Eterno devir, a vida tem dessas coisas. Justamente no momento em que decidiu encerrar uma bem-sucedida carreira de empresária e adotar um ritmo mais lento nos arredores de Trancoso, com suas paisagens exuberantes e atmosfera low profile, a protagonista desta história colocou em prática competências lapidadas ao longo de décadas de atuação profissional. Foram elas que impulsionaram a construção de seu endereço à beira-mar no sul da Bahia.
Habilidades e repertório adquiridos em anos de trabalho dedicado revelaram-se decisivos na (re)eleição do escritório de arquitetura responsável por conceber o refúgio sonhado, bem como no criterioso garimpo de materiais, acabamentos, móveis e objetos – muitos deles carregados de valor histórico ou afetivo – escolhidos um a um para a obra. Também se mostraram fundamentais no acompanhamento de um processo longo e minucioso. “Ela é uma cliente antiga. Eu já havia projetado dois escritórios e a residência da família quando fui chamada para essa nova empreitada”, resume Gabriela Gontijo, sócia de Mariana Hummel e, mais recentemente, de Jade Ávila, no Studio Gontijo, sediado em Brasília.
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Vista aberta da ala social da casa – na área externa, a passarela de dormentes separa o espelho d’água e a piscina
André Klotz
Engana-se, no entanto, quem imagina uma casa litorânea de feição minimalista ou linhas modernistas – traços frequentes tanto no universo corporativo da moradora quanto na arquitetura brasiliense. Muito pelo contrário. “Eu não queria repetir o ‘estilo’ que vem redesenhando Trancoso nos últimos tempos. Pensava em um galpão de vidro, uma grande varanda, algo totalmente integrado ao entorno”, afirma a proprietária, referindo-se a convicções amadurecidas ao longo de dez anos e longas temporadas no vilarejo.
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Na sala de jantar, a mesa do Casarão Pedro Baiano se destaca sob pendentes escolhidos nas ruas de Trancoso, e diante de painel de tábuas
André Klotz
Peças de artistas locais e até de um ferro-velho habitam a residência
O terreno, situado no alto de uma falésia na Praia de Itapororoca, com vista frontal para o mar e mata preservada nos fundos, acomodava com precisão os planos da família – três filhos e a mãe, artífice incansável da empreitada. As diretrizes foram traduzidas com acerto já no primeiro esboço do escritório: uma residência térrea, rústica e horizontal, de desenho retilíneo, com beirais generosos e amplos vãos abertos à paisagem verde e azul. A construção se organiza em blocos interligados por percursos ao ar livre, pontuada por jardins internos e – ousadia central do projeto – quase inteiramente envolta por vidro, com forro de biriba na face inferior da cobertura.
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O banheiro tem grade oriunda de um ferro-velho
André Klotz
Ao todo, são mais de mil m² dessa solução translúcida, improvável e tecnicamente desafiadora do ponto de vista do conforto térmico e da estanquidade. A aposta calculada da arquiteta partiu do conhecimento profundo da personalidade arrojada da empresária brasiliense – e não apenas atendeu à demanda como a superou. “Confio no que a Gabi propõe e ainda vou além, com meu jeito extravagante. Depois, ela lapida minhas ideias e as integra harmonicamente ao projeto”, conta a dona da casa. Para isso, lançou mão de diversas soft skills: flexibilidade, liderança, empatia, comunicação clara e autoconhecimento foram essenciais – do telhado que cria jogos de luz e sombra aos pormenores do décor.
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André Klotz
A cozinha tem vigas e lustres de ferro, bem como janelas que reproduzem modelos tradicionais da arquitetura local
André Klotz
A chuva respinga nos banheiros, nos caminhos, na sala – tudo é sensorial
Iniciada antes da pandemia de covid-19, a obra atravessou interrupções e chegou a contar com duas construtoras diferentes até sua conclusão. “Foi um período de maturação, em que diversos detalhes foram incorporados gradualmente, sem alterar o plano original”, explica Gabriela, referindo-se ao uso de pisos e portas de demolição, grades antigas, lustres de fibra natural e dormentes reaproveitados, que conferem densidade material e narrativa ao projeto.
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Um dos quartos exibe mural feito pela proprietária
André Klotz
No deque, uma lareira externa possibilita que até os dias mais frios sejam aproveitados
André Klotz
“Garimpei peças de artistas e artesãos locais, conheci fornecedores da região e reuni o melhor de tudo isso”, celebra a proprietária, hoje plenamente satisfeita com a morada concebida sob medida para seu novo momento de vida. “A casa sou eu. Ela expressa minha identidade. É prática e, ainda assim, consigo ver a Lua através do telhado. Aqui, desfruto da vida como sempre quis – à baiana”, conclui.
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Habilidades e repertório adquiridos em anos de trabalho dedicado revelaram-se decisivos na (re)eleição do escritório de arquitetura responsável por conceber o refúgio sonhado, bem como no criterioso garimpo de materiais, acabamentos, móveis e objetos – muitos deles carregados de valor histórico ou afetivo – escolhidos um a um para a obra. Também se mostraram fundamentais no acompanhamento de um processo longo e minucioso. “Ela é uma cliente antiga. Eu já havia projetado dois escritórios e a residência da família quando fui chamada para essa nova empreitada”, resume Gabriela Gontijo, sócia de Mariana Hummel e, mais recentemente, de Jade Ávila, no Studio Gontijo, sediado em Brasília.
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