O Coliseu é um dos monumentos mais visitados do mundo e também um dos mais longevos. Construído em torno do ano 70 d.C., ele é mundialmente conhecido por ter sido palco de combates de gladiadores, confrontos entre homens e feras, caçadas exóticas e até encenações de batalhas, mas sua história é bem mais complexa do que isso.
Para começar seu nome original era Anfiteatro Flaviano, ele foi idealizado por Vespasiano e inaugurado por seu filho Tito, em 80 d.C. Segundo estudiosos, o nome pelo qual o conhecemos hoje só ganhou força algum tempo depois. “Coliseu provavelmente nasceu da associação com o Colosso de Nero, uma estátua monumental próxima ao anfiteatro. O apelido venceu o título oficial. A história tem dessas ironias”, comenta a arquiteta Fernanda Buga, coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ).
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A configuração original do Coliseu
Estima-se que quando concluído o Coliseu era quase duas vezes maior do que suas ruínas são hoje. O anfiteatro oval tinha cerca de190 metros de comprimento, 155 metros de largura e 48 metros de altura, com três séries sobrepostas de 80 arcos.
Além disso, lembra o arquiteto Sérgio Lessa, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Belas Artes, o edifício tinha um nível a mais de arcadas externas, era todo revestido de mármore travertino e composto por diversas estátuas e escadas.
Para Fernanda, a construção monumental era um símbolo de grandiosidade e poder. “A construção ocupou o terreno drenado da antiga Casa Dourada de Nero, devolvendo à cidade um espaço que havia sido apropriado pelo luxo imperial. Onde antes havia excesso privado, surgia um palco público. A arquitetura impressionava pela clareza. Um anfiteatro oval, arena central, arquibancadas concêntricas capazes de receber dezenas de milhares de pessoas. Não era apenas grande, era eficiente. Fluxos calculados, acessos organizados, monumentalidade pensada para afirmar poder. Roma não construía apenas para entreter. Construía para comunicar e, ali, comunicava força”, analisa a professora.
O que aconteceu com a outra “metade” do Coliseu?
Coliseu era palco de grandes espetáculos, com o declínio do Império Romano, o edifício mudou de função
Getty Images
Se a princípio, o Coliseu era palco de grandes espetáculos, com o declínio do Império Romano, o edifício mudou de função, passando a ser abrigo, fortaleza de famílias nobres, espaço de oficinas e até pedreira, o que contribuiu para o desgaste da estrutura. Terremotos também deixaram marcas profundas, especialmente no século XIV, quando parte da fachada externa desabou.
“Houve um terremoto por volta do ano 1349, que acabou comprometendo a fachada sul, que veio a desmoronar. Além disso, depois do Renascimento, ele acabou sofrendo algumas retiradas e o material que era do Coliseu, como blocos de travertino e mármore, foi utilizado em outras construções. Há registros, por exemplo, de que tem partes dos materiais do Coliseu usados para a construção da Basílica de São Pedro”, relata Sérgio.
A resistência do Coliseu
Ainda que o Coliseu tenha perdido boa parte de sua construção original, muitos se espantam que o monumento resista até os tempos atuais. Para os arquitetos dois fatores podem explicar essa resistência, a própria arquitetura romana e a contribuição da igreja católica.
“O Coliseu tem um sistema construtivo, que é o concreto romano, muito resistente. Outro ponto importante é que ele foi feito com uma técnica construtiva de arcos e abóbodas, que resulta a uma eficiência no descargue das energias e das forças, e que contribuiu para que ele tenha conseguido passar por terremotos e outras situações bastante intensas”, explica Sérgio.
“A engenharia romana, com seu concreto e suas abóbadas resistentes, sustentou o que parecia impossível sustentar. A partir do século XVIII, a preservação ganhou força. A Igreja Católica teve papel decisivo quando o Papa Bento XIV declarou o local sagrado em memória dos mártires cristãos. O gesto ajudou a conter a destruição e reforçou seu valor simbólico. Nos séculos seguintes, vieram restaurações e estudos arqueológicos”, completa Fernanda.
Hoje é possível caminhar pelo Coliseu, que foi declarado Patrimônio Mundial da UNESCO em 1980. Para Fernanda, o edifício é mais do que monumento turístico, ele tornou-se referência estética. “A sucessão ordenada de arcos e colunas, as ordens clássicas organizadas em níveis, tudo isso influenciou o Renascimento, o Neoclassicismo e a própria ideia ocidental de monumentalidade. O que resta ali não é apenas pedra. É narrativa. Um edifício que atravessou impérios, crenças e usos, e que continua a nos lembrar que arquitetura também é linguagem”, conclui.
