O arquiteto chileno Smiljan Radić Clarke acaba de ser anunciado como o vencedor do Pritzker Architecture Prize 2026, uma das principais homenagens globais da arquitetura. Seus projetos são conhecidos por uma abordagem discreta e silenciosa, explorando materiais, percepção espacial e a interação com a paisagem.
“Por meio de um conjunto de obras situado no cruzamento entre incerteza, experimentação material e memória cultural, Smiljan privilegia a fragilidade em vez de qualquer reivindicação injustificada de certeza”, afirmou Alejandro Aravena, presidente do júri do Prtizker.
“Seus edifícios parecem temporários, instáveis ou deliberadamente inacabados — quase à beira de desaparecer — e ainda assim oferecem um abrigo estruturado, otimista e discretamente alegre, abraçando a vulnerabilidade como condição intrínseca da experiência humana”, ele adicionou.
O Pavilhão da Serpentine Gallery, em Londres, de 2014, projetado pelo arquiteto chileno Smiljan Radić Clarke tem uma estrutura de plástico reforçado com fibra de vidro apoiada em grandes pedras de pedreira, inspirado em um modelo de papel machê que ele criou quatro anos antes
Iwan Baan/Divulgação
Entre os projetos mais emblemáticos de Smiljan está o Serpentine Pavilion, instalado em 2014 nos jardins da Serpentine Gallery, em Londres, na Inglaterra.
A estrutura temporária combinava uma grande concha de fibra de vidro semitranslúcida, capaz de filtrar a luz natural, apoiada sobre enormes pedras brutas. O contraste entre a leveza da cobertura e a solidez das rochas criava um refúgio silencioso no parque e um convite à contemplação da paisagem.
O Teatro Regional del Biobío, projeto de 2028, fica localizado em frente ao Río Biobío no Chile
Cristobal Palma/Divulgação
Outro projeto marcante é o Teatro Regional del Biobío, inaugurado em 2018 na cidade de Concepción, no Chile. O edifício se destaca por envolver sua estrutura de concreto em uma pele semitranslúcida que, à noite, transforma o volume em uma espécie de lanterna luminosa às margens do rio Biobío.
A solução expressa uma das marcas do arquiteto: criar edifícios de presença delicada capazes de dialogar com o entorno natural.
Chamada de “Casa para o Poema do Ângulo Reto”, o projeto evoca o extraterrestre, com objetos exóticos que parecem ter caído do espaço sideral. O estilo também foi adotado em outros projetos de Smiljan Radić Clarke
Cristobal Palma/Divulgação
Enquanto isso, a House for the Poem of the Right Angle, construída em 2013 em meio aos bosques de Vilches, no Chile, tem um caráter mais experimental. A casa apresenta uma composição irregular de claraboias projetadas, curvas orgânicas e ângulos retos.
O resultado é uma arquitetura que parece pousar na paisagem como um objeto incomum, ao mesmo tempo integrado ao ambiente natural.
A Pite House, assinada por Smiljan Radić Clarke, fica localizada em Papudo, no Chile
Cristobal Palma/Divulgação
Na Casa Pite, localizada no litoral chileno, a construção se integra ao terreno rochoso por meio de uma sequência de terraços e muros de contenção, que estruturam os espaços e enquadram a ampla vista para o Oceano Pacífico.
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Nessas obras, Smiljan explora o movimento, a introspecção provocada pela arquitetura e os limites entre construção e paisagem.
Interior da “Casa para o Poema do Ângulo Reto”, em Vilches, no Chile
Ginzalo Puga/Divulgação
“Traduzir em palavras as qualidades de sua obra arquitetônica é intrinsecamente difícil, pois em seus projetos ele trabalha com dimensões da experiência que são imediatamente palpáveis, mas escapam à verbalização — como a própria percepção do tempo: imediatamente reconhecível, mas conceitualmente evasiva. Seus edifícios não são concebidos apenas como artefatos visuais; ao contrário, exigem presença corporal”, declarou o júri do prêmio.
Projeto de vinícola assinado por Smiljan Radić Clarke, no Chile, gerou uma única cobertura com estruturas tencionadas que permite a entrada de luz natural eliminando a necessidade de iluminação artificial
Cristobal Palma/Divulgação
Segundo o júri, o chileno rejeita uma linguagem arquitetônica repetível e trata cada projeto como uma investigação única. Ele considera contexto, uso e dimensões antropológicas. Mais do que uma construção, a arquitetura simboliza o encontro entre história, práticas sociais e circunstâncias políticas.
