Escolher o modelo mais adequado de varal para uma residência depende de uma série de fatores, como o perfil de uso dos moradores e a metragem disponível para instalação do acessório.
“Há aqueles que utilizam mais a lava e seca e, ainda assim, precisam de um varal, geralmente menor. Outros preferem secar parte ou todas as roupas naturalmente”, fala a arquiteta Cinthia Claro.
O tamanho e o tipo de varal devem considerar o número de moradores, a rotina de lavagem, a forma de secagem das roupas e, principalmente, o espaço disponível na área de serviço. “Também é importante avaliar se o varal precisa ficar aparente ou oculto. Ou seja, trata-se de uma decisão que deve ser pensada caso a caso”, diz Cinthia.
A área de serviço com pé-direito alto conseguiu acomodar com conforto dois generosos varais de teto
Jp Image/Divulgação | Projeto do escritório Meneghisso & Pasquotto Arquitetura
Além da rotina de uso, a arquiteta Mariana Meneghisso, do escritório Meneghisso & Pasquotto Arquitetura, leva em conta a ventilação e incidência de luz natural ao projetar o varal. “Não adianta ter um varal sofisticado se ele está num ponto onde o ar não circula ou onde a roupa demora a secar”, aponta.
Outro aspecto fundamental é a adequar o varal ao layout do ambiente, garantindo que, mesmo quando estiver cheio de roupas, ele não bloqueie a circulação nem interfira na abertura de armários, máquinas ou portas da marcenaria.
Além dos varais de teto, a lavanderia conta com cabideiro de serralheria sob o armário
Rafael Renzo/Divulgação | Projeto do escritório Rawi Arquitetura + Design
“Também observo a altura do pé-direito e a proximidade das janelas. Em lavanderias compactas, esse cuidado faz toda a diferença para que o espaço continue funcional”, ela afirma.
Principais tipos de varais
Os materiais mais usados em varais são o alumínio, que é leve e resistente à umidade, e o aço inox, que tem maior durabilidade e acabamento mais sofisticado. “Os varais de aço pintado são mais acessíveis, mas podem oxidar com o tempo”, pontua Cinthia.
A porta camarão esconde a área do tanque, que ganhou varal retrátil instalado na parede
Gisele Rampazzo/Divulgação | Projeto do escritório Macaxá Arquitetura
Quanto aos modelos, os mais comuns são os varais de teto, os retráteis de parede, os articulados tipo sanfona, os varais elétricos, os de piso e os integrados à marcenaria.
Em imóveis menores, o varal de teto tem sido a escolha unânime, pois oferece melhor aproveitamento do espaço. “Sou fã dos varais de teto, porque eles são práticos e não ficam atrapalhando a circulação”, comenta Rafa de Oliveira, especialista do canal Organize sem Frescuras.
A lavanderia compacta recebeu nova bancada, com marcenaria sob medida, e varal de teto
Anita Soares/Divulgação | Projeto do escritório FPR Studio
Além dos modelos prontos, esse tipo de varal pode ser personalizado com mais ou menos varetas e no comprimento. “Ele permite secar peças maiores, como lençóis e toalhas, mas exige instalação bem executada”, fala Mariana.
O modelo também é mais robusto, pois conta com múltiplos pontos de fixação, aumentando a capacidade de peso suportado pelo acessório. O ideal é que sejam instalados por um profissional para garantir segurança e alinhamento correto.
Para ocupar menos espaço na lavanderia enxuta, o projeto trouxe um varal de teto, que conferiu um ar leve e organizado ao ambiente
Mariana Orsi/Divulgação | Projeto do escritório Quattrino Arquitetura
“Varais de teto são fixados na laje, mesmo quando há forro de gesso ou drywall, sem comprometer o acabamento. Inclusive, podem ser instalados após a conclusão da obra”, detalha Cinthia.
Ela lembra que é necessário prever um ponto na parede para fixação da manivela ou do acionamento (manual ou elétrico). “Além disso, vale considerar a praticidade do modelo, como os varais de varetas individuais, que permitem maior flexibilidade no uso”, diz.
O varal discreto acima da janela quase não aparece quando fora de uso. A marcenaria da lavanderia foi executada pela AG Movelaria
Maura Mello/Divulgação | Projeto da arquiteta Ana Terra Capobianco, com colaboração de André Braz
Os varais de parede retráteis ou sanfonados são bastante práticos em lavanderias compactas, pois podem ser recolhidos quando não estão em uso. Por outro lado, costumam ter capacidade limitada, o que dificulta a secagem de peças maiores, como roupas de cama e toalhas.
“Além disso, exigem atenção quanto à estrutura, já que contam com apenas um ponto de apoio e podem ceder com o tempo se não forem de boa qualidade”, alerta Cinthia.
Os varais ficam escondidos dentro do armário disposto na varanda do apartamento. Banco Caiçara, de Fernando Jaeger. Piso da Portinari
Maura Mello/Divulgação | Projeto do escritório Risca Arquitetura
Simples de instalar, eles normalmente são fixados com parafusos e buchas apropriadas para o tipo de parede. Em superfícies de drywall é necessário utilizar fixações específicas de carga.
“Recomenda-se o uso de revestimentos como porcelanato ou cerâmica, que oferecem maior durabilidade em áreas sujeitas à umidade constante”, indica Cinthia.
A lavanderia tem bancada de granito Itaúnas e armários estilo provençal, com varais de teto e cabideiro embutido na marcenaria
Rafael Renzo/Divulgação | Projeto da arquiteta Beatriz Quinelato
Segundo Mariana, uma solução moderna são os varais elétricos, cada vez mais presentes em projetos contemporâneos. “Eles possuem barras aquecidas ou sistemas de ventilação que aceleram a secagem das roupas, o que é especialmente útil em apartamentos com pouca ventilação natural”, afirma.
Em alguns modelos, o varal também pode subir e descer automaticamente, facilitando o uso. A desvantagem é o custo mais elevado e a necessidade de prever ponto elétrico no projeto.
Os cobogós ajudam o ar a circular e secar as roupas nos varais de teto da lavanderia. O espaço pode ser isolado por portas de ferro em serralheria e vidro aramado. A marcenaria é de MDF branco executada por marceneiro local logo
Júlia Tótoli/Divulgação | Projeto do escritório Casulo
Varal de piso: vale a pena?
Para Cinthia, os tradicionais varais de piso são práticos e versáteis no dia a dia, pois podem ser movimentados conforme a necessidade. “No entanto, comprometem a estética e a circulação, especialmente quando estão em uso, tornando-se um elemento visual que interfere na organização do ambiente”, avalia.
Apesar de prático e discreto na forma de guardar — basta dobrá-lo e colocar em algum cantinho do armário —, o varal de piso ocupa bastante espaço e demanda uma boa área livre quando abertos. “Se for em uma área externa, perfeito, mas apartamento não tem muito espaço para esses varais”, comenta Rafa.
O amplo ambiente de serviço conseguiu acomodar dois grandes varais de teto. Piso cinza da Portinari e bancadas de quartzo stones da Orostone
Rafael Renzo/Divulgação | Projeto do escritório AS Arquitetas SP
Mais baixo, ele também não acomoda bem roupas maiores, como lençóis. “É uma opção emergencial, normalmente para o inverno, quando as roupas demoram mais para secar. Tem que pensar no dia que vai usá-lo para ele não atrapalhar e ficar no meio da casa. Se deixar para lavar a roupa na sexta e utilizar esse varal, ele vai virar um ‘objeto de decoração’”, analisa Rafa.
Varal para espaços pequenos
Em espaços compactos, a arquiteta Mariana indica apostar nos modelos que aproveitam superfícies verticais ou a altura do cômodo. A escolha depende, principalmente, do layout do espaço.
A máquina de lavar roupas e o cabideiro ficam guardados dentro de um armário nesta área de serviço
Guilherme Pucci/Divulgação | Projeto do Studio Guadix
“O varal de teto costuma ser uma solução muito eficiente. Os retráteis de parede também funcionam bem, porque ocupam pouco espaço quando fechados. Já os elétricos podem ser interessantes quando há pouca ventilação natural, pois ajudam a acelerar o processo de secagem”, afirma.
De acordo com Cinthia, os modelos de parede permitem, por exemplo, a instalação em níveis, um sobre o outro, o que facilita a secagem de peças de diferentes comprimentos. “Já os varais de teto podem ser dimensionados de acordo com o espaço disponível, oferecendo maior capacidade sem comprometer a área de circulação”, destaca a profissional.
A lavanderia foi escondida pela porta de correr e permite “esconder” a bagunça e ganhou um cabideiro que funciona como um discreto varal
Felco/Divulgação | Projeto do Estúdio Maré
Varal para espaços integrados
Quando a lavanderia é integrada à cozinha, a escolha do modelo de varal precisa ser mais criteriosa, equilibrando funcionalidade e estética. Um ponto que merece atenção é a proximidade do acessório em relação ao fogão.
“O calor, o vapor e a gordura provenientes do preparo dos alimentos podem impregnar nas roupas em secagem. Portanto, sempre que possível, o varal deve ser instalado afastado da área de cocção. Em projetos com ilha e coifa eficiente, esse impacto pode ser minimizado, mas ainda assim o cuidado com a localização é essencial”, ressalta Cinthia.
A área de serviço é uma continuação da cozinha, com os mesmos acabamentos de piso, parede e marcenaria. Para manter a materialidade, optou-se por um varal estilo cabideiro
Marcelo Nakano Daniel/Divulgação | Projeto do escritório Onze Onze Arquitetura
Além disso, por se tratar de um espaço mais exposto, é importante considerar soluções que reduzam a sensação de desorganização no dia a dia.
“Uma estratégia interessante é utilizar varais retráteis, embutidos em armários ou integrados à marcenaria da área de serviço. Nichos ventilados ou portas vazadas também ajudam a organizar visualmente o cômodo”, ensina Mariana.
O teto em concreto aparente confere o estilo industrial à lavanderia com base branca e tons claros. Um cabideiro chumbado no teto funciona como varal
Mariana Orsi/Divulgação | Projeto do Studio 92 Arquitetura
Outro ponto essencial, destaca a arquiteta, é posicionar o varal próximo a janelas ou áreas com ventilação adequada. “Isso evita acúmulo de umidade e melhora a eficiência da secagem das roupas”, diz.
Varal embutido na marcenaria
De acordo com Mariana, em apartamentos compactos, esconder o varal na marcenaria ajuda a manter a área de serviço mais organizada visualmente. “É possível criar nichos, armários técnicos ou painéis que acomodem o varal de forma elegante”, sugere.
Os tons claros e a marcenaria se fazem presente na lavanderia. Pela falta de espaço no teto, um cabideiro instalado na marcenaria faz as vezes de varal
Nathalie Artaxo/Divulgação | Projeto da arquiteta Flávia Theodorovitz
Ela lembra, no entanto, que é essencial garantir ventilação adequada para que a roupa consiga secar corretamente. Também é preciso levar em conta, que, dependendo do material, a presença constante de tecidos úmidos em contato com o móvel pode comprometer a sua durabilidade a longo prazo.
Apesar do apelo estético, trata-se de uma solução que, na prática, dependendo do volume de roupas lavadas, pode não ser tão funcional, na avaliação de Rafa.
Com boa metragem, o teto da área de serviço conseguiu acomodar três varais. O tanque híbrido serve tanto uso da lavanderia como para os banhos da pet
Nathalie Artaxo/Divulgação | Projeto do escritório SP Estúdio
“Ele é discreto, mas não cabe, por exemplo, um lençol king size, que é enorme. É legal, de repente, para o dia a dia ou para quando você não vai pendurar muita roupa. Mas teria que ter outro varal para apoio”, pontua a personal organizer.
Varal estilo cabideiro
Para as arquitetas, o cabideiro na área de serviço pode funcionar como um varal para secar peças delicadas, que não devem ser presas com prendedores, como camisas sociais ou roupas que precisam manter o formato.
Para manter o ar minimalista, as dependências de serviço ganharam um varal feito de tubos pretos fixados no teto
Julia Tótoli/Divulgação | Projeto do escritório CoDA Arquitetura
“Ele ajuda a reduzir marcas e facilita a organização. No entanto, normalmente funciona melhor como apoio ao varal principal, já que ocupa mais espaço linear e tem menor capacidade para secar grandes volumes”, opina Mariana.
O cabideiro também é útil no processo de passar roupas, permitindo pendurar as peças diretamente nos cabides. “É uma solução versátil e bastante aplicada em projetos”, afirma Cinthia.
O varal foi posicionado ao centro do teto da estreita lavanderia. O porcelanato verde Acqua GN NAT Bold, da Portinari, confere sofisticação ao ambiente, que fica perto da área social, assim como a marcenaria personalizada executada pela Scholl Móveis
Rafael Renzo/Divulgação | Produção: Deborah Apsan/Divulgação | Projeto da arquiteta Beatriz Quinelato
Como combinar o varal com a decoração
Para Mariana, a melhor e mais simples forma de integrar o varal ao ambiente, sem que pareça um elemento improvisado, é escolher acabamentos que conversem com os metais da cozinha ou da lavanderia, como alumínio escovado ou inox.
“Também é possível alinhar o varal à linguagem da marcenaria. Em projetos contemporâneos, a ideia é que o varal seja discreto e praticamente desapareça visualmente quando não está em uso”, destaca a arquiteta.
Um varal personalizado ocupa toda a extensão do teto da lavanderia. O ambiente tem bancada de granito branco Itaúnas Levigado, da Marmoraria Pedra Julia
Monica Assan/Divulgação | Projeto da arquiteta Flávia Theodorovitz
Cinthia acredita que, nestes casos, os varais retráteis de parede, com acabamento mais discreto, costumam ser uma boa alternativa para quem busca minimizar o impacto visual sem comprometer a funcionalidade.
“O varal é, essencialmente, um elemento funcional, o que torna sua integração estética mais desafiadora. Quando vazio, pode até passar despercebido, mas em uso tende a impactar visualmente o ambiente”, aponta.
Integrada à cozinha, a lavanderia recebeu um discreto cabideiro embutido na marcenaria, feita de MDF com acabamento em melanina no tom de areia, executada pela Evviva
Fernando Willadino/Divulgação | Projeto da arquiteta Bruna Ramos
Cuidados de conservação do varal
Para mante o varal firme e seguro – sem desabar sobre a cabeça no caso dos de teto –, é necessário se atentar ao peso máximo suportado pelo acessório. “Evite a sobrecarga, distribuindo o peso das roupas de forma equilibrada para não comprometer a estrutura”, alerta Cinthia.
A lavanderia separada recebeu marcenaria toda branca executada pela Lótus Interiores, com direito a cabideiro para dar praticidade no dia a dia
Fabio Jr. Severo/Divulgação | Projeto do escritório Studio Casarina
A limpeza periódica com pano úmido também é recomendada, especialmente nas ferragens, articulações e cordas, que podem ser trocadas de tempos em tempos para garantir o bom funcionamento do varal.
O acessório também precisa ser limpo com água e detergente neutro para retirar algum resíduo de produto que ficou na roupa, como amaciante, que tem gordura na formulação, evitando manchar outras peças. “É um cuidado a mais não só com o varal, mas principalmente com as nossas roupas”, fala Rafa.
O espaço amplo e aberto conseguiu acomodar com tranquilidade um grande varal de teto. O desejo foi transformar o ambiente em um espaço de convivência que funcionasse como uma varanda
Cris Farhat/Divulgação | Projeto do escritório Cota760 Arquitetura
Confira abaixo mais ideias de projetos com varais práticos, bonitos e funcionais!
Com a inversão da cozinha e da lavanderia, a área de serviço ficou na parte mais interna do living e foi embutida na marcenaria, que abriga a lava e seca da Electrolux e um pequeno cabideiro que serve de varal
Israel Gollino/Divulgação | Projeto do StudioVA Arquitetos
O varais foram acomodados no teto da lavanderia com bancada de quartzo branco, com execução da WM Mármores, e marcenaria em compensado naval paricá, feita pelo marceneiro Raphael Bueno
Leila Viegas/Divulgação | Projeto do escritório Sabará Arquitetura
Com varal de teto, o ambiente segue as cores e a materialidade do projeto, com marcenaria executada com MDF Louro Freijó, da Arauco, no armário aéreo, e MDF Azul Petróleo, da Guararapes, nos demais compartimentos
Júlia Tótoli/Divulgação | Projeto do escritório Mariana Jerônimo Arquitetura
Ao lado da despensa, a área de serviço tem ladrilho hidráulico da Dalle Piagge, que pode ser visto mesmo com as portas fechadas, através da malha perfurada feita com MDF usinado. O cabideiro faz as vezes de varal no espaço
Carolina Lacaz/Divulgação | Projeto do escritório Zalc Arquitetur
Na reforma, a lavanderia foi reposicionada e seguiu a materialidade da cozinha, com bancadas de granito Álamo escovado, da Sahara Marmoraria. O varal perto da janela garante circulação de ar
Júlia Tótoli/Divulgação | Projeto da arquiteta Marcella Schiavoni
O varal de teto personalizado foi a escolha para a pequena lavanderia, já que otimiza o ambiente e ajuda na circulação
Lufe Gomes/Editora Globo | Projeto do arquiteto Luis Bernardini
Discreto, o varal de teto quase não é visível quando não está em uso. A marcenaria verde, executada com MDF Verde Sálvia, da Duratex, chama a atenção
Mariana Boro/Divulgação | Projeto do escritório Woho Arquitetura
No teto, o varal organiza melhor o pequeno espaço com janela de madeira retangular que dá para o home office/quarto de hóspedes
Ana Helena Lima/Divulgação | Projeto do escritório Macaxá Arquitetura
Clean, a área de serviço tem marcenaria com MDF Cor Areia, da Guararapes, pela WF Marcenaria. O varal perto da janela garante circulação de ar para secar as roupas
Carolina Mossin/Divulgação | Projeto do arquiteto Pedro Olavo
A lavanderia tem um discreto varal no teto, bancada de granito branco Siena e piso de porcelanato off-white da Portobello
Renata Freitas/Divulgação | Projeto do escritório Sensum Arquitetura
O espaço foi planejado para atender às necessidades do morador e de seu pet. Para garantir amplitude, o varal foi instalado no teto do espaço
Leila Viegas/Divulgação | Projeto do escritório COTA760 Arquitetura
Embutida na sacada, a área de serviço com varal de teto fica escondida pelas portas quando não está em uso. A obra civil foi realizada pela Constech
Leila Viegas/Divulgação | Projeto do escritório Altera Arquitetura
“Há aqueles que utilizam mais a lava e seca e, ainda assim, precisam de um varal, geralmente menor. Outros preferem secar parte ou todas as roupas naturalmente”, fala a arquiteta Cinthia Claro.
O tamanho e o tipo de varal devem considerar o número de moradores, a rotina de lavagem, a forma de secagem das roupas e, principalmente, o espaço disponível na área de serviço. “Também é importante avaliar se o varal precisa ficar aparente ou oculto. Ou seja, trata-se de uma decisão que deve ser pensada caso a caso”, diz Cinthia.
A área de serviço com pé-direito alto conseguiu acomodar com conforto dois generosos varais de teto
Jp Image/Divulgação | Projeto do escritório Meneghisso & Pasquotto Arquitetura
Além da rotina de uso, a arquiteta Mariana Meneghisso, do escritório Meneghisso & Pasquotto Arquitetura, leva em conta a ventilação e incidência de luz natural ao projetar o varal. “Não adianta ter um varal sofisticado se ele está num ponto onde o ar não circula ou onde a roupa demora a secar”, aponta.
Outro aspecto fundamental é a adequar o varal ao layout do ambiente, garantindo que, mesmo quando estiver cheio de roupas, ele não bloqueie a circulação nem interfira na abertura de armários, máquinas ou portas da marcenaria.
Além dos varais de teto, a lavanderia conta com cabideiro de serralheria sob o armário
Rafael Renzo/Divulgação | Projeto do escritório Rawi Arquitetura + Design
“Também observo a altura do pé-direito e a proximidade das janelas. Em lavanderias compactas, esse cuidado faz toda a diferença para que o espaço continue funcional”, ela afirma.
Principais tipos de varais
Os materiais mais usados em varais são o alumínio, que é leve e resistente à umidade, e o aço inox, que tem maior durabilidade e acabamento mais sofisticado. “Os varais de aço pintado são mais acessíveis, mas podem oxidar com o tempo”, pontua Cinthia.
A porta camarão esconde a área do tanque, que ganhou varal retrátil instalado na parede
Gisele Rampazzo/Divulgação | Projeto do escritório Macaxá Arquitetura
Quanto aos modelos, os mais comuns são os varais de teto, os retráteis de parede, os articulados tipo sanfona, os varais elétricos, os de piso e os integrados à marcenaria.
Em imóveis menores, o varal de teto tem sido a escolha unânime, pois oferece melhor aproveitamento do espaço. “Sou fã dos varais de teto, porque eles são práticos e não ficam atrapalhando a circulação”, comenta Rafa de Oliveira, especialista do canal Organize sem Frescuras.
A lavanderia compacta recebeu nova bancada, com marcenaria sob medida, e varal de teto
Anita Soares/Divulgação | Projeto do escritório FPR Studio
Além dos modelos prontos, esse tipo de varal pode ser personalizado com mais ou menos varetas e no comprimento. “Ele permite secar peças maiores, como lençóis e toalhas, mas exige instalação bem executada”, fala Mariana.
O modelo também é mais robusto, pois conta com múltiplos pontos de fixação, aumentando a capacidade de peso suportado pelo acessório. O ideal é que sejam instalados por um profissional para garantir segurança e alinhamento correto.
Para ocupar menos espaço na lavanderia enxuta, o projeto trouxe um varal de teto, que conferiu um ar leve e organizado ao ambiente
Mariana Orsi/Divulgação | Projeto do escritório Quattrino Arquitetura
“Varais de teto são fixados na laje, mesmo quando há forro de gesso ou drywall, sem comprometer o acabamento. Inclusive, podem ser instalados após a conclusão da obra”, detalha Cinthia.
Ela lembra que é necessário prever um ponto na parede para fixação da manivela ou do acionamento (manual ou elétrico). “Além disso, vale considerar a praticidade do modelo, como os varais de varetas individuais, que permitem maior flexibilidade no uso”, diz.
O varal discreto acima da janela quase não aparece quando fora de uso. A marcenaria da lavanderia foi executada pela AG Movelaria
Maura Mello/Divulgação | Projeto da arquiteta Ana Terra Capobianco, com colaboração de André Braz
Os varais de parede retráteis ou sanfonados são bastante práticos em lavanderias compactas, pois podem ser recolhidos quando não estão em uso. Por outro lado, costumam ter capacidade limitada, o que dificulta a secagem de peças maiores, como roupas de cama e toalhas.
“Além disso, exigem atenção quanto à estrutura, já que contam com apenas um ponto de apoio e podem ceder com o tempo se não forem de boa qualidade”, alerta Cinthia.
Os varais ficam escondidos dentro do armário disposto na varanda do apartamento. Banco Caiçara, de Fernando Jaeger. Piso da Portinari
Maura Mello/Divulgação | Projeto do escritório Risca Arquitetura
Simples de instalar, eles normalmente são fixados com parafusos e buchas apropriadas para o tipo de parede. Em superfícies de drywall é necessário utilizar fixações específicas de carga.
“Recomenda-se o uso de revestimentos como porcelanato ou cerâmica, que oferecem maior durabilidade em áreas sujeitas à umidade constante”, indica Cinthia.
A lavanderia tem bancada de granito Itaúnas e armários estilo provençal, com varais de teto e cabideiro embutido na marcenaria
Rafael Renzo/Divulgação | Projeto da arquiteta Beatriz Quinelato
Segundo Mariana, uma solução moderna são os varais elétricos, cada vez mais presentes em projetos contemporâneos. “Eles possuem barras aquecidas ou sistemas de ventilação que aceleram a secagem das roupas, o que é especialmente útil em apartamentos com pouca ventilação natural”, afirma.
Em alguns modelos, o varal também pode subir e descer automaticamente, facilitando o uso. A desvantagem é o custo mais elevado e a necessidade de prever ponto elétrico no projeto.
Os cobogós ajudam o ar a circular e secar as roupas nos varais de teto da lavanderia. O espaço pode ser isolado por portas de ferro em serralheria e vidro aramado. A marcenaria é de MDF branco executada por marceneiro local logo
Júlia Tótoli/Divulgação | Projeto do escritório Casulo
Varal de piso: vale a pena?
Para Cinthia, os tradicionais varais de piso são práticos e versáteis no dia a dia, pois podem ser movimentados conforme a necessidade. “No entanto, comprometem a estética e a circulação, especialmente quando estão em uso, tornando-se um elemento visual que interfere na organização do ambiente”, avalia.
Apesar de prático e discreto na forma de guardar — basta dobrá-lo e colocar em algum cantinho do armário —, o varal de piso ocupa bastante espaço e demanda uma boa área livre quando abertos. “Se for em uma área externa, perfeito, mas apartamento não tem muito espaço para esses varais”, comenta Rafa.
O amplo ambiente de serviço conseguiu acomodar dois grandes varais de teto. Piso cinza da Portinari e bancadas de quartzo stones da Orostone
Rafael Renzo/Divulgação | Projeto do escritório AS Arquitetas SP
Mais baixo, ele também não acomoda bem roupas maiores, como lençóis. “É uma opção emergencial, normalmente para o inverno, quando as roupas demoram mais para secar. Tem que pensar no dia que vai usá-lo para ele não atrapalhar e ficar no meio da casa. Se deixar para lavar a roupa na sexta e utilizar esse varal, ele vai virar um ‘objeto de decoração’”, analisa Rafa.
Varal para espaços pequenos
Em espaços compactos, a arquiteta Mariana indica apostar nos modelos que aproveitam superfícies verticais ou a altura do cômodo. A escolha depende, principalmente, do layout do espaço.
A máquina de lavar roupas e o cabideiro ficam guardados dentro de um armário nesta área de serviço
Guilherme Pucci/Divulgação | Projeto do Studio Guadix
“O varal de teto costuma ser uma solução muito eficiente. Os retráteis de parede também funcionam bem, porque ocupam pouco espaço quando fechados. Já os elétricos podem ser interessantes quando há pouca ventilação natural, pois ajudam a acelerar o processo de secagem”, afirma.
De acordo com Cinthia, os modelos de parede permitem, por exemplo, a instalação em níveis, um sobre o outro, o que facilita a secagem de peças de diferentes comprimentos. “Já os varais de teto podem ser dimensionados de acordo com o espaço disponível, oferecendo maior capacidade sem comprometer a área de circulação”, destaca a profissional.
A lavanderia foi escondida pela porta de correr e permite “esconder” a bagunça e ganhou um cabideiro que funciona como um discreto varal
Felco/Divulgação | Projeto do Estúdio Maré
Varal para espaços integrados
Quando a lavanderia é integrada à cozinha, a escolha do modelo de varal precisa ser mais criteriosa, equilibrando funcionalidade e estética. Um ponto que merece atenção é a proximidade do acessório em relação ao fogão.
“O calor, o vapor e a gordura provenientes do preparo dos alimentos podem impregnar nas roupas em secagem. Portanto, sempre que possível, o varal deve ser instalado afastado da área de cocção. Em projetos com ilha e coifa eficiente, esse impacto pode ser minimizado, mas ainda assim o cuidado com a localização é essencial”, ressalta Cinthia.
A área de serviço é uma continuação da cozinha, com os mesmos acabamentos de piso, parede e marcenaria. Para manter a materialidade, optou-se por um varal estilo cabideiro
Marcelo Nakano Daniel/Divulgação | Projeto do escritório Onze Onze Arquitetura
Além disso, por se tratar de um espaço mais exposto, é importante considerar soluções que reduzam a sensação de desorganização no dia a dia.
“Uma estratégia interessante é utilizar varais retráteis, embutidos em armários ou integrados à marcenaria da área de serviço. Nichos ventilados ou portas vazadas também ajudam a organizar visualmente o cômodo”, ensina Mariana.
O teto em concreto aparente confere o estilo industrial à lavanderia com base branca e tons claros. Um cabideiro chumbado no teto funciona como varal
Mariana Orsi/Divulgação | Projeto do Studio 92 Arquitetura
Outro ponto essencial, destaca a arquiteta, é posicionar o varal próximo a janelas ou áreas com ventilação adequada. “Isso evita acúmulo de umidade e melhora a eficiência da secagem das roupas”, diz.
Varal embutido na marcenaria
De acordo com Mariana, em apartamentos compactos, esconder o varal na marcenaria ajuda a manter a área de serviço mais organizada visualmente. “É possível criar nichos, armários técnicos ou painéis que acomodem o varal de forma elegante”, sugere.
Os tons claros e a marcenaria se fazem presente na lavanderia. Pela falta de espaço no teto, um cabideiro instalado na marcenaria faz as vezes de varal
Nathalie Artaxo/Divulgação | Projeto da arquiteta Flávia Theodorovitz
Ela lembra, no entanto, que é essencial garantir ventilação adequada para que a roupa consiga secar corretamente. Também é preciso levar em conta, que, dependendo do material, a presença constante de tecidos úmidos em contato com o móvel pode comprometer a sua durabilidade a longo prazo.
Apesar do apelo estético, trata-se de uma solução que, na prática, dependendo do volume de roupas lavadas, pode não ser tão funcional, na avaliação de Rafa.
Com boa metragem, o teto da área de serviço conseguiu acomodar três varais. O tanque híbrido serve tanto uso da lavanderia como para os banhos da pet
Nathalie Artaxo/Divulgação | Projeto do escritório SP Estúdio
“Ele é discreto, mas não cabe, por exemplo, um lençol king size, que é enorme. É legal, de repente, para o dia a dia ou para quando você não vai pendurar muita roupa. Mas teria que ter outro varal para apoio”, pontua a personal organizer.
Varal estilo cabideiro
Para as arquitetas, o cabideiro na área de serviço pode funcionar como um varal para secar peças delicadas, que não devem ser presas com prendedores, como camisas sociais ou roupas que precisam manter o formato.
Para manter o ar minimalista, as dependências de serviço ganharam um varal feito de tubos pretos fixados no teto
Julia Tótoli/Divulgação | Projeto do escritório CoDA Arquitetura
“Ele ajuda a reduzir marcas e facilita a organização. No entanto, normalmente funciona melhor como apoio ao varal principal, já que ocupa mais espaço linear e tem menor capacidade para secar grandes volumes”, opina Mariana.
O cabideiro também é útil no processo de passar roupas, permitindo pendurar as peças diretamente nos cabides. “É uma solução versátil e bastante aplicada em projetos”, afirma Cinthia.
O varal foi posicionado ao centro do teto da estreita lavanderia. O porcelanato verde Acqua GN NAT Bold, da Portinari, confere sofisticação ao ambiente, que fica perto da área social, assim como a marcenaria personalizada executada pela Scholl Móveis
Rafael Renzo/Divulgação | Produção: Deborah Apsan/Divulgação | Projeto da arquiteta Beatriz Quinelato
Como combinar o varal com a decoração
Para Mariana, a melhor e mais simples forma de integrar o varal ao ambiente, sem que pareça um elemento improvisado, é escolher acabamentos que conversem com os metais da cozinha ou da lavanderia, como alumínio escovado ou inox.
“Também é possível alinhar o varal à linguagem da marcenaria. Em projetos contemporâneos, a ideia é que o varal seja discreto e praticamente desapareça visualmente quando não está em uso”, destaca a arquiteta.
Um varal personalizado ocupa toda a extensão do teto da lavanderia. O ambiente tem bancada de granito branco Itaúnas Levigado, da Marmoraria Pedra Julia
Monica Assan/Divulgação | Projeto da arquiteta Flávia Theodorovitz
Cinthia acredita que, nestes casos, os varais retráteis de parede, com acabamento mais discreto, costumam ser uma boa alternativa para quem busca minimizar o impacto visual sem comprometer a funcionalidade.
“O varal é, essencialmente, um elemento funcional, o que torna sua integração estética mais desafiadora. Quando vazio, pode até passar despercebido, mas em uso tende a impactar visualmente o ambiente”, aponta.
