Paulo Azevedo veste Armani. A sua casa, Ralph Lauren. Aos 35 anos, o arquiteto costura em seu primeiro apartamento próprio a expressão máxima de si. E qual é o máximo que se pode esperar de um maximalista? Engana-se quem pensa em qualquer cenário remotamente over. O que se encontra ao cruzar a porta é repertório, intimidade e humor. Comecemos pelo primeiro.
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O dúplex de 90 m², situado em um edifício no bairro dos Jardins, em São Paulo, conquistou o paulista de Ribeirão Preto à primeira vista. Impossível resistir à atmosfera dos anos 1970, às paredes curvas, às janelas do piso ao teto e à escada helicoidal. “É um pequeno apartamento de grandes ambientes”, conta o proprietário. Com exceção das estruturas sinuosas, praticamente tudo foi ao chão. Era preciso abrir espaço para materializar anos acumulando referências de arte, moda, arquitetura e design – das aulas de pintura a óleo e música clássica na infância à especialização, já arquiteto, em Barcelona.
O apartamento do arquiteto Paulo Azevedo, em São Paulo; assista ao tour
+ Inspirado em bairro de Milão, apartamento aposta em curvas e memória afetiva
Paulo Azevedo veste Armani no sofá setentista revestido de dois tecidos da Entreposto, com almofada vermelha da Scalamandré e outra de tecido da Ralph Lauren, cercado por mesa lateral de Percival Lafer, abajur dos anos 1970, fotografia de Paraty, RJ, da Ad Astra, em moldura de resíduos de barquinhos feita por artesãos da mesma cidade, e biombo chinês do séc. 18
Ilana Bessler/Habitado Projeto | Estilo: Adriana Frattini
Gosto dessa mistura de períodos, da paleta empoeirada com pitadas cítricas – ao mesmo tempo clássica, moderna e divertida
A compilação de tecidos com padronagens e texturas mil é ousada, mas absolutamente harmoniosa. Linhos de sacaria do séc. 18 e tapetes orientais gastos convivem com tramas de cestaria e outras camadas têxteis que Paulo define como o DNA do apartamento, tanto do ponto de vista estético quanto sensorial. O living dá a medida disso. Num só ambiente, veludo e tweed revestem sofá e poltronas que vão do tom empoeirado do laranja queimado ao cítrico do amarelo-limão, arrematados por almofadas de Scalamandré, Pierre Frey e Ralph Lauren. O lavabo é completamente forrado de tecido vermelho e branco listrado; ali, fotografias de família em molduras grossas e boleadas introduzem o segundo capítulo da história: a intimidade.
+ Apartamento celebra raízes brasileiras com materialidades típicas
A sala de jantar recebeu mesa desenhada por Paulo Azevedo, com tampo de mármore Ônix Gold Coast, da NPK Mármores, executada pela Raízes Móveis, e cadeiras revestidas de tweed da Quaker Decor – uma ilustração do morador foi emoldurada na parede, pintada com tinta Couro Amarelado, da Coral
Ilana Bessler/Habitado Projeto | Estilo: Adriana Frattini
O living é composto, da esq. para a dir., por poltrona vintage com tweed da Quaker Decor, abajur da Santa & Cole, na Fas Iluminação, sobre banqueta mineira, cortina da Dedar Milano, mesa de centro garimpada em antiquário e poltrona dos anos 1950 coberta de veludo da Quaker Decor, tudo sob luminária de Paulo Azevedo
Ilana Bessler/Habitado Projeto | Estilo: Adriana Frattini
“Bem-vindos à minha suíte”, diz Paulo enquanto nos conduz ao andar de cima. A porta, curva, é azul, mesmo matiz do closet, da cama e do piso do banheiro. As mesas de cabeceira autorais, inspiradas em Gio Ponti, revelam uma das principais referências do arquiteto, junto ao Dimorestudio, com o qual compartilha a mesma audácia – apenas uma entre tantas confissões espalhadas pelo cômodo. Uma das mais particulares talvez seja a preferência pelo pé-direito baixo, um dos pontos-chave na escolha do imóvel. “À noite, sob a luz de abajures e velas, tudo fica cozy, com um jeito de casa.” Um dia antes de estas fotos serem feitas, as paredes ganharam papel de microlistras brancas e marrons. “Faltava algo que amarrasse a composição”, justifica. Diante da cama, um móvel art déco de imbuia faz as vezes de sapateira. “É a primeira coisa que vejo quando acordo. Tinha que ser algo lindo.”
+ Texturas mil e tons terrosos vestem apartamento minimalista
Na cozinha, o papel de parede desenhado pelo morador foi aplicado no teto e preenche o ambiente refletido nos espelhos
Ilana Bessler/Habitado Projeto | Estilo: Adriana Frattini
Outro ângulo da cozinha exibe cortina de tecido da Ralph Lauren, executada pela Kikachic, armários concebidos pelo arquiteto, piso Weekend South Beach, da Portobello, e azulejos da Eliane
Ilana Bessler/Habitado Projeto | Estilo: Adriana Frattini
+ Com cores próprias, apartamento de designer eleva o ato de receber
Para cada obra do acervo de arte, há uma história. O biombo chinês Coromandel, guardado por quatro anos à espera do lugar certo, finalmente tem uma parede em que se apoiar – agora, ao lado de uma tela de Montez Magno, vinda das galerias Almeida & Dale e Marco Zero. A escultura Andurim, de Bruno Passos, derivada de um tríptico pintado em uma sessão de 24 horas ininterruptas, já esteve em exposição no Instituto Tomie Ohtake.
À noite, sob a luz de abajures e velas, tudo fica ‘cozy’, com um jeito de casa
O lavabo, revestido de tecido da Entreposto, acomoda mesinha de telefone italiana dos anos 1940 e luminária feita a partir de um castiçal, ambas garimpadas na República das Flores
Ilana Bessler/Habitado Projeto | Estilo: Adriana Frattini
No canto da escada, a cadeira chauffeuse da Maison Jansen, no antiquário Marcos Rezende, tem forro de veludo da Pierre Frey – a manta é da Armani
Ilana Bessler/Habitado Projeto | Estilo: Adriana Frattini
Se o repertório impressiona e a intimidade aproxima, o humor dá o tom dos dias vividos ali. Plainas de marceneiro são usadas como cabideiro, ideia da amiga garimpeira Paloma Danemberg. O mesmo quarto que abriga uma obra de Tarsila do Amaral presenteada por um cliente tem, na parede ao lado, um moodboard com cartas escritas à mão, recortes de revista e retratos do avô piloto junto a fotografias de pessoas desconhecidas. Na sala de jantar, o desenho de um monstro cor-de-rosa, criado para a festa de aniversário da filha de um amigo, é enquadrado com a mesma seriedade de qualquer outra peça do conjunto.
+ Design como arte: tudo é escultórico em apartamento paulistano
Na suíte, a sapateira (à esq.) e a luminária de piso são de antiquário, a cortina que leva ao closet combina linhos da Entreposto e da Schumacher, o guarda-roupa foi pintado com tinta Azul Astral, da Coral, e a roupa de cama vem da Blue Gardenia, tudo coroado pela luminária desenhada pelo morador
Ilana Bessler/Habitado Projeto | Estilo: Adriana Frattini
No detalhe da suíte, a mesa de cabeceira desenhada por Paulo Azevedo figura sobre o baú garimpado no AD.Studio
Ilana Bessler/Habitado Projeto | Estilo: Adriana Frattini
O lado oposto do quarto ambiente mostra banquinho e cabideiros de plainas de marceneiro, tudo no AD.Studio, poltrona revestida de veludo da Lee Jofa e parede com tecido da Bucalo
Ilana Bessler/Habitado Projeto | Estilo: Adriana Frattini
As marcas do tempo, os objetos acumulados, as memórias emolduradas – tudo o que constitui a alma de um projeto costuma levar anos para se concretizar. Paulo fez o caminho inverso: ao assumir o papel de arquiteto e cliente, construiu um apartamento já vivido, mas ainda assim aberto para tudo o que está por vir.
*Matéria originalmente publicada na edição de março/2026 da Casa Vogue (CV 481), disponível em versão impressa, na nossa loja virtual, e para assinantes no app Globo Mais.
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O dúplex de 90 m², situado em um edifício no bairro dos Jardins, em São Paulo, conquistou o paulista de Ribeirão Preto à primeira vista. Impossível resistir à atmosfera dos anos 1970, às paredes curvas, às janelas do piso ao teto e à escada helicoidal. “É um pequeno apartamento de grandes ambientes”, conta o proprietário. Com exceção das estruturas sinuosas, praticamente tudo foi ao chão. Era preciso abrir espaço para materializar anos acumulando referências de arte, moda, arquitetura e design – das aulas de pintura a óleo e música clássica na infância à especialização, já arquiteto, em Barcelona.
O apartamento do arquiteto Paulo Azevedo, em São Paulo; assista ao tour
+ Inspirado em bairro de Milão, apartamento aposta em curvas e memória afetiva
Paulo Azevedo veste Armani no sofá setentista revestido de dois tecidos da Entreposto, com almofada vermelha da Scalamandré e outra de tecido da Ralph Lauren, cercado por mesa lateral de Percival Lafer, abajur dos anos 1970, fotografia de Paraty, RJ, da Ad Astra, em moldura de resíduos de barquinhos feita por artesãos da mesma cidade, e biombo chinês do séc. 18
Ilana Bessler/Habitado Projeto | Estilo: Adriana Frattini
Gosto dessa mistura de períodos, da paleta empoeirada com pitadas cítricas – ao mesmo tempo clássica, moderna e divertida
A compilação de tecidos com padronagens e texturas mil é ousada, mas absolutamente harmoniosa. Linhos de sacaria do séc. 18 e tapetes orientais gastos convivem com tramas de cestaria e outras camadas têxteis que Paulo define como o DNA do apartamento, tanto do ponto de vista estético quanto sensorial. O living dá a medida disso. Num só ambiente, veludo e tweed revestem sofá e poltronas que vão do tom empoeirado do laranja queimado ao cítrico do amarelo-limão, arrematados por almofadas de Scalamandré, Pierre Frey e Ralph Lauren. O lavabo é completamente forrado de tecido vermelho e branco listrado; ali, fotografias de família em molduras grossas e boleadas introduzem o segundo capítulo da história: a intimidade.
+ Apartamento celebra raízes brasileiras com materialidades típicas
A sala de jantar recebeu mesa desenhada por Paulo Azevedo, com tampo de mármore Ônix Gold Coast, da NPK Mármores, executada pela Raízes Móveis, e cadeiras revestidas de tweed da Quaker Decor – uma ilustração do morador foi emoldurada na parede, pintada com tinta Couro Amarelado, da Coral
Ilana Bessler/Habitado Projeto | Estilo: Adriana Frattini
O living é composto, da esq. para a dir., por poltrona vintage com tweed da Quaker Decor, abajur da Santa & Cole, na Fas Iluminação, sobre banqueta mineira, cortina da Dedar Milano, mesa de centro garimpada em antiquário e poltrona dos anos 1950 coberta de veludo da Quaker Decor, tudo sob luminária de Paulo Azevedo
Ilana Bessler/Habitado Projeto | Estilo: Adriana Frattini
“Bem-vindos à minha suíte”, diz Paulo enquanto nos conduz ao andar de cima. A porta, curva, é azul, mesmo matiz do closet, da cama e do piso do banheiro. As mesas de cabeceira autorais, inspiradas em Gio Ponti, revelam uma das principais referências do arquiteto, junto ao Dimorestudio, com o qual compartilha a mesma audácia – apenas uma entre tantas confissões espalhadas pelo cômodo. Uma das mais particulares talvez seja a preferência pelo pé-direito baixo, um dos pontos-chave na escolha do imóvel. “À noite, sob a luz de abajures e velas, tudo fica cozy, com um jeito de casa.” Um dia antes de estas fotos serem feitas, as paredes ganharam papel de microlistras brancas e marrons. “Faltava algo que amarrasse a composição”, justifica. Diante da cama, um móvel art déco de imbuia faz as vezes de sapateira. “É a primeira coisa que vejo quando acordo. Tinha que ser algo lindo.”
