Apartamento de 79 m² resgata memória afetiva com piso de taquinhos e luz natural

Mudar para um apartamento novo não significava, para o jovem casal, abdicar da atmosfera afetiva que marcava o antigo lar. Ao contrário: o principal desejo era preservar sensações, memórias e modos de viver — traduzidos em materiais naturais, piso de taquinho de madeira e ambientes pensados para a convivência familiar.
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Com 79 m² e entregue no contrapiso, o imóvel na Chácara Klabin, na capital paulista, foi redesenhado do zero para acolher a rotina do casal e da filha, em um espaço funcional, leve e cheio de identidade.
LIVING INTEGRADO | Entre os pedidos dos proprietários, um era inegociável: o piso de taquinhos, uma memória afetiva da antiga morada, aplicado em madeira de demolição na área social e íntima. A paleta segue a inspiração da natureza, com tons terrosos, bege e verdes suaves
Julia Novoa/Divulgação
“O pedido era muito claro: manter a alma do antigo apartamento, mesmo em uma nova morada”, explica a arquiteta Claudia Lopes, do Studio Canto (@studio.canto), que conta com os sócios Amélia Ribeiro e Tiago Oliveiro. A partir dessa premissa, o projeto apostou em um layout mais inteligente, que valorizasse a luz natural e promovesse integração entre os cômodos, sem perder conforto ou organização.
COZINHA | Deslocada para a área originalmente destinada à lavanderia, a cozinha, agora mais iluminada, tem marcenaria com tons de bege e terrosos, aliando-se ao piso Terralma Sardenha, da Portobello. Persianas da Sol & Arte
Julia Novoa/Divulgação
A transformação começou pela planta. A cozinha foi deslocada para a área originalmente destinada à lavanderia, o que permitiu criar uma área de serviço separada, ventilada e discreta — sem comprometer a varanda, considerada um dos recintos mais agradáveis do apartamento.
“Não fazia sentido ocupar o espaço mais iluminado da casa com a lavanderia. A mudança foi essencial para melhorar o uso do dia a dia”, comenta Claudia. Com isso, sala, cozinha e varanda passaram a se conectar de forma fluida, ampliando a circulação e a luminosidade.
SALA DE JANTAR | Integrada à cozinha e à sala de estar, a área do jantar é composta por mesa Tango e cadeiras Canoa, de Fernando Jaeger, delineada pelo piso Terralma Sardenha, da Portobello, aplicado de forma orgânica. Luminárias pendente da Reka
Julia Novoa/Divulgação
O conceito do projeto se apoia em uma paleta inspirada na natureza, com tons de bege, verdes suaves e terrosos, além de madeira clara. “As cores criam unidade, trazem calma e reforçam a sensação de acolhimento que eles buscavam desde o início”, afirma Claudia.
A escolha dos materiais segue a mesma lógica: marcenaria clara e funcional, revestimentos leves e soluções bem planejadas de armazenamento. O piso de taquinhos, pedido inegociável dos moradores, percorre todo o apartamento e reforça o vínculo emocional com a antiga morada.
SALA DE ESTAR | Sofá em tom terroso, da Lider Interiores, é o destaque do ambiente, com almofadas da Black Angel. Banquinho de madeira Leno, da Ilha do Ferro. Tapete da Koord. Luminárias da Reka
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Na sala, o banco de madeira da Ilha do Ferro e os objetos em fibras naturais reforçam o clima acolhedor. A cozinha combina revestimento do piso inspirado na terra com marcenaria clara e um pendente sobre a mesa redonda, combinação que traz equilíbrio entre funcionalidade e personalidade.
Na decoração, objetos carregados de memória dividem espaço com peças escolhidas especialmente para o novo endereço. Livros, itens de viagem e coleções pessoais aparecem de forma orgânica, especialmente no escritório, onde o acervo do morador ganha protagonismo.
ESCRITÓRIO | Apelidado carinhosamente de “bunker”, o home office tem bancada e estante executadas com MDF Louro Freijó, da Arauco. Na mesma linguagem, o piso de taquinhos de madeira de demolição e a persiana da Sol & Arte conferem aconchego ao ambiente. Parede pintada de Verde-colegial, da Suvinil. Trilho de spots e luminária de parede da Reka
Julia Novoa/Divulgação
Cada ambiente revela um cuidado específico, mas todos dialogam entre si. A área social se destaca pela integração e pela luz abundante; a varanda funciona como extensão; o quarto aposta em soluções sob medida para manter a tranquilidade; e os espaços de trabalho foram pensados para atender diferentes ritmos e necessidades.
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Outras paredes internas foram reposicionadas. O antigo lavabo deu lugar a uma pequena biblioteca com cantinho de trabalho para Milena, que usa o home office de forma pontual. Já o escritório principal — apelidado carinhosamente de “bunker” — foi redesenhado para atender às necessidades do Rodrigo, que precisava de um ambiente completo e silencioso para o trabalho remoto.
SUÍTE | Clean, o quarto tem ponto de cor na cabeceira estofada de tecido verde, da Sol & Arte. Marcenaria executada com MDF Curupixá, da Guararapes. Luminárias da Reka. Roupa de cama da Casa Trópico, com almofadas da Black Angel. Quadro de Danilo Zamboni. Espelho adquirido na Westwing. Piso de taquinhos de madeira de demolição
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O “bunker” ganhou uma ampla bancada, estantes generosas para livros, jogos e objetos afetivos, além de uma abertura voltada para a sala. “Essa conexão visual permite que ele continue integrado à dinâmica da casa, mesmo nos momentos de concentração”, explica a arquiteta.
Na área íntima, o redimensionamento dos ambientes trouxe ganhos importantes. A suíte do casal ficou mais ampla e passou a contar com um closet logo na entrada, além de nova configuração para o banheiro, agora com bancada mais generosa. “É um projeto que traduz o ritmo dessa família: leve, consciente e cheio de afeto”, resume Claudia.

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