Com ramos pendentes que parecem tocar o chão, a figueira-chorona (Ficus benjamina) traz a serenidade das florestas tropicais para o paisagismo residencial.
“O nome deve-se ao porte pendente de seus ramos finos, que caem suavemente, lembrando uma planta que chora. Em algumas condições, a planta também pode liberar gotículas de seiva após podas ou ferimentos, o que reforça o nome popular”, explica Marco Túlio Gonçalves de Paula, engenheiro agrônomo e paisagista do Zé das Plantas.
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Características da figueira-chorona
A ‘Ficus benjamina’ apresenta tamanhos variados e pode se comportar como uma epífita ou figueira-estranguladora que costuma crescer sobre outras árvores
João Robert McPherson/Wikimedia Commons
A figueira-chorona pertence à família Moraceae e possui porte arbóreo, podendo atingir até 30 metros de altura em condições ideais de cultivo. “É uma planta de crescimento rápido e copa densa, com folhagem muito abundante, alternada e simples”, descreve Marco.
Este volume ganha leveza com os detalhes das folhas. “Elas são pequenas, brilhantes, verdes ou variegadas, com aquela ponta fininha que deixa tudo mais delicado”, acrescenta a paisagista Elaine Kalil.
Figueira-chorona na decoração
Ícone do paisagismo de interiores, o Ficus benjamina transita com versatilidade entre o moderno e o tropical, com sua folhagem vibrante e estrutura escultural. Em algumas tradições, está associado à prosperidade e à boa sorte.
A figueira-chorona é uma excelente planta de interior, valorizada pela sua aparência elegante, folhas brilhantes e capacidade de purificar o ar
Phyrexiano/Wikimedia Commons
Para alcançar esse efeito, no entanto, é necessário atenção ao local de cultivo. “É muito importante saber como usar a figueira-chorona na ornamentação de ambientes, sempre lembrando de seus hábitos naturais. Muito usada em salas, escritórios, halls e áreas comerciais, só se desenvolve na presença de muita luz”, diz Marco.
A espécie serve como uma peça viva, capaz de criar um ponto focal em salas amplas ou trazer profundidade a ambientes menores
Pedros.lol/Wikimedia Commons
Essa exigência por claridade não anula a possibilidade de tê-la dentro de casa. “É uma planta linda, elegante, combina com vários estilos de decoração e ainda se adapta super bem a ambientes internos. Fora que ela dá aquela sensação imediata de verde vivo no espaço, sem exigir um sol direto batendo nela o dia inteiro”, elogia Elaine.
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Como cultivar a figueira-chorona
Embora seja uma das plantas de interiores mais populares, é conhecida por ser exigente nos cuidados. O segredo para o sucesso está no equilíbrio do manejo. “É considerada moderadamente fácil, desde que algumas condições sejam respeitadas”, pondera Marco. “Ela gosta de rotina, de estabilidade, e não curte mudanças bruscas. Tratando com um mínimo de atenção, ela vai super bem”, completa Elaine.
Cultivar a ‘Ficus benjamina’ exige luz indireta brilhante, solo rico e bem drenado, e regas regulares apenas quando a terra secar, evitando encharcamento
Pexels/Karolina Grabowska/Creative Commons
Confira as condições de cultivo recomendadas pelos profissionais:
Solo: bem drenado, levemente ácido a neutro e rico em matéria orgânica;
Luz: necessita de ambientes extremamente iluminados. Sendo uma planta de sol pleno, deve passar por um processo de rustificação gradual ao ser transferida do viveiro para o local definitivo;
Clima: tropical. É sensível a ventos frios e ao estresse de mudanças frequentes de posição;
Adubação: a cada 90 dias, com fertilizantes orgânicos e fórmulas minerais equilibradas;
Rega: regular, para manter o substrato levemente úmido, evitando sempre o encharcamento;
Poda: regulares para manter o formato da copa bem definido. Por ser facilmente moldada, adapta-se com facilidade a diferentes ambientes.
Segundo Marco, na ornamentação de chácaras, ranchos e fazendas, a figueira-chorona pode ser cultivada diretamente no solo, longe de construções.
Vaso ideal para a figueira-chorona
Para garantir espaço para as raízes, o vaso da figueira-benjamina deve ser proporcional à planta, com um aumento de cerca de 5 cm no diâmetro a cada replantio
David J. Stang/Wikimedia Commons
No paisagismo, o cultivo em vasos é comum e não compromete o crescimento da planta, que ainda pode chegar a 3 metros de altura. “Devem ser vasos com capacidade mínima de 50 kg de substrato e profundidade maior do que a largura, para que as raízes se desenvolvam bem”, orienta Marco.
Além das dimensões, a escolha do material e a drenagem são fundamentais. “Gosto muito de cerâmica ou barro, porque ajudam o solo a respirar melhor. E sempre com furos embaixo; isso é sagrado”, ressalta Elaine.
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Como fazer mudas da figueira-chorona
A propagação da figueira-chorona é simples. “A forma mais comum é por estaquia, cortando um galho saudável e colocando pra enraizar em água ou direto no substrato. Com um pouco de paciência e cuidado com a umidade, ela pega fácil”, garante Elaine. O engenheiro agrônomo ensina o passo a passo para a técnica de estaquia:
Escolha um ramo semi-lenhoso saudável;
Corte um segmento de 10–15 cm;
Retire as folhas inferiores;
Pode usar hormônio enraizador (opcional);
Plante em substrato leve (areia + substrato orgânico);
Mantenha em local iluminado, sem sol direto;
Regue sem encharcar;
O enraizamento ocorre em 30 a 45 dias.
A figueira-chorona produz flores?
Sim, mas elas não são tão visíveis como em outras plantas. “Quase ninguém vê. As flores são minúsculas, discretas e ficam escondidas dentro dos frutinhos. Então, na prática, ela não é uma planta que a gente cultiva pela flor, e sim pela beleza da folhagem”, analisa Elaine.
As flores da ‘Ficus benjamina’ são minúsculas e ficam escondidas no interior de uma pequena estrutura globosa chamada sicônio
Flickr/Mauricio Mercadante/Creative Commons
Essa característica morfológica é explicada tecnicamente: “as flores não são visíveis, pois ficam dentro de uma estrutura chamada sicônio (um “figo” modificado). Muita gente acredita que elas não florescem por esse motivo”, pontua Marco.
O fruto da figueira-chorona por dentro é um receptáculo oco e carnoso que contém minúsculas flores que se tornam sementes, com uma textura fibrosa e polpa maciça
Jane C Frost/Wikimedia Commons
Os sicônios, geralmente em pares, têm entre 1 a 2 cm. Eles amadurecem mudando a cor do verde inicial para tons avermelhados, alaranjados ou roxos escuros, mas não são comestíveis.
Problemas comuns no cultivo da figueira-chorona
Instabilidades nas condições ambientais impactam diretamente a saúde da figueira-chorona, o que costuma causar a queda repentina das folhas, amarelamento, manchas marrons ou o enrolamento da folhagem
Steve Fitzgerald/Wikimedia Commons
Devido à sua sensibilidade, a figueira-chorona costuma apresentar problemas frequentes em ambientes internos ou sob condições estressantes. “O cultivo em vasos pequenos levam à queda de folhas e má-formação da copa”, aponta Marco.
Somado a esse estresse físico, a vulnerabilidade da planta pode atrair pragas. “Ela pode sofrer com cochonilhas, ácaros e pulgões, principalmente quando o ambiente está seco ou a planta enfraquecida. Limpeza regular das folhas e, se precisar, óleo de neem ou produtos específicos resolvem bem”, alerta Elaine.
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Curiosidades sobre a figueira-chorona
Para além da estética, a espécie guarda fatos curiosos sobre sua longevidade e biologia. “A figueira-chorona ou benjamina pode viver décadas quando bem cuidada. Existem registros de figueiras centenárias desta espécie”, conta Marco.
Por possuir raízes superficiais de crescimento célere e alta agressividade, a figueira-chorona demanda grande aporte de água e nutrientes, tornando seu plantio contraindicado próximo a edificações e infraestruturas urbanas
João Robert McPherson/Wikimedia Commons
Sua sobrevivência é garantida pela natureza resistente, que exige cautela no contato direto. “Suas raízes são capazes de buscar água longe, desenvolvendo-se por metros e metros em busca de solo úmido. Sua seiva pode causar irritação na pele, principalmente para pessoas alérgicas”, ele complementa.
Essa relevância biológica se reflete também no campo cultural, onde a espécie atravessa gerações por meio de suas simbologias. “Em alguns países, a figueira-chorona é considerada uma planta sagrada ou simbólica”, revela o engenheiro agrônomo.
Sua copa ampla e densa torna a ‘Ficus benjamina’ ideal para o paisagismo de grandes áreas, atuando como um elemento de arquitetura natural que compõe sombras generosas
ChristianeB/Wikimedia Commons
Diante dessas características, as aplicações da planta são variadas. Além do uso ornamental, ela possui outras funções como arborização urbana, abrigo e alimento para fauna em áreas abertas, paisagismo de grande porte e conforto térmico.
