Reforma transforma apartamento de 100 m² com integração e peças afetivas

Neste apartamento de 100 m² no bairro do Guará, em Brasília, DF, uma reforma transformou completamente a forma como uma família vive o lar. Antes compartimentado e pouco iluminado, o imóvel ganhou novos ares após a integração da cozinha com a sala de estar, criando um living mais aberto, luminoso e convidativo para o cotidiano do casal e do filho pequeno.
A intervenção foi conduzida pelos arquitetos Gabriel Solórzano e Rodrigo da Cruz, do Estúdio Empena (@estudio.empena), que buscaram soluções simples e eficientes para responder ao desejo dos moradores — a arquiteta Beatriz Gomes e o professor Antônio Araújo, com o filho Tomás.
O maior desafio, segundo os profissionais, foi o orçamento, visto que era necessária uma grande intervenção no apê. Por isso, eles optaram por soluções simples, materiais e acabamentos que não tivessem custo elevado e evitaram ao máximo propor móveis planejados. A maioria do mobiliário pertencia aos moradores e as intervenções nas áreas molhadas foram as menores possíveis.
LIVING INTEGRADO | Salas de estar e de jantar em conexão formam o coração da casa, onde a vida em família acontece. Na parede da TV, o rack em marcenaria planejada foi executado de MDF com textura de jacarandá. Ao redor do aparelho, obras em tecelagem de Julio de Paiva. Ao lado, pintura de Renato Rios, serigrafia de Rubem Valentim, rotogravura de Clóvis Graciano e escultura de teiú (um tipo de lagarto) de madeira feita pelo artista Vavan, da Ilha do Ferro, AL. Na área do jantar, cristaleira presenteada por um parente dos moradores. Na parede, acima da mesa de jantar comprada na loja Meu Móvel de Madeira, está o quadro de autoria da avó da moradora, com baianas rezando
Júlia Tótoli/Divulgação
Embora extensa, a repaginação não envolveu alterações estruturais. O principal gesto foi eliminar a separação rígida entre cozinha e sala, que antes se conectavam apenas por uma porta convencional. Com a abertura, os ambientes passaram a funcionar como um único espaço social.
Leia mais
“O apartamento tinha uma boa área, mas era muito compartimentado e acabava ficando escuro, principalmente no corredor que leva aos quartos. Ao integrar a cozinha, conseguimos levar mais luz para dentro”, diz Gabriel.
COZINHA | Agora aberta, a cozinha ganhou mais espaço e passou a “conversar” com a sala. O revestimento em cerâmica Atlas Camélia, com formato quadrado de 20 x 20 cm, no tom amarelado, cria uma atmosfera acolhedora banhada pela luz natural, que entra através dos cobogós existentes. Marcenaria planejada em MDF branco ganhou bancadas de granito branco Siena. Piso em porcelanato Metrópole Portland Acetinado, da Eliane
Júlia Tótoli/Divulgação
Hoje, o apê se organiza com uma grande área social formada pela sala de estar integrada à cozinha, dois quartos, uma suíte e um banheiro social. O antigo quarto de serviço foi transformado em depósito e já está preparado para, no futuro, se tornar um lavabo, caso os moradores desejem.
Quase toda a rotina da família acontece no living integrado. Enquanto um cozinha, o outro lê, conversa ou toca música, sempre compartilhando o mesmo espaço. A conexão entre os ambientes é reforçada logo na entrada: “Desde a porta, é possível seguir tanto para a sala quanto para a cozinha. Essa ausência de hierarquia reforça a ideia de convivência e integração”, comenta Rodrigo.
AMBIENTES INTEGRADOS | A partir da porta de entrada é possível seguir tanto para a sala quanto para a cozinha. Na parede ao fundo, rabecas de Jorge Nogueira e de mestre caiçara desconhecido, que são usadas pelo proprietário e também funcionam como decoração. No pilar, serigrafia de Renato Rios. Repare que a bancada de granito branco siena, que divide sala e cozinha, abriga uma prateleira de livros, um espaço a mais para a coleção do casal
Júlia Tótoli/Divulgação
Na sala de estar, o clima acolhedor é construído principalmente pelos objetos pessoais e pelas obras de arte que o casal reuniu ao longo do tempo. A base neutra do projeto foi pensada justamente para valorizar essa coleção afetiva.
O piso de madeira ajuda a aquecer o cômodo, enquanto um sofá amarelo introduz um toque de cor e conforto. Entre os elementos mais especiais, estão as rabecas expostas na parede — instrumentos que fazem parte da decoração, mas também são frequentemente tocados pelo morador. “Cada objeto tem uma história e ajuda a criar uma atmosfera acolhedora”, define Gabriel.
Leia mais
Ainda, acima da mesa de jantar destaca-se um quadro pintado pela avó da moradora, que retrata baianas rezando. Já uma cristaleira antiga, presente de um parente, abriga livros e lembranças de família. A decoração também inclui obras de artistas como Rubem Valentim, Renato Rios, Julio de Paiva e criadores da Ilha do Ferro, em Alagoas, como Vavan e Zé Crente.
A cozinha ganhou dimensões generosas e sua abertura por meio dos cobogós existentes trouxe mais luz para o resto do imóvel. Além disso, a bancada em granito branco Siena desempenha papel central na transição do living, pois abriga uma prateleira de livros voltada para a sala. “O casal possui muitos exemplares, então pensamos a bancada também como uma estante. Assim, ela não é apenas um limite entre os espaços, mas um elemento útil para ambos”, coloca Gabriel.
SUÍTE | Sem excessos, o quarto do casal tem marcenaria planejada em MDF com acabamento branco, assim como as paredes, para destacar a gravura de Alessandra Oliveira acima da cama. Mesa de cabeceira da Tok&Stok. Persiana da Persilar
Júlia Tótoli/Divulgação
Na escolha das cores, os arquitetos optaram por uma base neutra para não competir com os objetos e obras de arte da família. A principal intervenção cromática aparece nas áreas molhadas, onde um revestimento cerâmico quadrado em tom amarelado cria uma atmosfera mais quente e acolhedora. O material se repete na cozinha, na área de serviço e nos banheiros, o que traz também unidade visual ao projeto.
Na suíte do casal, a proposta segue a lógica de equilíbrio e simplicidade. O quarto foi dimensionado para ser confortável sem excessos, funcionando como refúgio tranquilo. “A suíte ficou do tamanho ideal: nem pequena demais, nem grande demais. É um espaço pensado para descanso e serenidade”, resume Rodrigo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima