Da articulação entre a narrativa pessoal de Denise Zmekhol — cineasta, jornalista e filha do arquiteto modernista Roger Zmekhol (1928–1976) — e a história do edifício Wilton Paes de Almeida, marcada por sua ocupação ao longo do tempo, nasce o documentário Pele de Vidro.
Gravada entre 2017 e 2019, a produção teve estreia internacional em 2023. Três anos depois, chega oficialmente aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 19 de março de 2026.
Produzido e dirigido por Denise, o documentário nasce da iniciativa da cineasta em buscar simbolicamente a figura de seu pai, já falecido, por meio da lente da câmera ao retornar para São Paulo após anos vivendo no exterior. “Quando descobri que o prédio estava ocupado, fiquei em choque e curiosa para entender o que estava acontecendo. Foi nesse momento que decidi voltar ao Brasil”, ela conta.
Denise intercala memórias afetivas e pessoais com a trajetória de seu pai como arquiteto e com a história do edifício conhecido como Pele de Vidro
Acervo de família cedido por Denise Zmekhol
Ao longo de 90 minutos, o filme entrelaça depoimentos de arquitetos, colegas, familiares de Roger e falas da própria diretora, além de entrevista com as pessoas que haviam ocupado o edifício e membros de outras ocupações de moradia na capital paulista.
Leia mais
O ponto de partida para o longa-metragem foi o prédio localizado no Largo Paissandú, construído por Roger na década de 1960. A proposta inicial previa a publicação de um livro e, paralelamente, de um documentário sobre o legado deixado por pelo arquiteto, destacando seus principais projetos, entre eles o Wilton Paes de Almeida.
O edifício Wilton Paes de Almeida
O projeto teve início em 1961 e foi concluído em 1968, ano de sua inauguração. A construção foi concebida para abrigar a sede da Cia. Comercial Vidros do Brasil (CVB), de Sebastião Paes de Almeida, membro de uma família de destaque naquele período. O nome do edifício homenageia seu irmão, Wilton.
O projeto do edifício Wilton Paes de Almeida foi inovador ao adotar uma fachada inteiramente de vidro, alinhando-se aos princípios do modernismo tanto na arquitetura quanto na visão de mundo que a inspirava
João Xavier/Divulgação
“Meu pai teve uma oportunidade incrível, porque Sebastião era um dos homens mais ricos do Brasil naquela época e, enquanto arquiteto, ele teve grande liberdade de custo para desenvolver a construção como imaginava”, destaca Denise.
A grandiosidade do projeto ganha ainda mais relevância ao lembrar que o arquiteto tinha apenas 32 anos e estava no início de sua carreira quando o realizou. O edifício, com 24 pavimentos e planta livre, foi construído em concreto armado e privilegiou o uso do aço — uma estrutura metálica que reduzia o tempo de execução e aumentava a eficiência da obra. Erguido em um terreno de 650 m², alcançou uma área construída de 12 mil m².
O arquiteto Roger Zmekhol desenvolveu projetos de diferentes naturezas, que vão desde espaços residenciais até hospitais
Acervo de família cedido por Denise Zmekhol
A construção foi pioneira ao apresentar uma fachada inteiramente composta por esquadrias metálicas preenchidas com vidro, alinhada ao movimento modernista da época. A proposta de uma superfície contínua e espelhada, sem metais visíveis, rendeu ao edifício o apelido “pele de vidro” — título escolhido para o documentário.
Apesar de a empresa sediada trabalhar com vidros, o material utilizado no projeto foi importado: “Os vidros vieram da Bélgica, pois sua tecnologia garantia transparência e conforto mesmo com a incidência da luz solar. Já o mármore do interior foi trazido da Grécia”, explica a diretora.
