Uma piscina em casa é ideal para se refrescar e relaxar nos dias mais quentes. Mas quando os cuidados básicos são deixados de lado, a instalação acumula microrganismos que representam risco à saúde de quem usa. Não basta manter a água cristalina e livre de folhas, é preciso equilibrar três tipos de manutenção: química, física e filtragem.
“Mesmo que a água esteja visualmente limpa, concentrações inadequadas de cloro livre podem permitir a sobrevivência de microrganismos patogênicos, o que pode levar a sérias infecções”, pontua Jany Hellen Ferreira de Jesus, professora do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP).
Separamos as principais dicas para manter a piscina de casa limpa e adequada para o uso. Confira!
Limpeza física
O acúmulo de folhas e demais resíduos orgânicos transforma a água em um ambiente propício para algas e bactérias
Pexels/Arthur Shuraev/Creative Commons
Para maior eficiência dos produtos químicos, faça a limpeza física, que consiste na remoção de resíduos sólidos da superfície e do fundo da piscina.
A recomendação é que as folhas e as sujeiras superficiais sejam retiradas todos os dias. Os sedimentos ao fundo da piscina devem ser retirados semanalmente com um aspirador próprio. Com a mesma frequência, faça uma escovação manual das paredes com detergente.
Leia mais
Tratamento químico
Uma desinfecção eficiente da água combina pH equilibrado e quantidades adequadas de cloro. A inativação de microrganismos é feita por agentes como oxidantes à base de cloro, hipoclorito de sódio ou de cálcio. Por isso, o equilíbrio químico é tão importante.
Segundo o piscineiro Edson Lopes, o pH deve estar entre 7,2 e 7,6; o nível do cloro varia de 1 a 3 ppm (partes por milhão). A medição desses níveis deve ser feita de duas a três vezes por semana e pode ser realizada com medirores domésticos.
Comece aplicando os produtos que adequam o valor do pH. Com um intervalo de uma hora, aplique o cloro. “A reposição do cloro deve ocorrer sempre que os valores estiverem abaixo do recomendado, evitando tanto a subdosagem, quanto a superdosagem”, adiciona Jany.
A depender da dosagem de químicos adicionado, aguarde até quatro horas para usar a piscina. No projeto, a piscina foi revestida de pedra hijau natural, da Multipedras
Marcus Camargo/Divulgação | Produção: Casa Ogawa/Divulgação | Projeto do escritório Rogoski Arquitetura
Confira alguns dos produtos indicados para a manutenção química da piscina:
Cloro (granulado ou líquido);
Elevador ou redutor de pH;
Algicida, substância que elimina e previne a proliferação de algas em piscinas;
Clarificante/floculante, quando necessário, o produto aglutina micropartículas de sujeira da água e facilita a posterior aspiração;
Limpa Bordas, um tipo de detergente para remover gordura e restos de protetor solar das bordas da piscina;
Estojo de teste para medir pH e cloro.
Lembre-se de usar os produtos nas quantidades adequadas e de não misturá-los. “Após a aplicação de qualquer químico é necessário manter a piscina sem uso pelo tempo de espera indicado na embalagem, já que no primeiro momento a concentração estará alta”, lembra o piscineiro Rhuan Félix.
A atenção aos cuidados diários e semanais resultam em uma piscina limpa e ótima para se refrescar
Pexels/Musa Ortaç/Creative Commons
“Vale ressaltar que qualquer produto utilizado para tratamento de piscina é considerado legalmente um saneante e, por isso, precisa de regularização junto à Anvisa”, esclarece a professora. A consulta de produtos registrados pode ser feita por meio deste site.
Filtragem
A filtragem da piscina consegue reter sujeiras, devolvendo uma água mais limpa ao reservatório
Felipe Araújo/Divulgação | Projeto do escritório Flávia D’Urso Arquitetura e Paisagismo
A filtragem remove as impurezas que os produtos químicos não eliminam. “Filtre a água todos os dias, de 6 a 8 horas, a depender do tamanho da piscina”, sugere Edson.
Além de ligar o sistema de filtragem diariamente, é necessária a manutenção desses filtros. “O filtro de areia e o filtro de poliéster são os mais utilizados. Para filtros de piscinas residenciais, o primeiro tipo passa por manutenção uma vez ao ano, enquanto o segundo, de seis em seis meses”, explica Rhuan.
Leia também
Erros e riscos
É importante que o morador se atente aos cuidados diários. “Assim como um carro precisa de cuidados como verificar óleo, água e pneu, a piscina tambem precisa de atenção”, compara Rhuan.
Enquanto isso, Edson aponta alguns erros comuns na hora de cuidar da piscina:
Colocar produto “no olho”;
Misturar produtos diretamente;
Não filtrar por tempo suficiente;
Não controlar o pH;
Excesso de cloro;
Deixar a piscina vários dias parada.
Mais do que uma piscina suja ou esverdeada, esses erros também podem acarretar em riscos para a saúde. “Se existe excesso de cloro, podem ocorrer irritações nos olhos, na pele e nas vias respiratórias. Outros parâmetros, como o pH fora da faixa recomendada, podem potencializar esses efeitos e reduzir a eficiência da desinfecção”, alerta Jany.
A mistura de produtos nunca deve ser feita em casa nem em instalações profissionais, como escolas ou academias. “A combinação indevida de produtos de limpeza, em particular aqueles contendo cloro, ácidos ou amônia, pode gerar substâncias voláteis altamente irritantes para os olhos e para o sistema respiratório”, diz a professora.
“Uma piscina mal tratada ainda pode acarretar em infecções de pele e mucosas, conjuntivite, otite e irritações respiratórias”, complementa Wagner Contrera Lopes, superintendente do Conselho Regional de Química de São Paulo.
Kits de teste domésticos permitem aferir a quantidade de cloro na piscina e garantir um mergulho seguro
Pexels/SHVETS production/Creative Commons
Ela acredita que a limpeza pode ser realizada pelo próprio morador, em especial a remoção de resíduos superficiais, do fundo e a escovação da parede. O monitoramento de parâmetros simples, como pH e cloro livre, pode ser realizado com kits de teste domésticos e respeitando as dosagens recomendadas.
“Caso o morador estude e tenha tempo para aprender os cuidados químicos com a água, ele pode ser o responsável pela manutenção. Se isso não for viável, o recomendado é contratar um profissional que cuide da piscina ao menos uma vez por semana”, opina Rhuan.
Já em caso de piscinas coletivas, um profissional é recomendado. “No caso de condomínios, devido ao número de usuários, a recomendação é que o síndico contrate empresas especializadas no tratamento de água de piscinas ou recorra à contratação de um profissional da Química, ambos devidamente registrados no Conselho Regional de Química da jurisdição”, aponta Wagner.
“Mesmo que a água esteja visualmente limpa, concentrações inadequadas de cloro livre podem permitir a sobrevivência de microrganismos patogênicos, o que pode levar a sérias infecções”, pontua Jany Hellen Ferreira de Jesus, professora do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP).
Separamos as principais dicas para manter a piscina de casa limpa e adequada para o uso. Confira!
Limpeza física
O acúmulo de folhas e demais resíduos orgânicos transforma a água em um ambiente propício para algas e bactérias
Pexels/Arthur Shuraev/Creative Commons
Para maior eficiência dos produtos químicos, faça a limpeza física, que consiste na remoção de resíduos sólidos da superfície e do fundo da piscina.
A recomendação é que as folhas e as sujeiras superficiais sejam retiradas todos os dias. Os sedimentos ao fundo da piscina devem ser retirados semanalmente com um aspirador próprio. Com a mesma frequência, faça uma escovação manual das paredes com detergente.
Leia mais
Tratamento químico
Uma desinfecção eficiente da água combina pH equilibrado e quantidades adequadas de cloro. A inativação de microrganismos é feita por agentes como oxidantes à base de cloro, hipoclorito de sódio ou de cálcio. Por isso, o equilíbrio químico é tão importante.
Segundo o piscineiro Edson Lopes, o pH deve estar entre 7,2 e 7,6; o nível do cloro varia de 1 a 3 ppm (partes por milhão). A medição desses níveis deve ser feita de duas a três vezes por semana e pode ser realizada com medirores domésticos.
Comece aplicando os produtos que adequam o valor do pH. Com um intervalo de uma hora, aplique o cloro. “A reposição do cloro deve ocorrer sempre que os valores estiverem abaixo do recomendado, evitando tanto a subdosagem, quanto a superdosagem”, adiciona Jany.
A depender da dosagem de químicos adicionado, aguarde até quatro horas para usar a piscina. No projeto, a piscina foi revestida de pedra hijau natural, da Multipedras
Marcus Camargo/Divulgação | Produção: Casa Ogawa/Divulgação | Projeto do escritório Rogoski Arquitetura
Confira alguns dos produtos indicados para a manutenção química da piscina:
Cloro (granulado ou líquido);
Elevador ou redutor de pH;
Algicida, substância que elimina e previne a proliferação de algas em piscinas;
Clarificante/floculante, quando necessário, o produto aglutina micropartículas de sujeira da água e facilita a posterior aspiração;
Limpa Bordas, um tipo de detergente para remover gordura e restos de protetor solar das bordas da piscina;
Estojo de teste para medir pH e cloro.
Lembre-se de usar os produtos nas quantidades adequadas e de não misturá-los. “Após a aplicação de qualquer químico é necessário manter a piscina sem uso pelo tempo de espera indicado na embalagem, já que no primeiro momento a concentração estará alta”, lembra o piscineiro Rhuan Félix.
A atenção aos cuidados diários e semanais resultam em uma piscina limpa e ótima para se refrescar
Pexels/Musa Ortaç/Creative Commons
“Vale ressaltar que qualquer produto utilizado para tratamento de piscina é considerado legalmente um saneante e, por isso, precisa de regularização junto à Anvisa”, esclarece a professora. A consulta de produtos registrados pode ser feita por meio deste site.
Filtragem
A filtragem da piscina consegue reter sujeiras, devolvendo uma água mais limpa ao reservatório
Felipe Araújo/Divulgação | Projeto do escritório Flávia D’Urso Arquitetura e Paisagismo
A filtragem remove as impurezas que os produtos químicos não eliminam. “Filtre a água todos os dias, de 6 a 8 horas, a depender do tamanho da piscina”, sugere Edson.
Além de ligar o sistema de filtragem diariamente, é necessária a manutenção desses filtros. “O filtro de areia e o filtro de poliéster são os mais utilizados. Para filtros de piscinas residenciais, o primeiro tipo passa por manutenção uma vez ao ano, enquanto o segundo, de seis em seis meses”, explica Rhuan.
Leia também
Erros e riscos
É importante que o morador se atente aos cuidados diários. “Assim como um carro precisa de cuidados como verificar óleo, água e pneu, a piscina tambem precisa de atenção”, compara Rhuan.
Enquanto isso, Edson aponta alguns erros comuns na hora de cuidar da piscina:
Colocar produto “no olho”;
Misturar produtos diretamente;
Não filtrar por tempo suficiente;
Não controlar o pH;
Excesso de cloro;
Deixar a piscina vários dias parada.
Mais do que uma piscina suja ou esverdeada, esses erros também podem acarretar em riscos para a saúde. “Se existe excesso de cloro, podem ocorrer irritações nos olhos, na pele e nas vias respiratórias. Outros parâmetros, como o pH fora da faixa recomendada, podem potencializar esses efeitos e reduzir a eficiência da desinfecção”, alerta Jany.
A mistura de produtos nunca deve ser feita em casa nem em instalações profissionais, como escolas ou academias. “A combinação indevida de produtos de limpeza, em particular aqueles contendo cloro, ácidos ou amônia, pode gerar substâncias voláteis altamente irritantes para os olhos e para o sistema respiratório”, diz a professora.
“Uma piscina mal tratada ainda pode acarretar em infecções de pele e mucosas, conjuntivite, otite e irritações respiratórias”, complementa Wagner Contrera Lopes, superintendente do Conselho Regional de Química de São Paulo.
Kits de teste domésticos permitem aferir a quantidade de cloro na piscina e garantir um mergulho seguro
Pexels/SHVETS production/Creative Commons
Ela acredita que a limpeza pode ser realizada pelo próprio morador, em especial a remoção de resíduos superficiais, do fundo e a escovação da parede. O monitoramento de parâmetros simples, como pH e cloro livre, pode ser realizado com kits de teste domésticos e respeitando as dosagens recomendadas.
“Caso o morador estude e tenha tempo para aprender os cuidados químicos com a água, ele pode ser o responsável pela manutenção. Se isso não for viável, o recomendado é contratar um profissional que cuide da piscina ao menos uma vez por semana”, opina Rhuan.
Já em caso de piscinas coletivas, um profissional é recomendado. “No caso de condomínios, devido ao número de usuários, a recomendação é que o síndico contrate empresas especializadas no tratamento de água de piscinas ou recorra à contratação de um profissional da Química, ambos devidamente registrados no Conselho Regional de Química da jurisdição”, aponta Wagner.



