Casa de veraneio concebida por mestre italiano renasce na Riviera Francesa

Claude Monet, Le Corbusier e Coco Chanel são apenas algumas das personalidades que, em suas respectivas épocas, promoveram e protegeram o belo recanto mediterrâneo de Cap Martin. Estamos na região da Riviera Francesa escolhida, ao longo de décadas, como destino de férias por uma elite sofisticada e pouco convencional. É ali que se ergue a Villa Pineda, obra de Luigi Caccia Dominioni (1913-2016). O arquiteto italiano tornou-se amigo de Erminio Giraudi, pai de Riccardo, um dos atuais proprietários, no fim dos anos 1970, durante a construção do edifício Parc Saint Roman, ali perto em Mônaco. Da relação entre eles nasceu a encomenda da elegante residência de 450 m², distribuída entre térreo, pavimento superior e um sótão posteriormente adaptado.
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No living, sofá e poltrona San Siro e poltronas Catilina, tudo design Luigi Caccia Dominioni para a Azucena, mesa de centro de Erwan Boulloud, na Galeria Glustin, mesa lateral Pavot, design Humbert & Poyet para a Pouenat, luminária de piso de Pietro Chiesa, tapete da Nordic Knots e tela Sem Título (1998), de Sol LeWitt
Ludovic Balay/divulgação
“A Villa Pineda é o refúgio querido de meus sogros, de seus filhos e netos. Eu quis dar uma nova vida a esse lugar tão especial e carregado de memórias para mim, mas sobretudo para meu parceiro”, afirma Emil Humbert, marido de Riccardo e fundador do estúdio Humbert & Poyet. “Era também uma forma de homenagear meus sogros e Caccia Dominioni, por quem tenho a mais alta estima. Coleciono há anos os móveis que ele desenhou para a Azucena [empresa fundada pelo arquiteto com Ignazio Gardella e Corrado Corradi Dell’Acqua, em 1947]. Ao mesmo tempo, queríamos contar uma nova história e torná-la nossa.”
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Na sala de jantar, mesa de Humbert & Poyet, cadeiras de Paolo Buffa, castiçais de Anne Dagard, na galeria Appel d’Air, tudo sob luminária dos anos 1950, e, na parede à dir., quadro italiano do séc. 18
Ludovic Balay/divulgação
Autor de clássicos como a cadeira Catilina e a poltrona ABCD, contemporâneo dos irmãos Castiglioni, Caccia Dominioni foi um gênio criativo completo. Mestre do equilíbrio sutil entre tradição e modernidade, acreditava que inovar exigia olhar para o passado, mas sem excesso. Essa harmonia atravessa a Villa Pineda. Hoje, a propriedade foi valorizada com a remoção das grades que bloqueavam a vista das janelas, a integração do jardim à paisagem ao redor e a reprogramação de espaços internos que haviam se tornado obsoletos. Agora, cada ambiente cumpre uma função clara. A casa está viva, dialoga com o presente e assume uma alma plenamente contemporânea, com assinatura de Humbert e de seu sócio, Christophe Poyet.
Tudo o que Caccia Dominioni projetou foi cuidadosamente recuperado e devolvido ao seu lugar de origem
O bar, executado pelo Atelier Tollis, recebeu banquetas francesas, luminária de mesa da Fontana Arte, poltrona de Adrien Audoux e Frida Minet, e figura de bronze da deusa Atena (sobre a mesa, em primeiro plano), tudo coroado pelo lustre vintage
Ludovic Balay/divulgação
O antigo hall de entrada transformou-se em sala de jantar, enquanto a cozinha, antes localizada no segundo pavimento, foi transferida para o térreo. Nesse novo espaço, destaca-se uma releitura do suntuoso piso palladiano criado por Caccia Dominioni para a galeria comercial Strasburgo, no Corso Europa, em Milão, no fim da década de 1950. Os nichos abertos ao longo da grande escadaria abrigam bustos de Jano, o deus de duas faces e símbolo da coesão entre passado e futuro. Originalmente posicionadas no jardim, essas esculturas encontraram nos interiores, sob as abóbadas, marca dos principais cômodos da casa, o cenário ideal para uma nova maneira de ocupar o espaço.
