Aventurar-se por mares e oceanos sempre representou um ato de coragem na história da humanidade. Monstros marinhos, piratas, doenças e naufrágios alimentaram por séculos narrativas heroicas que ajudaram a moldar a identidade de povos e nações. Essa simbologia milenar– marcada pelo desconhecido, pelo perigo e por um desconforto inerente– parece não ter lugar no mundo dos superiates, embarcações destinadas ao lazer que surgiram no séc. 17 na aristocracia europeia. Neles, navegar se tornou uma experiência pautada pela distinção, pelo conforto e pela tecnologia de ponta.
Esse é um mercado milionário. Segundo o Global Order Book (GOB), pesquisa realizada pela revista Boat International US Edition, depois da pandemia de covid-19, a produção mundial de iates passou de 830 unidades anuais, em 2019, para 1.203, em 2023– aumento de aproximadamente 45%. Tudo motivado pelo desejo de viajar longas distâncias, na companhia de amigos e familiares.
Com projeto de decoração de Piero Lissoni, o iate 44X-Space La La Land, da italiana Sanlorenzo, de 44 m, ganhou áreas externas com mobiliário feito sob medida – ao fundo, a escada leva à beach area com acesso ao mar
Federico Cedrone
Em 2026, o número de superiates em produção em todo o planeta segue em patamar elevado: são hoje 1.093 embarcações em montagem. De acordo com a Boat International, o volume deve se manter estável nos próximos anos. As projeções indicam ainda que os chamados Ultra High Net Worth Individuals (UHNWI)– pessoas cujo patrimônio individual líquido supera os 30 milhões de dólares possuem interesse por barcos maiores. Neste ano, a média, ainda segundo a revista, é de 44 m de comprimento– iates de proporções grandiosas, com capacidade de atravessar oceanos.
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Mas não é apenas o tamanho que define essas embarcações. O design autoral desempenha papel cada vez mais central no segmento. Empresas construtoras de barcos têm buscado parcerias com profissionais de arquitetura para customizar os iates, um trabalho repleto de exigências: o mobiliário desenhado sob medida precisa receber tratamento contra sol, maresia e chuva, não pode ter quinas e os acessórios devem ser parafusados, colados ou fixados à estrutura– tudo isso deve necessariamente passar pela engenharia naval, em função das rigorosas limitações de espaço, peso e estabilidade.
O living do iate Grande 25 Metri, produzido em Itajaí, SC, pela Azimut Brasil, possui mobiliário desenhado pelo italiano Alberto Mancini, autor do projeto de interiores–
Azimut Yachts/Divulgação
O arquiteto milanês Piero Lissoni conhece bem esse processo. Em 2018, assumiu a direção criativa do estaleiro italiano Sanlorenzo, com sede em Veneza. Para ele, as embarcações devem ser tratadas como edifícios itinerantes. “Não vejo os iates simplesmente como objetos flutuantes, mas como verdadeiras casas, com a extraordinária qualidade de proporcionar uma paisagem que se transforma a cada dia”, explica. “Procuro subverter a mentalidade náutica tradicional, enraizada na opulência e no excesso, e introduzir a simplicidade, a sensação de quiet luxury”, afirma o arquiteto à Casa Vogue. Tal qual um desdobramento de seu trabalho de interiores, Lissoni encara as embarcações como uma segunda residência. “Não é tão diferente de projetar um loft. A principal distinção é a atenção à estabilidade: os móveis devem ser seguros, elementos precisam ser fixados ao chão e mecanismos antirrolamento devem ser integrados. Os princípios de conforto e qualidade espacial permanecem essencialmente os mesmos.” O ponto central, segundo ele, é a abertura ao mar. “Meu objetivo é sempre abrir os interiores o máximo possível para que a experiência do mar se torne parte integrante da vida a bordo.” Por indicação dele, a Sanlorenzo passou a investir ainda mais no design italiano e incluiu, nos últimos anos, a arquiteta e designer espanhola radicada em Milão Patricia Urquiola em suas criações.
