Casa concebida por Zanine Caldas é renovada para artista no Rio de Janeiro

Os cães da casa – Fabian, um australian cattle dog, e Milos, um rhodesian ridgeback – rondam tranquilos a enorme varanda aberta e projetada sobre a vista infinda do mar. No silêncio desse isolamento de verde intenso, no topo de um morro no bairro de Laranjeiras, posa um grupo de esculturas: altos torsos femininos de cerâmica com pegada ancestral de povos originários, guardiãs imponentes do lugar em suas formas e posturas, que remetem também a imagens egípcias e asiáticas.
Todas são criações da anfitriã, Raquel Saliba, psicóloga que transicionou de carreira e hoje é artista visual dedicada à argila e ao bronze. Com o marido, o engenheiro metalurgista e empresário Stephan Weber, e o filho, Thassilo Weber, roteirista e diretor de cinema, ela habita a casa desde 2017 – imóvel adquirido pelos pais alemães de Stephan, ainda nos anos 1980, de um casal de franceses.
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Obras de cerâmica de mesma autoria ocupam a área externa
Filippo Bamberghi
A pequena família, que já morou em Minas Gerais, terra natal de Raquel, depois no Rio de Janeiro, na Austrália e em Londres, ocupa a residência concebida pelo mestre baiano Zanine Caldas, projetada junto a uma floresta de 10 mil m² por eles adquirida. Os espaços são generosos em seus 600 m² de área construída, cujo ponto central, no andar térreo, é a cozinha, cuidadosamente restaurada pela arquiteta Elizabeth Santucci com o máximo de fidelidade à proposta original.
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Esculturas da artista e moradora Raquel Saliba figuram na base da escada de granito
Filippo Bamberghi
De um lado, ficam os quatro quartos – a suíte principal ocupa o segundo andar. Do outro, o living, de pé-direito alto e com o estilo típico do arquiteto, se abre para a varanda. Uma imensa biblioteca, de ares mais austeros e formais, olha para a piscina. Já a sala de jantar se volta para a mata – e agora também para o ateliê de Raquel, com seus 80 m² e em fase final de obra, uma extensão da morada marcada por muita madeira e vidro.
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A varanda tem vista para o Pão de Açúcar
Filippo Bamberghi
Na biblioteca, um desenho feito por Thassilo Weber aos 6 anos figura na parede
Filippo Bamberghi
“Minha intervenção atual, a convite dos moradores, tem a função de atualizar e adequar a grande casa à vida da família”, diz o arquiteto Carlos Boeschenstein, que criou o espaço artístico e a sala de ginástica, além de retrabalhar toda a iluminação para valorizar as madeiras da estrutura típica de Zanine e, ao mesmo tempo, destacar as peças da “artista residente” – neste caso, literalmente. Raquel estudou sua arte na Heatherleys School of Fine Arts, no Morley College e na University of the Arts of London, e já expôs suas obras, desde 2019, na Casa Brasil, no Centro Cultural dos Correios e no Consulado da Argentina, além de galerias diversas, sempre no Rio de Janeiro.
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Raquel Saliba posa junto a suas obras
Filippo Bamberghi
Na varanda, torsos esculpidos pela artista moradora dividem a cena com um armário antigo
Filippo Bamberghi
A decoração segue um mix de vivências das famílias ali envolvidas: móveis mineiros e peças de origem alemã – muitas vindas do antiquário de um tio de Stephan que vive no país –, somados ao toque do mobiliário moderno brasileiro garimpado em São Paulo. A curadoria artística contempla gravuras de Salvador Dalí e Andy Warhol, mas nem só de obras de arte se faz o cotidiano da família. Na residência, onde cada um cozinha a sua especialidade, Thassilo é o autor das receitas asiáticas e italianas, e Stephan é o rei do churrasco.
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A sala de jantar é coroada por lustre alemão do séc. 19
Filippo Bamberghi
No quarto do casal, peanhas fazem as vezes de mesas de cabeceira
Filippo Bamberghi
Ali, muito se festeja, e os jantares com amigos – frequentemente arquitetos, artistas, galeristas e curadores – são preparados pela dona da casa, que adora fazer seus pratos de comida árabe, herança de sua ascendência libanesa, ou “um bacalhau dos deuses”. Eles ainda hospedam muitos estrangeiros, especialmente alemães e ingleses. Para Raquel, esse é o verdadeiro sentido de habitar: “Estar na casa com os amigos e rodeados de nossos animais e dos que passam por aqui – tucanos e outros pássaros, macacos e, inclusive, gambás – é como viver em um paraíso”.
*Matéria originalmente publicada na edição de dezembro/2025 da Casa Vogue (CV 479), disponível em versão impressa, na nossa loja virtual e para assinantes no app Globo Mais.
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