“O relógio nasce como instrumento de medida, um objeto técnico destinado a organizar a vida cotidiana. Durante séculos, ocupou um papel essencialmente funcional dentro da casa. Com a modernidade e a difusão de dispositivos pessoais para medir o tempo, o relógio perde parte dessa função prática e ganha novo significado. Passa a atuar como elemento de presença simbólica. Hoje, não é apenas um marcador do tempo. É um ponto na arquitetura. Um objeto que introduz ritmo e memória”, reflete o arquiteto brasiliense Samuel Lamas.
A seguir, confira dicas de como escolher, posicionar e combinar o relógio no décor!
No corredor, o relógio de parede Tide, em madeira, assinado pelo André Bianco Atelier, marca presença com personalidade
Luiza Schreier/Divulgação | Projeto do escritório AVA Arquitetura, da arquiteta Ana Clara Lima
Onde colocar o relógio?
Ao pensar no relógio como elemento decorativo, é interessante priorizar os espaços coletivos da casa. Segundo Samuel, sala de estar, sala de jantar e cozinha são locais onde o tempo é compartilhado e organizado pelas atividades cotidianas, ideais para receber o objeto.
A área gourmet ganha destaque pelo hábito dos moradores de cozinhar juntos. Nesse contexto, o relógio da Vitra, adquirido na Arquivo Contemporâneo, contribui para marcar o tempo coletivo vivido nesse espaço
Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Produção: Andrea Brito/Divulgação | Projeto da designer de interiores Roberta Devisate
Ana Clara, arquiteta do AVA Arquitetura, complementa que esses cômodos de uso frequente são os mais indicados para receber o objeto, visto que ele contribui tanto para a rotina quanto para a organização do dia a dia.
O espaço é o centro vital da casa; por isso, o relógio (à esquerda, ao fundo) se torna indispensável, marcando o tempo e ao mesmo tempo harmonizando com os tons terrosos que predominam
Joana França/Divulgação | Projeto do arquiteto Samuel Lamas, com colaboração do escritório Casulo
Já em ambientes mais íntimos, como quartos e banheiros, o ritmo tende a ser mais individualizado. Nesses espaços, quando presente, o relógio assume um papel discreto, funcionando sobretudo como elemento de design que acompanha e marca a passagem do tempo pessoal. Por isso, é importante optar por modelos que não façam barulho; afinal, ninguém merece dormir com o som do tic-tac na orelha.
No quarto, o relógio Vitra, da Micasa, posicionado próximo à cama, simboliza a passagem do tempo pessoal de quem ocupa o espaço
Renato Navarro/Divulgação | Projeto da arquiteta da Raquel Triboni
Como escolher o relógio ideal?
Ao escolher o relógio ideal para a decoração, é importante priorizar peças que expressem identidade, e não apenas função. “Materiais naturais e trabalhos artesanais, como madeira, metal ou pedra, dialogam bem com diferentes estilos de interiores, acrescentando personalidade e autenticidade”, afirma Ana Clara.
Na parede sob a escada, o relógio da Vitra, disponível na Micasa, divide espaço com um par de pequenos quadros da Dpot Objetos
Maura Mello/Divulgação | Produção: Deborah Apsan/Divulgação | Projeto da arquiteta Carolina Gava
A arquiteta também ressalta o valor de peças carregadas de história. Relógios herdados de família ou garimpados em antiquários podem acrescentar camadas de memória ao ambiente, sobretudo quando inseridos com cuidado na composição.
“Além da função estética, eles carregam significado e ajudam a construir a sensação de pertencimento ao morador”, ela diz.
Na parede à esquerda, o relógio cuco alemão e a serigrafia de Alfredo Volpi acrescentam personalidade, dialogando de forma harmônica com as demais peças
Joana França/Divulgação | Projeto do arquiteto Samuel Lamas, com colaboração do escritório Casulo Arquitetura
Samuel acrescenta alguns critérios que podem orientar a escolha. O primeiro é a proporção: a peça deve dialogar com a escala da parede e do cômodo. A linguagem formal também é essencial — o relógio precisa estar alinhado ao estilo do espaço, seja minimalista, seja contemporâneo, seja clássico.
Por fim, a materialidade deve conversar com as cores e os elementos já presentes no projeto, independentemente de ser de madeira, metal, vidro ou cerâmica.
Na cozinha, o relógio Cafezal, da Tok&Stok, harmoniza com a marcenaria e reforça a atmosfera acolhedora do espaço. Os nichos amadeirados, criados para armazenar livros de gastronomia, completam a composição
Favaro Jr./Divulgação | Projeto do escritório Volar Interiores
Erros ao escolher e pendurar o relógio
Um dos principais erros ao colocar o relógio no décor está no equilíbrio visual. Quando o espaço já está muito preenchido por quadros, prateleiras ou outros objetos, o relógio tende a perder destaque e se diluir na composição. Por outro lado, em uma parede totalmente vazia, ele pode assumir protagonismo excessivo e acabar dominando o ambiente.
A bancada para refeições rápidas apoia-se no painel de madeira e ganha destaque com um relógio cheio de personalidade, que funciona como ponto focal
Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Produção: Aldi Flosi/Divulgação | Projeto do escritório PKB Arquitetura
Como equilibrar o relógio na decoração
“A solução está no equilíbrio. Posicioná-lo de forma que dialogue com outros elementos, como obras de arte, luminárias ou mobiliário, permite que ele participe da composição sem competir com o ambiente”, comenta Samuel.
Como os moradores desejavam que a cozinha fosse a protagonista do apartamento — um espaço central de sociabilidade — escolheram o relógio de parede George Nelson, da Vitra, para integrar a composição
Júlia Tótoli/Divulgação | Projeto do escritório Casulo
O ideal é tratá-lo como parte da composição, e não apenas como um objeto funcional. Ele funciona melhor quando atua como ponto de pausa visual, sem chamar atenção de maneira excessiva.



