5 soluções arquitetônicas que deixam sua casa mais fresca para enfrentar o calor

O ano de 2025 foi o terceiro mais quente da história — atrás de 2024 e 2023, segundo o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF). As altas temperaturas aumentam a sensação de calor, inclusive dentro de casa.
Nesse cenário, a arquitetura surge como ferramenta para criar ambientes mais frescos e preparados para as temperaturas extremas provocadas pelas mudanças climáticas.
“A arquitetura influencia diretamente a percepção de calor nas cidades, especialmente por causa do fenômeno das ilhas de calor. As superfícies construídas absorvem e refletem a radiação solar, acumulam calor ao longo do dia e só resfriam à noite, o que reforça a importância de projetos com materiais e elementos capazes de dissipar essa energia”, afirma Pedro da Luz Moreira, professor da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF).
O paisagismo contribui para o sombreamento do banheiro e para a redução da temperatura por meio da evapotranspiração, tornando o ambiente mais fresco
André Scarpa/Divulgação | Produção: Deborah Apsan/Divulgação | Projeto do escritório Nitsche Arquitetos | Paisagismo de Catê Poli
Na prática, o equilíbrio entre variáveis como temperatura do ar, umidade, radiação e ventilação contribui para a neutralidade térmica em ambientes internos. “A arquitetura que cria contrastes é a que traz a sensação de conforto térmico maior”, reforça Loyde Abreu, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
“Quando você caminha num corredor quente e entra num pátio sombreado e ventilado, a queda súbita da temperatura gera um prazer intenso. Neste caso, a arquitetura atua como dispositivo que estimula o alívio, trazendo mais a sensação de conforto do que o ajuste de temperatura, umidade e vento”, ela complementa.
O cobogó permite a entrada de luz natural e ventilação, criando ambientes mais frescos e confortáveis, com equilíbrio entre estética e bem-estar térmico
Júlia Tótoli/Divulgação | Projeto do escritório ARQBR
A seguir, conheça materiais e conceitos aplicados em construções que reduzem a percepção de calor:
1. Materiais com capacidade dinâmica
A parede em cimento, além de proporcionar conforto térmico, cria ambientes elegantes quando combinada com obras de arte e peças de design
Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do GF Estúdio 55
Materiais como concreto, tijolo cerâmico e solo cimento são boas alternativas. Isso porque eles possuem maior espessura e, consequentemente, maior capacidade de armazenamento e menor capacidade de transmissão de calor para a parte interna da construção.
“Eles proporcionam elevada capacidade dinâmica quando posicionados no lado interno do isolamento, permitindo atrasos significativos na onda térmica e reduzindo oscilações internas de temperatura”, esclarece Loyde.
Os solos de cimento, por exemplo, podem ser utilizados como acabamento na parede. Enquanto o tijolo cerâmico e o concreto aparecem na estrutura de casas e apartamentos.
2. Cores claras
A casa combina fachada branca, que reduz a absorção de calor, com brises laterais que favorecem a ventilação, garantindo cômodos mais frescos
Fran Parente/Divulgação | Projeto do escritório FGMF Arquitetos
A ideia de que o preto absorve calor é conhecida por muitos — e continua sendo verdade na arquitetura. Escolher cores claras para o lado externo de construções faz com que a superfície fique entre 20 °C e 40 °C mais fria do que superfícies escuras. Com nuances suaves, como branco e bege, a temperatura que chega aos interiores pode reduzir até 4 °C.
“O mais importante é combinar material pesado pintado com cores claras na parte externa para evitar ganho de calor excessivo”, pontua Loyde.
O ladrilho hidráulico da linha Maurício Arruda, da Ladrilar, combinado com a marcenaria azul, traz leveza estética e contribui para o bem-estar térmico do living. A união entre o design autoral e a paleta de cores cria uma atmosfera fresca
Rafael Renzo/Divulgação | Produção: Deborah Apsan/Divulgação | Projeto da arquiteta Beatriz Quinelato
Já na parte interna, cores quentes ou escuras, como preto, vermelho e amarelo, não aquecem o ambiente, pois essa propriedade só funciona se a parede estiver exposta a radiação solar.
Porém, a escolha por cores frias em paredes internas pode reduzir a sensação térmica percebida, criando um “conforto subjetivo”. Assim, adotar azul, verde e violeta, por exemplo, é uma forma de criar maior bem-estar para enfrentar os dias de calor.
3. Brises e cobogós
Bem iluminada pela parede de cobogó, a cozinha conta com uma ilha integrada ao pilar de concreto descoberto durante a obra, criando um espaço que valoriza a luz natural e a autenticidade dos materiais
Júlia Tótoli/Divulgação | Projeto assinado pelo escritório Casulo
Estruturas que permitem a ventilação são estratégias interessantes para enfrentar as altas temperaturas, como brise-soleil ou cobogós. Ambos elementos são vazados, porém capazes de filtrar a luz do sol. “Pode ser mais agradável que um fluxo de ar contínuo do ar-condicionado, pois renova continuamente a sensação de resfriamento da pele”, informa a professora.
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Cobogós podem ser usados na fachada ou lateral ou até como acabamento de varandas. Os brises podem aparecer em janelas ou revestindo toda uma construção.
Ao absorverem o sol, os brises aquecem e geram correntes de ar que sobem naturalmente por convecção. Esse movimento favorece a ventilação dos ambientes internos quando as janelas estão abertas
Flickr/Wally Gobetz/Creative Commons
“No Copan, em São Paulo, o uso do brise horizontal cria um colchão de ar entre a fachada e o edifício. Ao abrir as janelas, é possível sentir esse ar em movimento, que sobe naturalmente e ajuda a ventilar os apartamentos, reduzindo a sensação de calor”, exemplifica Pedro.
4. Espaços de transição
Com pé-direito duplo e claraboia, o espaço ganha ventilação e vitalidade, complementado pela presença do cobogó, que filtra a luz e reforça a sensação de leveza
Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do escritório PKB Arquitetura
Varandas e jardins de inverno são espaços de transição que permitem a ventilação e contribuem para o conforto térmico. Ambientes semiabertos combinados com plantas podem contribuir para o maior frescor.
Esta varanda conta com um toldo retrátil que pode ser totalmente recolhido e abriga uma área com piscina, espaço de estar e cozinha gourmet
Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do escritório Studio 021 Arquitetura
“Enquanto a vegetação reduz a carga térmica por evapotranspiração e sombreamento das superfícies internas, a ventilação potencializa esse benefício ao espalhar o ar mais frio e renovar o ambiente, resultando em melhorias perceptíveis de conforto”, explica Loyde.
5. Direcionamento das fachadas
A casa orientada para o norte e protegida do gélido vento sul foi construída com materiais tradicionais da região em que está inserida
Maira Acayaba/Divulgação | Projeto do escritório Sabella Arquitetura
“A orientação solar de janelas, portas e aberturas é fundamental porque determina quanta luz e calor entram na casa e como o vento circula entre os ambientes”, revela a professora. As escolhas dependem da localização de cada imóvel, visto que características como topografia impactam na direção dos ventos e no acesso do sol, mas, no geral, algumas considerações podem ser seguidas.
Orientar os quartos para o leste, por exemplo, faz com que o cômodo aproveite o sol da manhã e evita o calor intenso da tarde. Enquanto isso, posicionar as fachadas para o norte contribui para o conforto térmico, pois captura sol baixo no inverno e evita raios diretos intensos no verão.

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