Conheça as tendências que vão moldar o morar, a arquitetura e o design em 2026

Em meio a avanços tecnológicos, mudanças culturais e uma necessidade crescente de bem-estar, o lar se transforma em laboratório de identidade: um espaço onde materiais regenerativos ganham força, a modularidade evolui, estilos expressivos renascem e o afeto se torna linguagem central. Tendências deixam de ser imposições estéticas e passam a ser ferramentas – flexíveis, emocionais e personalizáveis.
“2026 será o ano do ‘sinal seletivo’. As tendências deixarão de ser mandatos culturais, e as pessoas só vão aderir quando perceberem um alinhamento com seu gosto, personalidade e aspirações. Duas condutas surgem a partir daí: a curadoria de identidade (filtrar) e a expressão de identidade (experimentar), ambas impulsionadas pelo desejo de poupar energia em meio ao excesso de estímulos e de se manter com os pés no chão diante da mesmice”, afirma Sydney Stanback, head global de Tendências e Insights do Pinterest.
Neste cenário, alguns excessos começam a perder força. “O maximalismo performático deixa de ser relevante porque as pessoas buscam ambientes mais silenciosos e acolhedores. O minimalismo frio também perde espaço, pois falta a ele o calor que o momento atual demanda”, avalia Andrea Bisker, especialista em ciências do consumo e inteligência de mercado, fundadora da Spark:off, consultoria de inovação e análise de tendências.
O lar de 2026 é vivo e sensorial, moldado por escolhas conscientes que refletem ritmos reais, identidades pessoais e uma busca coletiva por significado
Guilherme Lepca/Editora Globo
MATERIAIS BIO-BASEADOS
O uso de materiais bio-baseados, produzidos a partir de recursos naturais renováveis, segue em expansão. “As tendências mais fortes na decoração apontam para uma casa que volta a ser um organismo vivo. Fibras naturais, superfícies renováveis e acabamentos de menor impacto ambiental ganham força”, destaca Andrea.
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No âmbito construtivo, materiais orgânicos, biopolímeros e compósitos de resíduos agrícolas oferecem maior circularidade, demandam menos energia e garantem estéticas mais orgânicas. No mobiliário, o arquiteto Guto Requena aponta uma convergência entre o bio-material e a alta tecnologia, com a inteligência artificial, o corte de CNC e a impressão 3D cada vez mais acessíveis.
“Nosso futuro será provavelmente recheado de projetos em open source, com móveis e objetos decorativos baixados de maneira gratuita ou com preços acessíveis diretamente dos designers, e impressos em Fab Labs (laboratórios de fabricação digital) ou em empresas que ofereçam uma impressão mais consciente e sustentável”, destaca Guto, cuja atuação é pautada na tecnologia digital e na sustentabilidade.
MODULARIDADE INTELIGENTE
No mobiliário, a direção dominante é a modularidade inteligente, que se adapta a diferentes ritmos, ao longo do dia e dos anos. “A modularidade se mantém porque nossas rotinas seguem híbridas. Interiores que conciliam trabalho, descanso e convívio continuam, porque a casa não voltará mais a ter funções separadas”, explica Andrea.
Os já conhecidos módulos, que podem ser facilmente montados, desmontados, reconfigurados ou combinados pelo usuário, passam a incorporar componentes como carregadores sem fio, iluminação embutida, ou até automatizações que respondem ao uso. Em equilíbrio, as formas orgânicas trazem suavidade. “Aposte em linhas limpas, silhuetas leves, pernas finas, hardware discreto, foco em praticidade e leveza visual”, sugere Mônica Prado, especialista em tendências na WGSN na América Latina.
O maximalismo performático deixa de ser relevante porque as pessoas buscam ambientes mais silenciosos e acolhedores. O minimalismo frio perde espaço, pois falta a ele o calor que o momento atual demanda.”
MAXIMALISMO LÚDICO
Listras marcantes, padrões gráficos e silhuetas esculturais pautam um dos três estilos decorativos levantados como tendência pelo Pinterest para 2026, o Lar Lúdico. O retrofuturismo, que explora a estética do futuro imaginado no passado; o biomorfismo, que busca simular formas, curvas e padrões da natureza; e o surrealismo acolhedor se unem em espaços imersivos, fantasiosos e criativos.
