Apartamento de 80 m² no centro de SP vira refúgio com madeira e jardim suspenso

Viver no centro de São Paulo, a poucos passos de cinemas, cafés, restaurantes e ícones da arquitetura modernista, como o edifício Copan, era mais do que uma conveniência para o casal de arquitetos: um projeto de vida.
Foi com esse espírito que Almiro Dias, integrante do escritório BA/SP Arquitetura (@ba_sp.arquitetura), e Karen Siqueira, sócia da imobiliária Refúgios Urbanos, encontraram um apê de 80 m² na Vila Buarque que, apesar do potencial, parecia esconder suas melhores qualidades.
Localizado em um prédio da década de 1950, o imóvel estava escurecido por uma decoração pesada e por paredes de gesso acartonado que bloqueavam as janelas.
RETRATO | O casal Almiro Dias e Karen Siqueira estão na sala com a cachorrinha Narcisa
Carolina Mossin/Divulgação
A reforma, conduzida pelo próprio escritório do arquiteto, partiu do desejo de revelar a estrutura original, trazer luz natural e criar uma morada com jardim suspenso conectada com a vida vibrante do bairro. “A ideia era basicamente descascar o apartamento, retirar camadas e permitir que a arquitetura original voltasse a respirar”, conta Almiro.
Leia mais
Com essa premissa, a intervenção eliminou compartimentações e abriu caminho para uma planta mais fluida. Pilares estruturais de concreto foram revelados, assumindo a honestidade construtiva do edifício, enquanto paredes de tijolinhos brancos e textura cimentícia construíram uma base clara e acolhedora.
SALA DE JANTAR | Ao lado da ilha da cozinha, a mesa redonda Lina, da Estar Móveis, foi combinada com as cadeiras de jacarandá maciço, assento e encosto em chenille bege, do acervo dos moradores. Os dois quadros, ao centro, são de artista desconhecido, enquanto o da direita é uma pintura naïf da artista D. Vanni, na Galeria Teo. Sobre o aparador, conjunto de cabeças em cerâmica, de Cida Lima, na Cestarias Régio. As paredes receberam textura Coral Decora Efeitos Especiais Cimento Queimado, na cor Cinza da Manhã. Persiana horizontal de madeira marfim, da Amorim Cortinas
Carolina Mossin/Divulgação
O living integrado estabelece uma relação direta com o terraço. Grandes portas-balcão com guarda-corpo ampliam visualmente o espaço e deixam a luz natural invadir o interior. “Queríamos que a sala fosse uma extensão da cidade, mas também um refúgio para desacelerar”, explica o arquiteto. A materialidade reforça essa intenção: madeira, concreto aparente e superfícies claras criam equilíbrio entre rusticidade e leveza.
Na sala de estar, o pé-direito de 3 metros revelado na reforma se tornou um dos principais protagonistas. O mobiliário privilegia peças de desenho contemporâneo e proporções leves, que permite que a arquitetura apareça. O concreto aparente dos pilares contrasta com a madeira e com a paleta clara das paredes. “Optamos por poucos materiais e deixamos que suas texturas falassem por si”, diz Almiro.
COZINHA | A ilha tem estrutura de MDF Louro Freijó Poro, da Arauco, com execução da MR Mobílias, e bancada de granito Itaúnas escovado, executada pela Premiatta Mármores e Granitos. A estrutura original aparece nos dois pilares de concreto aparente; no da esquerda, está o espelho de Zé Arns. A parede em volta da porta foi pintada com a cor Castanha do Pará Fosco, da Suvinil. Piso de porcelanato Munari Marfim Acetinado, da Eliane
Carolina Mossin/Divulgação
A sala de jantar surge integrada ao living, como uma extensão fluida da planta. A proximidade com a cozinha favorece a convivência e reforça o seu caráter informal, pensado para encontros com amigos. A presença constante da luz natural valoriza as superfícies e cria um ambiente sereno, onde arte, design e arquitetura convivem de forma natural.
A cozinha com ilha se abre completamente para a área social, com marcenaria sob medida que organiza armários e equipamentos sem interferir visualmente na amplitude. “A cozinha precisava ser funcional, mas também participar da vida da casa”, comenta o arquiteto. Materiais como madeira freijó e superfícies claras ajudam a integrar o cômodo ao living.
COZINHA | Armários feitos de MDF Louro Freijó Poro, da Arauco, pela MR Mobílias. Ao fundo, na parede de tijolos aparentes, espelho da Leroy Merlin e bananas adquiridas na loja Cestarias Régio
Carolina Mossin/Divulgação
Logo ao lado, o terraço funciona como varanda-jardim e se tornou um dos lugares mais especiais do apê. Coberto por vidro filtrado por muxarabis de madeira, recebe uma abundante coleção de plantas — entre jabuticabeiras, palmeiras, filodendros e trepadeiras — que criam um pequeno oásis verde no centro da capital paulista.
“Esse jardim suspenso é o nosso respiro. Cria sombra, refresca o ambiente e muda completamente o apartamento”, conta Almiro. “O morar sempre teve um peso importante na minha vida e eu sempre quis que a minha casa fosse um refúgio, um lugar para eu recarregar as energias depois de um dia cheio”, completa Karen.
SUÍTE | Posicionada como uma ilha no centro do quarto, a cama tem cabeceira de MDF Louro Freijó Poro, da Arauco, e palhinha indiana natural, com bancada de mármore verde Guatemala, executada pela MR Mobílias, responsável também pelos armários no mesmo MDF. Sobre a bancada, abajur com base de cerâmica, da Zara Home; escultura de pássaro, da Galeria Teo; e peça de Yasmin Sayuri, adquirida na loja Gengibrão, que também forneceu o vaso de Call Jim sobre a mesa de cabeceira. Roupa de cama da Conamore. Manta de tricô verde e capas de almofada da Camicado. Capa de edredom da Zara Home. O home office foi instalado atrás da cabeceira, na varanda, onde também está o aparador antigo com vaso chinês, ambos do acervo dos moradores
Carolina Mossin/Divulgação
A suíte apresenta uma solução pouco convencional: a cama foi posicionada como uma ilha no centro do cômodo. A cabeceira de madeira freijó e palhinha natural funciona como elemento multifuncional — de um lado, apoia a cama; do outro, abriga um pequeno home office.
Leia mais
“Essa solução permitiu criar um espaço de trabalho sem comprometer a circulação nem a leveza visual do quarto”, explica o arquiteto. Armários camuflados com painéis ripados ajudam a manter o ambiente organizado, enquanto janelões do piso ao teto garantem abundante iluminação natural.
HOME OFFICE | A bancada de mármore Espírito Santo, da Premiatta Mármores e Granitos, foi instalada atrás da cabeceira da cama. Cadeira de jacarandá maciço e chenille do acervo pessoal do casal, assim como o arquivo dos anos 1960, em metal e vidro canelado. Cortinas de linho natural cru, com execução da Tapeçaria Sandra
Carolina Mossin/Divulgação
No pequeno home office, a marcenaria organiza nichos e superfícies de trabalho, mantendo a linguagem visual do projeto.
O banheiro segue a lógica de materialidade natural. A bancada recebe duas cubas esculpidas em quartzito Taj Mahal, cuja tonalidade clara reforça o bem-estar. Pastilhas verdes introduzem um toque de cor e memória afetiva, dialogando com portas de madeira maciça e vidro mini boreal.
BANHEIRO | Sob a bancada esculpida de quatzito Taj Mahal, com execução da Premiatta Mármores e Granitos, estão os armários feitos de MDF Louro Freijó Poro e serralheria branca pela MR Mobílias. Metade da parede recebeu textura Coral Decora Efeitos Especiais Cimento Queimado, na cor Cinza, e pastilhas cerâmica esmaltada verde, 5 x 5 cm, Istambul, da Jatobá. Quadro e vaso do acervo dos moradores
Carolina Mossin/Divulgação
Além disso, um espelho suspenso diante da janela cria um interessante jogo de reflexos e transparências. “A luz natural foi determinante para a atmosfera do banheiro. Queríamos um espaço claro, tranquilo e sensorial”, afirma Almiro.
BANHEIRO | As paredes da área do boxe são revestidas de pastilhas cerâmica esmaltada verde, 5 x 5 cm, Istambul, da Jatobá, que também forneceu as pastilhas de porcelana, na cor Névoa, aplicadas no piso. Banco e nichos de quartzito Taj Mahal, com execução da Premiatta Mármores e Granitos, responsável também pela floreira de granito Itaúnas escovado, onde estão ficus lyrata e lírios
Carolina Mossin/Divulgação
Ao final da reforma, o apartamento se transformou em um verdadeiro refúgio urbano no coração de São Paulo. “O maior luxo aqui é poder viver a cidade a pé e, ao mesmo tempo, ter um espaço que nos acolhe e desacelera”, resume o arquiteto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima