A história e a arquitetura do Pateo do Collegio, construção que fundou São Paulo

No dia em que São Paulo completa aniversário, um endereço histórico da capital paulista celebra a mesma data. O Pateo do Collegio, local de fundação do município em 25 de janeiro de 1554, nasceu como uma cabana construída por indígenas e se transformou em colégio durante o período colonial. Hoje, o conjunto preservado reúne acervos que remetem às origens da cidade.
O Pateo do Collegio, marco da fundação de São Paulo, foi retratado por José Wasth Rodrigues em uma pintura que reconstitui sua aparência em 1858
José Rosael/Hélio Nobre/Museu Paulista da USP
“A primeira construção do Colégio de São Paulo de Piratininga, que deu origem à cidade de São Paulo, foi uma cabana de pau a pique, construída pelos indígenas. Desta construção não há vestígios materiais, apenas a descrição feita pelos jesuítas que estiveram na fundação do colégio, particularmente as descrições de São José de Anchieta”, diz Larissa Maia Artoni, historiadora e coordenadora de comunicação e relações institucionais do Pateo do Collegio.
Para Ivan Fortunato, doutor em Geografia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), os elementos geográficos do local foram o que o definiram como o espaço de fundação da capital paulista. “Trata-se de um planalto descampado, muito próximo de uma área de várzea na confluência de dois rios: local plano para construir, no alto para ver e ser visto, ao lado de solo fértil e água”, esclarece.
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“São Paulo é um dos poucos lugares que conhece o local exato do seu nascimento, por isso o Pateo do Collegio tem relação direta com a história iniciada”, comenta Larissa.
O Pateo do Collegio está localizado no que hoje é o centro da cidade, próximo a construções históricas como a Catedral da Sé, o Museu Catavento (Palácio das Indústrias) e o Farol Santander (edifício Altino Arantes, também conhecido como Banespão).
Em 2009, Cláudio Pastro, artista brasileiro, participou da última reforma da Igreja do colégio, que une linguagem contemporânea e referências coloniais no templo: azulejos inspirados no barroco, obras sacras históricas e um altar de granito rosa simbolizam a fé e a liturgia
Pateo do Collegio/Divulgação
A estrutura inicial que nasce com os indígenas foi substituída pela construção de um colégio em taipa de pilão, em 1556. De acordo com a organização do Pateo do Collegio, o arquiteto responsável por esta construção foi o jesuíta Pe. Afonso Brás (1524−1610).
Nasce assim o Colégio de São Paulo de Piratininga, que ao longo do ano recebeu diferentes intervenções arquitetônicas e de função. Na década de 1670, foram implementadas fundações mais sólidas de pedra.
Parede de taipa de pilão conservada no complexo do Pateo do Collegio
Pateo do Collegio/Divulgação
A construção se manteve até 1759, quando os jesuítas foram expulsos do local. Em 1765, o prédio tornou-se residência dos governadores de São Paulo e, depois, Palácio do Governo, recebendo uma ala lateral, a qual foi demolida na década de 1870. “A construção foi feita e refeita conforme as circunstâncias. Hoje, mantém-se como repositório de tão complexa história”, observa Ivan.
Apesar das intervenções ao longo dos anos, o complexo preserva características das construções coloniais, como a parede de taipa do século 16 e as fundações de pedra do século 17. “O prédio tem estilo colonial, com traços singelos e algumas referências à arquitetura clássica, como o frontão da igreja”, aponta Jéssica Carvalho Silva, arquiteta do Complexo Pateo do Collegio.
A construção original do Pateo do Collegio, feita em pau a pique, deu origem ao núcleo urbano que se transformaria na metrópole atual
Edsonaoki/Wikimedia Commons
Técnicas construtivas de concreto armado e a alvenaria de tijolos convivem com os materiais preservados nos últimos séculos.
Segundo Jéssica, a conservação é feita de maneira preventiva. “Há uma rotina de atividades de manutenção, como limpeza de calhas e telhados, poda de árvores e dedetização. O olhar atento dos colaboradores da conservação para cada pequena transformação no prédio é fundamental para mapear e detectar possíveis problemas em estágio inicial.”
A arquitetura do Pateo do Collegio, marcada pela simplicidade jesuítica e pela força simbólica, testemunha a fundação da capital paulista e a transformação da metrópole ao redor
Flickr/Bruno Pedrozo/Creative Commons
Hoje, o Pateo do Collegio reúne acervo, pesquisas e ações educativas. O complexo é constituído pela Igreja São José de Anchieta; o Museu de Anchieta, que reúne arte sacra e religiosa que datam do século 16 até o século 20, e mapas e maquetes que contextualizam a história do local.
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Além disso, abriga a Biblioteca Pe. Antônio Vieira, que conta com um acervo bibliográfico especializado na história de São Paulo e da Companhia de Jesus.
Cripta do Pateo do Colégio, onde está disponível parte do acervo histórico de São Paulo
Pateo do Collegio/Divulgação
Entre os prédios da igreja e do antigo colégio, onde está o Museu Anchieta, configura-se um jardim interno, nomeado de Praça Ilhas Canárias.
“É um espaço com mais de 470 anos de ocupação, que acompanhou o crescimento da metrópole ao seu redor”, analisa Ivan. “Hoje, o Pateo funciona como guardião da memória paulistana: do período colonial, representado pelo Museu Anchieta, ao baronato do café, marcado pelos edifícios das Secretarias de Estado — obras pioneiras de Ramos de Azevedo —, até o império financeiro, visível no topo do edifício Altino Arantes, o Banespão.”
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Com mais de 400 anos de história, o complexo foi tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental do Município de São Paulo em 2015. A resolução considerou o local como sítio de fundação da capital paulista e reconheceu o valor das edificações, com variadas tipologias e estilos arquitetônicos.
Hoje, o complexo do Pateo do Collegio é mantido por iniciativa particular pela Companhia de Jesus, ordem religiosa dos jesuítas.

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