Cine Copan reabre em 2027 e retoma projeto original de Oscar Niemeyer

Durante décadas, o térreo ondulante do Edifício Copan guardou um silêncio que destoava da força do conjunto. Ali, onde Oscar Niemeyer imaginou um cinema integrado à vida urbana, o Cine Copan foi um dos grandes palcos do imaginário paulistano. Agora, quase 40 anos após o fechamento da sala, o espaço anuncia sua reabertura como Nu Cine Copan, prevista para 2027, recolocando o cinema de rua no centro da discussão arquitetônica e cultural da cidade. O projeto surge de uma parceria entre o banco Nubank e a Viva do Brasil, empresa dedicada à gestão de parques urbanos e espaços culturais.
Inaugurado em 1970, quatro anos depois do próprio Copan, o cinema nasceu como extensão natural do edifício. Não era apenas um serviço para moradores ou frequentadores do centro, mas parte do projeto urbano de Niemeyer, que entendia o térreo como lugar de encontro, circulação e permanência. Com 1.200 poltronas de veludo vermelho, projeção em 70 mm e escala monumental, o Cine Copan rapidamente se tornou referência entre os cinéfilos paulistanos e símbolo de uma época em que ir ao cinema era um ritual coletivo.
A crise das salas de rua nos anos 1980 interrompeu esse ciclo. Em 1986, o cinema fechou as portas. Anos depois, o espaço foi descaracterizado ao abrigar um templo religioso, apagando o letreiro e diluindo a leitura arquitetônica original. Ainda assim, as camadas do tempo permaneceram ali, visíveis nas ruínas e na memória afetiva de quem atravessou aquelas portas.
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O hall do Copan será reintegrado ao cinema, como previsto no desenho original de Oscar Niemeyer
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A reabertura do Cine Copan está prevista para 2027
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A reabertura, agora sob o nome Nu Cine Copan, surge como gesto de reconexão com essa história. Mais do que recuperar uma sala de exibição, o projeto propõe devolver ao Copan um de seus usos mais emblemáticos. A nova sala terá cerca de 440 lugares e infraestrutura contemporânea, mas o foco está menos na tecnologia e mais na ideia de cinema como espaço cultural expandido, capaz de acolher filmes, performances, encontros e experimentações.
A partir de maio de 2026, têm início as obras civis e instalações, que seguem até junho de 2027, requalificando acessos, foyer, sala de projeção e áreas de convivência e acessibilidade
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Esse espírito já se manifesta na primeira ocupação do espaço, antes mesmo do início das obras. A peça Hamlet: Sonhos que Virão, dirigida por Rafael Gomes e estrelada por Gabriel Leone, estreia em fevereiro e foi pensada especialmente para dialogar com a arquitetura existente. As interpretações se integram às ruínas do antigo cinema, ativando o espaço como cenário vivo e reafirmando sua vocação cênica. É um uso provisório, mas simbólico, que coloca o público em contato direto com a materialidade do lugar e com sua potência narrativa.
A nova sala terá cerca de 440 lugares e infraestrutura contemporânea
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O projeto também se articula com o trabalho do Pivô, que há mais de 15 anos ocupa o mezanino do Copan e administra o espaço onde ficará o foyer do novo cinema. Ao integrar definitivamente cinema e centro cultural, o conjunto recupera o desenho original previsto por Niemeyer para essa área de transição e convivência. São cerca de 1.500 m² que passam a operar de forma contínua, reforçando o Copan como polo cultural ativo no centro de São Paulo.
Quando voltar a funcionar plenamente, o Nu Cine Copan não será apenas um novo endereço para o audiovisual, mas a continuidade de uma história interrompida. Um cinema que retoma seu lugar no térreo de um dos edifícios mais importantes do país, reafirmando que arquitetura, cultura e cidade seguem indissociáveis.
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