Essa associação entre a construção de barcos e o design italiano não acontece ao acaso. A Itália é hoje a maior fabricante de superiates do planeta: responde por cerca de 50% da produção mundial e reúne algumas das marcas mais prestigiadas do setor. No ranking, é seguida por Turquia, Países Baixos, Taiwan e Alemanha. Na sequência aparecem Reino Unido, Estados Unidos, Emirados Árabes, Polônia e Brasil, único representante da América Latina– e com alguma ajuda dos italianos.
Living do Flexplorer 146 Nasiba, desenvolvido pelo estúdio britânico Winch Design para a Cantieredelle Marche e inspirado pela filosofia japonesawabi-sabi
Winch Design
O grupo Azimut | Benetti, natural da cidade de Viareggio e maior produtor de superiates do mundo segundo o GOB, da Boat International, mantém desde 2010 uma operação em Itajaí, SC– único estaleiro da marca fora da Itália. “Para replicar o padrão da nossa matriz, precisávamos de um local que unisse vocação náutica e potencial de mão de obra com capacidade artesanal e técnica, além da estrutura logística para atender o país e o exterior”, comenta Carlo Alberto Sisto, CEO da Azimut Brasil.
De acordo com a Acobar (Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e Seus Implementos), o mercado náutico brasileiro segue aquecido. A entidade estima que o país tenha fabricado, em 2025, cerca de 4,5 mil embarcações motorizadas de esporte e lazer acima de 5 m. “Essa presença das maiores fabricantes globais de motores no Brasil e de grandes estaleiros internacionais com operação local indica um grau elevado de maturidade industrial. Temos capacidade produtiva e demanda contínua”, garante Eduardo Colunna, presidente da Acobar.
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Vista do iate 44X-Space La La Land, da italiana Sanlorenzo, com projeto de arquitetura naval do Zuccon International Project e decoração de Piero Lissoni
Federico Cedrone
Atualmente, a Azimut confecciona no país iates de 16 e 17 m – grandes, mas fora da categoria de superiates. Há apenas um modelo de 25 m desenvolvido localmente. Nesse cenário aquecido, o trabalho de customização ganha contornos tropicais. É o que conta a designer de interiores Naiara Bogo, parte da equipe da Azimut Brasil. “O design do iate vem da Itália, mas trabalhamos com os clientes brasileiros na escolha de revestimentos e acessórios e possíveis adaptações de layouts”, explica. “No Brasil, usamos mais as áreas externas porque navegamos principalmente no verão. Por isso, optamos por materiais mais frescos e adequados ao sol.”
Caminhos para inovação
Outro escritório que acumula experiência na área é o estúdio britânico Winch Design. Atuando desde 1986 em projetos de iates, eles têm incorporado sustentabilidade às criações. E, além de terem criado um iate a vela de grandes proporções– o modelo Sky, como estaleiro Royal Huisman, de Vollenhove, nos Países Baixos–, também desenvolveram o Flexplorer 146 Nasiba, em parceria com a italiana Cantiere delle Marche, de Ancona. Com 44 m e foco em interiores sustentáveis, a embarcação ganhou características próximas às de uma residência: troncos de madeira, parede verde e tecidos de fibras naturais. O projeto é fruto da colaboração com a EcoNest Architecture, especialista em construção ecológica e focada na saúde, que selecionou materiais naturais, não tóxicos, com baixo teor de compostos orgânicos voláteis e obtidos de forma responsável. “Em iates, os materiais, os acabamentos e o mobiliário devem atender a padrões de desempenho, durabilidade e segurança muito mais rigorosos do que os normalmente exigidos para residências ou interiores de hotéis. Por isso, projetamos pensando na longevidade, priorizando facilidade de manutenção, segurança e flexibilidade para futuros upgrades”, comenta Jim Dixon, à frente dos projetos da categoria no estúdio.
