As casas de pedra de Graufthal, a aldeia troglodita mais escondida da França

Descobertas em 1899 pelos arqueólogos Robert Forrer e Charles Spindler, as primeiras cavernas escavadas nas rochas de Graufthal foram utilizadas como armazém pela abadia de beneditinas na Idade Média, antes de servirem como moradia para os habitantes da vila após a partida das freiras no século XVI. Transformadas em abrigos improvisados no século XVII e, depois, em casas no século XVIII, as moradias acolheram três famílias no século XX. Pouco a pouco abandonadas, essas habitações de pedra tornaram-se testemunhas de uma época passada. Situadas no povoado de Graufthal, as casas de Les Rochers, cercadas por florestas e pelos vestígios da abadia, conferem um charme particular a esse surpreendente vilarejo alsaciano.
Um vilarejo atípico na encosta da montanha
As casas azuis aninhadas na rocha são um dos pontos mais bonitos da cidade
Getty Images
Aninhadas na rocha de arenito rosa, as casas alsacianas agora abrem suas portas aos visitantes que desejam descobrir o ambiente pitoresco em que viveram as antigas gerações. Um verdadeiro espaço habitacional, a rocha serve de piso, parede e teto, enquanto as fachadas de cores azuis trazem um toque de modernidade aos interiores tradicionais. Tombada como monumento histórico desde 1988, o vilarejo semitroglodita foi habitado até 1958. Nessas casas rupestres, as condições de vida surpreendem os viajantes. Sem eletricidade, sem água corrente, as difíceis condições de vida não impediram os moradores de viver até os 80 anos. Restauradas e reorganizadas, as casas ancoradas nessas escavações naturais evocam a vida cotidiana de seus antigos ocupantes.
LEIA MAIS
Vai construir ou reformar? Seleção Archa + Casa Vogue ajuda você a encontrar o melhor arquiteto para seu projeto
Habitações singulares transformadas em museu
Os interiores de uma habitação troglodita na vila de Graufthal, França
Getty Images
Ao passear pelos interiores das casas, o visitante pode mergulhar nos espaços para imaginar a vida de seus ocupantes no início do século XX. Situadas a 330 metros de altitude no parque natural regional dos Vosges do Norte, todas as casas azuis, alinhadas, que se tornaram uma fábrica de fósforos, podem ser visitadas. Encaixadas a alguns metros acima do vilarejo, as casas semitrogloditas foram reconstituídas a partir de fotografias de época, destacando os espaços tal como eram antigamente, para se aproximar o máximo possível da realidade. Os móveis não são originais, mas sua disposição permanece fiel aos arquivos.
Uma pitoresca fábrica de fósforos
As casas das Rochas de Graufthal, habitações históricas nos penhascos
Getty Images
É acima das casas azuis que existe o ateliê de fabricação de fósforos da região. Três pequenas janelas estão alinhadas acima das habitações, das quais emana uma densa fumaça desde 1845. Perigosa devido ao uso de fósforo e de partículas químicas necessárias à criação dos fósforos, a fábrica foi obrigada a reduzir sua produção. Apesar da proibição dos fósforos químicos na França a partir de 1870, o ateliê continuou a vender e produzir seus fósforos, cujas extremidades podiam se inflamar em contato com qualquer superfície abrasiva. Hoje valorizado pela Associação criada em 1984, o local recupera os vestígios de sua fábrica de fósforos por meio de uma exposição dedicada ao seu artesanato tradicional.
As mais belas casas-cavernas escondidas sob a terra
Hobbiton (Matamata, Nova Zelândia)
Hobbiton (Matamata, Nova Zelândia)
Getty Images
Foi aqui que foram filmadas as trilogias de O Senhor dos Anéis e O Hobbit. A equipe dos filmes obteve autorização para escavar cerca de trinta casas de hobbit e iniciou os trabalhos em 1999. Ameaçado de demolição ao final das filmagens, o vilarejo acabou sendo salvo. Atualmente, está aberto ao público.
Villa Vals (Vals, Suíça)
A Villa Valls só é acessível através de um túnel subterrâneo
Cortesia da Villa Valls/Reprodução AD França
Os arquitetos Bjarne Mastenbroek e Christian Müller, respectivamente dos escritórios SeARCH e CMA, queriam conceber uma casa que se integrasse perfeitamente à paisagem. Missão cumprida com essa casa-caverna construída em 2009. Os interiores são acessados apenas por meio de um túnel subterrâneo, cuja entrada fica em um celeiro vizinho. As termas de Vals, projetadas por Peter Zumthor, ficam nas proximidades.
Peter Vetsch Homes (Suíça)
Peter Vetsch Homes (Suíça)
Roland zh/Wikimedia Commons
O arquiteto Peter Vetsch é conhecido por suas construções orgânicas e respeitosas com o meio ambiente. Ele construiu mais de 100 casas de terra na Suíça e no exterior. Muitos projetos apresentam uma base de concreto projetado, à semelhança das casas-bolha. Suas fachadas curvas evocam a obra de Antoni Gaudí.
Dune House (Atlantic Beach, Flórida)
Dune House (Atlantic Beach, Flórida)
Josh Hansbrough/Reprodução AD França
Chamada de “Dune House” e assinada por William Morgan, essa casa subterrânea modernista foi construída na década de 1960. Localizada em uma duna de areia perto de Atlantic Beach, na Flórida, a propriedade é composta por duas unidades idênticas de 60 metros quadrados, cada uma com um boudoir, uma escada curva e sofás embutidos.
Blue Reef Cottages (Hébridas Exteriores, Reino Unido)
Blue Reef Cottages (Hébridas Exteriores, Reino Unido)
Mo Thomson, cortesia da Blue Reef/Reprodução AD França
Embora as Blue Reef Cottages não sejam totalmente subterrâneas, elas se integram ao ambiente graças ao telhado coberto de grama e às suas curvas sinuosas. Projetadas por Stuart Bagshaw, essas casas se inspiram nas habitações neolíticas subterrâneas. É possível alugá-las.
*Matéria originalmente publicada na Architectural Digest França.
🏡 Casa Vogue agora está no WhatsApp! Clique aqui e siga nosso canal
Revistas Newsletter

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima