival
Hufton+Crow
Essa tendência, cujos primeiros indícios já se observavam no ano passado, se confirma e se consolida em 2026. “O telhado, antes um simples elemento funcional, tornou-se um gesto arquitetônico expressivo, em perfeita harmonia com o ambiente e o clima”, revela Philippe Fouché. “Ao adotar as características do contexto, essas coberturas criam silhuetas únicas, adaptando-se às condições ambientais: proporcionam sombra, gerenciam a água ou emolduram vistas, muitas vezes para picos de montanhas ou para a exuberante copa das árvores.”
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Além do design, os telhados vêm se transformando em espaços plenamente habitáveis, como jardins suspensos. Essas coberturas verdes também oferecem uma maneira de reintroduzir vegetação em estruturas habitáveis cujo impacto ambiental, devido à área que ocupam, é inegável.
“Esses telhados verdes oferecem inércia térmica, maior biodiversidade, gestão eficiente da água da chuva e áreas adicionais de uso, transformando cada superfície horizontal em uma oportunidade de restauração da paisagem e enriquecimento da vida cotidiana. Jardins em telhados recuperam o espaço ocupado pelos edifícios, oferecendo aos moradores uma paisagem utilizável, muitas vezes aprimorada por vistas deslumbrantes.”
Paredes espessas e aberturas esculturais
O prêmio de Edifício do Ano de 2025 do World Architecture Festival foi concedido à Igreja do Santíssimo Redentor e ao Centro Comunitário Las Chumberas, projetados por Fernando Menis em La Laguna, Espanha.
Roland Halbe
Com as mudanças climáticas acelerando a busca por soluções térmicas, os arquitetos estão redobrando sua criatividade para desenvolver projetos que sejam ao mesmo tempo resilientes e esteticamente atraentes. “Em climas quentes e áridos, estamos redescobrindo os benefícios da inércia térmica”, explica Philippe Fouché. “Paredes grossas e sólidas absorvem o calor durante o dia e o liberam à noite, regulando naturalmente a temperatura interna.”
Projetado pelo renomado escritório dinamarquês BIG, este edifício abriga a nova delegacia da igualmente famosa polícia de Nova York (NYPD), no coração do Bronx. “A fachada de concreto pré-fabricado alterna entre acabamentos jateados e polidos, contrastando com o vidro refletivo e a malha metálica do exterior”, destacam os arquitetos. O projeto foi finalista no World Architecture Festival
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O vidro, amplamente valorizado durante décadas por seu apelo modernista, vem perdendo espaço para materiais de alto desempenho. O resultado são fachadas mais densas, nas quais as aberturas se tornam elementos definidores. “Essas aberturas profundas criam transições marcantes entre interior e exterior, controlam o ganho solar, emolduram vistas específicas e canalizam o fluxo de ar. A própria espessura da parede se transforma em espaço habitável: assentos junto à janela, nichos, zonas de transição. O resultado é uma arquitetura que se adapta ao clima, em vez de depender exclusivamente de sistemas mecânicos, reduzindo o consumo de energia e criando ambientes com qualidades sensoriais excepcionais.”
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Madeira laminada cruzada (CLT)
Construída pela SAOTA na África do Sul, esta residência em madeira laminada cruzada “oferece vistas deslumbrantes do oceano e da Reserva Natural de Robberg. O edifício foi projetado como um pavilhão linear que se integra delicadamente às dunas ondulantes, respeitando o ambiente natural.”
SAOTA/Divulgação
Também conhecido como CLT na indústria, o painel de madeira laminada cruzada é composto por diversas camadas de madeira — entre três e onze — coladas entre si em um padrão cruzado. A principal vantagem é o aumento da rigidez do material, o que garante melhor desempenho construtivo, sobretudo em edifícios altos, além de se tratar de uma solução relativamente ecológica. Nos últimos cinco anos, diversas cidades já viram a construção de edifícios altos em CLT, como o Wood Hotel Bodo, na Noruega, a torre Stadthaus, em Londres, e o projeto residencial Sensations, em Estrasburgo.
“A madeira laminada cruzada (CLT) representa tanto uma escolha sustentável de material quanto um método construtivo que permite geometrias complexas com uma pegada de carbono reduzida. Ela traz aconchego e textura natural, ao mesmo tempo que possibilita processos de construção mais rápidos e limpos, algo particularmente valioso em ambientes naturais sensíveis, onde minimizar o impacto no local e o tempo de obra é essencial.”
Combinada à expertise ancestral japonesa em Tsugite, ensinada por Philippe Fouché, essa tecnologia amplia os vãos das vigas e elimina o uso de parafusos — suscetíveis à oxidação, especialmente em regiões costeiras.
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Construído pela SAOTA em Dakar, Senegal, o edifício The One faz uso extensivo de terra bruta local
SAOTA/Divulgação
A escolha desse material também está ligada ao desejo de reduzir o impacto, tanto ambiental quanto visual. Com alto desempenho térmico, a terra crua, em técnicas como a taipa de pilão, por exemplo, se integra de forma natural à diversidade das tradições arquitetônicas locais. “Esse material está intrinsecamente ligado ao lugar: é literalmente feito do solo sobre o qual o edifício se apoia, o que reduz significativamente a quantidade de materiais transportados de fora, assim como os resíduos levados para fora do canteiro de obras”, destaca Philippe Fouché.
Além de suas qualidades técnicas, a terra crua permite uma ampla variedade de texturas nas fachadas, ajustáveis para criar desde acabamentos mais lisos até relevos mais marcantes.
Complexos hoteleiros integrados ao ambiente natural
Aninhadas na floresta de Dongmingshan, essas cabanas de hotel têm o formato de pinhas, que lembram as sequoias que as cercam. Elas foram projetadas pela GLA (uma empresa chinesa) para se integrarem perfeitamente à paisagem, proteger o solo e manter os hóspedes a salvo de animais selvagens.
Xi Chen
Essa tendência também reflete uma valorização crescente da integração plena das estruturas hoteleiras ao seu entorno, impulsionada por preocupações ambientais e por uma concepção mais holística de luxo, conectada ao contexto local. “A arquitetura desses resorts se integra harmoniosamente à paisagem, seja em vales desérticos, savanas africanas ou áreas costeiras. Os projetos priorizam o mínimo impacto no terreno, o uso de materiais locais e uma linguagem arquitetônica derivada de uma análise cuidadosa do contexto.”
Desert Rock é um novo conceito de hospedagem escondido no deserto da Arábia Saudita, projetado pelo escritório americano Oppenheim Architecture. “Ao nos inspirarmos na linguagem da terra, criamos novos espaços e experiências: edifícios que se integram à paisagem tectônica, ecoando as antigas civilizações nabateias que outrora habitaram a região”, explicam os arquitetos
John Athimaritis/ Red Sea Global
Em última análise, essas tendências arquitetônicas não buscam revolucionar o setor, mas aprofundar um retorno às tradições ligadas à terra. “Embora essas ideias pareçam contemporâneas, elas são, na essência, explorações de princípios arquitetônicos fundamentais e ancestrais — abrigo, materialidade, conexão com a paisagem — abordados com novas ferramentas e uma responsabilidade ambiental renovada”, conclui Philippe Fouché.
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