Dalton Paula, Lais Myrrha e Davi de Jesus do Nascimento abrem novas exposições e instalações no Inhotim

Dalton Paula, Lais Myrrha e Davi de Jesus do Nascimento abrem as comemorações dos 20 anos do Instituto Inhotim, em Minas Gerais, reforçando o papel central do museu no circuito da arte contemporânea. As inaugurações dos artistas reúnem desde uma escultura monumental ao ar livre até instalações imersivas e uma ampla mostra panorâmica, ampliando o diálogo entre arte, paisagem e memória que caracteriza o museu.
Dalton Paula, Lais Myrrha e Davi de Jesus do Nascimento abrem novas exposições e instalaçõ
Uma delas é Contraplano, obra inédita de Lais Myrrha produzida especialmente para o Inhotim. Instalada em um ponto estratégico dos jardins, a escultura se impõe na paisagem ao mesmo tempo em que convida à permanência e à interação do público. “Queria um espaço que dialogasse ativamente com a paisagem e onde as pessoas pudessem permanecer e aproveitar da maneira que quisessem, seja para conversar, fazer um piquenique ou simplesmente aproveitar a vista”, contou a artista belo-horizontina durante a abertura.
Detalhes da estrutura da escultura criada por Lais Myrrha
Ícaro Moreno
Com vista para as montanhas mineiras — e para as marcas da mineração —, a obra estabelece um diálogo com o modernismo brasileiro ao evocar o edifício projetado por Oscar Niemeyer para a Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. As curvas sinuosas e os brises horizontais retomam esse repertório modernista, enquanto o uso do concreto tensiona esse legado ao sugerir uma reflexão sobre os impactos da indústria e da construção moderna.
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Detalhes da instalação “Tororoma”, de Davi de Jesus do Nascimento
Ícaro Moreno
A poucos passos dali, na Galeria Nascente, o artista Davi de Jesus do Nascimento apresenta a instalação Tororoma, profundamente enraizada em sua trajetória pessoal. Natural de Pirapora, às margens do Rio São Francisco, ele se define como “barranqueiro” — identidade que atravessa sua produção. “A permissão de tudo que faço vem através do curso das águas do São Francisco”, comentou o artista durante a inauguração da instalação.
A carranca, esculpida por Mestre Expedito, ocupa um espelho d’água no centro da instalação
Ícaro Moreno
A obra se estrutura a partir das ideias de fluxo e transformação, evocando as águas e o imaginário do sertão mineiro. Em um ambiente de meia-luz e chão de terra batida, a instalação reúne obras e um vídeo realizado nas Cavernas do Peruaçu, criando uma atmosfera imersiva. Referências ao universo literário de Guimarães Rosa se somam a uma dimensão íntima: a obra também homenageia a mãe do artista, que morreu afogada em 2013.
Escorpiões feitos de resina também integram a exposição, que evoca o Rio São Francisco
Ícaro Moreno
No centro do espaço, uma carranca esculpida por Mestre Expedito — importante nome da tradição popular, que não realizava novas peças há cerca de dez anos — emerge de um espelho d’água, enquanto outras duas marcam a entrada da galeria, evocando símbolos tradicionais de proteção. Troncos retorcidos, escorpiões de resina e uma música envolvente completam a atmosfera potente da instalação.
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“Dupla Cura” reúne mais de 100 obras do artista goiano Dalton Paula
Ícaro Moreno
Finalizando com chave de ouro, o artista goiano Dalton Paula ocupa a Galeria Mata com a exposição panorâmica Dupla Cura, que reúne mais de 100 obras produzidas desde a década de 1990 até hoje. A mostra articula pinturas, fotografias e videoinstalações que revisitam a história e a cultura afro-brasileiras, propondo a reconstrução de memórias apagadas e afirmando a arte como gesto de cuidado, pertencimento e resistência. Entre os destaques está Fanfarra (2026), da série Infâncias Negras, uma tela monumental de 9,6 metros de comprimento por 1,80 metro de altura.
A obra “Fanfarra”, produzida por Dalton Paula especialmente para a exposição, é um dos destaques
Ícaro Moreno
Em sua inauguração, a mostra contou com uma apresentação da Escola de Música Inhotim e do coral do Sertão Negro, um projeto cultural e educativo em Goiânia criado por Dalton Paula em parceria com Ceiça Ferreira que funciona como ateliê, escola e território de convivência. “É o momento de Dalton Paula dar um passo para trás para que o Sertão Negro possa ocupar o protagonismo”, ressaltou o artista após a apresentação.
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Vista panorâmica da exposição “Dupla Cura”
Ícaro Moreno
As três novas instalações e exposições passam a integrar o acervo de mais de 1.800 obras em exibição no Inhotim, distribuídas por mais de 140 hectares de jardins e galerias. Ao expandir seu programa expositivo, o museu reforça sua vocação como um espaço onde arte contemporânea e natureza se entrelaçam, oferecendo ao público uma experiência sensorial singular.

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