A posição da instalação, o direcionamento do fluxo de ar e a integração do ar-condicionado ao projeto fazem toda a diferença no conforto térmico. Neste projeto, o equipamento é da BHP
Thiago Travesso/Divulgação | Projeto do escritório Interni Arquitetura
Para a arquiteta Julia Guadix, do Studio Guadix, o ponto de partida é simples: o ar não deve incidir diretamente sobre a cama. “O ideal é instalar o aparelho em paredes laterais ou em áreas de circulação, permitindo que o ar se distribua de forma homogênea pelo ambiente”, explica.
Essa preocupação é compartilhada pela arquiteta Vanessa Paiva, do escritório Paiva e Passarini. Segundo ela, a sensação de conforto no cômodo está diretamente ligada à forma como o ar circula, e não apenas à temperatura programada. “Quando o fluxo de ar é bem direcionado, o ambiente esfria de maneira equilibrada, sem causar desconforto durante o sono”, afirma.
Banhado pela luz natural que entra pelos grandes janelões, o quarto foi decorado em tons neutros, com destaque para o branco das paredes, do ar-condicionado e das cortinas
Julia Tótoli/Divulgação | Projeto da arquiteta Maria Araujo
Por que evitar o ar-condicionado voltado diretamente para a cama?
Dormir com o jato de ar frio incidindo sobre o corpo pode comprometer a qualidade do descanso. Além do incômodo térmico, há relatos frequentes de ressecamento das vias respiratórias, crises alérgicas e dores musculares.
Para evitar que as crianças sejam expostas diretamente ao ar gelado, o ar-condicionado não deve ser instalado sobre a cama
Fran Parente/Divulgação | Projeto do escritório Interni Arquitetura
A arquiteta Claudia Passarini, também do escritório Paiva e Passarini, reforça que, no quarto, o conforto deve ser contínuo e silencioso. “O ar-condicionado não pode ser percebido como vento. Precisa atuar de forma quase invisível, criando uma temperatura agradável sem interferir no sono”, pontua.
Para evitar interferências no sono, a altura da instalação do ar-condicionado também faz diferença. Como o ar quente tende a subir e o ar frio a descer, posicionar o equipamento em pontos mais altos favorece uma troca térmica mais eficiente. Em dormitórios com pé-direito padrão, essa diferença não costuma ser crítica, mas a prática consolidada segue sendo instalar o aparelho próximo ao teto.
O rack e as prateleiras expõem objetos adquiridos na Rosa Kochen, ajudando a desviar a atenção do ar-condicionado na parede
Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Produção: Andrea Falchi/Divulgação | Projeto do escritório Travessa Arquitetura
Julia Guadix lembra que também é importante respeitar os respiros do equipamento. “No caso dos modelos split, é fundamental manter uma distância mínima do teto para permitir a circulação do ar e facilitar a manutenção”, orienta.
Para pessoas que sofrem com ressecamentos ou alergias, o uso consciente do ar-condicionado é essencial. A recomendação geral é manter temperaturas entre 24 °C e 25 °C, evitando transformar o quarto em um ambiente excessivamente frio.
A limpeza regular do ar-condicionado é essencial para garantir a boa circulação do ar e manter a qualidade do ambiente
Guilherme Pucci/Divulgação | Projeto do escritório Studio Guadix
Além disso, cuidados básicos precisam ser mantidos: manter os filtros sempre limpos, reduzir o uso de tecidos que acumulam ácaros — como cabeceiras estofadas — e priorizar materiais fáceis de higienizar. Umidificadores e difusores com água também ajudam a equilibrar a umidade do ar durante a noite.
Como integrar o ar-condicionado à decoração?
Disfarçar o ar-condicionado sem comprometer seu funcionamento é um dos principais desafios. A arquiteta Julia sugere soluções leves, como prateleiras superiores com cerca de 35 centímetros de profundidade, que permitem acomodar objetos decorativos e plantas, ao mesmo tempo em que o equipamento se integra de forma discreta à composição da parede.
A bancada de trabalho, as prateleiras e os gaveteiros de piso, desenhados pelo escritório e executados pela WM Marcenaria, impedem que o ar-condicionado seja o destaque da parede
Pedro Gaspar/Divulgação | Projeto do escritório Sadala & Gomide Arquitetura
Vanessa alerta para os riscos de embutir o equipamento em marcenaria fechada. “É possível esconder, sim, desde que o projeto respeite as entradas e saídas de ar e permita acesso para manutenção. O que não pode acontecer é o fechamento excessivo, que prejudica o desempenho e gera ruído”, coloca.
Em quartos compactos, a escolha correta da potência do ar-condicionado — medida em BTUs — aliada à vedação eficiente de portas e janelas e à análise da incidência solar, é fundamental para garantir conforto térmico.
O ar-condicionado pode ser instalado acima da porta, aproveitando áreas livres de marcenaria e mantendo a funcionalidade do quarto
Fabio Jr. Severo/Divulgação | Projeto do escritório Lema Arquitetos
Claudia destaca que o espaço acima das portas costuma ser bem aproveitado em quartos compactos. “São áreas livres de marcenaria que permitem uma instalação funcional, desde que o fluxo de ar não seja direcionado para a cama”, diz.
Julia complementa que modelos split de 9.000 BTUs, mais compactos, “funcionam muito bem em dormitórios pequenos, desde que a frente do aparelho não esteja obstruída”.
Outro exemplo de quarto em que as prateleiras se tornam protagonistas e deixam o ar-condionado em segundo plano
Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Produção: Andrea Britto Velho e Pualani Di Giorgio | Projeto dos arquitetos Joana Bronze e Pedro Axiotis, do Fato Estúdio
Qual modelo funciona melhor no quarto?
Quando o assunto é custo-benefício, o consenso entre as arquitetas é direto: os modelos split inverter são os mais indicados para quartos residenciais, sobretudo nas versões quente e frio. A tecnologia inverter garante menor consumo de energia e operação mais silenciosa.
Os aparelhos de janela tendem a ser menos eficientes, mais ruidosos e prejudicam a estética dos ambientes. Já os modelos cassete — especialmente os de uma via — vêm ganhando espaço em projetos contemporâneos por ficarem embutidos no forro e oferecerem melhor distribuição do ar, embora ainda sejam mais comuns em dormitórios maiores ou de padrão mais elevado.