Integrada à cozinha, a lavanderia recebeu um discreto cabideiro embutido na marcenaria, feita de MDF com acabamento em melanina no tom de areia, executada pela Evviva
Fernando Willadino/Divulgação | Projeto da arquiteta Bruna Ramos
Cuidados de conservação do varal
Para mante o varal firme e seguro – sem desabar sobre a cabeça no caso dos de teto –, é necessário se atentar ao peso máximo suportado pelo acessório. “Evite a sobrecarga, distribuindo o peso das roupas de forma equilibrada para não comprometer a estrutura”, alerta Cinthia.
A lavanderia separada recebeu marcenaria toda branca executada pela Lótus Interiores, com direito a cabideiro para dar praticidade no dia a dia
Fabio Jr. Severo/Divulgação | Projeto do escritório Studio Casarina
A limpeza periódica com pano úmido também é recomendada, especialmente nas ferragens, articulações e cordas, que podem ser trocadas de tempos em tempos para garantir o bom funcionamento do varal.
O acessório também precisa ser limpo com água e detergente neutro para retirar algum resíduo de produto que ficou na roupa, como amaciante, que tem gordura na formulação, evitando manchar outras peças. “É um cuidado a mais não só com o varal, mas principalmente com as nossas roupas”, fala Rafa.
O espaço amplo e aberto conseguiu acomodar com tranquilidade um grande varal de teto. O desejo foi transformar o ambiente em um espaço de convivência que funcionasse como uma varanda
Cris Farhat/Divulgação | Projeto do escritório Cota760 Arquitetura
Confira abaixo mais ideias de projetos com varais práticos, bonitos e funcionais!
Com a inversão da cozinha e da lavanderia, a área de serviço ficou na parte mais interna do living e foi embutida na marcenaria, que abriga a lava e seca da Electrolux e um pequeno cabideiro que serve de varal
Israel Gollino/Divulgação | Projeto do StudioVA Arquitetos
O varais foram acomodados no teto da lavanderia com bancada de quartzo branco, com execução da WM Mármores, e marcenaria em compensado naval paricá, feita pelo marceneiro Raphael Bueno
Leila Viegas/Divulgação | Projeto do escritório Sabará Arquitetura
Com varal de teto, o ambiente segue as cores e a materialidade do projeto, com marcenaria executada com MDF Louro Freijó, da Arauco, no armário aéreo, e MDF Azul Petróleo, da Guararapes, nos demais compartimentos
Júlia Tótoli/Divulgação | Projeto do escritório Mariana Jerônimo Arquitetura
Ao lado da despensa, a área de serviço tem ladrilho hidráulico da Dalle Piagge, que pode ser visto mesmo com as portas fechadas, através da malha perfurada feita com MDF usinado. O cabideiro faz as vezes de varal no espaço
Carolina Lacaz/Divulgação | Projeto do escritório Zalc Arquitetur
Na reforma, a lavanderia foi reposicionada e seguiu a materialidade da cozinha, com bancadas de granito Álamo escovado, da Sahara Marmoraria. O varal perto da janela garante circulação de ar
Júlia Tótoli/Divulgação | Projeto da arquiteta Marcella Schiavoni
O varal de teto personalizado foi a escolha para a pequena lavanderia, já que otimiza o ambiente e ajuda na circulação
Lufe Gomes/Editora Globo | Projeto do arquiteto Luis Bernardini
Discreto, o varal de teto quase não é visível quando não está em uso. A marcenaria verde, executada com MDF Verde Sálvia, da Duratex, chama a atenção
Mariana Boro/Divulgação | Projeto do escritório Woho Arquitetura
No teto, o varal organiza melhor o pequeno espaço com janela de madeira retangular que dá para o home office/quarto de hóspedes
Ana Helena Lima/Divulgação | Projeto do escritório Macaxá Arquitetura
Clean, a área de serviço tem marcenaria com MDF Cor Areia, da Guararapes, pela WF Marcenaria. O varal perto da janela garante circulação de ar para secar as roupas
Carolina Mossin/Divulgação | Projeto do arquiteto Pedro Olavo
A lavanderia tem um discreto varal no teto, bancada de granito branco Siena e piso de porcelanato off-white da Portobello
Renata Freitas/Divulgação | Projeto do escritório Sensum Arquitetura
O espaço foi planejado para atender às necessidades do morador e de seu pet. Para garantir amplitude, o varal foi instalado no teto do espaço
Leila Viegas/Divulgação | Projeto do escritório COTA760 Arquitetura
Embutida na sacada, a área de serviço com varal de teto fica escondida pelas portas quando não está em uso. A obra civil foi realizada pela Constech
Leila Viegas/Divulgação | Projeto do escritório Altera Arquitetura