“O nome deve-se ao porte pendente de seus ramos finos, que caem suavemente, lembrando uma planta que chora. Em algumas condições, a planta também pode liberar gotículas de seiva após podas ou ferimentos, o que reforça o nome popular”, explica Marco Túlio Gonçalves de Paula, engenheiro agrônomo e paisagista do Zé das Plantas.
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Características da figueira-chorona
A ‘Ficus benjamina’ apresenta tamanhos variados e pode se comportar como uma epífita ou figueira-estranguladora que costuma crescer sobre outras árvores
João Robert McPherson/Wikimedia Commons
A figueira-chorona pertence à família Moraceae e possui porte arbóreo, podendo atingir até 30 metros de altura em condições ideais de cultivo. “É uma planta de crescimento rápido e copa densa, com folhagem muito abundante, alternada e simples”, descreve Marco.
Este volume ganha leveza com os detalhes das folhas. “Elas são pequenas, brilhantes, verdes ou variegadas, com aquela ponta fininha que deixa tudo mais delicado”, acrescenta a paisagista Elaine Kalil.
Figueira-chorona na decoração
Ícone do paisagismo de interiores, o Ficus benjamina transita com versatilidade entre o moderno e o tropical, com sua folhagem vibrante e estrutura escultural. Em algumas tradições, está associado à prosperidade e à boa sorte.
A figueira-chorona é uma excelente planta de interior, valorizada pela sua aparência elegante, folhas brilhantes e capacidade de purificar o ar
Phyrexiano/Wikimedia Commons
Para alcançar esse efeito, no entanto, é necessário atenção ao local de cultivo. “É muito importante saber como usar a figueira-chorona na ornamentação de ambientes, sempre lembrando de seus hábitos naturais. Muito usada em salas, escritórios, halls e áreas comerciais, só se desenvolve na presença de muita luz”, diz Marco.
A espécie serve como uma peça viva, capaz de criar um ponto focal em salas amplas ou trazer profundidade a ambientes menores
Pedros.lol/Wikimedia Commons
Essa exigência por claridade não anula a possibilidade de tê-la dentro de casa. “É uma planta linda, elegante, combina com vários estilos de decoração e ainda se adapta super bem a ambientes internos. Fora que ela dá aquela sensação imediata de verde vivo no espaço, sem exigir um sol direto batendo nela o dia inteiro”, elogia Elaine.
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Como cultivar a figueira-chorona
Embora seja uma das plantas de interiores mais populares, é conhecida por ser exigente nos cuidados. O segredo para o sucesso está no equilíbrio do manejo. “É considerada moderadamente fácil, desde que algumas condições sejam respeitadas”, pondera Marco. “Ela gosta de rotina, de estabilidade, e não curte mudanças bruscas. Tratando com um mínimo de atenção, ela vai super bem”, completa Elaine.
Cultivar a ‘Ficus benjamina’ exige luz indireta brilhante, solo rico e bem drenado, e regas regulares apenas quando a terra secar, evitando encharcamento
Pexels/Karolina Grabowska/Creative Commons
Confira as condições de cultivo recomendadas pelos profissionais:
Solo: bem drenado, levemente ácido a neutro e rico em matéria orgânica;
Luz: necessita de ambientes extremamente iluminados. Sendo uma planta de sol pleno, deve passar por um processo de rustificação gradual ao ser transferida do viveiro para o local definitivo;
Clima: tropical. É sensível a ventos frios e ao estresse de mudanças frequentes de posição;
Adubação: a cada 90 dias, com fertilizantes orgânicos e fórmulas minerais equilibradas;
Rega: regular, para manter o substrato levemente úmido, evitando sempre o encharcamento;
Poda: regulares para manter o formato da copa bem definido. Por ser facilmente moldada, adapta-se com facilidade a diferentes ambientes.
Segundo Marco, na ornamentação de chácaras, ranchos e fazendas, a figueira-chorona pode ser cultivada diretamente no solo, longe de construções.
Vaso ideal para a figueira-chorona
Para garantir espaço para as raízes, o vaso da figueira-benjamina deve ser proporcional à planta, com um aumento de cerca de 5 cm no diâmetro a cada replantio
David J. Stang/Wikimedia Commons
No paisagismo, o cultivo em vasos é comum e não compromete o crescimento da planta, que ainda pode chegar a 3 metros de altura. “Devem ser vasos com capacidade mínima de 50 kg de substrato e profundidade maior do que a largura, para que as raízes se desenvolvam bem”, orienta Marco.
