Milão 2026: instalação imersiva transforma módulos de mobiliário em arquitetura sensorial

Instalações imersivas lúdicas, que consigam de fato entreter o público e comunicar algo além de mera propaganda, são o pote de ouro no fim do arco-íris ambicionado por todas as marcas que armam ações na Semana de Design de Milão. Às vezes dá certo, como é o caso de Renaissance of the Real, em que a empresa suíça USM Modular Furniture juntou o trabalho multissensorial da designer de experiências conterrânea Annabell Kutucu à inteligência do escritório de arquitetura norueguês Snøhetta.
Os autores conceberam uma estrutura metálica semelhante a andaimes, feita só com módulos de móveis da marca (que podem formar de estantes a mesas de apoio, passando por cômodas, gaveteiros, armários, arquivos e toda sorte de mobiliário de armazenamento) no meio do jardim da Fondazione Luigi Rovati. Os muitos espaços vazios entre os módulos são preenchidos por uma espécie de membrana branca têxtil que se ramifica em várias direções, dando origem a bolhas e túneis onde os visitantes podem entrar e se relacionar sensorialmente com o cenário etéreo ao redor. Ou, como declararam os criadores da obra, “desacelerar e reconectar com o espaço, os objetos, e nosso próprio corpo” — isso, claro, se as pessoas toparem deixar de lado o celular, algo difícil de acontecer num local cujas virtudes estéticas tornam a experiência também bastante instagramável.
Milão 2026: instalação imersiva transforma módulos de mobiliário em arquitetura sensorial
De todo modo, seja para experimentar uma outra forma de estar presente no espaço, seja para fazer bonito nas redes sociais, a instalação funciona. Assim como funciona a intenção da USM de demonstrar que a modularidade do seu produto transforma mobiliário em arquitetura num estalar de dedos – ou melhor, de neurônios. Na medida para a flexibilidade exigida nos dias de hoje.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima