Misturar cadeiras na sala de jantar: como acertar na composição com criatividade

A sala de jantar deixou de ser um espaço rígido e formal para se transformar em um território de combinações livres. Misturar cadeiras, antes considerado um gesto ousado, tornou-se uma escolha cada vez mais comum entre arquitetos e moradores que buscam composições personalizadas. A diversidade de modelos, materiais e cores cria movimento visual, rompe com a monotonia dos conjuntos tradicionais e permite que o ambiente reflita, de fato, a personalidade da casa.

“Hoje há uma infinidade de cadeiras com designs apaixonantes, e muitas vezes é difícil escolher apenas um modelo. Misturá-las mantendo o mesmo tom, a mesma madeira ou alguma característica em comum, é uma forma interessante de personalizar o ambiente e expressar a identidade dos moradores”, diz a arquiteta Simara Mello.
Mas como adotar a tendência sem pesar a mão? Quais cadeiras funcionam realmente juntas? Existem regrinhas básicas para acertar na composição?
No projeto do arquiteto André Braz, a mesa de jantar foi composta com cadeiras Panton branca; Gravatá Palha, do Wentz Design; Escolar, de Indústrias Moderna; Calma e Matriz, da Formabruta; e Deliciosa, do Atelier Fernando Jaeger
Evelyn Müller/Divulgação
Segundo o arquiteto André Braz, é possível errar na escolha das peças — e justamente por isso a curadoria se torna essencial: “As pessoas precisam avaliar bem as opções. Nem todos os modelos combinam entre si. Vale testar as composições nas lojas, quando possível, e compreender o conjunto na totalidade”, ressalta.
A arquiteta Solange Calio concorda e destaca que a busca por cadeiras diferentes está diretamente ligada à identidade. “A cadeira é um móvel que interage intimamente com o corpo e reflete a personalidade do morador. Uma curadoria bem feita transforma o conjunto em uma composição visual, na qual cada peça contribui para uma narrativa estética única”, explica.
Nesta sala de jantar, cadeiras laranjas Cantu, da Design Brasil Mobiliário, convivem com modelos marrons da coleção pessoal da moradora. Projeto da arquiteta Solange Cálio
Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação
Para aderir à tendência, o ideal é começar aos poucos. Uma opção é variar apenas a cor ou o acabamento mantendo o mesmo modelo; outra, seguir o caminho inverso, diversificando formas e materiais, mas preservando uma paleta coerente.
Solange reforça que o segredo para evitar composições confusas está em “controlar as variáveis visuais”: repetir um elemento comum — material, cor ou proporção — já garante unidade imediata ao conjunto.
Na sala de jantar há diferentes cadeiras assinadas: Gravatá, do Wentz Design; Enxada, do Estúdio Pedro Luna; e Pedrita, de Marcelo Caruso. Projeto do escritório Angá Arquitetura
Maíra Acayaba/Editora Globo
A seguir, os arquitetos selecionaram dicas primordiais para quem deseja aderir às cadeiras diferentes na sala de jantar:
Escolha uma mesa neutra: uma mesa de linhas simples e cores discretas reduz as chances de erro quando as cadeiras são o destaque.
Altura importa: busque cadeiras com a mesma altura de assento e de encosto. Isso garante harmonia visual.
Cuidado com o destaque: evite escolher todas as cadeiras muito marcantes. Intercalar modelos mais básicos e clássicos ajuda a equilibrar o conjunto.
Priorize o conforto e a proporção: escolha peças confortáveis e que tenham proporção harmoniosa com o seu espaço.
Opte por uma cartela de cores limitada: para amarrar visualmente as peças é preciso escolher uma paleta limitada (aplicada em texturas diferentes) ou usar o mesmo material de base (como madeira ou metal).
Garanta o fluxo: independente se sua mesa é redonda, oval, quadrada ou retangular, a circulação entre a cadeira e a parede ou outro móvel deve ser de, no mínimo, 60 cm.
A mesa garimpada da Galeria Teo ganhou companhia das cadeiras Lucio, ao redor, e das cadeiras Oscar, nas cabeceiras, ambas assinadas por Sergio Rodrigues. Projeto do escritório Kas Arq
Ruy Teixeira/Divulgação
Simara também pontua como diferentes estilos podem conviver com harmonia: “Manter o tipo de madeira, uma paleta semelhante e alturas próximas costuma gerar composições naturalmente harmoniosas, independentemente do estilo. São escolhas que funcionam tanto em ambientes rústicos quanto minimalistas ou contemporâneos”.
Cadeiras diferentes contam história
Para além da estética, cadeiras distintas podem carregar narrativas pessoais e afetivas dentro da casa. O arquiteto André ressalta esse valor simbólico: “Um critério interessante é quando a peça traz história ou carrega memória afetiva. Isso sempre enriquece o ambiente”, afirma.
Na sala de jantar, na ponta da mesa, cadeira Girafa, de Lina Bo Bardi, Marcelo Ferraz e Marcelo Suzuki, da Marcenaria Baraúna. Projeto do escritório Pro.a Arquitetos
Wesley Diego/Divulgação
“A mistura intencional de antigo com contemporâneo adiciona história, prolonga a vida útil dos objetos e resulta em um visual sofisticado”, acrescenta Solange.

Nesse sentido, o mix de cadeiras deixa de ser apenas uma tendência decorativa e passa a funcionar como um arquivo vivo.
Neste projeto, o arquiteto André Braz criou uma composição original em mesa redonda, combinando cadeiras diferentes: duas iguais e uma verde em destaque
Leila Viegas/Divulgação
O conforto como ponto de partida
Quando o assunto é escolher cadeiras diferentes, o consenso entre os especialistas é direto: antes de pensar na estética, é preciso pensar no corpo.“Se uma cadeira não é confortável, ela não pode ser escolhida para a mesa”, afirma o arquiteto André, lembrando que a sala de jantar é um cômodo de permanência, onde a ergonomia faz toda a diferença.
Nesta sala de jantar, todas as cadeiras foram garimpadas em feiras flea market nos Estados Unidos. Projeto da moradora, a designer Ana Strumpf, em parceria com sua mãe, a arquiteta Regina Strumpf, do escritório RSRG Arquiteto
Victor Affaro/Editora Globo
Solange reforça essa lógica e explica que a escolha sempre começa pelo uso final. “Funcionalidade e forma devem caminhar juntas”, diz. Ou seja, o conforto nunca deve ser sacrificado; ele é a base para que o mix funcione no dia a dia.

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