Living do iate SX100, de 30 m,outro com design de interiores de Piero Lissoni para a Sanlorenzo, com amplas janelas que reforçam a sensação de casa
Guillaume Plisson
O principal vilão, entretanto, continua sendo o motor a combustão. Cada vez mais, estaleiros buscam desenvolver embarcações híbridas, movidas a eletricidade e diesel. É o caso do Solsea, iate de 43 m criado pelo designer suíço Yves Behar em parceria com a italiana Rossinavi, de Viareggio. A embarcação é capaz de gerar a própria energia por meio de placas fotovoltaicas integradas à sua estrutura, o que permite operar de forma autônoma em viagens curtas e atravessar oceanos usando até 80% da energia que produz. “Como explorador ativo do mar nos últimos 40 anos, eu naveguei, pratiquei kitesurf e surfei em todos os continentes, por isso, sempre busco contribuir com a preservação dos oceanos”, comenta Behar sobre a empreitada. Ainda assim, segundo a Boat International, o número de iates híbridos em produção permanece reduzido: em 2026, são apenas 38 unidades, além de quatro totalmente elétricas. Há um longo caminho a percorrer.
Procuro subverter a mentalidade náutica tradicional, enraizada na opulência e no excesso, e introduzir a simplicidade
Quem também desenvolve projetos únicos é a arquiteta brasileira Carla Guilhem, que hoje atua entre Miami e Roma. Em 2020, teve a oportunidade de assinar o design de interiores de uma nova embarcação para o estaleiro Van der Valk, de Waalwijk, nos Países Baixos. A Lady Lene, de 34 m, apresentava um desafio adicional: o proprietário era cadeirante. Toda a circulação e os interiores precisaram seguir premissas de acessibilidade. “Recebi a estrutura do barco do estaleiro e criei tudo do zero. Passei meses trabalhando com eles para elaborar um layout acessível”, conta a profissional, vencedora do prêmio de melhor design de interiores para iates motorizados acima de 499 GT no Boat International Design & Innovation Awards de 2023.
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Carla tem assumido projetos cada vez mais ambiciosos e hoje dedica uma equipe do escritório ao design náutico. Entre eles, os chamados iates da categoria Explorer– embarcações de grande porte, pensadas para longas travessias e para alcançar regiões remotas do planeta. É o caso do Mission-L, de 63 m, que poderá ser arrendado e servir como plataforma de apoio a cientistas e pesquisadores em viagens de exploração. Uma proposta que extrapola o lazer e coloca a tecnologia de ponta da categoria a serviço da busca por conhecimento. Seria um retorno à essência ancestral da navegação? Talvez – afinal, o mar sempre pede um espírito desbravador e uma boa dose de coragem.
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Esse é um mercado milionário. Segundo o Global Order Book (GOB), pesquisa realizada pela revista Boat International US Edition, depois da pandemia de covid-19, a produção mundial de iates passou de 830 unidades anuais, em 2019, para 1.203, em 2023– aumento de aproximadamente 45%. Tudo motivado pelo desejo de viajar longas distâncias, na companhia de amigos e familiares.
Com projeto de decoração de Piero Lissoni, o iate 44X-Space La La Land, da italiana Sanlorenzo, de 44 m, ganhou áreas externas com mobiliário feito sob medida – ao fundo, a escada leva à beach area com acesso ao mar
Federico Cedrone
Em 2026, o número de superiates em produção em todo o planeta segue em patamar elevado: são hoje 1.093 embarcações em montagem. De acordo com a Boat International, o volume deve se manter estável nos próximos anos. As projeções indicam ainda que os chamados Ultra High Net Worth Individuals (UHNWI)– pessoas cujo patrimônio individual líquido supera os 30 milhões de dólares possuem interesse por barcos maiores. Neste ano, a média, ainda segundo a revista, é de 44 m de comprimento– iates de proporções grandiosas, com capacidade de atravessar oceanos.
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Mas não é apenas o tamanho que define essas embarcações. O design autoral desempenha papel cada vez mais central no segmento. Empresas construtoras de barcos têm buscado parcerias com profissionais de arquitetura para customizar os iates, um trabalho repleto de exigências: o mobiliário desenhado sob medida precisa receber tratamento contra sol, maresia e chuva, não pode ter quinas e os acessórios devem ser parafusados, colados ou fixados à estrutura– tudo isso deve necessariamente passar pela engenharia naval, em função das rigorosas limitações de espaço, peso e estabilidade.
O living do iate Grande 25 Metri, produzido em Itajaí, SC, pela Azimut Brasil, possui mobiliário desenhado pelo italiano Alberto Mancini, autor do projeto de interiores–
Azimut Yachts/Divulgação
O arquiteto milanês Piero Lissoni conhece bem esse processo. Em 2018, assumiu a direção criativa do estaleiro italiano Sanlorenzo, com sede em Veneza. Para ele, as embarcações devem ser tratadas como edifícios itinerantes. “Não vejo os iates simplesmente como objetos flutuantes, mas como verdadeiras casas, com a extraordinária qualidade de proporcionar uma paisagem que se transforma a cada dia”, explica. “Procuro subverter a mentalidade náutica tradicional, enraizada na opulência e no excesso, e introduzir a simplicidade, a sensação de quiet luxury”, afirma o arquiteto à Casa Vogue. Tal qual um desdobramento de seu trabalho de interiores, Lissoni encara as embarcações como uma segunda residência. “Não é tão diferente de projetar um loft. A principal distinção é a atenção à estabilidade: os móveis devem ser seguros, elementos precisam ser fixados ao chão e mecanismos antirrolamento devem ser integrados. Os princípios de conforto e qualidade espacial permanecem essencialmente os mesmos.” O ponto central, segundo ele, é a abertura ao mar. “Meu objetivo é sempre abrir os interiores o máximo possível para que a experiência do mar se torne parte integrante da vida a bordo.” Por indicação dele, a Sanlorenzo passou a investir ainda mais no design italiano e incluiu, nos últimos anos, a arquiteta e designer espanhola radicada em Milão Patricia Urquiola em suas criações.
Essa associação entre a construção de barcos e o design italiano não acontece ao acaso. A Itália é hoje a maior fabricante de superiates do planeta: responde por cerca de 50% da produção mundial e reúne algumas das marcas mais prestigiadas do setor. No ranking, é seguida por Turquia, Países Baixos, Taiwan e Alemanha. Na sequência aparecem Reino Unido, Estados Unidos, Emirados Árabes, Polônia e Brasil, único representante da América Latina– e com alguma ajuda dos italianos.
Living do Flexplorer 146 Nasiba, desenvolvido pelo estúdio britânico Winch Design para a Cantieredelle Marche e inspirado pela filosofia japonesawabi-sabi
Winch Design
O grupo Azimut | Benetti, natural da cidade de Viareggio e maior produtor de superiates do mundo segundo o GOB, da Boat International, mantém desde 2010 uma operação em Itajaí, SC– único estaleiro da marca fora da Itália. “Para replicar o padrão da nossa matriz, precisávamos de um local que unisse vocação náutica e potencial de mão de obra com capacidade artesanal e técnica, além da estrutura logística para atender o país e o exterior”, comenta Carlo Alberto Sisto, CEO da Azimut Brasil.
De acordo com a Acobar (Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e Seus Implementos), o mercado náutico brasileiro segue aquecido. A entidade estima que o país tenha fabricado, em 2025, cerca de 4,5 mil embarcações motorizadas de esporte e lazer acima de 5 m. “Essa presença das maiores fabricantes globais de motores no Brasil e de grandes estaleiros internacionais com operação local indica um grau elevado de maturidade industrial. Temos capacidade produtiva e demanda contínua”, garante Eduardo Colunna, presidente da Acobar.
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Vista do iate 44X-Space La La Land, da italiana Sanlorenzo, com projeto de arquitetura naval do Zuccon International Project e decoração de Piero Lissoni
Federico Cedrone
Atualmente, a Azimut confecciona no país iates de 16 e 17 m – grandes, mas fora da categoria de superiates. Há apenas um modelo de 25 m desenvolvido localmente. Nesse cenário aquecido, o trabalho de customização ganha contornos tropicais. É o que conta a designer de interiores Naiara Bogo, parte da equipe da Azimut Brasil. “O design do iate vem da Itália, mas trabalhamos com os clientes brasileiros na escolha de revestimentos e acessórios e possíveis adaptações de layouts”, explica. “No Brasil, usamos mais as áreas externas porque navegamos principalmente no verão. Por isso, optamos por materiais mais frescos e adequados ao sol.”
