A vontade de conhecer o deserto pode ser motivada por paisagens extremas e diferentes do que já é conhecido. A experiência pode surpreender positivamente, mas também reservar imprevistos, como um encontro nada amigável com um cacto.
Uma internauta compartilhou no TikTok asua experiência ao conhecer o Parque Nacional Joshua Tree, no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, que compreende áreas do deserto Colorado e Mojave.
No vídeo, ela mostra um momento de desespero: “fui atacada por um cacto saltador”, escreve, enquanto tenta retirar, de forma agoniante, parte da planta e seus espinhos da região da canela.
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A publicação alcançou mais de 9,9 milhões de visualizações e gerou comoção nos comentários com a dúvida: “cactos podem pular?”.
A espécie Cylindropuntia fulgida, conhecida como cholla saltadora, é a protagonista do vídeo viral. Por meio de um mecanismo de reprodução, partes do cacto se desprendem com facilidade e dão a impressão de saltar.
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“É uma espécie formada por segmentos, ligados por pontos de ruptura natural. Basta um leve toque, vento forte ou contato com um animal para o pedaço se soltar”, explica o engenheiro-agrônomo Eduardo Furnari.
A característica é um método de dispersão da espécie, mas que acaba funcionando de forma secundária como mecanismo de proteção.
Espécie típica de desertos norte-americanos, a ‘Cylindropuntia fulgida’ se propaga por meio do desprendimento de seus segmentos
Katja Schulz/Flickr
Após se soltar, os segmentos ficam presos à superfície do solo ou em animais e pessoas por meio de espinhos farpados, que se assemelham ao formato de um anzol.
“São farpas contrárias que aumentam a aderência à superfície”, explica Rodrigo Copat, engenheiro ambiental e colecionador de cactos. “Por isso, no vídeo, vemos que todo aquele pedaço em contato com a pele parece estar sendo puxado”, complementa Eduardo.
A espécie tem origem no deserto de Sonora, no oeste dos Estados Unidos, e também no México. “A espécie é endêmica de região árida, com solo bem drenado e pouca precipitação ao longo do ano. Gosta de sol pleno, é pouco exigente ao manejo e é resistente a pragas”, pontua Rodrigo.
O gênero ‘Cylindropuntia’ reúne cactos de segmentos cilíndricos que se desprendem com facilidade como estratégia de dispersão
Panza Rayada/Wikimedia Commons
Em condições adequadas a Cylindropuntia fulgida pode se desenvolver no Brasil, mas a espécie não é natural daqui. “No país, aparece mais em cultivos de colecionadores de cactos e não está amplamente naturalizada, já que o clima úmido predomina e não favorece a espécie”, diz Eduardo.
Na dúvida, em áreas com cactos, a indicação é evitar passar muito perto da planta, já que é a sensibilidade ao movimento ou ao vento que ativa o “salto” nessa espécie. “Use roupas adequadas, como calças grossas e botas fechadas, e evite tecidos finos”, sugere o engenheiro-agrônomo.
“Em áreas densas, evite pisar perto da base da planta e observe o chão, pois segmentos podem estar caídos”, complementa ele.
A habilidade de saltar, no entanto, não é comum a todos os cactos. O gênero Cylindropuntia costuma ser formado por partes cilíndricas, que podem se soltar com maior ou menor sensibilidade a depender da espécie.
Comum no deserto de Sonora, no oeste dos Estados Unidos — um dos mais ricos em biodiversidade —, cactos do gênero ‘Cylindropuntia’ podem viver de 5 a 200 anos
Krzysztof Ziarnek, Kenraiz/Wikimedia Commons
Outros cactos, no entanto, podem soltar os espinhos sozinhos, sem partes inteiras da planta.
No caso de espinhos presos a pele, não é indicado retirar com as mãos. “Tire com pinças ou alicates. Segure o espinho o mais próximo possível da pele, puxe devagar e reto, sem torcer, isso reduz o risco de quebrar o espinho dentro da pele”, esclarece Eduardo.
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Após a remoção, lave com água e sabão, use antisséptico e não esfregue com força. “Os espinhos podem causar reações alérgicas ou inflamatórias, embora isso não seja o mais comum. Caso aconteça, procure um médico”, diz o engenheiro-agrônomo.
No caso da cholla saltadora, com espinhos farpados, o cuidado deve ser maior. “Os espinhos farpados podem se prender facilmente à pele. Dependendo da profundidade e do local da perfuração, é importante procurar um médico para a remoção”, diz Rodrigo.
