6 plantas fáceis de cultivar em casa para preparar chás naturais e saudáveis

Ter uma pequena horta em casa proporciona ervas e temperos frescos para usar na preparação de pratos, mas também pode render folhas e flores para fazer chás naturais. Os benefícios da colheita caseira são inúmeros. Saiba mais a seguir!
“Enquanto a planta está na terra, ela está com o máximo de energia vital. Por isso, quanto mais fresca, melhor. A planta guardada na geladeira por até 48 horas mantém essas propriedades. Da mesma forma, se colhermos fresquinho e fizermos uma infusão, ela vai manter por 24 horas as propriedades bioquímicas”, explica a sommelière de chá Dani Lieuthier, fundadora do Instituto CHÁ e da associação Slow Tea Brasil.
Para quem não dispõe de um jardim e vai realizar o cultivo em vasos, o segredo não está na rega, mas na saída da água, segundo biólogo e paisagista Eduardo Hortenciano. “Use sempre uma camada de 2 cm de argila expandida no fundo do vaso, coberta por uma manta de bidim (ou um pedaço de pano velho), antes de colocar o substrato. Isso evita que a terra entupa os furos e apodreça as raízes”, orienta.
Confira a seguir as espécies mais fáceis de cultivar em casas e apartamentos para ter sempre chás frescos:
1. Hortelã (Mentha spicata)
A hortleã apresenta sabor refrescante e pode ser usada na culinária, na medicina e no preparo de chás
Unsplash/Eleanor Chen/Creative Commons
Benefícios: é digestiva, refrescante, alivia desconfortos gastrointestinais e traz clareza mental. Auxilia na cura do trato respiratório.
De fácil cultivo, a espécie pode ajudar em casos de gripe e resfriado, ou após as refeições, para colaborar com a digestão. “Ela rende um chá tradicional do Marrocos chamado de mint tea. Você coloca seis a oito ramos de hortelã em um bule com 400 ml de água morna e deixa descansar uns dez minutinhos. Fica delicioso, dá para servir com um pouco de mel ou melado”, ensina Dani.
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Contraindicações: pessoas em uso de medicamentos contínuos devem buscar orientação médica antes do consumo e sempre observar possíveis interações.
Como cultivar
A hortelã se dá bem em locais de meia-sombra a sol pleno, em especial aqueles que pegam apenas o sol da manhã.
Gosta de umidade e precisa de bastante rega, já que é uma planta de ambientes ribeirinhos. A terra nunca deve secar totalmente e deve ser adubada mensalmente.
Suporta bem o vento, mas as folhas podem murchar rapidamente se o ar estiver muito seco.
“A hortelã possui estolões, que são raízes que correm por baixo da terra. Se plantada com outras espécies, ela vai sufocá-las”, aponta Eduardo. Por isso, o cultivo deve ser em vasos individuais. “Se for uma hortinha, coloque aquelas divisões na terra, senão ela domina tudo mesmo. Não precisa nem comprar muda, só pegar um raminho com raiz e colocar na terra que ela cresce”, acrescenta Dani.
2. Erva-cidreira ou melissa (Melissa officinalis)
O chá de erva-cidreira possui propriedades digestivas, estimulando a produção de bile
Flickr/Forest and Kim Starr/Creative Commons
Benefícios: é calmante do sistema nervoso, ajuda no sono, na ansiedade e na tensão emocional.
A infusão popular no mundo todo pode ser feita com a planta Melissa oficinalis, que é menor, e a com a espécie lipe alba (Lippia alba), conhecida como “erva-cidreira brasileira”, mais alta e com folhas maiores. “As duas são tranquilas de cultivar em casa. A Melissa oficinalis é para quem tem menos espaço e a Lipe Alba, logo que crescer, vai pedir mais terra e vaso maior. As duas têm sabor cítrico e são calmantes”, afirma Dani.