Caminhos para inovação
Outro escritório que acumula experiência na área é o estúdio britânico Winch Design. Atuando desde 1986 em projetos de iates, eles têm incorporado sustentabilidade às criações. E, além de terem criado um iate a vela de grandes proporções– o modelo Sky, como estaleiro Royal Huisman, de Vollenhove, nos Países Baixos–, também desenvolveram o Flexplorer 146 Nasiba, em parceria com a italiana Cantiere delle Marche, de Ancona. Com 44 m e foco em interiores sustentáveis, a embarcação ganhou características próximas às de uma residência: troncos de madeira, parede verde e tecidos de fibras naturais. O projeto é fruto da colaboração com a EcoNest Architecture, especialista em construção ecológica e focada na saúde, que selecionou materiais naturais, não tóxicos, com baixo teor de compostos orgânicos voláteis e obtidos de forma responsável. “Em iates, os materiais, os acabamentos e o mobiliário devem atender a padrões de desempenho, durabilidade e segurança muito mais rigorosos do que os normalmente exigidos para residências ou interiores de hotéis. Por isso, projetamos pensando na longevidade, priorizando facilidade de manutenção, segurança e flexibilidade para futuros upgrades”, comenta Jim Dixon, à frente dos projetos da categoria no estúdio.
Living do iate SX100, de 30 m,outro com design de interiores de Piero Lissoni para a Sanlorenzo, com amplas janelas que reforçam a sensação de casa
Guillaume Plisson
O principal vilão, entretanto, continua sendo o motor a combustão. Cada vez mais, estaleiros buscam desenvolver embarcações híbridas, movidas a eletricidade e diesel. É o caso do Solsea, iate de 43 m criado pelo designer suíço Yves Behar em parceria com a italiana Rossinavi, de Viareggio. A embarcação é capaz de gerar a própria energia por meio de placas fotovoltaicas integradas à sua estrutura, o que permite operar de forma autônoma em viagens curtas e atravessar oceanos usando até 80% da energia que produz. “Como explorador ativo do mar nos últimos 40 anos, eu naveguei, pratiquei kitesurf e surfei em todos os continentes, por isso, sempre busco contribuir com a preservação dos oceanos”, comenta Behar sobre a empreitada. Ainda assim, segundo a Boat International, o número de iates híbridos em produção permanece reduzido: em 2026, são apenas 38 unidades, além de quatro totalmente elétricas. Há um longo caminho a percorrer.
Procuro subverter a mentalidade náutica tradicional, enraizada na opulência e no excesso, e introduzir a simplicidade
Quem também desenvolve projetos únicos é a arquiteta brasileira Carla Guilhem, que hoje atua entre Miami e Roma. Em 2020, teve a oportunidade de assinar o design de interiores de uma nova embarcação para o estaleiro Van der Valk, de Waalwijk, nos Países Baixos. A Lady Lene, de 34 m, apresentava um desafio adicional: o proprietário era cadeirante. Toda a circulação e os interiores precisaram seguir premissas de acessibilidade. “Recebi a estrutura do barco do estaleiro e criei tudo do zero. Passei meses trabalhando com eles para elaborar um layout acessível”, conta a profissional, vencedora do prêmio de melhor design de interiores para iates motorizados acima de 499 GT no Boat International Design & Innovation Awards de 2023.
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Carla tem assumido projetos cada vez mais ambiciosos e hoje dedica uma equipe do escritório ao design náutico. Entre eles, os chamados iates da categoria Explorer– embarcações de grande porte, pensadas para longas travessias e para alcançar regiões remotas do planeta. É o caso do Mission-L, de 63 m, que poderá ser arrendado e servir como plataforma de apoio a cientistas e pesquisadores em viagens de exploração. Uma proposta que extrapola o lazer e coloca a tecnologia de ponta da categoria a serviço da busca por conhecimento. Seria um retorno à essência ancestral da navegação? Talvez – afinal, o mar sempre pede um espírito desbravador e uma boa dose de coragem.
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