Chanana: aprenda a cultivar a planta comestível e medicinal

Conhecida como chanana ou flor-do-guarujá (Turnera subulata), essa antiga moradora dos quintais e jardins brasileiros ganhou destaque com a tendência das Plantas Alimentícias Não-Convencionais (PANC). De cultivo simples, suas pétalas delicadas unem propriedades medicinais e culinárias.
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“Ela é nativa do Brasil e ser encontrada em várias regiões do país, mas também ocorre em outros territórios da América do Sul e América Central”, conta Raquel da Silva Pinto, engenheira ambiental, viveirista e sócia-proprietária do Viveiro e Flora São José.
Características da chanana
A chanana é uma planta ruderal, ou seja, cresce espontaneamente e com facilidade em áreas urbanas. “É uma herbácea de caule flexível, pouco lenhoso e de média ramificação. Sua altura, na nossa região de Mata Atlântica, não ultrapassa 80 cm. Suas folhas são pequenas, simples e com detalhes serrilhados na margem”, descreve Raquel.
A chanana possui grande capacidade de adaptação, crescendo espontaneamente em jardins, beira de estradas e terrenos baldios
David J. Stang/Wikimedia Commons
Essa estrutura delicada contrasta com sua alta resistência, tornando-a capaz de sobreviver em condições que outras espécies ornamentais dificilmente suportariam. “É considerada uma planta rústica, pois se vira sozinha na natureza, espalha-se pelas estradas e praças sem exigir ajuda humana”, afirma Adriana Meira, jardineira.
Como a chanana evoluiu em solos brasileiros, desempenha um papel ecológico significativo: é essencial para o equilíbrio ambiental, pois serve de alimento para polinizadores; e atua na recuperação de áreas degradadas, pois, além de proteger o solo, funciona como espécie pioneira na retomada da biodiversidade local.
Como cuidar da chanana
Para cuidar da chanana no solo, ofereça sol pleno ou meia-sombra, regue moderadamente e faça uma adubação leve para boa floração, controlando pragas e doenças
Vengolis/Wikimedia Commons
De baixa manutenção, a chanana é ideal para diferentes tipos de cultivo. “Em solo, desenvolve-se mais rápido; já em vasos seu crescimento pode ser mais lento”, aponta Raquel.
A seguir, confira as principais recomendações de cultivo:
Solo: idealmente bem drenado, mas adapta-se a solos arenosos, pobres, e até salinos;
Luz: sol pleno;
Clima: quente e tropical;
Adubação: pouco exigente quanto aos nutrientes. Caso decida adubar, utilize com moderação compostos orgânicos ou NPK 04-14-08, de uma a duas vezes ao ano;
Rega: regular, mas sem encharcar. Regue apenas quando o solo estiver ficando seco, pois o acúmulo de água pode apodrecer as raízes;
Poda: muito tolerante. Prefira realizá-la no final de agosto para que, em setembro, com o início da primavera, ela brote com mais facilidade.
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Se você não dispõe de áreas com terra, o cultivo em vasos é uma excelente alternativa, desde que considerado o tamanho do recipiente. Raquel recomenda um de porte médio, com pelo menos 25 cm de altura e 30 cm de diâmetro: “Dessa forma, ela se desenvolverá melhor e seu arbusto logo terá volume arredondado”, justifica.
Cultivar chanana em vasos é fácil, mas exige um recipiente profundo para suas raízes e sol pleno para florir bem
JMGM/Wikimedia Commons
Como fazer mudas de chanana
A chanana se propaga facilmente por sementes ou estacas. Inclusive, o primeiro método é o responsável pela fama de “invasora” da espécie. Mas se a ideia é criar mudas, tente a estaquia. “Basta cortar a estaca, colocar em um copo com água e, se quiser acelerar o enraizamento, aplicar uma ou duas gotinhas de água oxigenada volume 10. Faça a troca dessa água a cada três dias até enraizar”, ensina Raquel.
Floração da chanana
A flor de chanana possui cinco pétalas com formato arredondado ou oval, que variam entre o branco-amarelado (creme) e o amarelo suave, com o miolo apresentando uma mancha central, geralmente em tons de negro-violáceo ou marrom
Suyash.dwivedi/Wikimedia Commons
A beleza da chanana reside na floração perene ou de longa duração, que resulta em um contraste delicado de cores. “A coloração das pétalas inicia em um branco amarelado, off white; fica amarela ao se aproximar do miolo, em tom castanho escuro”, detalha Raquel.
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No entanto, seu espetáculo é breve, já que cada flor dura apenas um dia – como ela produz flores sucessivamente, temos a impressão de uma floração constante. “As flores desabrocham pela manhã e se fecham por volta do meio-dia se o clima estiver quente. Caso contrário, podem fechar um pouco mais tarde, até às 14 horas”, complementa Raquel.
As flores de chanana desabrocham nas primeiras horas da manhã com os raios solares e se fecham por volta do meio-dia, durando um único dia
Philipp Weigell/Wikimedia Commons
Planta comestível e medicinal
Além de toda beleza ornamental, a chanana é uma Planta Alimentícia Não Convencional (PANC). As partes consideradas comestíveis são as flores e, com moderação, as folhas, que podem ser usadas em receitas culinárias. “Suas flores podem ser consumidas in natura. De sabor adocicado, elas podem ser utilizadas em saladas, decoração de bolos e consumidas com geleias e patês”, afirma Raquel.
A folha de chanana é amplamente usada em chás e infusões para fins medicinais e bem-estar, valorizada por suas propriedades calmantes, digestivas, antioxidantes e seu sabor suave
Filo gèn’/Wikimedia Commons
Seu uso na cozinha caminha junto a uma forte tradição medicinal. “Quando crianças, nós a amassávamos e colocávamos sobre pequenos ferimentos para cicatrizar. É muito usada para sintomas de gripe, melhorar o sono e diminuir a ansiedade e a depressão. Possui propriedades antibacterianas, anti-inflamatórias e cicatrizantes. Há quem diga também que é afrodisíaca”, relata Adriana.
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Cuidados e contraindicações
Embora a chanana seja uma PANC, ainda faltam estudos definitivos sobre sua toxicidade a longo prazo ou em grandes doses. Portanto, seu consumo deve ser moderado. Atente-se também ao local de colheita, evitando calçadas ou beiras de estrada pelo risco de contaminação. Além disso, higienize as partes consumidas, garantindo a segurança alimentar. Seu consumo é contraindicado para gestantes e lactantes.

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