Por isso, é fundamental prestar atenção nas cores presentes no seu ambiente de descanso. “No quarto, o objetivo cerebral é a homeostase, o equilíbrio. Tons frios e suaves, como azuis e verdes, ativam o sistema parassimpático, reduzem o ritmo cardíaco e sinalizam que é hora de relaxar”, explica. Já cores vibrantes, como o vermelho, mantêm o organismo em estado de alerta e podem inibir a produção de melatonina, prejudicando a qualidade do sono.
A evidência científica vem da fotobiologia e da cronobiologia, que estudam como luz e cores influenciam o ciclo circadiano. “Escolher a cor certa para o quarto é uma estratégia de gestão do sono”, afirma Iria.
As cores pensadas para o relaxamento também podem ser inseridas no quarto nos itens presentes no ambiente, como na roupa de cama rosa
Raiana Medina/Divulgação | Projeto do escritório Ateliê Concreto
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As cores que ajudam a relaxar e melhoram o sono
Para a arquiteta Graciele Coutinho, as cores atuam de forma quase silenciosa sobre o sistema nervoso. “Azul, verde e lilás claro induzem desaceleração, enquanto beges, areias e cinzas claros criam uma base neutra e acolhedora, que não estimula em excesso nem cansam o olhar”, diz. Essas tonalidades ativam áreas cerebrais ligadas à regulação emocional, como o hipotálamo e o sistema límbico, reduzindo a produção de cortisol, o hormônio do estresse.
Para a arquiteta Juliana Pippi, as cores têm a capacidade de desacelerar antes mesmo de a gente perceber. “Quando usamos essas cores no quarto, criamos uma atmosfera mais tranquila, que ajuda o corpo a entender que ali é um lugar de descanso”.
É possível combinar algumas das cores de relaxamento na decoração do quarto, como cinza e rosa. No projeto, as almofadas da Codex Home deixam o quarto mais aconchegante
Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do arquiteto João Panaggio
Mesmo sem pintar as paredes, é possível transformar a atmosfera do quarto. Almofadas, mantas, roupas de cama, tapetes e quadros em cores suaves ajudam a permear calma no ambiente. Materiais naturais, como madeira clara, fibras e cerâmica, reforçam a sensação de conforto emocional.
“Eu gosto de pensar que o espaço se constrói em camadas — tecidos, texturas e objetos que vão trazendo calma aos poucos, sem precisar de grandes mudanças”, afirma Juliana.
A refletância das paredes também influencia o descanso. Tons suaves e de baixa saturação reduzem o ruído visual e sinalizam ao cérebro que o ambiente é seguro, facilitando a liberação de melatonina e a entrada em um sono mais profundo. “A cor funciona como um regulador passivo do ciclo circadiano”, explica Graciele.
As cores azul, verde e lilás claro induzem desaceleração, enquanto beges, areias e cinzas claros criam uma base neutra e acolhedora. Roupa de cama da Casa Almeida
Yuri Mazará/Divulgação | Projeto do escritório GDL Arquitetura, do arquiteto Gabriel de Lucca
Segundo Graciele, esses elementos podem ter um impacto tão grande quanto a pintura das paredes — ou até maior. A roupa de cama, por estar em contato direto com o corpo, tem forte peso sensorial. Cortinas filtram a luz natural e interferem diretamente no ritmo biológico, enquanto a iluminação pode anular uma paleta bem escolhida.
A neuroarquitetura tem ganhado espaço em projetos residenciais. Na prática, isso se traduz em cores menos estimulantes, iluminação pensada para respeitar o ciclo circadiano, layouts com menos informação visual e materiais que despertam sensações de acolhimento. Roupa de cama da Linea Home
Rafael Renzo/Divulgação | Produção: Mayra Navarro/Divulgação | Projeto do arquiteto Paulo Tripoloni
Quando pensamos no quarto como um espaço de bem-estar, é possível escolher luzes mais suaves, cores menos estimulantes, materiais naturais e layouts mais simples, que deixam o olhar descansar. “São decisões que ajudam a criar um ambiente mais equilibrado para o corpo e para a mente”, explica Juliana.
Trabalhar diferentes tons da mesma cor, brincar com texturas e introduzir pequenos contrastes traz profundidade sem quebrar a serenidade do quarto. Enxoval da Casa Sonno
Derek Fernandes/Divulgação | Projeto da arquiteta Graciele Coutinho e decorador Daniel Virgnio
Para achar um equilíbrio sem deixar a personalidade de lado, Graciele recomenda trabalhar variações sutis de uma mesma cor, brincar com texturas e inserir pequenos contrastes, como um tom de verde mais profundo ou detalhes em madeira. “O quarto não precisa ser totalmente neutro; ele precisa ser coerente. A monotonia surge quando não há hierarquia visual, não quando há calma”, explica.
