O ciclo de vida de uma casa icônica é complexo. Novas mãos podem interferir no seu equilíbrio, mas, ao mesmo tempo, ela deve estar aberta a evoluir com o passar dos anos. Afinal, trata-se de um espaço construído para ser habitado. Ezequiel Pini, designer e artista digital argentino, mais conhecido como Six N. Five, encontrou na Casa Riera, também chamada Casa Semienterrada, um lugar cujo caráter pioneiro se alinha ao seu. Projetada pelo barcelonês Javier Barba em 1986 na região de Maresme, Catalunha, é a primeira residência bioclimática do arquiteto: uma revolução para a época.
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A cobertura ajardinada da residência semienterrada é um dos recursos que a integram ao entorno
Salva López | Estilo: Ana Rojas
A morada fica em um terreno íngreme, com acesso à rua pela parte superior e vista para um bosque de pinheiros e o Mar Mediterrâneo. O arquiteto lembra ter caminhado pelo local durante dias, “de manhã, ao meio-dia e à noite, para entender a geografia e a vegetação existente”, diz, até chegar à conclusão de que uma casa semienterrada com cobertura ajardinada seria a melhor maneira de integrar a construção ao entorno. Sua intenção sempre foi “criar uma fachada dramática e instigante que não interferisse na paisagem, fundindo sua materialidade com as rochas graníticas da região”, garante. Paredes de concreto misturadas com quartzo, feldspato e mica criam um efeito pétreo, acompanhado por diversas plantas nativas da região.
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A entrada se dá por uma escada, como se o visitante mergulhasse na natureza para penetrar na casa
Salva López | Estilo: Ana Rojas
Detalhe das fachadas revela a intenção do arquiteto de que elas interferissem o mínimo possível na paisagem
Salva López | Estilo: Ana Rojas
O fato de estar escondida também implica um maior aproveitamento da energia, como dita a arquitetura tradicional, “na qual a obra se adapta ao contexto e ao estilo de vida de seus moradores, e onde a profunda conexão com o entorno transforma a maneira como o lugar é habitado”, observa Javier, fundador do BC Estudio Group. O mimetismo é tanto que, durante sua construção, um turista alemão entrou na área à noite e montou uma barraca no telhado pensando se tratar de um terreno vazio.
Trata-se de criar espaços e objetos que se integrem ao ambiente e respeitem seu ritmo
O living semicircular é o ponto central da morada, enquanto os quartos, a cozinha e a sala de jantar estão dispostos em volumes retangulares voltados para o sul, com vistas para o Mar Mediterrâneo
Salva López | Estilo: Ana Rojas
Detalhe do living, com marcenaria que acompanha a curvatura da parede
Salva López | Estilo: Ana Rojas
Outro ângulo do living exibe poltrona Pacha, design Pierre Paulin para a Gubi
Salva López | Estilo: Ana Rojas
Quando Ezequiel Pini a visitou pela primeira vez, ficou maravilhado. “Minha impressão imediata foi a de estar em uma obra de arte. Ao chegar, fiquei hipnotizado pelo entorno, a ponto de esquecer que estava vendo uma casa. Sem saber para onde ir, me deparei com a escada de entrada. Para entrar, você mergulha na natureza – há um toque mágico nisso”, diz. Inevitavelmente, fez amizade com os antigos proprietários: “Eles viram em meu perfil uma continuação da vida deles neste lugar. Minha abordagem é tanto apreciar quanto valorizar a arquitetura original. Sinto um vínculo profundo com sua história e quero preservá-la o máximo possível”, acrescenta.
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Javier Barba (à esq.) e Ezequiel Pini caminham pelo telhado coberto por jardim
Salva López | Estilo: Ana Rojas
Outra vista da cobertura ajardinada revela a maneira harmônica com a qual a construção se incorpora ao terreno
Salva López | Estilo: Ana Rojas
Para Ezequiel, a sustentabilidade é um princípio que vai além dos materiais ou da energia renovável. “Trata-se de criar espaços e objetos que se integrem ao ambiente e respeitem seu ritmo”, explica. O local também abrigará o estúdio do artista em uma área adjacente, de modo que o aspecto material e ecologicamente responsável da arquitetura será complementado por uma dimensão digital em constante evolução. “Quero que neste lugar meu trabalho se expanda em harmonia com o ambiente, usando diferentes mídias, com limites cada vez mais tênues. Gostaria que o digital não apenas completasse a casa, mas a transformasse.” O argentino imagina esculturas que mudem em tempo real conforme o clima ou as estações do ano, e que interajam com as pedras sem serem percebidas como uma interrupção. “Estamos a caminho de um mundo cada vez mais híbrido. Criar vegetação imaginária me dá uma sensação parecida com a que experimento quando cuido de uma planta no jardim. Torna-se uma prática meditativa”, filosofa.
É vital promover a conservação ambiental e práticas de construção responsáveis
A escada evidencia as materialidades da construção
Salva López | Estilo: Ana Rojas
Arquiteto e proprietário compartilham o respeito pela sabedoria ancestral da natureza e a paixão pela inovação. Javier é um pioneiro da arquitetura sustentável, e a Casa Riera marcou um ponto de virada em sua carreira. Hoje, suas palavras mostram que seu estúdio, onde continua trabalhando com os filhos, permanece na vanguarda do movimento: “Em um futuro não muito distante, novos materiais nos permitirão construir mais rápido e ter um foco mais profundo na eficiência energética, mas também é vital promover a conservação ambiental e práticas de construção responsáveis”, defende.
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A piscina da casa, também inserida de maneira discreta em meio à vegetação
Salva López | Estilo: Ana Rojas
Para Ezequiel, conhecer o arquiteto foi um privilégio: “Javier Barba foi muito generoso com seu apoio e envolvimento no processo de reimaginar a habitação e pensá-la para o futuro. Falamos a mesma língua. Com nosso trabalho, nós, criadores, deixamos sementes plantadas em um momento específico, e é bonito vê-las brotar anos depois, como neste caso”.
Tradução: Adriana Mori
*Matéria originalmente publicada na edição de outubro/2025 da Casa Vogue (CV 477), disponível em versão impressa, na nossa loja virtual e para assinantes no app Globo Mais.
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A cobertura ajardinada da residência semienterrada é um dos recursos que a integram ao entorno
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A morada fica em um terreno íngreme, com acesso à rua pela parte superior e vista para um bosque de pinheiros e o Mar Mediterrâneo. O arquiteto lembra ter caminhado pelo local durante dias, “de manhã, ao meio-dia e à noite, para entender a geografia e a vegetação existente”, diz, até chegar à conclusão de que uma casa semienterrada com cobertura ajardinada seria a melhor maneira de integrar a construção ao entorno. Sua intenção sempre foi “criar uma fachada dramática e instigante que não interferisse na paisagem, fundindo sua materialidade com as rochas graníticas da região”, garante. Paredes de concreto misturadas com quartzo, feldspato e mica criam um efeito pétreo, acompanhado por diversas plantas nativas da região.
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A entrada se dá por uma escada, como se o visitante mergulhasse na natureza para penetrar na casa
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Detalhe das fachadas revela a intenção do arquiteto de que elas interferissem o mínimo possível na paisagem
Salva López | Estilo: Ana Rojas
O fato de estar escondida também implica um maior aproveitamento da energia, como dita a arquitetura tradicional, “na qual a obra se adapta ao contexto e ao estilo de vida de seus moradores, e onde a profunda conexão com o entorno transforma a maneira como o lugar é habitado”, observa Javier, fundador do BC Estudio Group. O mimetismo é tanto que, durante sua construção, um turista alemão entrou na área à noite e montou uma barraca no telhado pensando se tratar de um terreno vazio.
Trata-se de criar espaços e objetos que se integrem ao ambiente e respeitem seu ritmo
O living semicircular é o ponto central da morada, enquanto os quartos, a cozinha e a sala de jantar estão dispostos em volumes retangulares voltados para o sul, com vistas para o Mar Mediterrâneo
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Detalhe do living, com marcenaria que acompanha a curvatura da parede
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Outro ângulo do living exibe poltrona Pacha, design Pierre Paulin para a Gubi
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Quando Ezequiel Pini a visitou pela primeira vez, ficou maravilhado. “Minha impressão imediata foi a de estar em uma obra de arte. Ao chegar, fiquei hipnotizado pelo entorno, a ponto de esquecer que estava vendo uma casa. Sem saber para onde ir, me deparei com a escada de entrada. Para entrar, você mergulha na natureza – há um toque mágico nisso”, diz. Inevitavelmente, fez amizade com os antigos proprietários: “Eles viram em meu perfil uma continuação da vida deles neste lugar. Minha abordagem é tanto apreciar quanto valorizar a arquitetura original. Sinto um vínculo profundo com sua história e quero preservá-la o máximo possível”, acrescenta.
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Javier Barba (à esq.) e Ezequiel Pini caminham pelo telhado coberto por jardim
Salva López | Estilo: Ana Rojas
Outra vista da cobertura ajardinada revela a maneira harmônica com a qual a construção se incorpora ao terreno
Salva López | Estilo: Ana Rojas
Para Ezequiel, a sustentabilidade é um princípio que vai além dos materiais ou da energia renovável. “Trata-se de criar espaços e objetos que se integrem ao ambiente e respeitem seu ritmo”, explica. O local também abrigará o estúdio do artista em uma área adjacente, de modo que o aspecto material e ecologicamente responsável da arquitetura será complementado por uma dimensão digital em constante evolução. “Quero que neste lugar meu trabalho se expanda em harmonia com o ambiente, usando diferentes mídias, com limites cada vez mais tênues. Gostaria que o digital não apenas completasse a casa, mas a transformasse.” O argentino imagina esculturas que mudem em tempo real conforme o clima ou as estações do ano, e que interajam com as pedras sem serem percebidas como uma interrupção. “Estamos a caminho de um mundo cada vez mais híbrido. Criar vegetação imaginária me dá uma sensação parecida com a que experimento quando cuido de uma planta no jardim. Torna-se uma prática meditativa”, filosofa.
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Arquiteto e proprietário compartilham o respeito pela sabedoria ancestral da natureza e a paixão pela inovação. Javier é um pioneiro da arquitetura sustentável, e a Casa Riera marcou um ponto de virada em sua carreira. Hoje, suas palavras mostram que seu estúdio, onde continua trabalhando com os filhos, permanece na vanguarda do movimento: “Em um futuro não muito distante, novos materiais nos permitirão construir mais rápido e ter um foco mais profundo na eficiência energética, mas também é vital promover a conservação ambiental e práticas de construção responsáveis”, defende.
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Tradução: Adriana Mori
*Matéria originalmente publicada na edição de outubro/2025 da Casa Vogue (CV 477), disponível em versão impressa, na nossa loja virtual e para assinantes no app Globo Mais.
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