Pavilhão circular de madeira recupera área alagada em parque no México

Um pavilhão circular de madeira tornou-se o elemento central de um projeto de restauração ambiental e conservação de espécies no México. Chamado de Ajolotario, o centro foi desenvolvido pelo escritório Riparia MX dentro do Parque Sierra Morelos e combina arquitetura, paisagismo e sustentabilidade.
O projeto foi criado para apoiar a conservação de seis espécies ameaçadas de axolotes — anfíbios nativos da região — além de outros animais locais. A iniciativa também contribui para a recuperação do ecossistema do parque, degradado ao longo dos anos.
Método construtivo mais sustentável
O Ajolotario é reconhecido como o primeiro edifício no México construído com madeira laminada cruzada, técnica conhecida como CLT (cross-laminated timber). Esse sistema substitui materiais convencionais, como concreto e aço, por painéis estruturais de madeira maciça, reduzindo a emissão de carbono durante a construção.
O pavilhão projetado pelo escritório Riparia MX permite a observação da biodiversidade acima e abaixo d’água
Onnis Luque/Riparia MX/Divulgação
Os painéis são formados por camadas de madeira dispostas em direções alternadas, o que garante estabilidade estrutural e permite a fabricação prévia das peças, tornando a montagem mais rápida. Quando proveniente de manejo responsável, a madeira também contribui para o armazenamento de carbono, reforçando a proposta de sustentabilidade do projeto.
O sistema construtivo do pavilhão visa capturar CO₂ e desafiar os estigmas em torno da madeira como material de construção no México
Onnis Luque/Riparia MX/Divulgação
Além da estrutura de CLT, o projeto utilizou concreto reciclado em caminhos permeáveis e madeira reaproveitada em deques e pontes. A construção foi concluída em cerca de oito meses, com a participação de aproximadamente 400 trabalhadores, incluindo carpinteiros especializados em madeira.
Como parte do plano de restauração do Parque Sierra Morelos, foram construídos também parques infantis com material reciclado
Onnis Luque/Riparia MX/Divulgação
Integração entre arquitetura e biodiversidade
O porão do pavilhão abriga terrários e aquários com animais resgatados e em metamorfose
Onnis Luque/Riparia MX/Divulgação
Antes da intervenção, o principal lago do parque havia perdido grande parte da sua capacidade devido aos vazamentos e à degradação ambiental. Para solucionar o problema, foi implantado um sistema de recuperação e tratamento de águas residuais capaz de processar cerca de 430 m³ por dia.
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A água coletada de comunidades próximas passa por tratamentos biológicos e por filtragem natural em áreas úmidas, riachos e zonas plantadas. O sistema permite reutilizar a água tratada na irrigação e em usos não potáveis dentro do parque, enquanto o excedente retorna ao ambiente natural, contribuindo para a recuperação do lago.
Janelas circulares com vista para o lago revelam o habitat real do pântano
Riparia MX/Divulgação
Essa infraestrutura também favorece a biodiversidade ao criar novos habitats para aves, anfíbios e outras espécies. O pavilhão foi implantado diretamente na área alagada, permitindo a observação da natureza e criando uma relação contínua entre a arquitetura e o ambiente.
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O entorno recebeu cerca de 20 mil plantas, distribuídas em aproximadamente 150 espécies nativas, incluindo árvores, arbustos e vegetação aquática. Essa diversidade amplia a resiliência ecológica e contribui para o equilíbrio do ecossistema.
Aquários circulares fazem alusão às claraboias, mostrando réplicas do habitat dos anfíbios
Onnis Luque/Riparia MX/Divulgação

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