Esse prédio já foi o “mais perigoso do Brasil” e agora busca mudar sua história

Durante décadas, uma torre residencial na Praia de Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, ficou conhecida como o “edifício mais perigoso do Brasil”. Nomeado originalmente como Rajah e rebatizado mais tarde como Solymar, o prédio ganhou fama nacional entre os anos 1990 e 2000, quando episódios recorrentes de violência e atividades ilegais passaram a ser documentados pela imprensa e por autoridades locais.
Construído na década de 1950, o então Edifício Rajah foi um dos primeiros grandes conjuntos residenciais compostos majoritariamente por estúdios na região.
Com 707 unidades e estimativa de aproximadamente dois mil moradores, tornou-se exemplo de um modelo habitacional que ajudou a impulsionar a verticalização da zona sul carioca. A proposta era atender à demanda crescente por moradia compacta em áreas centrais, aproximando trabalhadores das zonas comerciais e de serviços.
O edifício Solymar (nome atual), com mais de 700 unidades, exemplifica um modelo de arquitetura residencial dos anos 1950 voltado à alta densidade em áreas centrais
Google Maps/Reprodução
A grande quantidade de residentes e a circulação intensa de pessoas contribuíram para que o prédio enfrentasse problemas de convivência e segurança ao longo do tempo. A partir da década de 1990, reportagens passaram a registrar a presença de tráfico de drogas, prostituição e crimes violentos dentro do condomínio, incluindo um homicídio em 1999.
Leia mais
Outro episódio frequentemente citado em registros históricos e jornalísticos descreve o atropelamento de uma pessoa por uma motocicleta dentro de um dos corredores da construção — um acontecimento incomum que reforçou a notoriedade “perigosa” do local.
Durante anos, o condomínio Rajah foi ponto de encontro da Torcida Jovem, a torcida organizada do Botafogo
X/@JovemdoBotafogo/Reprodução
Em diferentes momentos, o prédio também foi alvo de operações policiais. Apesar da reputação negativa que se consolidou ao longo dos anos, o edifício ocupa uma localização estratégica em frente à Baía de Guanabara, em uma das áreas mais valorizadas da capital fluminense.
Leia mais
Na virada dos anos 2000, uma série de mudanças administrativas e estruturais marcou o início de um processo de requalificação. Entre as medidas adotadas estiveram o reforço do controle de acesso, a reorganização da gestão condominial e a realização de reformas internas. Nesse contexto, o prédio deixou oficialmente de se chamar Rajah e passou a adotar o nome Solymar, em uma tentativa de dissociar o condomínio de seu passado conturbado.
O caso tornou-se referência em debates sobre urbanismo e gestão de grandes conjuntos residenciais. Especialistas costumam apontar o Rajah como exemplo dos desafios relacionados à manutenção da segurança em prédios com alta densidade populacional, sobretudo quando há predominância de unidades compactas e grande rotatividade de moradores. A construção permanece como um marco urbano que ilustra transformações sociais e habitacionais ocorridas ao longo do século 20 no Rio de Janeiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima