Designer baiano cria vasos de plantas a partir de resíduos de floriculturas e restaurantes

Quando o assunto é jardinagem, os vasos de plástico ainda dominam o mercado. No entanto, o designer baiano Adonis Evangelista propõe um novo caminho: vasos produzidos a partir de resíduos orgânicos recuperados.
O projeto visa reutilizar resíduos orgânicos de três origens: floriculturas, incluindo caules descartados, folhas e fibras naturais; restaurantes, com cascas de ovo; e carpintarias, com serragem. Durante o mestrado em design industrial na Universidade do Porto, supervisionado por Lígia Lopes, o designer estruturou a proposta de transformar essas fibras em vasos de plantas.
O designer Adonis Evangelista apresenta amostras de biomateriais desenvolvidos a partir de resíduos orgânicos de floriculturas, restaurantes e carpintarias
Lígia Lopes/Divulgação
Para isso, houve todo um processo de experimentação dos resíduos que, como matéria orgânica, poderiam se revelar frágeis para o uso pretendido. “No meu estudo de caso, separei as fibras e vi que a casca de ovo misturada ao pó de serrinha rendia um material muito mais rígido, enquanto outras fibras não”, conta Adonis.
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O material experimental desenvolvido por Adonis Evangelista resulta de sua pesquisa de mestrado com resíduos orgânicos recuperados
Bruno de Almeida/Divulgação
“O maior desafio foi este: como tornar este material resistente o suficiente para aguentar o período de crescimento da planta, ou então para que entrasse em contato com a água e não derretesse de imediato?”, completa.
A solução para aglutinar as fibras foi o ágar-ágar – gelatina extraída de algas marinhas que, ao retornar para o meio ambiente, não exerce um impacto prejudicial graças à origem natural.
Adonis acredita que os vasos biodegradáveis podem ser amplamente benéficos, considerando a quantidade exorbitante de plástico descartado na natureza. Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indicam que a produção global de plástico ultrapassa 400 milhões de toneladas anuais.
Os vasos biodegradáveis podem ter diferentes formas, cores e texturas
Bruno de Almeida/Divulgação
Engenheiro mecânico de formação, o designer busca conciliar o processo produtivo e o descarte como recurso, reduzindo o uso de matéria-prima virgem e reinserindo materiais descartados no ciclo industrial.
No futuro, ele deseja expandir a pesquisa para além dos vasos de plantas, explorando outras aplicações possíveis. Durante sua pesquisa percebeu, por exemplo, que é possível desenvolver papéis translúcidos, que permitem a passagem de luz e podem ser aplicados em uma linha de luminárias.
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