“Desenvolvido em um contexto de circunstâncias severas, desde a borda do mundo, com um escritório de poucos colaboradores, ele é capaz de nos levar ao núcleo mais íntimo do ambiente construído e da condição humana”, completou o júri.
“Por meio de um conjunto de obras situado no cruzamento entre incerteza, experimentação material e memória cultural, Smiljan privilegia a fragilidade em vez de qualquer reivindicação injustificada de certeza”, afirmou Alejandro Aravena, presidente do júri do Prtizker.
“Seus edifícios parecem temporários, instáveis ou deliberadamente inacabados — quase à beira de desaparecer — e ainda assim oferecem um abrigo estruturado, otimista e discretamente alegre, abraçando a vulnerabilidade como condição intrínseca da experiência humana”, ele adicionou.
O Pavilhão da Serpentine Gallery, em Londres, de 2014, projetado pelo arquiteto chileno Smiljan Radić Clarke tem uma estrutura de plástico reforçado com fibra de vidro apoiada em grandes pedras de pedreira, inspirado em um modelo de papel machê que ele criou quatro anos antes
Iwan Baan/Divulgação
Entre os projetos mais emblemáticos de Smiljan está o Serpentine Pavilion, instalado em 2014 nos jardins da Serpentine Gallery, em Londres, na Inglaterra.
A estrutura temporária combinava uma grande concha de fibra de vidro semitranslúcida, capaz de filtrar a luz natural, apoiada sobre enormes pedras brutas. O contraste entre a leveza da cobertura e a solidez das rochas criava um refúgio silencioso no parque e um convite à contemplação da paisagem.
O Teatro Regional del Biobío, projeto de 2028, fica localizado em frente ao Río Biobío no Chile
Cristobal Palma/Divulgação
Outro projeto marcante é o Teatro Regional del Biobío, inaugurado em 2018 na cidade de Concepción, no Chile. O edifício se destaca por envolver sua estrutura de concreto em uma pele semitranslúcida que, à noite, transforma o volume em uma espécie de lanterna luminosa às margens do rio Biobío.
A solução expressa uma das marcas do arquiteto: criar edifícios de presença delicada capazes de dialogar com o entorno natural.
Chamada de “Casa para o Poema do Ângulo Reto”, o projeto evoca o extraterrestre, com objetos exóticos que parecem ter caído do espaço sideral. O estilo também foi adotado em outros projetos de Smiljan Radić Clarke
Cristobal Palma/Divulgação
Enquanto isso, a House for the Poem of the Right Angle, construída em 2013 em meio aos bosques de Vilches, no Chile, tem um caráter mais experimental. A casa apresenta uma composição irregular de claraboias projetadas, curvas orgânicas e ângulos retos.
O resultado é uma arquitetura que parece pousar na paisagem como um objeto incomum, ao mesmo tempo integrado ao ambiente natural.
A Pite House, assinada por Smiljan Radić Clarke, fica localizada em Papudo, no Chile
Cristobal Palma/Divulgação
Na Casa Pite, localizada no litoral chileno, a construção se integra ao terreno rochoso por meio de uma sequência de terraços e muros de contenção, que estruturam os espaços e enquadram a ampla vista para o Oceano Pacífico.
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Nessas obras, Smiljan explora o movimento, a introspecção provocada pela arquitetura e os limites entre construção e paisagem.
Interior da “Casa para o Poema do Ângulo Reto”, em Vilches, no Chile
Ginzalo Puga/Divulgação
“Traduzir em palavras as qualidades de sua obra arquitetônica é intrinsecamente difícil, pois em seus projetos ele trabalha com dimensões da experiência que são imediatamente palpáveis, mas escapam à verbalização — como a própria percepção do tempo: imediatamente reconhecível, mas conceitualmente evasiva. Seus edifícios não são concebidos apenas como artefatos visuais; ao contrário, exigem presença corporal”, declarou o júri do prêmio.
Projeto de vinícola assinado por Smiljan Radić Clarke, no Chile, gerou uma única cobertura com estruturas tencionadas que permite a entrada de luz natural eliminando a necessidade de iluminação artificial
Cristobal Palma/Divulgação
Segundo o júri, o chileno rejeita uma linguagem arquitetônica repetível e trata cada projeto como uma investigação única. Ele considera contexto, uso e dimensões antropológicas. Mais do que uma construção, a arquitetura simboliza o encontro entre história, práticas sociais e circunstâncias políticas.
“Desenvolvido em um contexto de circunstâncias severas, desde a borda do mundo, com um escritório de poucos colaboradores, ele é capaz de nos levar ao núcleo mais íntimo do ambiente construído e da condição humana”, completou o júri.



