Truques e dicas para usar peças antigas ou vintage na decoração

Adicionar peças vintage ou antiguidades à decoração é uma ótima maneira de deixar os interiores mais interessantes. Mas como encontrar o equilíbrio entre história e modernidade? Para responder a essa questão, conversamos com dois especialistas em antiguidades, frequentadores assíduos de feiras e eventos do setor. Com estilos bem diferentes, eles compartilham uma mesma convicção: peças antigas ou vintage, quando bem escolhidas, fazem toda a diferença no visual da casa.
A chave está na mistura e na arte contemporânea
Bárbara Villa, fundadora da Candelabro, em Madri, passou mais de duas décadas garimpando peças com história e personalidade. Ao participar da feira de Almoneda em 2025, por exemplo, ela elegeu uma bela representação de sua essência: móveis do séc.18, arte contemporânea e gabinetes de curiosidades que vão de um escorregador a uma antiga cauda de peixe-espada sobre um pedestal.
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“Não me interessa o óbvio. Quero que o que levamos para a feira chame a atenção, para o bem ou para o mal”, explica. Ela acrescenta: “Combinar antiguidades com arte contemporânea é fundamental. A arte traz cor, textura… Não precisa ser pintura; pode ser escultura.”
Villa defende que um interior deve contar a história de quem o habita: “As casas devem refletir a alma de seus donos, com peças escolhidas ao longo da vida, que falem das viagens, dos passatempos, da família… Essa mistura é o que torna um espaço acolhedor, convidativo, vivido.”
Decorada pelo Rodra Arquitetura, esta sala ganhou um conjunto de poltronas vintage: no sentido horário, a poltrona Jangada (à dir.), de Jean Gillon, seguida da poltrona Paraty, de Sergio Rodrigues, na Dpot, e a poltrona FDC 1, de Flavio de Carvalho
Maura Mello
De Coruña, Ana Gándara, do antiquário Isadora Deco, trabalha com uma estética de meados do séc. 20, angariando itens de design italiano da década de 1950, com nomes como Giovanni Michelucci, Gianni Moscatelli e Gigi Radice.
Sua abordagem se aproxima daquela de Villa: a mistura com arte contemporânea é fundamental, com um detalhe a mais. “Também é essencial que o espaço seja amplo, para que as peças possam respirar.”
Em que vale a pena investir para quem quer começar no mundo das antiguidades? Para Villa, não há dúvidas: “Móveis, como uma cômoda do séc. 18, por exemplo. Boas peças antigos têm preços bastante razoáveis, e são muito melhores do que os de muitos outros objetos.”
No brasil, este apartamento de 205 m² é a morada de Felipe Carolo. A mistura de móveis, que incluem peças brasileiras e outros itens antigos garimpados, deixa a decoração a cara do arquiteto
Ruy Teixeira
Ainda assim, ela reconhece que os espaços residenciais cada vez menores dificultam a aquisição dessas peças. Nesses casos, recomenda investir em arte original, mesmo em formatos pequenos: “Temos muitos trabalhos em papel, muitas colagens. Preferimos algo pequeno, mas único.”
Gándara, por sua vez, foca na qualidade que transcende o período histórico: “Se pensarmos em investimento, precisamos buscar peças de alta qualidade, independentemente da época a que pertençam.”
Neste apartamento decorado pela arquiteta Juliana Fabrizzi, a atmosfera vintage vem da mistura dos móveis do séc. 20 com o piso de taco e os tijolos aparentes
Ilana Bessler/Habitado Projeto
Além da estética, a fundadora da Candelabro argumenta que as antiguidades também podem fazer parte do dia a dia e da vida familiar — inclusive das crianças — por meio de itens como cavalinhos de balanço, cadeiras escolares ou cadeirinhas de alimentação. “Acho lindo, porque ensina as crianças a cuidar das coisas para que durem por muito tempo. Os objetos contam histórias e carregam significados especiais”, afirma.
Os truques definitivos
Se você ainda não tem certeza de como começar, aqui vão algumas dicas:
Escolha uma paleta neutra como base: brancos, cinzas ou beges ajudam a equilibrar o peso visual de móveis com história, que muitas vezes têm acabamentos escuros ou envelhecidos.
Crie contraste: colocar uma pintura abstrata sobre um aparador clássico ou reformar cadeiras vintage com veludo vibrante pode ser um gesto simples, com grande impacto.
O poder de uma boa iluminação: um sistema de iluminação contemporâneo pode renovar o espaço. Uma luminária pendente minimalista sobre uma mesa antiga adiciona frescor sem apagar o caráter da peça.
Combine materiais: aço, vidro ou microcimento introduzem leveza e contraste. Um piso polido sob um armário-vitrine do séc. 19 ou uma bancada de mármore com cadeiras esculpidas podem formar a combinação perfeita.
Não apague o passado: ao restaurar uma peça, evite deixá-la com aparência de nova. O ideal é recuperar seu esplendor sem eliminar a história que ela carrega.
*Matéria publicada originalmente na Architectural Digest Espanha
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