Imagens registradas em 2015 e 2016 revelam a degradação e o abandono do edifício Wilton Paes de Almeida, localizado no centro de São Paulo. A falta de manutenção agravou sua estrutura e, em 2018, o prédio foi consumido por um incêndio que resultou em seu desabamento
Kell Kell/Wikimedia Commons; Matheus Meirelles Morais/Wikimedia Commons | Montagem: Casa e Jardim
A tecnologia também se destacava na iluminação, que era integrada ao teto, e nos elevadores e maquinários, que eram modelos atualizados e extremamente modernos para o período. Como observam os arquitetos Regina Meyer e Guilherme Wisnik em entrevistas ao longo do filme, tratava-se de um edifício inovador, em sintonia com um momento de otimismo e esperança no país.
O vidro, além de funcional, carregava forte simbolismo: “O material traz essa ideia de transparência não apenas física, mas moral, translúcida. Era possível ver tudo o que acontecia dentro do prédio e quem o utilizava”, comenta Denise.
Essa expectativa de futuro, porém, foi interrompida pelo golpe civil-militar e pelo início da ditadura no Brasil. O cenário repressivo marcou um novo capítulo: a empresa de vidros da família Paes enfrentou dificuldades financeiras e, em 1977, o prédio virou posse da Caixa Econômica Federal.
O prédio sofreu intensa degradação a partir da década de 2000, apesar de ter sido reconhecido como patrimônio tombado
Pexels/Kaique Rocha/Creative Commons
Após a incorporação pela Caixa, o prédio teve seu uso alterado, tornando-se sede da Polícia Federal. “O local, que simbolizava a modernidade, passou a abrigar escritórios da repressão e, inclusive, presos políticos durante a ditadura-civil militar”, pontua Denise.
Com a saída da Polícia Federal em 2003, o Pele de Vidro passou a sediar o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 2009. Mesmo tendo sido tombado como patrimônio pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (CONPRESP) em 1992, enfrentou um longo processo de abandono.
O documentário Pele de Vidro intercala a história pessoal de Denise Zmekhol com a trajetória do edifício Wilton Paes de Almeida construído pelo seu pai, o arquiteto Roger Zmekhol
Plinio Hokama Angeli/Divulgação
A ocupação do edifício e o impedimento do acesso para o documentário
O abandono da estrutura e o agravamento da crise habitacional em São Paulo compõem o roteiro que o documentário apresenta. Entre a indefinição sobre a responsabilidade de sua posse — dividida entre prefeitura e União — o prédio acabou sendo ocupado por cerca de 140 a 300 famílias em situação de vulnerabilidade, organizadas pelo Movimento Social de Luta por Moradia (MSLM).
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Foi esse cenário que Denise se deparou ao retornar ao Brasil. No final de 2017, ela iniciou as gravações e passou três meses tentando estabelecer contato com os moradores da ocupação, sem sucesso. Acompanhada por uma das diretoras de fotografia, voltou-se então a registrar os arredores do edifício e tudo o que podia ser observado através de sua transparência, além de se aproximar de outras ocupações existentes na região.
Denise visitou o edifício Wilton Paes de Almeida pela primeira vez quando ele já se encontrava ocupado
ZDFILMS/Divulgação
“Subimos em diferentes prédios em torno do Pele de Vidro para tentar gravar, já que não conseguíamos acessar o seu interior. Começamos a ver a vida acontecendo e o dia a dia dos moradores da ocupação pelas janelas”, relembra Denise.
Enquanto não conseguia acessar o prédio, ela realizou entrevistas nos Estados Unidos e na França. Em fevereiro de 2018, um colega registrou imagens aéreas do edifício — foi a última vez que a diretora viu o Pele de Vidro de pé.
O incêndio e o contato com os últimos inquilinos
O incêndio destruiu completamente o edifício em maio de 2018 e deixou os moradores da ocupação desabrigados
Webysther/Wikimedia Commons
Em 1º de maio de 2018, o edifício Wilton Paes de Almeida foi consumido por um incêndio que durou cerca de 90 minutos, restando apenas escombros. A principal hipótese para o colapso aponta para um curto-circuito. A tragédia deixou sete mortos e dois desaparecidos.
