Em breve, os orelhões não serão mais encontrados nas cidades brasileiras. Isso porque as concessões de telefonia que mantinham o funcionamento das unidades que ainda existiam se encerrou no último ano. A retirada de 38 mil aparelhos que ainda permanecem nos municípios, segundo dados da Anatel, acontece a partir de janeiro de 2026.
O orelhão foi oficialmente inaugurado ao público em 1972. Mais de 50 anos depois, eles passam a ser retirados da cidade
Acervo de Chu Ming Silveira/orelhao.arq.br
Hoje pouco utilizado, o orelhão foi idealizado como um objeto de design em 1971 pela arquiteta chinesa e radicada brasileira, Chu Ming Silveira (1941-1997). A peça buscava se adequar ao espaço urbano e ser uma solução eficiente aos ruídos das vias públicas. O seu nome técnico era Chu II.
Chu Ming Silveira, conhecida por inventar o orelhão, é formada em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie
Acervo de Chu Ming Silveira/orelhao.arq.br
Para isso, o projeto, encomendado pela Companhia Telefônica Brasileira, adotou o fiberglass como material principal, ampliando o isolamento sonoro e a sensação de resguardo. O formato também foi decisivo: a forma curva direciona e dissipa o ruído externo, permitindo o uso do telefone mesmo em vias movimentadas, com eficiência em faixas de até 90 decibéis.
Projeto original do orelhão, da arquiteta Chu Ming Silveira
Acervo de Chu Ming Silveira/orelhao.arq.br
Além do orelhão, a arquiteta projetou o Orelhinha, destinado a ambientes fechados, e a Concha, destinado a espaços semiabertos. Ambos eram fixados na parede, enquanto o orelhão era acoplado a postes, permitindo o agrupamento de mais de um aparelho em uma mesma estrutura.
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A inauguração para o público se deu em janeiro de 1972, com instalações iniciais no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Chu Ming em um Orelhão instalado em frente a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (FAU-USP), em Sāo Paulo, SP
Acervo de Chu Ming Silveira/orelhao.arq.br
Mais do que uma peça funcional, o orelhão virou parte da história das cidades brasileiras. Quando surgiu, a novidade chegou a ser tema de crônica escrita por Carlos Drummond de Andrade no Jornal do Brasil: “De repente – notaram? – a rua melhorou em São Paulo, com o aparecimento do telefone-capacete”, escreveu.
“A verdade é que a rua ficou sendo outra coisa, com as pessoas descobrindo que não precisam mais fazer fila no boteco ou na farmácia para dar um recado telefônico. Na própria calçada, uma vez comprada a ficha no jornaleiro, comunicam-se. Tão simples. Em outras cidades desse mundinho que é o mundo, já se fazia isso há muito tempo, mas aqui é novidade grande/gostosa”, seguiu o escritor.
O orelhão foi oficialmente inaugurado ao público em 1972. Mais de 50 anos depois, eles passam a ser retirados da cidade
Acervo de Chu Ming Silveira/orelhao.arq.br
Hoje pouco utilizado, o orelhão foi idealizado como um objeto de design em 1971 pela arquiteta chinesa e radicada brasileira, Chu Ming Silveira (1941-1997). A peça buscava se adequar ao espaço urbano e ser uma solução eficiente aos ruídos das vias públicas. O seu nome técnico era Chu II.
Chu Ming Silveira, conhecida por inventar o orelhão, é formada em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie
Acervo de Chu Ming Silveira/orelhao.arq.br
Para isso, o projeto, encomendado pela Companhia Telefônica Brasileira, adotou o fiberglass como material principal, ampliando o isolamento sonoro e a sensação de resguardo. O formato também foi decisivo: a forma curva direciona e dissipa o ruído externo, permitindo o uso do telefone mesmo em vias movimentadas, com eficiência em faixas de até 90 decibéis.
Projeto original do orelhão, da arquiteta Chu Ming Silveira
Acervo de Chu Ming Silveira/orelhao.arq.br
Além do orelhão, a arquiteta projetou o Orelhinha, destinado a ambientes fechados, e a Concha, destinado a espaços semiabertos. Ambos eram fixados na parede, enquanto o orelhão era acoplado a postes, permitindo o agrupamento de mais de um aparelho em uma mesma estrutura.
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A inauguração para o público se deu em janeiro de 1972, com instalações iniciais no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Chu Ming em um Orelhão instalado em frente a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (FAU-USP), em Sāo Paulo, SP
Acervo de Chu Ming Silveira/orelhao.arq.br
Mais do que uma peça funcional, o orelhão virou parte da história das cidades brasileiras. Quando surgiu, a novidade chegou a ser tema de crônica escrita por Carlos Drummond de Andrade no Jornal do Brasil: “De repente – notaram? – a rua melhorou em São Paulo, com o aparecimento do telefone-capacete”, escreveu.
“A verdade é que a rua ficou sendo outra coisa, com as pessoas descobrindo que não precisam mais fazer fila no boteco ou na farmácia para dar um recado telefônico. Na própria calçada, uma vez comprada a ficha no jornaleiro, comunicam-se. Tão simples. Em outras cidades desse mundinho que é o mundo, já se fazia isso há muito tempo, mas aqui é novidade grande/gostosa”, seguiu o escritor.