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Para começar seu nome original era Anfiteatro Flaviano, ele foi idealizado por Vespasiano e inaugurado por seu filho Tito, em 80 d.C. Segundo estudiosos, o nome pelo qual o conhecemos hoje só ganhou força algum tempo depois. “Coliseu provavelmente nasceu da associação com o Colosso de Nero, uma estátua monumental próxima ao anfiteatro. O apelido venceu o título oficial. A história tem dessas ironias”, comenta a arquiteta Fernanda Buga, coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ).
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A configuração original do Coliseu
Estima-se que quando concluído o Coliseu era quase duas vezes maior do que suas ruínas são hoje. O anfiteatro oval tinha cerca de190 metros de comprimento, 155 metros de largura e 48 metros de altura, com três séries sobrepostas de 80 arcos.
Além disso, lembra o arquiteto Sérgio Lessa, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Belas Artes, o edifício tinha um nível a mais de arcadas externas, era todo revestido de mármore travertino e composto por diversas estátuas e escadas.
Para Fernanda, a construção monumental era um símbolo de grandiosidade e poder. “A construção ocupou o terreno drenado da antiga Casa Dourada de Nero, devolvendo à cidade um espaço que havia sido apropriado pelo luxo imperial. Onde antes havia excesso privado, surgia um palco público. A arquitetura impressionava pela clareza. Um anfiteatro oval, arena central, arquibancadas concêntricas capazes de receber dezenas de milhares de pessoas. Não era apenas grande, era eficiente. Fluxos calculados, acessos organizados, monumentalidade pensada para afirmar poder. Roma não construía apenas para entreter. Construía para comunicar e, ali, comunicava força”, analisa a professora.
O que aconteceu com a outra “metade” do Coliseu?
Coliseu era palco de grandes espetáculos, com o declínio do Império Romano, o edifício mudou de função
Getty Images
Se a princípio, o Coliseu era palco de grandes espetáculos, com o declínio do Império Romano, o edifício mudou de função, passando a ser abrigo, fortaleza de famílias nobres, espaço de oficinas e até pedreira, o que contribuiu para o desgaste da estrutura. Terremotos também deixaram marcas profundas, especialmente no século XIV, quando parte da fachada externa desabou.
“Houve um terremoto por volta do ano 1349, que acabou comprometendo a fachada sul, que veio a desmoronar. Além disso, depois do Renascimento, ele acabou sofrendo algumas retiradas e o material que era do Coliseu, como blocos de travertino e mármore, foi utilizado em outras construções. Há registros, por exemplo, de que tem partes dos materiais do Coliseu usados para a construção da Basílica de São Pedro”, relata Sérgio.
A resistência do Coliseu
Ainda que o Coliseu tenha perdido boa parte de sua construção original, muitos se espantam que o monumento resista até os tempos atuais. Para os arquitetos dois fatores podem explicar essa resistência, a própria arquitetura romana e a contribuição da igreja católica.
“O Coliseu tem um sistema construtivo, que é o concreto romano, muito resistente. Outro ponto importante é que ele foi feito com uma técnica construtiva de arcos e abóbodas, que resulta a uma eficiência no descargue das energias e das forças, e que contribuiu para que ele tenha conseguido passar por terremotos e outras situações bastante intensas”, explica Sérgio.
“A engenharia romana, com seu concreto e suas abóbadas resistentes, sustentou o que parecia impossível sustentar. A partir do século XVIII, a preservação ganhou força. A Igreja Católica teve papel decisivo quando o Papa Bento XIV declarou o local sagrado em memória dos mártires cristãos. O gesto ajudou a conter a destruição e reforçou seu valor simbólico. Nos séculos seguintes, vieram restaurações e estudos arqueológicos”, completa Fernanda.
Hoje é possível caminhar pelo Coliseu, que foi declarado Patrimônio Mundial da UNESCO em 1980. Para Fernanda, o edifício é mais do que monumento turístico, ele tornou-se referência estética. “A sucessão ordenada de arcos e colunas, as ordens clássicas organizadas em níveis, tudo isso influenciou o Renascimento, o Neoclassicismo e a própria ideia ocidental de monumentalidade. O que resta ali não é apenas pedra. É narrativa. Um edifício que atravessou impérios, crenças e usos, e que continua a nos lembrar que arquitetura também é linguagem”, conclui.
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