A produção do documentário, que estava parcialmente pausada, foi retomada quando Denise pegou o primeiro voo para o Brasil após receber a notícia. “Foi muito difícil, mais uma vez perdi a chance de me reconectar com meu pai. Foi como se ele morresse outra vez para mim”, ela relata.
Denise também acompanhou e registrou de perto o processo de mobilização dos moradores após o incêndio que destruiu o edifício
Denise Zmekhol/Divulgação
Foi apenas nesse momento que ela conseguiu estabelecer o primeiro contato com os moradores. O espectador, junto com a diretora, descobre que os residentes nunca haviam sido informados sobre a intenção do longa-metragem, e que os chamados “coordenadores” da ocupação não administravam corretamente o espaço, tampouco garantiam condições seguras para quem vivia no Pele de Vidro.
Aos poucos, aqueles que antes Denise só observava pelas janelas se aproximam dela, e a cineasta passa a acompanhá-los por cerca de um mês. No início de 2019, as gravações chegam ao fim.
Reflexões do Pele de Vidro permanecem
Após o incêndio, surgiram tentativas de criminalizar as ocupações de moradia — inclusive aquelas que não tinham qualquer relação com o Wilton Paes de Almeida. Diante disso, Denise vê o seu documentário como uma forma de sensibilizar diferentes públicos para a temática da moradia, da cidade e da memória.
“Acredito que abre espaço para que as pessoas escutem a história dos sem-teto, inclusive aquelas que, a princípio, não se interessariam por esse tema, especialmente em um mundo tão polarizado”, ela comenta.
Apesar de a estreia internacional já ter acontecido, para Denise, a exibição no Brasil possui um significado especial, pois dialoga diretamente com a própria história do país. “Temos uma geração de cineastas que está produzindo filmes sobre a ditadura e sobre a memória nacional”, afirma. “É preciso pensar nas cidades do futuro e em como podemos construir espaços mais inclusivos e igualitários.”
Gravada entre 2017 e 2019, a produção teve estreia internacional em 2023. Três anos depois, chega oficialmente aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 19 de março de 2026.
Produzido e dirigido por Denise, o documentário nasce da iniciativa da cineasta em buscar simbolicamente a figura de seu pai, já falecido, por meio da lente da câmera ao retornar para São Paulo após anos vivendo no exterior. “Quando descobri que o prédio estava ocupado, fiquei em choque e curiosa para entender o que estava acontecendo. Foi nesse momento que decidi voltar ao Brasil”, ela conta.
Denise intercala memórias afetivas e pessoais com a trajetória de seu pai como arquiteto e com a história do edifício conhecido como Pele de Vidro
Acervo de família cedido por Denise Zmekhol
Ao longo de 90 minutos, o filme entrelaça depoimentos de arquitetos, colegas, familiares de Roger e falas da própria diretora, além de entrevista com as pessoas que haviam ocupado o edifício e membros de outras ocupações de moradia na capital paulista.
Leia mais
O ponto de partida para o longa-metragem foi o prédio localizado no Largo Paissandú, construído por Roger na década de 1960. A proposta inicial previa a publicação de um livro e, paralelamente, de um documentário sobre o legado deixado por pelo arquiteto, destacando seus principais projetos, entre eles o Wilton Paes de Almeida.
O edifício Wilton Paes de Almeida
O projeto teve início em 1961 e foi concluído em 1968, ano de sua inauguração. A construção foi concebida para abrigar a sede da Cia. Comercial Vidros do Brasil (CVB), de Sebastião Paes de Almeida, membro de uma família de destaque naquele período. O nome do edifício homenageia seu irmão, Wilton.