“Aqui, cores intensas, composições modulares e formas exóticas criam atmosferas expressivas, onde a criatividade se torna linguagem, e a sensualidade tátil se mistura às referências botânicas. O resultado são mobiliários contemporâneos que estimulam a imaginação, o movimento e o prazer estético”, explica a arquiteta Ila Rosete, co-fundadora da casa P.O.Box, bureau de pesquisa e consultoria em tendências e lifestyle.
Veremos cada vez mais essa brasilidade, esse espírito sul global, um design decolonial que fala muito sobre olhar para dentro com orgulho e se opõe a uma visão eurocêntrica do mundo e do design.”
NEO DÉCO
Com a saída do minimalismo frio, o estilo art déco vivencia um renascimento nos interiores. Segundo o relatório Evolução Estética 2026, da WGSN, o interesse pela nostalgia impulsiona esse novo momento da estética retrô, uma releitura contemporânea do luxo geométrico e ornamentado dos anos 1920.
Camadas têxteis, peças em veludo, espelhos geométricos, metais polidos, texturas contrastantes e móveis de impacto integram-se de forma opulente, mas não exagerada, em um status de herança. “Aposte em um visual com geometria forte e no garimpo de peças das décadas de 20 a 40, modernizadas. No jardim, ênfase em arcos, detalhes metalizados, grandes volumes e iluminação”, recomenda Sydney.
O que esperar na decoração e no design de mobiliário em 2026
Guilherme Lepca/Editora Globo
BIOSSENSORIAL
Ao mesmo tempo, cresce a busca por ambientes que ofereçam atmosferas emocionais equilibradas, com cores, luzes e texturas que promovam calma, foco e aconchego.
“A casa como reguladora de emoções continua muito presente. Isso significa enxergar o espaço doméstico como aliado da saúde mental, e não como cenário. É a casa que reduz o ruído sensorial, acolhe com a luz adequada, usa cores e texturas que desaceleram e organiza zonas de descanso, foco e convivência de maneira equilibrada”, explica Andrea.
O biossensorial ganha força como uma abordagem que transforma o lar em território afetivo. Móveis e objetos com texturas envolventes, superfícies orgânicas e estímulos táteis evocam memória, conforto e bem-estar. “São ambientes de tons suaves, aromas discretos e materialidades que convidam ao toque – uma casa que acolhe emocionalmente e se constrói a partir de sensações”, completa Ila.
ARQUITETURA DA LONGEVIDADE
À medida que a geração baby boomer envelhece, os espaços devem atender às suas necessidades. A arquitetura da longevidade, também chamada de geroarquitetura, propõe espaços que permitam envelhecer com autonomia, dignidade, segurança e qualidade de vida.
Mais do que soluções para idosos, o conceito valoriza habilidades que beneficiam todas as idades, como circulações amplas, pisos antiderrapantes, iluminação planejada, conforto térmico, iluminação natural e flexibilidade espacial.
“Há também um retorno ao conforto como valor central, com ergonomia bem desenhada e proporções equilibradas. Neste cenário, o mobiliário descartável tende a desaparecer, impulsionado pela busca por durabilidade, circularidade e peças que atravessam diferentes fases da vida”, destaca Ila.
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ARTESANATO HIPERLOCAL
Com o valor simbólico e a sustentabilidade como protagonistas, o interesse pelo artesanato continua a aumentar. Segundo a WGSN, os consumidores buscarão produtos funcionais e significativos, alinhados aos seus valores, produzidos localmente, e com técnicas artesanais tradicionais.
Com isso, assistiremos ao fortalecimento da autoria brasileira, com designers explorando novos materiais, processos que carregam histórias e identidades estéticas que refletem seu tempo. “Veremos cada vez mais essa brasilidade, esse espírito sul global, um design decolonial que fala muito sobre olhar para dentro com orgulho e se opõe a uma visão eurocêntrica do mundo e do design”, afirma Guto.

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