Além das dimensões, a escolha do material e a drenagem são fundamentais. “Gosto muito de cerâmica ou barro, porque ajudam o solo a respirar melhor. E sempre com furos embaixo; isso é sagrado”, ressalta Elaine.
Leia mais
Como fazer mudas da figueira-chorona
A propagação da figueira-chorona é simples. “A forma mais comum é por estaquia, cortando um galho saudável e colocando pra enraizar em água ou direto no substrato. Com um pouco de paciência e cuidado com a umidade, ela pega fácil”, garante Elaine. O engenheiro agrônomo ensina o passo a passo para a técnica de estaquia:
Escolha um ramo semi-lenhoso saudável;
Corte um segmento de 10–15 cm;
Retire as folhas inferiores;
Pode usar hormônio enraizador (opcional);
Plante em substrato leve (areia + substrato orgânico);
Mantenha em local iluminado, sem sol direto;
Regue sem encharcar;
O enraizamento ocorre em 30 a 45 dias.
A figueira-chorona produz flores?
Sim, mas elas não são tão visíveis como em outras plantas. “Quase ninguém vê. As flores são minúsculas, discretas e ficam escondidas dentro dos frutinhos. Então, na prática, ela não é uma planta que a gente cultiva pela flor, e sim pela beleza da folhagem”, analisa Elaine.
As flores da ‘Ficus benjamina’ são minúsculas e ficam escondidas no interior de uma pequena estrutura globosa chamada sicônio
Flickr/Mauricio Mercadante/Creative Commons
Essa característica morfológica é explicada tecnicamente: “as flores não são visíveis, pois ficam dentro de uma estrutura chamada sicônio (um “figo” modificado). Muita gente acredita que elas não florescem por esse motivo”, pontua Marco.
O fruto da figueira-chorona por dentro é um receptáculo oco e carnoso que contém minúsculas flores que se tornam sementes, com uma textura fibrosa e polpa maciça
Jane C Frost/Wikimedia Commons
Os sicônios, geralmente em pares, têm entre 1 a 2 cm. Eles amadurecem mudando a cor do verde inicial para tons avermelhados, alaranjados ou roxos escuros, mas não são comestíveis.
Problemas comuns no cultivo da figueira-chorona
Instabilidades nas condições ambientais impactam diretamente a saúde da figueira-chorona, o que costuma causar a queda repentina das folhas, amarelamento, manchas marrons ou o enrolamento da folhagem
Steve Fitzgerald/Wikimedia Commons
Devido à sua sensibilidade, a figueira-chorona costuma apresentar problemas frequentes em ambientes internos ou sob condições estressantes. “O cultivo em vasos pequenos levam à queda de folhas e má-formação da copa”, aponta Marco.
Somado a esse estresse físico, a vulnerabilidade da planta pode atrair pragas. “Ela pode sofrer com cochonilhas, ácaros e pulgões, principalmente quando o ambiente está seco ou a planta enfraquecida. Limpeza regular das folhas e, se precisar, óleo de neem ou produtos específicos resolvem bem”, alerta Elaine.
Leia mais
Curiosidades sobre a figueira-chorona
Para além da estética, a espécie guarda fatos curiosos sobre sua longevidade e biologia. “A figueira-chorona ou benjamina pode viver décadas quando bem cuidada. Existem registros de figueiras centenárias desta espécie”, conta Marco.
Por possuir raízes superficiais de crescimento célere e alta agressividade, a figueira-chorona demanda grande aporte de água e nutrientes, tornando seu plantio contraindicado próximo a edificações e infraestruturas urbanas
João Robert McPherson/Wikimedia Commons
Sua sobrevivência é garantida pela natureza resistente, que exige cautela no contato direto. “Suas raízes são capazes de buscar água longe, desenvolvendo-se por metros e metros em busca de solo úmido. Sua seiva pode causar irritação na pele, principalmente para pessoas alérgicas”, ele complementa.
Essa relevância biológica se reflete também no campo cultural, onde a espécie atravessa gerações por meio de suas simbologias. “Em alguns países, a figueira-chorona é considerada uma planta sagrada ou simbólica”, revela o engenheiro agrônomo.
Sua copa ampla e densa torna a ‘Ficus benjamina’ ideal para o paisagismo de grandes áreas, atuando como um elemento de arquitetura natural que compõe sombras generosas
ChristianeB/Wikimedia Commons
Diante dessas características, as aplicações da planta são variadas. Além do uso ornamental, ela possui outras funções como arborização urbana, abrigo e alimento para fauna em áreas abertas, paisagismo de grande porte e conforto térmico.