A seguir, confira as cinco famílias de cores mais indicadas para dormir melhor e projetos nesta paleta para se inspirar:
Quarto lilás ou rosa claro
Para além da cor das paredes, cortinas filtram a luz natural e interferem diretamente no ritmo biológico, enquanto a iluminação pode anular uma paleta bem escolhida
Evelyn Müller/Divulgação | Projeto da arquiteta Janaina Casagrande
No quarto, as cortinas e a cama, de Juliana Pippi para a Studio Ambientes, têm tecido da coleção Alinhavo, da arquiteta para a EcoSimple. Cabeceira e cômoda Alice, da coleção Poesia, de Juliana para a Novo Ambiente.Almofadas e manta da coleção Casa das Dunas, de Juliana para a Pia Laus
Ruy Teixeira/Divulgação | Projeto da arquiteta Juliana Pippi
A meia-parede pintada no tom Rosa Fumê, da Suvinil, emoldura a cama, que recebeu enxoval da Casa Trópico e almofadas da loja Coisas da Doris. Tapete e pufe da Deezign
Fran Parente/Divulgação | Projeto do escritório Rua 141 Arquitetura
As paredes revestidas de MDF Rosa Glamour, da Duratex, ganharam boiseries. O restante recebeu textura Ouro Branco, da Suvinil
Erika Urbino/Divulgação | Projeto da arquiteta Mari Milani
Quarto azul
No quarto, o azul prevalece, com papel de parede e manta em maxi tricô, que contrastam com a cabeceira mostarda, todos da Cortinaria. Almofadas e adornos decorativos da loja Quintal de Madame
Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Produção: Andrea Falchi/Divulgação | Projeto do escritório Escala Arquitetura
Ao perceber tons como o azul e o verde-claro, o hipotálamo sinaliza que o ambiente é seguro, reduzindo a produção de cortisol
André Nazareth/Divulgação | Projeto das arquitetas Marcia Müller e Manu Müller
O azul impera no quarto e remete ao mar, com parede pintada no tom Baleia Azul, da Suvinil.Roupa de cama da Trussardi. Manta do acervo dos moradores. Cortina de linho e blackout de rolo zipado motorizado, com execução da Guilha
Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto da arquiteta Amanda Miranda
A arquiteta pintou de azul as paredes e aplicou molduras, além de fazer um barrado de papel de parede junto ao teto. A cama, de fibra natural, é de acervo
Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto da arquiteta Paola Ribeiro
Quarto verde
As cores como verde claro ajudam a ativar o sistema parassimpático, o que diminui o ritmo cardíaco e prepara o corpo para o repouso
Nathalie Artaxo/Divulgação | Projeto do Studio Moby Dick
Cores vibrantes não são recomendadas para quartos porque mantêm a mente em vigília
Fábio Jr. Severo/Divulgação | Projeto do Doreen Arquitetura
No quarto, a roupa de cama da loja Cem Por Cento Rouparia. Almofadas e manta da loja Ekko. Parede verde na cor Cashmere, da Suvinil
Luiza Schreier/Divulgação | Projeto do A+G Arquitetura
No quarto, cama da Innato e cabeceira de linho off-white, executada pelo Estúdio Marô. Roupa de cama da Fau Home & Living
Fellipe Lima/Divulgação | Projeto do escritório Bohrer Arquitetos
Quarto areia ou bege
O teto amadeirado e a parede verde, juntos com a cabeceira curva, criam um conjunto acolhedor. Cama da Ortobom e enxoval da Artelassê
Mariana Henriques/Divulgação | Projeto do SS Arquitetura e Interiores | Produção da Laviz Home
Trabalhar diferentes tons da mesma cor, brincar com texturas e introduzir pequenos contrastes ajudam criar um ambiente aconchegante
Rafael Ribeiro/Divulgação | Projeto do arquiteto Eduardo Lisbôa e o designer de interiores Maicon Demarche, sócios do escritório Lisbôa Demarche Arquitetura e Design
No quarto, cabeceira de linho bege claro, executada pela marcenaria PF Nobre, com roupa de cama da Camicado e da Zara Home, trazem conforto ao ambiente
Cristiano Bauce/Divulgação | Projeto do Studio Mariana Kripka
O quarto traz pequenos toques de cor, como nas almofadas e na obra de arte. Papel de parede bege liso da Wallcovering. Cabeceira executada em tecido de algodão pela loja Bia Masson. Almofadas e mantas da Marengo Decor
Renato Navarro/Divulgação | Projeto da arquiteta Èrica Salguero
Quarto cinza claro
No quarto, a cabeceira estofada em couro é da ACM Home, que também forneceu o papel de parede, a roupa de cama e a cortina de linho
Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do Studio 021 Arquitetura
O quarto tem cama com cabeceira cinza estofada, executada por tapeceiro. Almofada de Juliana Pippi para a Pialaus, na Casa das Dunas. A banqueta lateral, do acervo da moradora, sustenta o abajur Guarda Chuva, de Ana Neute para a Itens Collections. Na parede, obra de Irineu Albiero
Marco Antonio/Divulgação | Projeto da arquiteta Juliana Pippi
Os materiais naturais e cores que dão conforto ao apartamento se repetem no quarto, com cabeceira de couro e painel cinza na parede
Favaro Jr/Divulgação | Projeto da arquiteta Ana Carolina Queiroz
Cinzas claros criam uma base neutra e acolhedora, que não estimula em excesso nem cansa o olhar no quarto
Kadu Lopes/Divulgação | Projeto da arquiteta Monise Rosa



