“Dependendo do conceito e do estilo do cliente, escolho o mostarda para trazer personalidade, aconchego, sofisticação e até nostalgia”, explica o arquiteto Robert Robl. “Já tive cliente que queria o tom por remeter à infância — à cozinha de fórmica amarela da mãe ou da avó.”
Cores quentes e design marcam o ambiente, com sofá curvo amarelo-mostarda, modelo Bardot, da Prototype, e par de poltronas terracota Zanine H, de Zanine Caldas. Projeto do Studio Julliana Camargo.
Leila Viegas/Divulgação
A nova leitura do amarelo
Há algo de ensolarado no mostarda, mas sem a vibração estridente do amarelo puro. “O amarelo traz aconchego, alegria, energia. Ao mesmo tempo é uma cor madura e muito elegante”, diz a arquiteta Julliana Camargo.
Robert complementa: “Tansmite sensações de calor, energia e otimismo. Em ambientes sociais, cria um clima acolhedor, estimulante e, por vezes, até instigante. Os tons que utilizo não são excessivamente vibrantes. São mais sóbrios, menos saturados, e se harmonizam com espaços contemporâneos e atemporais. Assim, conferem personalidade sem se tornarem chamativos em excesso”.
O destaque é o teto pintado num tom mostarda, batizado de Trinket pela Sherwin-Williams, que reflete a luz vinda das amplas janelas com vista da paisagem externa. Projeto do escritório Pro.a Arquitetos
Gisele Rampazzo/Divulgação
Como usar o mostarda sem pesar
Se há uma ideia compartilhada entre os profissionais, é que o sucesso do mostarda depende de equilíbrio. Pode aparecer em paredes inteiras, marcenarias planejadas, estofados marcantes ou apenas em pequenos detalhes — cada aplicação cria uma atmosfera diferente.
A roupa de cama em tom amarelo-mostarda confere personalidade ao quarto. Projeto do escritório João Panaggio Arquitetura
Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação
“Quando usado com cores claras, especialmente o branco, o mostarda se destaca e se integra de forma natural”, orienta Robert, que já apostou no tom de maneira ousada. “Fiz uma cozinha integrada na qual marcenaria, paredes e teto foram pintados de mostarda, e os azulejos tinham um amarelo ainda mais vibrante. Funcionou porque os pontos de branco equilibraram tudo.”
Cabeceira de formas arredondadas estofada com veludo mostarda pela D di Casa Ateliê. Projeto do escritório Volar Interiores
Favaro Jr./Divulgação
Se você tem receio de exagerar, Robert aconselha começar pelos acessórios: “Para quem está inseguro é ideal que comece por um tecido, almofadas ou estampas”, sugere.
O sofá em tom mostarda da Cremme é o ponto focal, junto à obra de serigrafia de Marcelo Solá. Projeto do escritório CoDA Arquitetos
Julia Tótoli/Divulgação
Cores que conversam com o amarelo-mostarda
O mostarda é democrático. Se adapta a diferentes paletas sem dificuldade — desde que tenha espaço para respirar. As combinações seguras são:
Brancos e off-whites: limpam, equilibram e dão leveza.
Cinzas e concreto: criam uma base contemporânea.
Tons terrosos (argila, caramelo, ocre): reforçam o calor.
Rosa queimado: adiciona suavidade com modernidade.
Palha, sisal e fibras naturais: trazem textura e organicidade.
Já o preto exige cuidado. “Acho arriscado usar mostarda com preto sem uma cor clara intermediária. Pode ficar pesado”, alerta Robert.
Os acabamentos, como os azulejos brancos das paredes e o granito pitaya das bancadas, criam um pano de fundo monocromático para a marcenaria no tom mostarda executada pela Casa Suprema. Projeto do escritório Bloco Arquitetos
Júlia Tótoli/Divulgação
Mostarda combina com qual estilo?
Segundo os especialistas, poucas cores transitam tão bem entre linguagens quanto o mostarda. Ele conversa com o clássico, o rústico, o minimalista, o industrial e o boho.
O banheiro com ladrilho preto recebeu o tom de amarelo-mostarda na área de fora do boxe. Projeto do Studio Julliana Camargo
Evelyn Müller/Divulgação
“Um veludo nesse tom funciona em uma decoração mais clássica e em ambientes boho”, explica Robert. “E por que não no minimalismo? A cor pode aparecer sozinha, como ponto de luz, e tornar um espaço neutro muito mais interessante.”
Juliana destaca o aspecto atemporal: “Quando você escolhe um mostarda queimado, ele não fica datado. É uma cor que sustenta releituras”.
A importância da iluminação: o detalhe que faz diferença
O tom mostarda pode variar bastante conforme a iluminação. Antes da aplicação final, teste-o sob diferentes incidências de luz. Observe com atenção as sombras, a intensidade e a temperatura da cor para evitar que o mostarda escureça em excesso ou apresente um resultado diferente do desejado.
A cadeira, as almofadas e a roupa de cama conversam entre si em diferentes tons de amarelo. Projeto do escritório Pro.a Arquitetos
Felco/Divulgação
“Em livings e salas de jantar, evite luz muito branca. Prefiro iluminações menos difusas, que criam sombras e destacam as nuances da cor”, aconselha Robert.
A parede recebeu o amarelo Cuscuz, da Sherwin Willians. Quarto projetado pelos arquitetos do Estúdio Pluri
Miti Sameshima/Divulgação
Já na cozinha, onde a funcionalidade pede maior claridade, ele sugere soluções híbridas: “A luz difusa pode estar presente, mas é essencial contar também com pontos de luz direcionados”, ele completa.
Essa alternância permite que o mostarda apareça de diferentes maneiras ao longo do dia — mais suave de manhã, mais profundo à noite.



