A história do impressionante jardim labirinto de Santiago de Compostela

Um grande jardim labiríntico, envolto por construções históricas, é um dos destaques do Pazo de San Lorenzo, em Santiago de Compostela, na Espanha. Na vista aérea, a área verde datada do século 17 forma inusitados desenhos.
Inicialmente, o espaço trazia símbolos eclesiásticos, como a cruz latina e a cruz de Santiago. Com o crescimento das plantas ao longo dos anos, alguns deles acabaram se perdendo e transformando-se em imagens que parecem indecifráveis hieróglifos.
O paisagismo de mais de 400 anos é composto por sebes de buxos (Buxus). Seu desenho alegórico constitui um dos mais importantes e antigos jardins com simbologia religiosa da Espanha, segundo o site oficial do local.
O Pazo de San Lorenzo, em Santiago de Compostela, na Espanha, é envolto por um claustro histórico
Pazo de San Lorenzo/Divulgação
A figuras permaneceram por tantos séculos porque foram moldadas em buxinhos, arbustos perenes muito usados em cercas-vivas e topiaria no Brasil.
“O buxinho aceita muito bem a topiaria devido à intensa brotação dos seus galhos, folhas e ramos. Ele é muito usado em jardins simétricos e de estilos clássico e neoclássico, quando o paisagismo quer passar uma formalidade que combina com a arquitetura”, comenta Marina Vidal, da Sapucaia Paisagismo.
O Pazo de San Lorenzo — inicialmente chamado de San Lorenzo de Trasouto — foi um mosteiro medieval convertido em palácio residencial. Sua fundação remonta ao século 13, quando o bispo Martín Arias decidiu passar sua aposentadoria em Santiago de Compostela, onde construiu o complexo para monges franciscanos e uma igreja dedicada a São Lourenço.
A fundação do Pazo de San Lorenzo remonta ao século 13, quando foi um mosteiro medieval
LolaMento/Wikimedia Commons
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Ao longo do século 14, com dificuldades financeiras, o mosteiro passou aos cuidados da Catedral de Santiago e, posteriormente, dos Condes de Altamira, que concederam o seu usufruto aos monges. Graças aos investimentos dos nobres, San Lorenzo passou por sucessivas expansões e ganhou renome.
Em 1520, Carlos I, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, escolheu o lugar para passar seu retiro de Páscoa. Outra visitante ilustre foi a escritora e poetisa Rosalía de Castro, que buscava inspiração em seu bosque de carvalhos e lhe dedicou versos de seu poema Follas Novas.
Entre os séculos 17 e 18, foram construídas algumas das características mais marcantes do complexo, como a capela-mor, a sacristia e o claustro — este último, com planta quase quadrada (16 x 18 m), circunda o impressionante jardim de buxos, datado do século 17.
Do chão, o jardim de sebes de buxos do Pazo de San Lorenzo parece um grande labirinto
Pazo de San Lorenzo/Divulgação
Projetado no século 19, os jardins externos do local possuem uma diversidade de plantas, com mais de cem espécies diferentes, como camélias, magnólias e carvalhos.
Os franciscanos deixaram o local quando o mosteiro foi tomado pelo Estado. O Conde de Altamira da época, Vicente Pío Osorio de Moscoso, levou a confiscação à justiça, argumentando que havia doado o mosteiro para os franciscanos habitarem e que, se o abandonassem, ele deveria retornar aos seus legítimos proprietários.
Após anos de litígio e a morte do Conde, o mosteiro passou para sua filha, María Eulalia Osorio de Moscoso y Carvajal, que o ofereceu de volta aos franciscanos. Diante da recusa destes, ela o adaptou ao estilo de uma casa senhorial.
O Pazo de San Lorenzo foi declarado Bem de Interesse Cultural pelo Patrimônio Artístico Nacional da Espanha, em 1979
Pazo de San Lorenzo/Divulgação
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O Pazo de San Lorenzo foi declarado Bem de Interesse Cultural pelo Patrimônio Artístico Nacional em 1979 por seu grande valor histórico. Em 1993, o local, que ocupa uma área de cerca de 40 mil m², foi aberto como espaço para eventos.
Na parte interna, destacam-se dois grandes salões históricos. O Salão das Tapeçarias é adornado com tapeçarias flamengas do século 17 e um magnífico teto de mosaico. O Salão Nobre, de aspecto mais sóbrio, possui paredes de alvenaria em granito galego tradicional.

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