“A única virtude incontestável de uma casa é o endereço”, dizia Paulo Mendes da Rocha (1928- 2021) a quem quisesse ouvir. Certa vez, entrevistado pela Casa Vogue, explicou melhor: “Quando está próxima de tudo, eis aí uma residência invejável. Se eu te disser o que tem na minha casa, isso não a torna invejável. Se eu digo que está no bairro de Ipanema, você vai dizer: ‘Que desgraçado!’”. Uma larga gargalhada seguiu-se, é claro.
O maior arquiteto da história do Brasil na minha opinião (Niemeyer não conta, era um artista!) sempre defendeu a cidade como a grande invenção humana de todos os tempos. O lugar do encontro, da conversa, onde a civilização se cria e se entende como tal. O local onde a maior parte de nós habita, e ao qual consagramos uma série de edições da Casa Vogue, como esta de março que você tem em mãos.
Em nenhuma outra reportagem deste número a ideia de que a urbe é o lugar da comunhão fica tão nítida quanto no relato que Joana L. Baracuhy faz de sua visita ao Estudio Tupi, em São Paulo. Pense em um casal de arquitetos cujo desejo supremo é, as condições permitindo, largar a atividade projetual para se dedicar somente à difusão do conhecimento por meio dos livros. Assim são Aldo Urbinati e Andrea Vosgueritchian, cuja sede do próprio estúdio manifesta a aspiração: há mesas de trabalho e salas de reunião e maquete, e ainda uma biblioteca recheada com 10 mil títulos de diversos campos, como arquitetura, arte, literatura e outros, que em breve deve abrir, aos poucos, ao público. Tudo organizado em um espaço que faz lembrar uma rua interna, tal qual o Teatro Oficina, de Lina Bo Bardi.
Metrópoles que se prezam conservam, entre seus encantos, bons pontos para ouvir música e beber algo. Pouquíssimas, porém, devem ter um estabelecimento desse tipo tão fotogênico quanto o Formosa Hi-Fi, bar de audição no centro histórico de São Paulo (quer endereço mais simbólico do que o Viaduto do Chá?!) onde Adriana Frattini e Bruna Scapim ambientaram um editorial inspirado no centenário do designer dinamarquês Verner Panton. As cenas resultantes eram irresistíveis demais para não irem parar na nossa capa.
Ousando discordar do mestre, aqui na redação nós acreditamos que aquilo que uma pessoa tem na sua casa pode, sim, torná-la invejável (um pouco que seja!). Por isso este mês entramos nas admiráveis moradas de Paulo Azevedo e Fred Peclat, em São Paulo, e nos projetos de Kazuyo Sejima em Kyoto, Dimorestudio em Londres e Pascali Semerdjian no Rio de Janeiro, vizinho a Ipanema, veja você!
Naquela mesma entrevista, afinal, o próprio Paulo Mendes da Rocha reforçou nossa vocação. Não sem, na sequência, nos lembrar da soberania do espaço urbano: “Dentro da casa, é só folhear a Casa Vogue, e você vai ver estilos diferentes. O que faz a casa são os hábitos do morador. O arquiteto só pode construir a cidade”. Boa leitura!
O maior arquiteto da história do Brasil na minha opinião (Niemeyer não conta, era um artista!) sempre defendeu a cidade como a grande invenção humana de todos os tempos. O lugar do encontro, da conversa, onde a civilização se cria e se entende como tal. O local onde a maior parte de nós habita, e ao qual consagramos uma série de edições da Casa Vogue, como esta de março que você tem em mãos.
Em nenhuma outra reportagem deste número a ideia de que a urbe é o lugar da comunhão fica tão nítida quanto no relato que Joana L. Baracuhy faz de sua visita ao Estudio Tupi, em São Paulo. Pense em um casal de arquitetos cujo desejo supremo é, as condições permitindo, largar a atividade projetual para se dedicar somente à difusão do conhecimento por meio dos livros. Assim são Aldo Urbinati e Andrea Vosgueritchian, cuja sede do próprio estúdio manifesta a aspiração: há mesas de trabalho e salas de reunião e maquete, e ainda uma biblioteca recheada com 10 mil títulos de diversos campos, como arquitetura, arte, literatura e outros, que em breve deve abrir, aos poucos, ao público. Tudo organizado em um espaço que faz lembrar uma rua interna, tal qual o Teatro Oficina, de Lina Bo Bardi.
Metrópoles que se prezam conservam, entre seus encantos, bons pontos para ouvir música e beber algo. Pouquíssimas, porém, devem ter um estabelecimento desse tipo tão fotogênico quanto o Formosa Hi-Fi, bar de audição no centro histórico de São Paulo (quer endereço mais simbólico do que o Viaduto do Chá?!) onde Adriana Frattini e Bruna Scapim ambientaram um editorial inspirado no centenário do designer dinamarquês Verner Panton. As cenas resultantes eram irresistíveis demais para não irem parar na nossa capa.
Ousando discordar do mestre, aqui na redação nós acreditamos que aquilo que uma pessoa tem na sua casa pode, sim, torná-la invejável (um pouco que seja!). Por isso este mês entramos nas admiráveis moradas de Paulo Azevedo e Fred Peclat, em São Paulo, e nos projetos de Kazuyo Sejima em Kyoto, Dimorestudio em Londres e Pascali Semerdjian no Rio de Janeiro, vizinho a Ipanema, veja você!
Naquela mesma entrevista, afinal, o próprio Paulo Mendes da Rocha reforçou nossa vocação. Não sem, na sequência, nos lembrar da soberania do espaço urbano: “Dentro da casa, é só folhear a Casa Vogue, e você vai ver estilos diferentes. O que faz a casa são os hábitos do morador. O arquiteto só pode construir a cidade”. Boa leitura!