O projeto do edifício Wilton Paes de Almeida foi inovador ao adotar uma fachada inteiramente de vidro, alinhando-se aos princípios do modernismo tanto na arquitetura quanto na visão de mundo que a inspirava
João Xavier/Divulgação
“Meu pai teve uma oportunidade incrível, porque Sebastião era um dos homens mais ricos do Brasil naquela época e, enquanto arquiteto, ele teve grande liberdade de custo para desenvolver a construção como imaginava”, destaca Denise.
A grandiosidade do projeto ganha ainda mais relevância ao lembrar que o arquiteto tinha apenas 32 anos e estava no início de sua carreira quando o realizou. O edifício, com 24 pavimentos e planta livre, foi construído em concreto armado e privilegiou o uso do aço — uma estrutura metálica que reduzia o tempo de execução e aumentava a eficiência da obra. Erguido em um terreno de 650 m², alcançou uma área construída de 12 mil m².
O arquiteto Roger Zmekhol desenvolveu projetos de diferentes naturezas, que vão desde espaços residenciais até hospitais
Acervo de família cedido por Denise Zmekhol
A construção foi pioneira ao apresentar uma fachada inteiramente composta por esquadrias metálicas preenchidas com vidro, alinhada ao movimento modernista da época. A proposta de uma superfície contínua e espelhada, sem metais visíveis, rendeu ao edifício o apelido “pele de vidro” — título escolhido para o documentário.
Apesar de a empresa sediada trabalhar com vidros, o material utilizado no projeto foi importado: “Os vidros vieram da Bélgica, pois sua tecnologia garantia transparência e conforto mesmo com a incidência da luz solar. Já o mármore do interior foi trazido da Grécia”, explica a diretora.
Imagens registradas em 2015 e 2016 revelam a degradação e o abandono do edifício Wilton Paes de Almeida, localizado no centro de São Paulo. A falta de manutenção agravou sua estrutura e, em 2018, o prédio foi consumido por um incêndio que resultou em seu desabamento
Kell Kell/Wikimedia Commons; Matheus Meirelles Morais/Wikimedia Commons | Montagem: Casa e Jardim
A tecnologia também se destacava na iluminação, que era integrada ao teto, e nos elevadores e maquinários, que eram modelos atualizados e extremamente modernos para o período. Como observam os arquitetos Regina Meyer e Guilherme Wisnik em entrevistas ao longo do filme, tratava-se de um edifício inovador, em sintonia com um momento de otimismo e esperança no país.
O vidro, além de funcional, carregava forte simbolismo: “O material traz essa ideia de transparência não apenas física, mas moral, translúcida. Era possível ver tudo o que acontecia dentro do prédio e quem o utilizava”, comenta Denise.
Essa expectativa de futuro, porém, foi interrompida pelo golpe civil-militar e pelo início da ditadura no Brasil. O cenário repressivo marcou um novo capítulo: a empresa de vidros da família Paes enfrentou dificuldades financeiras e, em 1977, o prédio virou posse da Caixa Econômica Federal.
O prédio sofreu intensa degradação a partir da década de 2000, apesar de ter sido reconhecido como patrimônio tombado
Pexels/Kaique Rocha/Creative Commons
Após a incorporação pela Caixa, o prédio teve seu uso alterado, tornando-se sede da Polícia Federal. “O local, que simbolizava a modernidade, passou a abrigar escritórios da repressão e, inclusive, presos políticos durante a ditadura-civil militar”, pontua Denise.
Com a saída da Polícia Federal em 2003, o Pele de Vidro passou a sediar o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 2009. Mesmo tendo sido tombado como patrimônio pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (CONPRESP) em 1992, enfrentou um longo processo de abandono.
