Casa-ateliê de Tomie Ohtake inaugura nova fase com mostra dedicada a Ruy Ohtake

A antiga residência da artista Tomie Ohtake (1913-2015), no bairro do Campo Belo, em São Paulo, passa a ser um braço permanente de exposições do Instituto Tomie Ohtake. Para marcar a nova fase, o espaço, conhecido como Casa-ateliê Tomie Ohtake, irá receber, a partir de 07 de março, a exposição Ruy Ohtake – Percursos do habitar.
Um exemplo da arquitetura brutalista, a casa foi projetada em 1966 por Ruy Ohtake (1938-2021), filho de Tomie, para ser a moradia da artista. Após o falecimento da matriarca, ela permaneceu fechada, abrindo ao público pontualmente em alguns eventos. Agora, segundo a curadora do espaço Sabrina Fontenele, ela retoma sua vocação ao se tornar um local dedicado à arquitetura, ao design e às artes em geral.
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“A Casa-ateliê Tomie Ohtake sempre foi mais do que uma residência: por mais de quatro décadas, reuniu moradia, trabalho e encontros de Tomie Ohtake, em uma arquitetura projetada por Ruy Ohtake que já priorizava os espaços coletivos, pensados como uma “praça coberta” para convivência, trocas e diálogo com a cena cultural. Reconhecida por sua relevância arquitetônica e simbólica, a casa sempre teve uma vocação pública, ainda que ativada de modo pontual. A mudança não é uma ruptura, mas um desdobramento natural dessa história. Entende-se que a melhor forma de preservar esse patrimônio é mantê-lo vivo, habitado por arte, cultura e pensamento. Ao passar a integrar de maneira contínua a programação do Instituto Tomie Ohtake, a Casa-ateliê assume plenamente seu potencial como espaço de exposições, encontros e experiências, em diálogo com o legado de Tomie, Ruy e Ricardo Ohtake”, reflete Sabrina, em depoimento à Casa Vogue.
Exposição Ruy Ohtake – Percursos do habitar
Antiga residência de Tomie Ohtake passa a ser um braço permanente de exposições do Instituto Tomie Ohtake
Cristiano Mascaro/Divulgação
Com curadoria de Catalina Bergues e Sabrina Fontenele, a exposição Ruy Ohtake – Percursos do habitar reúne seis projetos residenciais do arquiteto Ruy Ohtake, realizados entre as décadas de 1960 e 2010, explorando a casa como espaço central de sociabilidade, memória e construção da vida cotidiana.
A exposição apresenta cinco residências unifamiliares projetadas por Ruy Ohtake entre as décadas de 1960 e 2000 – a Casa-ateliê Tomie Ohtake (1966), a Residência Chiyo Hama (1967), a Residência Nadir Zacarias (1970), a Residência Domingos Brás (1989) e a Residência Zuleika Halpern (2004), além do Condomínio Residencial Heliópolis (2008/2009), conhecido como “Redondinhos”.
A mostra é composta por maquetes de todas as casas e do conjunto habitacional, fotografias históricas das construções e registros recentes, além de desenhos técnicos e croquis, o que permite ao visitante acompanhar tanto os processos de concepção quanto as transformações desses espaços ao longo do tempo. Um conjunto de vídeos com depoimentos dos moradores aprofunda a dimensão vivencial da mostra, reunindo relatos sobre o cotidiano, os usos dos espaços e as formas de convivência possibilitadas por essas arquiteturas.
A exposição “Ruy Ohtake – Percursos do habitar” fica em cartaz até 31 de maio
Cristiano Mascaro/Divulgação
Segundo os organizadores, Ohtake desenvolveu uma arquitetura comprometida com o coletivo e com a mediação sensível entre o indivíduo e a cidade. Na exposição, esses projetos habitacionais evidenciam como, em diferentes contextos urbanos, escalas e momentos históricos, o arquiteto construía uma reflexão crítica sobre o modo de viver contemporâneo, transformando cada proposta em uma investigação concreta sobre as formas de habitar.
“Um dos desafios mais interessantes era adequar a exposição a um espaço residencial com o cuidado de apresentar a obra e trajetória da Tomie, como também o legado da família Ohtake. Assim, a decisão de abrir a Casa-ateliê para o público com uma exposição que trata das habitações projetadas por Ruy Ohtake tinha a intenção de explicitar suas intenções projetuais, sua pesquisa constante por tecnologias contemporâneas e as ideias de sociabilidade e intimidade frequente em seus projetos residenciais. Essas ideias se apresentam no próprio edifício da Casa-ateliê e nas construções apresentadas por meio de desenhos, maquetes, fotografias e vídeos”, comenta Sabrina.
O futuro da Casa-ateliê Tomie Ohtake
Condomínio Residencial Heliópolis é um dos seis projetos residenciais do arquiteto Ruy Ohtake, que compõe a exposição
Cristiano Mascaro/Divulgação
A exposição “Ruy Ohtake – Percursos do habitar” fica em cartaz até 31 de maio. A Casa-ateliê, entretanto, deve receber outras atividades em breve. “O Instituto Tomie Ohtake tem interesse em ampliar as discussões relativas às artes, à arquitetura e ao design. Para isso, estão previstas exposições, apresentações musicais, performances e programas de residência nos próximos meses”, finaliza Sabrina.
Ruy Ohtake – Percursos do habitar Local
Onde: Casa-ateliê Tomie Ohtake. Rua Antônio de Macedo Soares, 1800. Campo Belo, São Paulo, SP.
Período: 7 de março a 31 de maio de 2026. De quinta a domingo, das 10h às 17h.
Ingresso: R$ 50,00. Mais informações @institutotomieohtake.
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