Da percepção da falta de livros sobre mulheres arquitetas, a pesquisadora Érica Martins desenvolveu seu trabalho de mestrado na Universidade Federal do Ceará (UFC) sobre Nícia Paes Bormann. A dissertação deu origem ao livro Rompendo silêncios: visibilizando as mulheres arquitetas através da trajetória de Nícia Paes Bormann, que conta a história da arquiteta e discute a ausência e o apagamento das mulheres no setor.
“O encontro com o trabalho da Nícia aconteceu um pouco antes da minha pesquisa, como quem encontra algo que deveria estar no centro, mas está à margem. A pesquisa foi se tornando uma investigação sobre esse apagamento”, conta Érica.
Nascida em 1940 no Rio de Janeiro, RJ, Nícia Paes Bormann é arquiteta, urbanista, paisagista e artista plástica. Filha de pai cearense, foi principalmente no estado nordestino que deixou suas contribuições. “O nome de Nícia não estava na historiografia da arquitetura cearense. Agora, sua história começa a ser contada de outra forma”, fala a autora.
A obra ‘Rompendo silêncios: visibilizando as mulheres arquitetas através da trajetória’, de Érica Martins, resgata a trajetória da arquiteta Nícia Paes Bormann e propõe uma reflexão sobre o apagamento das mulheres na arquitetura
Natália Rocha/Divulgação
Nícia foi uma das pioneiras do modernismo no estado e foi docente da Universidade Federal do Ceará (UFC), onde criou a disciplina de Paisagismo. Também ocupou cargos na prefeitura de Fortaleza, contribuindo para o planejamento urbano da cidade.
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Ela fundou um escritório em 1999 e realizou, em especial, projetos paisagísticos, como o Parque da Cidade em Sobral e a Assembleia Legislativa do Ceará. “É uma arquitetura comprometida com o clima, com a paisagem, com a materialidade, com a regionalidade e com o cotidiano. Uma arquitetura que se organiza a partir da vida, e não da imagem”, pontua Érica.
Nícia Paes Bormann foi figura central na introdução do modernismo no Ceará e introduziou o Paisagismo como disciplina na Universidade Federal do Ceará (UFC)
Natália Rocha/Divulgação
Mais do que a trajetória de Nícia, o livro propõe uma leitura crítica sobre os mecanismos que contribuíram para a invisibilização das mulheres no campo. A autora destaca ideias como o mito do gênio solitário, o da domesticidade e o do trabalhador ideal.
“Durante muito tempo, o olhar foi treinado para reconhecer certos tipos de obra, discursos e figuras. Quando a gente amplia esse olhar, outras arquiteturas aparecem, assim como outras formas de projetar, de atuar, de pensar”, aponta Érica.
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A publicação da obra foi viabilizada por meio de edital do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Ceará (CAU-CE). Entre a dissertação e o livro, passaram-se cinco anos, período em que o trabalho foi revisto e atualizado, atravessado também por transformações coletivas e pessoais da autora.
O lançamento oficial aconteceu na última semana em Fortaleza, CE, e contará ainda com lançamento em São Paulo, SP, no mês de abril.
“O encontro com o trabalho da Nícia aconteceu um pouco antes da minha pesquisa, como quem encontra algo que deveria estar no centro, mas está à margem. A pesquisa foi se tornando uma investigação sobre esse apagamento”, conta Érica.
Nascida em 1940 no Rio de Janeiro, RJ, Nícia Paes Bormann é arquiteta, urbanista, paisagista e artista plástica. Filha de pai cearense, foi principalmente no estado nordestino que deixou suas contribuições. “O nome de Nícia não estava na historiografia da arquitetura cearense. Agora, sua história começa a ser contada de outra forma”, fala a autora.
A obra ‘Rompendo silêncios: visibilizando as mulheres arquitetas através da trajetória’, de Érica Martins, resgata a trajetória da arquiteta Nícia Paes Bormann e propõe uma reflexão sobre o apagamento das mulheres na arquitetura
Natália Rocha/Divulgação
Nícia foi uma das pioneiras do modernismo no estado e foi docente da Universidade Federal do Ceará (UFC), onde criou a disciplina de Paisagismo. Também ocupou cargos na prefeitura de Fortaleza, contribuindo para o planejamento urbano da cidade.
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Ela fundou um escritório em 1999 e realizou, em especial, projetos paisagísticos, como o Parque da Cidade em Sobral e a Assembleia Legislativa do Ceará. “É uma arquitetura comprometida com o clima, com a paisagem, com a materialidade, com a regionalidade e com o cotidiano. Uma arquitetura que se organiza a partir da vida, e não da imagem”, pontua Érica.
Nícia Paes Bormann foi figura central na introdução do modernismo no Ceará e introduziou o Paisagismo como disciplina na Universidade Federal do Ceará (UFC)
Natália Rocha/Divulgação
Mais do que a trajetória de Nícia, o livro propõe uma leitura crítica sobre os mecanismos que contribuíram para a invisibilização das mulheres no campo. A autora destaca ideias como o mito do gênio solitário, o da domesticidade e o do trabalhador ideal.
“Durante muito tempo, o olhar foi treinado para reconhecer certos tipos de obra, discursos e figuras. Quando a gente amplia esse olhar, outras arquiteturas aparecem, assim como outras formas de projetar, de atuar, de pensar”, aponta Érica.
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A publicação da obra foi viabilizada por meio de edital do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Ceará (CAU-CE). Entre a dissertação e o livro, passaram-se cinco anos, período em que o trabalho foi revisto e atualizado, atravessado também por transformações coletivas e pessoais da autora.
O lançamento oficial aconteceu na última semana em Fortaleza, CE, e contará ainda com lançamento em São Paulo, SP, no mês de abril.