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No hall de entrada, totem Faille, de Bertrand Créac’h, aparador de Gio Ponti, escultura Burro e Hipnotizador com Flor (2000), de Max Blondat, e busto renascentista italiano – um par de arandelas Deer, design Humbert & Poyet para a Pouenat, e a tela Sem Título (1925), de Gian Antonio Porcheddu, apoiam-se na parede
Ludovic Balay/divulgação
“Por isso, decidimos introduzir um toque de classicismo, com detalhes de mobiliário que evocam a Antiguidade, especialmente nos banheiros, e na escolha de elementos decorativos como baixos-relevos, urnas de mármore e colunas caneladas, usadas como apoio para esculturas nos quartos”, explica Christophe. “Muitas das peças originais desenhadas por Caccia para a Azucena foram preservadas e restauradas; outras foram adquiridas ao longo do tempo para complementar o acervo. Tudo o que ele projetou foi cuidadosamente recuperado e devolvido ao seu lugar de origem”, completa.
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No lounge do jardim, sofá e poltronas Californie, de Humbert & Poyet, com tecido da Nobilis, e mesa de Paolo Buffa
Ludovic Balay/divulgação
O bar, que anteriormente funcionava como sala de jantar, é uma homenagem exuberante aos acabamentos laqueados do mestre milanês, aqui aplicados das portas aos painéis de parede. Ao lado, a sala de estar mantém os imponentes tetos abobadados e abriga uma lareira de travertino redesenhada pelo proprietário. “Para mobiliá-la, resgatamos os antigos sofás da família, desenhados pelo próprio Caccia, e incorporamos modelos contemporâneos, de minha autoria”, lembra Emil.
Era uma forma de homenagear meus sogros e Caccia Dominioni. Ao mesmo tempo, queríamos contar uma nova história e torná-la nossa
Um dos quartos exibe coluna de madeira, arandelas Tromba, design Luigi Caccia Dominioni para a Azucena, dois abajures dinamarqueses, cabeceira de Humbert & Poyet revestida de tecido da Nobilis, banquinhos de Osvaldo Borsani, tapete design Giancarlo Valle para a Nordic Knots, biombo de Ivan da Silva-Bruhns, na Harter Galerie, e cômoda de Aldo Tura
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Atualmente, a casa conta com quatro quartos. Três estão localizados no pavimento superior, enquanto o quarto adicional ocupa o novo sótão, até então não utilizado. Os dormitórios principais mesclam, com precisão, o estilo original à linguagem contemporânea do estúdio Humbert & Poyet e, em sua atual configuração, desfrutam de vistas generosas para o jardim.
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Em uma das salas de banho, banheira de Humbert & Poyet, arandelas de Pietro Chiesa e quadro do séc. 19
Ludovic Balay/divulgação
No exterior, as intervenções foram mínimas, com exceção da renovação da piscina, revestida com o mesmo travertino presente em diversos detalhes da fachada. O conjunto é arrematado por móveis de jardim da coleção de Humbert & Poyet, estofados com tecidos da Nobilis.
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No pátio, sofá e poltronas Nonato, design Luigi Caccia Dominioni para a Azucena, e cerâmica de Jean Marais para a Vallauris
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Resultado de uma visão clara e sofisticada, a Villa Pineda reúne ideias que convergem em perfeita sintonia. Um diálogo elegante entre ontem e hoje, sem perder de vista seu propósito essencial, inicial e final, de ser um lugar de convivência, onde a beleza da paisagem é compartilhada com a família e outros afetos.
Tradução: Adriana Mori
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