O documentário Pele de Vidro intercala a história pessoal de Denise Zmekhol com a trajetória do edifício Wilton Paes de Almeida construído pelo seu pai, o arquiteto Roger Zmekhol
Plinio Hokama Angeli/Divulgação
A ocupação do edifício e o impedimento do acesso para o documentário
O abandono da estrutura e o agravamento da crise habitacional em São Paulo compõem o roteiro que o documentário apresenta. Entre a indefinição sobre a responsabilidade de sua posse — dividida entre prefeitura e União — o prédio acabou sendo ocupado por cerca de 140 a 300 famílias em situação de vulnerabilidade, organizadas pelo Movimento Social de Luta por Moradia (MSLM).
Leia mais
Foi esse cenário que Denise se deparou ao retornar ao Brasil. No final de 2017, ela iniciou as gravações e passou três meses tentando estabelecer contato com os moradores da ocupação, sem sucesso. Acompanhada por uma das diretoras de fotografia, voltou-se então a registrar os arredores do edifício e tudo o que podia ser observado através de sua transparência, além de se aproximar de outras ocupações existentes na região.
Denise visitou o edifício Wilton Paes de Almeida pela primeira vez quando ele já se encontrava ocupado
ZDFILMS/Divulgação
“Subimos em diferentes prédios em torno do Pele de Vidro para tentar gravar, já que não conseguíamos acessar o seu interior. Começamos a ver a vida acontecendo e o dia a dia dos moradores da ocupação pelas janelas”, relembra Denise.
Enquanto não conseguia acessar o prédio, ela realizou entrevistas nos Estados Unidos e na França. Em fevereiro de 2018, um colega registrou imagens aéreas do edifício — foi a última vez que a diretora viu o Pele de Vidro de pé.
O incêndio e o contato com os últimos inquilinos
O incêndio destruiu completamente o edifício em maio de 2018 e deixou os moradores da ocupação desabrigados
Webysther/Wikimedia Commons
Em 1º de maio de 2018, o edifício Wilton Paes de Almeida foi consumido por um incêndio que durou cerca de 90 minutos, restando apenas escombros. A principal hipótese para o colapso aponta para um curto-circuito. A tragédia deixou sete mortos e dois desaparecidos.
A produção do documentário, que estava parcialmente pausada, foi retomada quando Denise pegou o primeiro voo para o Brasil após receber a notícia. “Foi muito difícil, mais uma vez perdi a chance de me reconectar com meu pai. Foi como se ele morresse outra vez para mim”, ela relata.
Denise também acompanhou e registrou de perto o processo de mobilização dos moradores após o incêndio que destruiu o edifício
Denise Zmekhol/Divulgação
Foi apenas nesse momento que ela conseguiu estabelecer o primeiro contato com os moradores. O espectador, junto com a diretora, descobre que os residentes nunca haviam sido informados sobre a intenção do longa-metragem, e que os chamados “coordenadores” da ocupação não administravam corretamente o espaço, tampouco garantiam condições seguras para quem vivia no Pele de Vidro.
Aos poucos, aqueles que antes Denise só observava pelas janelas se aproximam dela, e a cineasta passa a acompanhá-los por cerca de um mês. No início de 2019, as gravações chegam ao fim.
Reflexões do Pele de Vidro permanecem
Após o incêndio, surgiram tentativas de criminalizar as ocupações de moradia — inclusive aquelas que não tinham qualquer relação com o Wilton Paes de Almeida. Diante disso, Denise vê o seu documentário como uma forma de sensibilizar diferentes públicos para a temática da moradia, da cidade e da memória.
“Acredito que abre espaço para que as pessoas escutem a história dos sem-teto, inclusive aquelas que, a princípio, não se interessariam por esse tema, especialmente em um mundo tão polarizado”, ela comenta.
Apesar de a estreia internacional já ter acontecido, para Denise, a exibição no Brasil possui um significado especial, pois dialoga diretamente com a própria história do país. “Temos uma geração de cineastas que está produzindo filmes sobre a ditadura e sobre a memória nacional”, afirma. “É preciso pensar nas cidades do futuro e em como podemos construir espaços mais inclusivos e igualitários.”