+ Texturas mil e tons terrosos vestem apartamento minimalista
Na cozinha, o papel de parede desenhado pelo morador foi aplicado no teto e preenche o ambiente refletido nos espelhos
Ilana Bessler/Habitado Projeto | Estilo: Adriana Frattini
Outro ângulo da cozinha exibe cortina de tecido da Ralph Lauren, executada pela Kikachic, armários concebidos pelo arquiteto, piso Weekend South Beach, da Portobello, e azulejos da Eliane
Ilana Bessler/Habitado Projeto | Estilo: Adriana Frattini
+ Com cores próprias, apartamento de designer eleva o ato de receber
Para cada obra do acervo de arte, há uma história. O biombo chinês Coromandel, guardado por quatro anos à espera do lugar certo, finalmente tem uma parede em que se apoiar – agora, ao lado de uma tela de Montez Magno, vinda das galerias Almeida & Dale e Marco Zero. A escultura Andurim, de Bruno Passos, derivada de um tríptico pintado em uma sessão de 24 horas ininterruptas, já esteve em exposição no Instituto Tomie Ohtake.
À noite, sob a luz de abajures e velas, tudo fica ‘cozy’, com um jeito de casa
O lavabo, revestido de tecido da Entreposto, acomoda mesinha de telefone italiana dos anos 1940 e luminária feita a partir de um castiçal, ambas garimpadas na República das Flores
Ilana Bessler/Habitado Projeto | Estilo: Adriana Frattini
No canto da escada, a cadeira chauffeuse da Maison Jansen, no antiquário Marcos Rezende, tem forro de veludo da Pierre Frey – a manta é da Armani
Ilana Bessler/Habitado Projeto | Estilo: Adriana Frattini
Se o repertório impressiona e a intimidade aproxima, o humor dá o tom dos dias vividos ali. Plainas de marceneiro são usadas como cabideiro, ideia da amiga garimpeira Paloma Danemberg. O mesmo quarto que abriga uma obra de Tarsila do Amaral presenteada por um cliente tem, na parede ao lado, um moodboard com cartas escritas à mão, recortes de revista e retratos do avô piloto junto a fotografias de pessoas desconhecidas. Na sala de jantar, o desenho de um monstro cor-de-rosa, criado para a festa de aniversário da filha de um amigo, é enquadrado com a mesma seriedade de qualquer outra peça do conjunto.
+ Design como arte: tudo é escultórico em apartamento paulistano
Na suíte, a sapateira (à esq.) e a luminária de piso são de antiquário, a cortina que leva ao closet combina linhos da Entreposto e da Schumacher, o guarda-roupa foi pintado com tinta Azul Astral, da Coral, e a roupa de cama vem da Blue Gardenia, tudo coroado pela luminária desenhada pelo morador
Ilana Bessler/Habitado Projeto | Estilo: Adriana Frattini
No detalhe da suíte, a mesa de cabeceira desenhada por Paulo Azevedo figura sobre o baú garimpado no AD.Studio
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O lado oposto do quarto ambiente mostra banquinho e cabideiros de plainas de marceneiro, tudo no AD.Studio, poltrona revestida de veludo da Lee Jofa e parede com tecido da Bucalo
Ilana Bessler/Habitado Projeto | Estilo: Adriana Frattini
As marcas do tempo, os objetos acumulados, as memórias emolduradas – tudo o que constitui a alma de um projeto costuma levar anos para se concretizar. Paulo fez o caminho inverso: ao assumir o papel de arquiteto e cliente, construiu um apartamento já vivido, mas ainda assim aberto para tudo o que está por vir.
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