Contraindicações: Gestantes e lactantes devem evitar uso contínuo da erva-cidreira. Pessoas em uso de medicamentos contínuos precisam buscar orientação médica antes do consumo e sempre observar possíveis interações.
Como cultivar
A erva-cidreira gosta de meia-sombra ou sol pleno, se for plantada em regiões mais frias. No calor intenso, prefere luz indireta ou sol filtrado.
As regas devem manter o solo úmido, mas não encharcado.
Ela é sensível a ventos muito gelados ou muito secos.
“Fica linda em vasos tipo ‘cuia’, ou seja, mais largos do que profundos. Como ácaros podem aparecer se o ambiente estiver seco demais, vale borrifar água nas folhas fora do horário de sol para prevenir”, indica o biólogo.
3. Capim-limão (Cymbopogon citratus)
O capim-limão na forma de chá tem efeito analgésico suave e ajuda na concentração e no relaxamento
Unsplash/Chandan Chaurasia/Creative Commons
Benefícios: é relaxante, levemente analgésico, auxilia no sono e na digestão.
Segundo Dani, o capim-limão é fácil de cultivar no quintal ou em um vaso grande dentro de casa (mínimo de 20 litros), porque cresce bastante. “Ela não pode ficar encharcada, senão começa a estragar, então tem que ter esse cuidado”, diz.
Contraindicações: pessoas em uso de medicamentos contínuos devem buscar orientação médica antes do consumo e sempre observar possíveis interações.
Como cultivar
O capim-limão é uma planta tropical, por isso precisa de sol pleno.
É resistente um pequeno período de seca, mas cresce melhor com regas constantes.
“Quando as folhas ficarem muito longas ou secas nas pontas, pode-as a cerca de 10 cm da base para renovar a folhagem. As bordas das folhas são serrilhadas e podem causar pequenos cortes na pele. Use luvas ao colher em grande quantidade”, detalha Eduardo.
4. Manjericão (Ocimum basilicum)
O manjericão é ideal para ter em uma horta caseira, pois pode ser usado fresco para fazer chás e no preparo de refeições
Freepik/jcstudio/Creative Commons
Benefícios: é digestivo, antiespasmódico, ajuda em gases e sensação de peso após refeições. Excelente para limpeza energética.
O manjericão é uma planta aromática que pode ser usada como tempero e como chá. “Também é bom para a proteção espiritual”, fala Dani. “É bem fácil de cultivar. Se achar um pé de manjericão em qualquer lugar, colha um pedacinho e coloque na água. Ele começa a soltar raiz depois de dois três dias. É importante trocar a água diariamente para não apodrecer”, ela completa.
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Contraindicações: pessoas em uso de medicamentos contínuos devem buscar orientação médica antes do consumo e sempre observar possíveis interações.
Como cultivar
O manjericão gosta de calor e de sol pleno.
A rega precisa ser frequente, já que suas folhas largas transpiram muito. A terra deve estar sempre levemente úmida.
É sensível a ventos constantes, que rasgam e queimam as folhas. “Em apartamentos, proteja-o com outras plantas maiores ao redor”, orienta Eduardo.
A dica de ouro para a poda é cortar as inflorescências no topo assim que surgirem. “Isso foca a energia da planta na produção de folhas aromáticas e prolonga a vida da erva”, continua o biólogo.
Para evitar pulgões e lagartas, o uso de óleo de neem costuma resolver o problema sem contaminar a planta para consumo.
5. Alecrim (Salvia rosmarinus)
O alecrim pode render chás estimulantes pela presença da cafeína na planta
Freepik /@ Racool_studio/Creative Commons
Benefícios: estimulante, melhora foco, circulação e sensação de vitalidade.
Segundo Dani, o alecrim é uma planta boa para trazer foco e melhorar a atenção, em especial quando é misturado com chá verde, que contém cafeína e é estimulante. “Adoro fazer a infusão de alecrim com lavanda e laranja. Ele é bem fácil de cultivar, pois não precisa de muito espaço”, diz a sommelier.
Contraindicações do chá: o alecrim em excesso pode elevar a pressão em pessoas sensíveis. Gestantes e lactantes devem evitar uso contínuo. Pessoas em uso de medicamentos contínuos precisam buscar orientação médica antes do consumo e sempre observar possíveis interações.
Como cultivar
O alecrim é uma planta mediterrânea que gosta de sol pleno e exige, no mínimo, 6 horas de luz direta por dia.
A rega deve ser moderada. “O maior erro é regar demais. Espere a terra secar completamente entre as regas, e use solos mais arenosos e drenados. Também adube levemente com húmus de minhoca a cada seis meses”, explica Eduardo.
Se for cultivada em vasos, eles devem ter pelo menos 30 cm de profundidade.
Como suporta ventos fortes, é uma espécie excelente para varandas altas.
“Faça podas de formação para evitar que a base fique ‘lenhosa’, com aspecto de madeira velha, e sem folhas. Raramente apresenta problemas com pragas, mas pode sofrer com cochonilhas se o ambiente for muito úmido”, complementa o biólogo.
6. Lavanda (Lavandula dentata)
O chá de lavanda contribui para um relaxamento profundo e ajuda na qualidade do sono
Pexels/Carlos Pérez Adsuar Antón/Creative Commons
Benefícios: é calmante, ansiolítica, contribui para relaxamento profundo e qualidade do sono.
O chá de lavanda pode ser feito tanto com a flor quanto com as folhas. “Ela tem um sabor muito forte, então só não pode colocar lavanda demais”, alerta Dani. “É calmante e ajuda a entrar no estado meditativo. Se olharmos mais para a questão energética, é uma planta de cor violeta, que ajuda a ativar o sétimo chakra, de conexão com o divino. Para momentos de meditação, introspecção e oração, é muito boa”, continua a especialista.
Contraindicações do chá: a lavanda deve ser usada em pequenas quantidades no chá, pois é mais potente do que parece. Gestantes e lactantes devem evitar uso contínuo da planta. Pessoas em uso de medicamentos contínuos devem buscar orientação médica antes do consumo e sempre observar possíveis interações.
Como cultivar
A lavanda demanda sol pleno e intenso, caso contrário, ela não floresce e o aroma diminui.
A rega deve ser bem pouca, já que ela detesta encharcamento. A drenagem no fundo do vaso é obrigatória.
Ela suporta ventos e vai muito bem em vasos de cerâmica, que ajudam a evaporar o excesso de umidade.
“Uma dica é misturar um pouco de calcário ou casca de ovo moída à terra. Também indico cultivar a espécie Lavandula dentata (lavanda francesa), que melhor se adapta ao clima brasileiro, sendo mais resistente ao calor do que a lavanda inglesa (Lavandula angustifolia)”, fala Eduardo.
Como colher e secar as plantas
Dani indica cortar os galhos sempre com uma tesoura, para evitar que eles quebrem ou desfiem, prejudicando o crescimento da planta. “Pela manhã, depois que o orvalho seca, é um bom momento para colher. É interessante também colher antes da floração, porque há uma presença maior de óleos essenciaisr”, comenta
As flores podem ser usadas para fazer chás com uma temperatura de infusão mais baixa, entre 60 e 70 graus, porque são mais sensíveis. “Gosto de fazer água saborizada, misturando com casca de laranja ou frutas. Dá pra fazer com água com gás também, fica bem gostoso”, comenta a sommelier.
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Já quem pretende secar as plantas para uso posterior, a especialista destaca que o sucesso da empreitada vai depender muito da temperatura e da umidade no local. Quanto mais tempo levar para secar, mais a espécie vai oxidar e perder os óleos essenciais para o ambiente.
“O tempo de secagem depende da estação do ano, se tem sol ou não no dia. Para fazer o processo em casa, eu procuro olhar a previsão do tempo. Não adianta colher e pegar cinco dias seguidos de chuva, pois é provável que a planta mofe”, aponta Dani.

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