Uma internauta compartilhou no TikTok asua experiência ao conhecer o Parque Nacional Joshua Tree, no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, que compreende áreas do deserto Colorado e Mojave.
No vídeo, ela mostra um momento de desespero: “fui atacada por um cacto saltador”, escreve, enquanto tenta retirar, de forma agoniante, parte da planta e seus espinhos da região da canela.
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A publicação alcançou mais de 9,9 milhões de visualizações e gerou comoção nos comentários com a dúvida: “cactos podem pular?”.
A espécie Cylindropuntia fulgida, conhecida como cholla saltadora, é a protagonista do vídeo viral. Por meio de um mecanismo de reprodução, partes do cacto se desprendem com facilidade e dão a impressão de saltar.
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“É uma espécie formada por segmentos, ligados por pontos de ruptura natural. Basta um leve toque, vento forte ou contato com um animal para o pedaço se soltar”, explica o engenheiro-agrônomo Eduardo Furnari.
A característica é um método de dispersão da espécie, mas que acaba funcionando de forma secundária como mecanismo de proteção.
Espécie típica de desertos norte-americanos, a ‘Cylindropuntia fulgida’ se propaga por meio do desprendimento de seus segmentos
Katja Schulz/Flickr
Após se soltar, os segmentos ficam presos à superfície do solo ou em animais e pessoas por meio de espinhos farpados, que se assemelham ao formato de um anzol.
“São farpas contrárias que aumentam a aderência à superfície”, explica Rodrigo Copat, engenheiro ambiental e colecionador de cactos. “Por isso, no vídeo, vemos que todo aquele pedaço em contato com a pele parece estar sendo puxado”, complementa Eduardo.
A espécie tem origem no deserto de Sonora, no oeste dos Estados Unidos, e também no México. “A espécie é endêmica de região árida, com solo bem drenado e pouca precipitação ao longo do ano. Gosta de sol pleno, é pouco exigente ao manejo e é resistente a pragas”, pontua Rodrigo.
O gênero ‘Cylindropuntia’ reúne cactos de segmentos cilíndricos que se desprendem com facilidade como estratégia de dispersão
Panza Rayada/Wikimedia Commons
Em condições adequadas a Cylindropuntia fulgida pode se desenvolver no Brasil, mas a espécie não é natural daqui. “No país, aparece mais em cultivos de colecionadores de cactos e não está amplamente naturalizada, já que o clima úmido predomina e não favorece a espécie”, diz Eduardo.
Na dúvida, em áreas com cactos, a indicação é evitar passar muito perto da planta, já que é a sensibilidade ao movimento ou ao vento que ativa o “salto” nessa espécie. “Use roupas adequadas, como calças grossas e botas fechadas, e evite tecidos finos”, sugere o engenheiro-agrônomo.
“Em áreas densas, evite pisar perto da base da planta e observe o chão, pois segmentos podem estar caídos”, complementa ele.
A habilidade de saltar, no entanto, não é comum a todos os cactos. O gênero Cylindropuntia costuma ser formado por partes cilíndricas, que podem se soltar com maior ou menor sensibilidade a depender da espécie.
Comum no deserto de Sonora, no oeste dos Estados Unidos — um dos mais ricos em biodiversidade —, cactos do gênero ‘Cylindropuntia’ podem viver de 5 a 200 anos
Krzysztof Ziarnek, Kenraiz/Wikimedia Commons
Outros cactos, no entanto, podem soltar os espinhos sozinhos, sem partes inteiras da planta.
No caso de espinhos presos a pele, não é indicado retirar com as mãos. “Tire com pinças ou alicates. Segure o espinho o mais próximo possível da pele, puxe devagar e reto, sem torcer, isso reduz o risco de quebrar o espinho dentro da pele”, esclarece Eduardo.
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Após a remoção, lave com água e sabão, use antisséptico e não esfregue com força. “Os espinhos podem causar reações alérgicas ou inflamatórias, embora isso não seja o mais comum. Caso aconteça, procure um médico”, diz o engenheiro-agrônomo.
No caso da cholla saltadora, com espinhos farpados, o cuidado deve ser maior. “Os espinhos farpados podem se prender facilmente à pele. Dependendo da profundidade e do local da perfuração, é importante procurar um médico para a remoção”, diz Rodrigo.



